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Capa do romance SERÁ QUE FOI UM ERRO?

SERÁ QUE FOI UM ERRO?

Alice é uma contadora esforçada em Vitória da Encosta que lida com colegas abusivos e um namoro frio. Para agradar Marcos, seu namorado distante, ela sustenta todos os seus caprichos financeiros. Enquanto isso, Diego da Nobrega, um poderoso empresário do setor de combustíveis, vive um romance com a bailarina Clara. Pressionado por sua avó CEO a se casar para gerar um herdeiro, Diego resiste a uniões por obrigação, defendendo sua autonomia apesar da imensa riqueza familiar.
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Capítulo 3

Em um carro de aplicativo, Alice e Marcos, seguem para porto Portus.

- Terei que aproveitar bastante, porque depois que voltar, sei o quanto terei que trabalhar para pagar por essa viagem com o meu amor. - “Estou certa que Marcos vai mudar para melhor comigo.” - Alice pensou.

“Nossa! Uma semana passou voando. Mesmo atolada em trabalho e bastante cansada, consegui organizar as nossas coisas. Espero que não tenha estourado mais um cartão, estou pagando este cruzeiro e as minhas dívidas já estão até o meu pescoço. Se eu dever mais alguma coisa, tenho medo de precisar vender um dos rins para quitá-las.”

- Estaria no fundo do poço!

- Finalmente, consegui! Estou com meu amor em um carro de aplicativo, indo para o porto, pegar nosso navio maravilhoso. – Alice sorri.

- Nem sei pra que tanta animação. – Marcos reclama.

- Marcos, esse é um grande momento, pelo nosso namoro. Será um passeio dos sonhos!

- Só se for dos seus sonhos!

- Não entendi?

- Brincadeira, magrelinha. É um verdadeiro luxo. Você deve estar ganhando bem, para conseguir bancar tudo isso!

- Sabe que não. Mesmo assim, gostaria de comemorar os dois anos do nosso namoro com um presente especial.

- E o presente seria essa viagem?

- Algo muito mais especial. Será a nossa primeira vez...

- Chegamos! – O motorista disse estacionando o carro.

- Já vou na frente. E criatura, traga as nossas malas. – Marcos diz, saindo de perto.

- Ele nem quis me ouvir! Ainda deve estar chateado comigo!

O motorista entrega as malas para Alice, e Marcos já desapareceu na multidão.

- Como podem ter aparecido tantas malas? Se mal arrumei duas!?

- E o pior: Vou ter que subir neste enorme navio com estas quatro! Será que a rampa tem oito metros de altura? Meus óculos devem mesmo ser trocados. Mal enxergo na frente do meu nariz.

Alice suspirou olhando para cima, pegou cada uma das malas e colocou em um carrinho enquanto, tentava avistar Marcos.

- Este carrinho está ajudando. Poxa! Os meus óculos estão folgados, escorregando o tempo todo. Espero que não caiam, senão, não vou ver um palmo na frente do meu nariz.

Ela começou subir a enorme rampa, empurrando com dificuldade o carrinho com as malas.

- Que cansaço! Sinto que ficar apenas trabalhando num escritório, parece ter sugado os meus músculos. O que é isso? Devo estar escorregando ou andando para trás!

O coração dela acelerou e sentiu as pernas tremerem sentindo o pior, prestes a acontecer.

- Caramba, que rampa alta! Que peso! Socorro... estou voltando. Merda! Vou cair!!! Meu Deus! Não, ... isso não. Estou caindo!

- Espero muito que a água não esteja muito fria! – Ela promete, com olhos lacrimejando. - Se eu me salvar, juro que farei Crossfit. Para criar forças nas pernas e nos meus braços finos!

Alice diz, apavorada, e o óculos caiu de vez.

- Meus óculos! Perdi os meus óculos!!! Estou completamente ferrada! