
Série Legados Eternos Lobisomem O Primogênito
Capítulo 2
A floresta abriu-se como um corredor de eucaliptos, desde que eles saíram da caverna onde dormiram.
O cheiro era muito agradável mas, infelizmente não bastava para apagar os sonhos terríveis que atormentavam a mente de Augusto. Ele tentava disfarçar, mas a cada encontro de olhar com Soraia, ele via que ela percebia seus tormentos.
O ar estava carregado, palpável e, a que mais sentia isso era Amy que evitava olhar para Augusto, pois quando o fazia via uma aura translucida o acompanhando e, imediatamente, fechava os olhos e enterrava o rosto no pescoço de Marcus que a abraçava e trocava um olhar cúmplice com Soraia que estava ficando louca com a situação.
Abruptamente, Soraia passou por Augusto e estacou a sua frente, fazendo-o colidir com o seu corpo- mas não caíram- e encararam-se.
– E então, vai me contar o porquê dessa cara? – exigiu ao postar suas mãos naquele peito sólido e, soube de algum jeito paranormal que Augusto iria mentir.
– Nada- mentiu na cara dura.
–– E o sonho de ontem não é...
-Eu já disse – está mentindo - que não é nada –sabia que não iria adiantar nada mentir ou tentar pelo menos, principalmente de Soraia que parecia entrar em sua alma e desnuda-la.
– -Por favor, me conta que sonho é esse que te deixou tão perturbado? Será que não vê como tô preocupada? E a Amy – olhou para a amiga – mal consegue te olhar, por que vê algo te cercando!
– Augusto suspirou e, com sinceridade, pediu desculpa aos amigos pela situação.
– Por que você não se abre conosco? – incitou Marcus ao apertar o ombro do amigo em sinal de apoio.
-Por que não é só um sonho, e, sim uma lembrança que há muito tempo eu não revivia.
– De sua família?
– Principalmente com meu pai e meu irmão. Eu sinto que algo tá pra acontecer, mas não sei o que é.
Augusto caminhou de um lado para o outro aflito e terminou por sentar-se sobre uma pedra, dobrar os joelhos e apoiar os cotovelos ali e esconder o rosto nas mãos.
Soraia parou a sua frente, retirou seu rosto de suas mãos e o trouxe a si –fala comigo, eu estou do seu lado pro que der e vier – mas ele apenas pegou suas mãos e as beijou junto com a frase- vamos deixar pra outra hora – e levantou-se levando-a consigo aos amigos de novo.
Não pense que vou desistir. Se ele é um lobo cabeça dura, eu sou a vampira cabeça dura.
Os amigos seguiram em frente, em busca da mãe de Soraia e, quanto a Amy tinha de ir disfarçando suas expressões já que continuava vendo aquela aura a cercar o amigo.
Ezequiel o lobo dos cabelos ralos e olhos de azeitona que sempre cuidara de Augusto como um irmão mais velho mal conseguia se aguentar de vontade de mandar tudo pro inferno e ir até o grupo e arrasta-los de volta para o acampamento, mas a cada vez que tinha este intenção, Vandressa o impedia com -você sugeriu que os seguíssemos de longe – este longe deveria ser de mais de 2
quilômetros para que o vento não os denunciasse então faça cumprir o seu pedido-lembrou ao olhar de Ezequiel para os demais protetores e de volta a ele que mesmo rosnando permaneceu no lugar. O caminho era longo, mas de onde estavam viam a
cadeia de montanhas e cavernas e, para alívio de Soraia a brisa trazia ás suas narinas o cheiro que, embora fraco, ela reconhecia como sendo o da mãe.
-Deus permita que minha mãe esteja bem – orou em prece ao olhar para o céu celestial acima de suas cabeças.
-Soraia – Augusto lhe pegou o rosto e o virou para si- sua mãe tem o mesmo sangue que corre em suas veias.
-Forte, ousado e destemido – lembrou Amy ao ir até a amiga e abraça-la.
- Mas minha mãe se privou da vampira nela a anos.
-E ninguém é capaz de se privar do seu próprio sangue – rebateu Marcus.
O sol já estava baixo no horizonte, seu brilho alaranjado se infiltrava por entre as montanhas como um lençol na brisa calma.
-Está tudo tão calmo que me assusta – murmurou Soraia com os braços cruzados e os olhos a vaguear pelos arredores como se procurasse algo. Amy estava ao seu lado e concordou- até o vento parece estar morto por aqui – e olhou para os lados como
se algo fosse sair e ataca-los.
Augusto e Marcus vinham lado a lado e vez ou outra espreitavam aqui e ali, pois compartilhavam do sentimento de vigia. E bem faziam eles, afinal olhos se esgueiravam por entre as árvores também em vigia.
Depois de vários minutos de um silêncio gritante ao redor, um toque de celular ecoou. Era o de Soraia que tão concentrada que estava demorou a perceber o toque de seu celular-Shania Twain- em seu bolso e, quando o pegara viu o rosto da tia Malvina.
-Oi, tia?!
-Por que demorou tanto pra atender, menina? -perguntou em tom de preocupação.
-Desculpa, é que o clima a nossa volta não inspira conforto – explicou-se.
Malvina andava de um lado para o outro em frente a sua frente – ainda estava na delegacia e eram quase 8:00 horas -e seu turno estava quase encerrando.
-E então, já encontrou sua mãe?
-Não -disse triste- mas o cheiro de seu sangue já chegou até mim e está cada vez mais forte. Malvina umedeceu os lábios com a ponta da língua e, disfarçadamente enxugou uma lágrima que teimou em rolar por sua bochecha.
-Assim que encontrar, por favor, me ligue.
-Claro- dissera apenas e ambas desligaram.
Malvina estava tão atenta a voz de sua sobrinha para não perder uma palavra sequer, que nem percebera a entrada de Sergio e Sofia na sala.
-Oi, Malvina – Sofia veio ao seu encontro e a abraçou e beijou –a cheia de carinho. Sergio se manteve distante, embora quisesse muito abraça-la e beija- la...mas não na bochecha, então perguntou:
- E então, quais são as notícias? Sua sobrinha achou Katrina?
-Não, mas Soraia disse que falta pouco para acha-la. Eu pedi que assim que acontecer que me ligue.
-Sabe, seu horário já está encerrado –replicou Sergio gesticulando para o relógio em forma de folhas á parede a mostrar 8:00 horas – que tal jantar conosco?
-Por favorzinho – implorou Sofia com um sorrisinho, as mãos em prece e olhar de abandono. Malvina suspirou.
-Eu aceito.
-Uhuuu! - comemorou Sofia. Sergio riu ao pegar a bolsa de Malvina sobre a mesa, deixando ela perplexa quando a empurrou porta á fora.
Maya estava vomitando no banheiro – ela passava a maioria do tempo na casa de Verônica, mas sempre se escondendo dos pais da mesma – e isso vinha acontecendo a alguns dias. Os dois casos.
Verônica estava cansada de repetir a mesma coisa, e agora o fazia de novo - Maya, vá ao médico. Eu posso estar enganada, mas acho que você pode estar grávida.
Maya então saiu do banheiro enxugando o rosto em uma toalha.
-Eu não posso ir ao médico. Esqueceu de tudo o que fiz, a primeira coisa que me aconteceria seria a morte.
-E a segunda coisa, seria você matar a todos –confirmou Verônica ao pegar sua bolsa prateada e prepara-se para sair.
-Onde você vai?- perguntou-lhe Maya.
-Já que você não pode ir a um médico, então vamos recorrer ao bom e velho teste de farmácia.
Maya sorriu em agradecimento e abraçou a amiga-muito obrigado por você existir e estar do meu lado – e sorriram.
- Mesmo sendo contra muitas coisas que você faz, eu te considero demais para te abandonar.
-Agora – se afastaram – me espere aqui, eu já volto – Maya sorriu e Verônica saiu.
Algum tempo depois, Verônica já andava de um lado para o outro em frente a porta do banheiro, ansiosa para que Maya saísse logo.
Maya estava em frente ao espelho, seu sorriso era diabólico ao constatar que, de fato, estava grávida.
Qualquer garota estaria feliz e preocupada, mas Maya estava muito feliz- pena que pelos motivos errados- e preocupação era um sentimento longínquo
-Julio Cesar, você não vai representar nada perto do que o meu filho irá fazer no mundo- murmurou.
-Maya, qual foi o resultado? - ecoou uma voz preocupada e curiosa do outro lado da porta. Maya riu.
Raina e Ivan se hospedaram na casa de Malvina e com toda a tensão do desaparecimento de Katrina,
Raina deitou-se cedo- bem antes do marido- que optou por distrair-se com um filme. Pela expressão de seu rosto-segundos antes tranquilo algo a estava atormentando.
Bem como a Sheila que também se recolhera mais cedo por não estar com seu filho, a saudade levando-a a exaustão.
No instante em que Maya gritou –estou grávida!
Raina e Sheila tiveram um sobressalto em suas casas e rezaram no silêncio do quarto – que Deus nos ajude – pois ela souberam que tempos de crueldade ainda mais sangrentas estavam por vir.
Soraia estava enfraquecendo, ela sentia isso em seus nervos, tendões, veias, mas não entendia o porquê, afinal ela era uma vampira – e não qualquer vampira, mas a Rainha Kaxal.
A cada passo parecia que ia cair em um buraco, seus olhos estavam ardendo e embaçados e seus sentidos fracos.
Amy riu de algo que Marcus dissera a Augusto e, quando olhou para Soraia para compartilhar o sorriso viu uma aura vermelha cruzar pelo corpo da amiga e antes mesmo de conseguir falar para Augusto, Soraia tombou ao chão.
-Amy, você vê algo em Soraia? - perguntou Augusto já com Soraia em seu colo, tentando acorda-la com beijos e lhe chamando.
-Sim, mas mal deu tempo de falar. A sombra cruzou por seu corpo e ela caiu - disse Amy ao tocar o rosto da amiga e chama- la.
Marcus levou seus dedos aos olhos de Soraia e os viu humanos sem o consentimento dela, o que quer dizer que o corpo humano precisa de sangue pra ativar o vampírico.
-Soraia precisa se alimentar – disse convicto.
-E como você sabe? - perguntou Augusto com um tiquinho de ciúme por outro conhecer mais sua Soraia do que ele próprio.
-Por que para nós, vampiros, não é bom sinal nossos olhos voltarem a cor humana sem permitirmos, que é o caso de Soraia.
Augusto abriu os olhos de Soraia - estão negros –constatou.
-A cor dos olhos humanos dela sem ela requisita-los.
-Mas todo vampiro esconde seu olhar de criatura sob o humano – constatou Amy.
-Sim – concordou Marcus – mas abra os olhos dela novamente e fique observando. E assim Amy o fez e todos viram os olhos de Soraia ficarem mudando do negro para o vermelho constantemente .
-O sangue dela está fraco e não sabe qual identidade assumir- demandou ao levantar-se. -
-O que você vai fazer?- perguntou Amy encarando-o.
-Vou procurar algum animal – disse ao ver Augusto abrir e fechar a boca, mas acrescentou- eu vou, pois algo me diz que essa floresta não é nada segura.
-E você ainda quer ir sozinho? - repreendeu Amy.
Marcus agachou-se a sua frente, tocou seu rosto e deu-lhe um beijo breve- não se preocupe, afinal eu sei voar- e transformou-se em morcego antes que o olhar de Amy o fizesse ficar.
-Amy- Augusto a chamou de volta ao presente, pois ela ficara olhando para o morcego que sumia por entre as árvores - ele vai voltar, pelo amor de vocês dois.
-Eu espero, porque, do contrário, eu vou atrás dele e o mato- brincou em tom sério.
Como exímio caçador, minutos depois, Marcus voltara com um ‘improviso de prato’ - um pedaço de árvore, com certeza ele o ‘moldou’ com as próprias garras para se parecer com um prato e o encheu de sangue.
Marcus ajoelhou-se ao lado de Soraia e pôs o recipiente em frente ao rosto dela erguido por Amy, para que sentisse o cheiro agridoce, quente e fresco do sangue. Assim que o fez, recobrou aos poucos os sentidos e com a ajuda da amiga e Augusto,
agora, a amparando por trás, bebeu todo o sangue que até escorreu pelas laterais de seus lábios enquanto seus olhos explodiam em deleite. Da vampira para a Rainha e da Rainha – com consentimento –para o humano.
-Melhor?- perguntou Augusto ao limpar com delicadeza, com os próprios dedos, o sangue dos lábios e queixo de Soraia que lhe sorriu
. -Nem mesmo a Rainha tem o privilégio de não precisar de sangue – comentou Marcus ao jogar o recipiente fora.
-Já percebi – brincou ao apoiar-se em Augusto que a puxou contra seu corpo- ambos adoraram e trocaram olhares que Marcus e Amy bem perceberam - só para levanta-la..
- Olhem para trás- recomendou Amy sorrindo e quando fizeram todos sorriram felizes.
-Finalmente, as Cavernas do Norte! - exclamou Augusto cheio de alívio e felicidade.
-Mãe - chorou Soraia saindo dos braços de Augusto e correndo para dentro da primeira caverna,
rezando para que a mãe estivesse ali.
Depois de entrar em quatro cavernas e ver a frustração nos olhos de Soraia, Augusto agora a detinha pela mão em frente a quinta caverna. Será que Soraia não via que ele sofria junto com ela a cada vez que ela não encontrava sua mãe.
-Augusto-Soraia o olhou de canto - é melhor eu entrar logo do que ficar adiando – argumentou. Adiando outra frustração- rebateu.
-Ou talvez o reencontro com minha mãe- e dito isso, ela puxou seu pulso da mão de Augusto e entrou na caverna escura e úmida como as demais, mas uma coisa era diferente nesta - sua esperança.
Uma emoção tão forte tomou conta do coração de Soraia quando ela avistou sua mãe deitada no chão; ela estava tão pálida e mortuária como quando Soraia quando estivera grávida do filho de Julio Cesar – sendo drenada de dentro pra fora – ficando
velhinha e fraca.
Soraia nem percebera que estava chorando, somente quando as lágrimas começaram a cair no rosto da mão algo que ela também não percebera, sua aproximação e a de seus amigos á suas costas-e a mãe praticamente morta em seus braços. -Por favor, alguém me ajude – pediu aos prantos, olhando em especial para Augusto que desmoronou por dentro, e acariciou o rosto frio da mãe.
-Vamos leva-la para a parte mais clara da caverna –dissera Marcus ao aproximar-se e pegar Katrina nos braços, enquanto Augusto para disfarçar suas lágrimas, saiu para procurar madeira para acender uma fogueira.
Amy percebera, mas optou por manter-se calada e abraçar Soraia e seguirem Marcus. E assim que ele colocara o corpo de Katrina sobre uma colcha que Amy trouxera, Soraia correu para o lado da mãe e, sem perder tempo, transformou-se em vampira. A
única que poderia salvar sua mãe.
-Soraia, o que você vai fazer? -perguntou Augusto assim que terminou de acender a fogueira. Soraia o olhou de relance – minha mãe precisa de sangue, mas não tem forças nem para abrir os olhos, que dirá invocar a sua vampira – e olhou para a mãe
novamente.
Marcus olhou nos olhos de Soraia, no relance imediato, soube o que ela pretendia fazer e não gostou.
-Augusto, não deixe Soraia fazer isso, é muito perigoso – implorou em alerta. Augusto arregalou os olhos, mas enquanto pensava em fazer algo, Soraia os alertou nada gentil.
-É bom nenhum dos dois tentar me impedir.
-Marcus, o que Soraia pretende fazer? - perguntou Amy ao encarar todos os olhares hostis, e quando viu Soraia retirar do bolso traseiro de sua calça jeans escura um canudinho clarinho(daqueles de plástico oferecidos em padarias e afins para bebidas) ela entendeu.
-Soraia, você não vai fazer o que estou pensando, vai?
Ela nada disse.
-É claro que vai- irritou-se Marcus, ainda que admirasse o gesto da filha para com a mãe- e isso vai levá-la a exaustão!- e levou as mãos á cintura ao dar de ombros para Soraia.
-Ela não vai fazer nada, por que eu não vou deixar –decretou Augusto nem sabendo o que ela pretendia enquanto ia ao seu encontro, mas só tentou pois Soraia chamou sua Rainha Kaxal e com o seu poder no olhar ‘parou’ Augusto, ele a encarou
com suspeita, ela o encarou de volta com um meneio de cabeça antes de arremessá-lo de volta para trás e adverti-lo:
-Se tentar vir até mim novamente, vou te arremessar com tudo contra as rochas.
-Está bem – disse magoado e sem nenhum outro olhar a ela, marchou rígido para bem longe da caverna. Mas o peso no coração de ambos ficou descrito em seus olhos.
-Marcus, por favor, vá com ele – pediu Soraia ao fazer seu olhar voltar ao humano com ódio e frustração iguais vistos nos olhos de Augusto, enquanto Marcus assentia e ia atrás do lobo.
-Amy, se quiser ir, tudo bem –disse a amiga ao pegar um canivete pequeno de seu bolso e se preparar física e emocionalmente para o que pretendia.
Amy fora ao seu encontro, ajoelhou-se a seu lado e apertou suas mãos com as suas- somos amigas e amigas enfrentam tudo – Soraia a abraçou e juntas concluíram -juntas.
Miranda estava sentada entre Thiago e Sheila juntos com os demais ao seu redor, ao redor de uma bela fogueira.
Sheila não conseguira dormir depois do pressentimento com Maya, então resolvera despertar seu lado cigana e fazer a simbólica
fogueira de fogo azul e chamou seus ‘filhos de alma’(inclui-se também os vampiros).
De repente Miranda que estava rindo de algo que alguém contara calou-se e sua expressão mudou da água para o vinho, literalmente, ao sentir um formigamento no peito e uma pulsação ardida e dolorosa nas veias de seu pulso.
-Miranda, está tudo bem? - perguntou Thiago do seu lado ao perceber a perturbação de coçar seu pulso freneticamente. Então ambos arregalaram os olhos ao verem a ponta dos dedos de Miranda com sangue bem como o seu braço.
-Meu Deus! - gritou Miranda erguendo-se apavorada ao ver mais sangue escorrer por seu braço, deixando todos boquiabertos.
O mesmo sangue que começou a escorrer do braço de Soraia assim que ela o cortou com o canivete para após enfiar o canudinho na veia exposta.
Amy virou o rosto enquanto Soraia fazia o mesmo processo sanguíneo com o braço da mãe, ambas ficando cobertas de sangue.
Sentados na entrada de outra caverna, Marcus e Augusto olhavam a imensidão da floresta e do céu, com os braços apoiados nos joelhos dobrados. E inspiravam no ar o cheiro forte e metálico do sangue fresco de Soraia e Katrina.
-O cheiro de sangue vai atrair aqueles que nos cercam – comentou Augusto ao estreitar os olhos em direção a floresta ao ver os olhos noturnos por ali.
-Mas não é isso o que te preocupa - arriscou Marcus ao encara-lo, mas Augusto desviou o olhar-admita, senão para mim, para si mesmo- aconselhou. Augusto suspirou.
-São as atitudes de Soraia que me deixam preocupado.
-Mas a pergunta é -você não faria o mesmo por sua mãe? E será que Soraia também não sentira a mesma angústia que você sente agora?
Não houve resposta e nem mais perguntas, apenas seus olhares fixos na imensidão negra estrelada do céu.
