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Capa do romance Série Legados Eternos Lobisomem O Primogênito

Série Legados Eternos Lobisomem O Primogênito

Soraia e Augusto tentam unir lobisomens e vampiros contra uma ameaça fatal, enquanto Amy descobre ser uma poderosa Guardiã enviada para enfrentar os xamãs dragão. Em Lacrimal City, um grupo cruel caça as criaturas sobrenaturais em meio ao caos. Enquanto Miranda definha à medida que Soraia ganha poder, a invejosa Maya planeja vingança carregando o filho de Julio Cesar. No fim, a polícia depende desses monstros para deter a carnificina, exceto no amor de Sergio por Malvina.
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Capítulo 2

A floresta abriu-se como um corredor de eucaliptos, desde que eles saíram da caverna onde dormiram.

O cheiro era muito agradável mas, infelizmente não bastava para apagar os sonhos terríveis que atormentavam a mente de Augusto. Ele tentava disfarçar, mas a cada encontro de olhar com Soraia, ele via que ela percebia seus tormentos.

O ar estava carregado, palpável e, a que mais sentia isso era Amy que evitava olhar para Augusto, pois quando o fazia via uma aura translucida o acompanhando e, imediatamente, fechava os olhos e enterrava o rosto no pescoço de Marcus que a abraçava e trocava um olhar cúmplice com Soraia que estava ficando louca com a situação.

Abruptamente, Soraia passou por Augusto e estacou a sua frente, fazendo-o colidir com o seu corpo- mas não caíram- e encararam-se.

– E então, vai me contar o porquê dessa cara? – exigiu ao postar suas mãos naquele peito sólido e, soube de algum jeito paranormal que Augusto iria mentir.

– Nada- mentiu na cara dura.

–– E o sonho de ontem não é...

-Eu já disse – está mentindo - que não é nada –sabia que não iria adiantar nada mentir ou tentar pelo menos, principalmente de Soraia que parecia entrar em sua alma e desnuda-la.

– -Por favor, me conta que sonho é esse que te deixou tão perturbado? Será que não vê como tô preocupada? E a Amy – olhou para a amiga – mal consegue te olhar, por que vê algo te cercando!

– Augusto suspirou e, com sinceridade, pediu desculpa aos amigos pela situação.

– Por que você não se abre conosco? – incitou Marcus ao apertar o ombro do amigo em sinal de apoio.

-Por que não é só um sonho, e, sim uma lembrança que há muito tempo eu não revivia.

– De sua família?

– Principalmente com meu pai e meu irmão. Eu sinto que algo tá pra acontecer, mas não sei o que é.

Augusto caminhou de um lado para o outro aflito e terminou por sentar-se sobre uma pedra, dobrar os joelhos e apoiar os cotovelos ali e esconder o rosto nas mãos.

Soraia parou a sua frente, retirou seu rosto de suas mãos e o trouxe a si –fala comigo, eu estou do seu lado pro que der e vier – mas ele apenas pegou suas mãos e as beijou junto com a frase- vamos deixar pra outra hora – e levantou-se levando-a consigo aos amigos de novo.

Não pense que vou desistir. Se ele é um lobo cabeça dura, eu sou a vampira cabeça dura.

Os amigos seguiram em frente, em busca da mãe de Soraia e, quanto a Amy tinha de ir disfarçando suas expressões já que continuava vendo aquela aura a cercar o amigo.

Ezequiel o lobo dos cabelos ralos e olhos de azeitona que sempre cuidara de Augusto como um irmão mais velho mal conseguia se aguentar de vontade de mandar tudo pro inferno e ir até o grupo e arrasta-los de volta para o acampamento, mas a cada vez que tinha este intenção, Vandressa o impedia com -você sugeriu que os seguíssemos de longe – este longe deveria ser de mais de 2

quilômetros para que o vento não os denunciasse então faça cumprir o seu pedido-lembrou ao olhar de Ezequiel para os demais protetores e de volta a ele que mesmo rosnando permaneceu no lugar. O caminho era longo, mas de onde estavam viam a

cadeia de montanhas e cavernas e, para alívio de Soraia a brisa trazia ás suas narinas o cheiro que, embora fraco, ela reconhecia como sendo o da mãe.

-Deus permita que minha mãe esteja bem – orou em prece ao olhar para o céu celestial acima de suas cabeças.

-Soraia – Augusto lhe pegou o rosto e o virou para si- sua mãe tem o mesmo sangue que corre em suas veias.

-Forte, ousado e destemido – lembrou Amy ao ir até a amiga e abraça-la.

- Mas minha mãe se privou da vampira nela a anos.

-E ninguém é capaz de se privar do seu próprio sangue – rebateu Marcus.

O sol já estava baixo no horizonte, seu brilho alaranjado se infiltrava por entre as montanhas como um lençol na brisa calma.

-Está tudo tão calmo que me assusta – murmurou Soraia com os braços cruzados e os olhos a vaguear pelos arredores como se procurasse algo. Amy estava ao seu lado e concordou- até o vento parece estar morto por aqui – e olhou para os lados como

se algo fosse sair e ataca-los.

Augusto e Marcus vinham lado a lado e vez ou outra espreitavam aqui e ali, pois compartilhavam do sentimento de vigia. E bem faziam eles, afinal olhos se esgueiravam por entre as árvores também em vigia.

Depois de vários minutos de um silêncio gritante ao redor, um toque de celular ecoou. Era o de Soraia que tão concentrada que estava demorou a perceber o toque de seu celular-Shania Twain- em seu bolso e, quando o pegara viu o rosto da tia Malvina.

-Oi, tia?!

-Por que demorou tanto pra atender, menina? -perguntou em tom de preocupação.

-Desculpa, é que o clima a nossa volta não inspira conforto – explicou-se.

Malvina andava de um lado para o outro em frente a sua frente – ainda estava na delegacia e eram quase 8:00 horas -e seu turno estava quase encerrando.

-E então, já encontrou sua mãe?

-Não -disse triste- mas o cheiro de seu sangue já chegou até mim e está cada vez mais forte. Malvina umedeceu os lábios com a ponta da língua e, disfarçadamente enxugou uma lágrima que teimou em rolar por sua bochecha.

-Assim que encontrar, por favor, me ligue.

-Claro- dissera apenas e ambas desligaram.

Malvina estava tão atenta a voz de sua sobrinha para não perder uma palavra sequer, que nem percebera a entrada de Sergio e Sofia na sala.

-Oi, Malvina – Sofia veio ao seu encontro e a abraçou e beijou –a cheia de carinho. Sergio se manteve distante, embora quisesse muito abraça-la e beija- la...mas não na bochecha, então perguntou:

- E então, quais são as notícias? Sua sobrinha achou Katrina?

-Não, mas Soraia disse que falta pouco para acha-la. Eu pedi que assim que acontecer que me ligue.

-Sabe, seu horário já está encerrado –replicou Sergio gesticulando para o relógio em forma de folhas á parede a mostrar 8:00 horas – que tal jantar conosco?

-Por favorzinho – implorou Sofia com um sorrisinho, as mãos em prece e olhar de abandono. Malvina suspirou.

-Eu aceito.

-Uhuuu! - comemorou Sofia. Sergio riu ao pegar a bolsa de Malvina sobre a mesa, deixando ela perplexa quando a empurrou porta á fora.

Maya estava vomitando no banheiro – ela passava a maioria do tempo na casa de Verônica, mas sempre se escondendo dos pais da mesma – e isso vinha acontecendo a alguns dias. Os dois casos.

Verônica estava cansada de repetir a mesma coisa, e agora o fazia de novo - Maya, vá ao médico. Eu posso estar enganada, mas acho que você pode estar grávida.

Maya então saiu do banheiro enxugando o rosto em uma toalha.

-Eu não posso ir ao médico. Esqueceu de tudo o que fiz, a primeira coisa que me aconteceria seria a morte.

-E a segunda coisa, seria você matar a todos –confirmou Verônica ao pegar sua bolsa prateada e prepara-se para sair.

-Onde você vai?- perguntou-lhe Maya.

-Já que você não pode ir a um médico, então vamos recorrer ao bom e velho teste de farmácia.

Maya sorriu em agradecimento e abraçou a amiga-muito obrigado por você existir e estar do meu lado – e sorriram.

- Mesmo sendo contra muitas coisas que você faz, eu te considero demais para te abandonar.

-Agora – se afastaram – me espere aqui, eu já volto – Maya sorriu e Verônica saiu.

Algum tempo depois, Verônica já andava de um lado para o outro em frente a porta do banheiro, ansiosa para que Maya saísse logo.

Maya estava em frente ao espelho, seu sorriso era diabólico ao constatar que, de fato, estava grávida.

Qualquer garota estaria feliz e preocupada, mas Maya estava muito feliz- pena que pelos motivos errados- e preocupação era um sentimento longínquo

-Julio Cesar, você não vai representar nada perto do que o meu filho irá fazer no mundo- murmurou.

-Maya, qual foi o resultado? - ecoou uma voz preocupada e curiosa do outro lado da porta. Maya riu.

Raina e Ivan se hospedaram na casa de Malvina e com toda a tensão do desaparecimento de Katrina,

Raina deitou-se cedo- bem antes do marido- que optou por distrair-se com um filme. Pela expressão de seu rosto-segundos antes tranquilo algo a estava atormentando.

Bem como a Sheila que também se recolhera mais cedo por não estar com seu filho, a saudade levando-a a exaustão.

No instante em que Maya gritou –estou grávida!

Raina e Sheila tiveram um sobressalto em suas casas e rezaram no silêncio do quarto – que Deus nos ajude – pois ela souberam que tempos de crueldade ainda mais sangrentas estavam por vir.

Soraia estava enfraquecendo, ela sentia isso em seus nervos, tendões, veias, mas não entendia o porquê, afinal ela era uma vampira – e não qualquer vampira, mas a Rainha Kaxal.

A cada passo parecia que ia cair em um buraco, seus olhos estavam ardendo e embaçados e seus sentidos fracos.

Amy riu de algo que Marcus dissera a Augusto e, quando olhou para Soraia para compartilhar o sorriso viu uma aura vermelha cruzar pelo corpo da amiga e antes mesmo de conseguir falar para Augusto, Soraia tombou ao chão.

-Amy, você vê algo em Soraia? - perguntou Augusto já com Soraia em seu colo, tentando acorda-la com beijos e lhe chamando.

-Sim, mas mal deu tempo de falar. A sombra cruzou por seu corpo e ela caiu - disse Amy ao tocar o rosto da amiga e chama- la.

Marcus levou seus dedos aos olhos de Soraia e os viu humanos sem o consentimento dela, o que quer dizer que o corpo humano precisa de sangue pra ativar o vampírico.

-Soraia precisa se alimentar – disse convicto.

-E como você sabe? - perguntou Augusto com um tiquinho de ciúme por outro conhecer mais sua Soraia do que ele próprio.

-Por que para nós, vampiros, não é bom sinal nossos olhos voltarem a cor humana sem permitirmos, que é o caso de Soraia.

Augusto abriu os olhos de Soraia - estão negros –constatou.

-A cor dos olhos humanos dela sem ela requisita-los.

-Mas todo vampiro esconde seu olhar de criatura sob o humano – constatou Amy.

-Sim – concordou Marcus – mas abra os olhos dela novamente e fique observando. E assim Amy o fez e todos viram os olhos de Soraia ficarem mudando do negro para o vermelho constantemente .

-O sangue dela está fraco e não sabe qual identidade assumir- demandou ao levantar-se. -

-O que você vai fazer?- perguntou Amy encarando-o.

-Vou procurar algum animal – disse ao ver Augusto abrir e fechar a boca, mas acrescentou- eu vou, pois algo me diz que essa floresta não é nada segura.

-E você ainda quer ir sozinho? - repreendeu Amy.

Marcus agachou-se a sua frente, tocou seu rosto e deu-lhe um beijo breve- não se preocupe, afinal eu sei voar- e transformou-se em morcego antes que o olhar de Amy o fizesse ficar.

-Amy- Augusto a chamou de volta ao presente, pois ela ficara olhando para o morcego que sumia por entre as árvores - ele vai voltar, pelo amor de vocês dois.