Uma nova Katrina foi surgindo, literalmente. As várias rugas que adquirira, principalmente na face foram se preenchendo e sumindo, deixando uma pele lisa e radiante; o cabelo acinzentado tornou-se negro e brilhante e o corpo magro pela falta dos
minerais presentes no sangue tornou-se curvilíneo novamente. Quem não estava nada saudável agora era Soraia e isso Amy percebeu assim que encarou sua amiga enfraquecida, em todos os sentidos,
-Pelo amor de Deus, Soraia, para! - gritou Amy ao tocar a pele já enrugada de Soraia e os cabelos não tão mais brilhantes assim, com lágrimas ardendo em seus olhos aflitos.
-Ainda não - murmurou fracamente.
Thiago a pedido de Sheila que os seguia, levava Miranda para a tenda. Sheila já trocara a faixa do pulso dela pela segunda vez e está já encontrava-se empapada de sangue.
-O que será que está acontecendo com Soraia? -perguntava-se Thiago ao trazer uma bacia com água para perto de Sheila que mergulhou o pulso de Miranda ali.
-Eu não sei – disse Miranda num fio de voz, a água da bacia já vermelha e, então ela tombou na escuridão.
-Miranda!
-Soraia, para!
Gritaram Thiago e Amy em situações opostas; ele acarinhou os cabelos de Miranda; Amy apavorada ecoou sua voz, mediante a teimosia da amiga, que chegou a Augusto e Marcus que se levantaram, entreolhando-se ao sussurrarem – Soraia. Amy – e
correram para a caverna. Quando chegaram ao interior da caverna a cena os paralisou – Katrina ainda desacordada e coberta de sangue, bem como Amy com Soraia desmaiada em seus braços com as roupas e um pouco da pele também coberta de
sangue.
-Deus! - exclamou Augusto ao correr e ajoelhar-se junto com Marcus ao lado das garotas e, ao contrário de Amy, Augusto precisou retirar os canudinhos da veia de Soraia e de Katrina
Thiago também estava preocupado e dava tapinhas no rosto de Miranda, tentando reanima-la em seu colo. Então, do nada, Miranda dera um suspiro e acordou como se estivesse dormindo a dias.
Thiago riu e beijou-lhe a boca, apressado entre suspiros.
Sheila suspirou de alívio, pois já estava com uma pilha de toalhas ensanguentadas a seus pés.
-O que aconteceu com você? -perguntou Thiago ao descolar seus lábios dos dela, que acariciou seu rosto, e ele beijou-lhe a mão.
-Está sentindo algo, querida? -perguntou Sheila e ambas encararam o tanto de sangue seco em seu braço. Miranda meneou a cabeça.
-Não é comigo o problema, é com Soraia – disse ao olhar aflita para Sheila que levou a mão ao coração como se sentisse a preocupação e angústia que Augusto sentia ao pegar Soraia em seus braços e acomoda-la em uma colcha desacordada. Assim
como Miranda, Katrina dera um suspiro profundo e acordou totalmente recuperada e sorriu para Amy e Marcus que estavam sobre seu rosto. Mas algo no semblante dos dois também a preocupou.
-Amy, onde está minha filha?
Amy passou a língua pelos lábios secos e olhou para Marcus em pé a seu lado com as mãos em seus ombros e, sem saber o quê ou como deveriam falar apenas olharam para o lado e, então Katrina que acompanhou os olhares, viu um Augusto curvado,
acariciando o rosto... de sua filha desacordada e muito fraca.
-Soraia! - gritou e, de gatinho fora até a filha, lágrimas pingando no chão e temendo o pior.
Katrina pegou as mãos gélidas e enrugadas da filha entre as suas e as esfregou e beijou-as, bem como a sua testa e bochechas, enquanto Augusto acariciava o cabelo grisalho de Soraia.
Lentamente, Soraia abriu os olhos de vampira que se transformaram em humanas e sussurrou - mãe - e ambas se abraçaram fortemente, enquanto os demais comemoravam.
-Agora você pode beijar a minha filha - gracejou Katrina ao afastar-se de Soraia á Augusto que o fez com prazer e paixão. Marcus riu junto com Amy e beijou-lhe o topo da cabeça e recebeu afagos nas costas.
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