-Eu espero, porque, do contrário, eu vou atrás dele e o mato- brincou em tom sério.

Como exímio caçador, minutos depois, Marcus voltara com um ‘improviso de prato’ - um pedaço de árvore, com certeza ele o ‘moldou’ com as próprias garras para se parecer com um prato e o encheu de sangue.

Marcus ajoelhou-se ao lado de Soraia e pôs o recipiente em frente ao rosto dela erguido por Amy, para que sentisse o cheiro agridoce, quente e fresco do sangue. Assim que o fez, recobrou aos poucos os sentidos e com a ajuda da amiga e Augusto,

agora, a amparando por trás, bebeu todo o sangue que até escorreu pelas laterais de seus lábios enquanto seus olhos explodiam em deleite. Da vampira para a Rainha e da Rainha – com consentimento –para o humano.

-Melhor?- perguntou Augusto ao limpar com delicadeza, com os próprios dedos, o sangue dos lábios e queixo de Soraia que lhe sorriu

. -Nem mesmo a Rainha tem o privilégio de não precisar de sangue – comentou Marcus ao jogar o recipiente fora.

-Já percebi – brincou ao apoiar-se em Augusto que a puxou contra seu corpo- ambos adoraram e trocaram olhares que Marcus e Amy bem perceberam - só para levanta-la..

- Olhem para trás- recomendou Amy sorrindo e quando fizeram todos sorriram felizes.

-Finalmente, as Cavernas do Norte! - exclamou Augusto cheio de alívio e felicidade.

-Mãe - chorou Soraia saindo dos braços de Augusto e correndo para dentro da primeira caverna,

rezando para que a mãe estivesse ali.

Depois de entrar em quatro cavernas e ver a frustração nos olhos de Soraia, Augusto agora a detinha pela mão em frente a quinta caverna. Será que Soraia não via que ele sofria junto com ela a cada vez que ela não encontrava sua mãe.

-Augusto-Soraia o olhou de canto - é melhor eu entrar logo do que ficar adiando – argumentou. Adiando outra frustração- rebateu.

-Ou talvez o reencontro com minha mãe- e dito isso, ela puxou seu pulso da mão de Augusto e entrou na caverna escura e úmida como as demais, mas uma coisa era diferente nesta - sua esperança.

Uma emoção tão forte tomou conta do coração de Soraia quando ela avistou sua mãe deitada no chão; ela estava tão pálida e mortuária como quando Soraia quando estivera grávida do filho de Julio Cesar – sendo drenada de dentro pra fora – ficando

velhinha e fraca.

Soraia nem percebera que estava chorando, somente quando as lágrimas começaram a cair no rosto da mão algo que ela também não percebera, sua aproximação e a de seus amigos á suas costas-e a mãe praticamente morta em seus braços. -Por favor, alguém me ajude – pediu aos prantos, olhando em especial para Augusto que desmoronou por dentro, e acariciou o rosto frio da mãe.

-Vamos leva-la para a parte mais clara da caverna –dissera Marcus ao aproximar-se e pegar Katrina nos braços, enquanto Augusto para disfarçar suas lágrimas, saiu para procurar madeira para acender uma fogueira.

Amy percebera, mas optou por manter-se calada e abraçar Soraia e seguirem Marcus. E assim que ele colocara o corpo de Katrina sobre uma colcha que Amy trouxera, Soraia correu para o lado da mãe e, sem perder tempo, transformou-se em vampira. A

única que poderia salvar sua mãe.

-Soraia, o que você vai fazer? -perguntou Augusto assim que terminou de acender a fogueira. Soraia o olhou de relance – minha mãe precisa de sangue, mas não tem forças nem para abrir os olhos, que dirá invocar a sua vampira – e olhou para a mãe

novamente.

Marcus olhou nos olhos de Soraia, no relance imediato, soube o que ela pretendia fazer e não gostou.

-Augusto, não deixe Soraia fazer isso, é muito perigoso – implorou em alerta. Augusto arregalou os olhos, mas enquanto pensava em fazer algo, Soraia os alertou nada gentil.

-É bom nenhum dos dois tentar me impedir.

-Marcus, o que Soraia pretende fazer? - perguntou Amy ao encarar todos os olhares hostis, e quando viu Soraia retirar do bolso traseiro de sua calça jeans escura um canudinho clarinho(daqueles de plástico oferecidos em padarias e afins para bebidas) ela entendeu.

-Soraia, você não vai fazer o que estou pensando, vai?

Ela nada disse.

-É claro que vai- irritou-se Marcus, ainda que admirasse o gesto da filha para com a mãe- e isso vai levá-la a exaustão!- e levou as mãos á cintura ao dar de ombros para Soraia.

-Ela não vai fazer nada, por que eu não vou deixar –decretou Augusto nem sabendo o que ela pretendia enquanto ia ao seu encontro, mas só tentou pois Soraia chamou sua Rainha Kaxal e com o seu poder no olhar ‘parou’ Augusto, ele a encarou

com suspeita, ela o encarou de volta com um meneio de cabeça antes de arremessá-lo de volta para trás e adverti-lo:

-Se tentar vir até mim novamente, vou te arremessar com tudo contra as rochas.

-Está bem – disse magoado e sem nenhum outro olhar a ela, marchou rígido para bem longe da caverna. Mas o peso no coração de ambos ficou descrito em seus olhos.

-Marcus, por favor, vá com ele – pediu Soraia ao fazer seu olhar voltar ao humano com ódio e frustração iguais vistos nos olhos de Augusto, enquanto Marcus assentia e ia atrás do lobo.

-Amy, se quiser ir, tudo bem –disse a amiga ao pegar um canivete pequeno de seu bolso e se preparar física e emocionalmente para o que pretendia.

Amy fora ao seu encontro, ajoelhou-se a seu lado e apertou suas mãos com as suas- somos amigas e amigas enfrentam tudo – Soraia a abraçou e juntas concluíram -juntas.

Miranda estava sentada entre Thiago e Sheila juntos com os demais ao seu redor, ao redor de uma bela fogueira.

Sheila não conseguira dormir depois do pressentimento com Maya, então resolvera despertar seu lado cigana e fazer a simbólica

fogueira de fogo azul e chamou seus ‘filhos de alma’(inclui-se também os vampiros).

De repente Miranda que estava rindo de algo que alguém contara calou-se e sua expressão mudou da água para o vinho, literalmente, ao sentir um formigamento no peito e uma pulsação ardida e dolorosa nas veias de seu pulso.

-Miranda, está tudo bem? - perguntou Thiago do seu lado ao perceber a perturbação de coçar seu pulso freneticamente. Então ambos arregalaram os olhos ao verem a ponta dos dedos de Miranda com sangue bem como o seu braço.

-Meu Deus! - gritou Miranda erguendo-se apavorada ao ver mais sangue escorrer por seu braço, deixando todos boquiabertos.

O mesmo sangue que começou a escorrer do braço de Soraia assim que ela o cortou com o canivete para após enfiar o canudinho na veia exposta.

Amy virou o rosto enquanto Soraia fazia o mesmo processo sanguíneo com o braço da mãe, ambas ficando cobertas de sangue.

Sentados na entrada de outra caverna, Marcus e Augusto olhavam a imensidão da floresta e do céu, com os braços apoiados nos joelhos dobrados. E inspiravam no ar o cheiro forte e metálico do sangue fresco de Soraia e Katrina.

-O cheiro de sangue vai atrair aqueles que nos cercam – comentou Augusto ao estreitar os olhos em direção a floresta ao ver os olhos noturnos por ali.

-Mas não é isso o que te preocupa - arriscou Marcus ao encara-lo, mas Augusto desviou o olhar-admita, senão para mim, para si mesmo- aconselhou. Augusto suspirou.

-São as atitudes de Soraia que me deixam preocupado.

-Mas a pergunta é -você não faria o mesmo por sua mãe? E será que Soraia também não sentira a mesma angústia que você sente agora?

Não houve resposta e nem mais perguntas, apenas seus olhares fixos na imensidão negra estrelada do céu.

Uma nova Katrina foi surgindo, literalmente. As várias rugas que adquirira, principalmente na face foram se preenchendo e sumindo, deixando uma pele lisa e radiante; o cabelo acinzentado tornou-se negro e brilhante e o corpo magro pela falta dos

minerais presentes no sangue tornou-se curvilíneo novamente. Quem não estava nada saudável agora era Soraia e isso Amy percebeu assim que encarou sua amiga enfraquecida, em todos os sentidos,

-Pelo amor de Deus, Soraia, para! - gritou Amy ao tocar a pele já enrugada de Soraia e os cabelos não tão mais brilhantes assim, com lágrimas ardendo em seus olhos aflitos.

-Ainda não - murmurou fracamente.

Thiago a pedido de Sheila que os seguia, levava Miranda para a tenda. Sheila já trocara a faixa do pulso dela pela segunda vez e está já encontrava-se empapada de sangue.

-O que será que está acontecendo com Soraia? -perguntava-se Thiago ao trazer uma bacia com água para perto de Sheila que mergulhou o pulso de Miranda ali.

-Eu não sei – disse Miranda num fio de voz, a água da bacia já vermelha e, então ela tombou na escuridão.

-Miranda!

-Soraia, para!

Gritaram Thiago e Amy em situações opostas; ele acarinhou os cabelos de Miranda; Amy apavorada ecoou sua voz, mediante a teimosia da amiga, que chegou a Augusto e Marcus que se levantaram, entreolhando-se ao sussurrarem – Soraia. Amy – e

correram para a caverna. Quando chegaram ao interior da caverna a cena os paralisou – Katrina ainda desacordada e coberta de sangue, bem como Amy com Soraia desmaiada em seus braços com as roupas e um pouco da pele também coberta de

sangue.

-Deus! - exclamou Augusto ao correr e ajoelhar-se junto com Marcus ao lado das garotas e, ao contrário de Amy, Augusto precisou retirar os canudinhos da veia de Soraia e de Katrina

Thiago também estava preocupado e dava tapinhas no rosto de Miranda, tentando reanima-la em seu colo. Então, do nada, Miranda dera um suspiro e acordou como se estivesse dormindo a dias.

Thiago riu e beijou-lhe a boca, apressado entre suspiros.

Sheila suspirou de alívio, pois já estava com uma pilha de toalhas ensanguentadas a seus pés.

-O que aconteceu com você? -perguntou Thiago ao descolar seus lábios dos dela, que acariciou seu rosto, e ele beijou-lhe a mão.

-Está sentindo algo, querida? -perguntou Sheila e ambas encararam o tanto de sangue seco em seu braço. Miranda meneou a cabeça.

-Não é comigo o problema, é com Soraia – disse ao olhar aflita para Sheila que levou a mão ao coração como se sentisse a preocupação e angústia que Augusto sentia ao pegar Soraia em seus braços e acomoda-la em uma colcha desacordada. Assim

como Miranda, Katrina dera um suspiro profundo e acordou totalmente recuperada e sorriu para Amy e Marcus que estavam sobre seu rosto. Mas algo no semblante dos dois também a preocupou.

-Amy, onde está minha filha?

Amy passou a língua pelos lábios secos e olhou para Marcus em pé a seu lado com as mãos em seus ombros e, sem saber o quê ou como deveriam falar apenas olharam para o lado e, então Katrina que acompanhou os olhares, viu um Augusto curvado,

acariciando o rosto... de sua filha desacordada e muito fraca.

-Soraia! - gritou e, de gatinho fora até a filha, lágrimas pingando no chão e temendo o pior.

Katrina pegou as mãos gélidas e enrugadas da filha entre as suas e as esfregou e beijou-as, bem como a sua testa e bochechas, enquanto Augusto acariciava o cabelo grisalho de Soraia.

Lentamente, Soraia abriu os olhos de vampira que se transformaram em humanas e sussurrou - mãe - e ambas se abraçaram fortemente, enquanto os demais comemoravam.

-Agora você pode beijar a minha filha - gracejou Katrina ao afastar-se de Soraia á Augusto que o fez com prazer e paixão. Marcus riu junto com Amy e beijou-lhe o topo da cabeça e recebeu afagos nas costas.

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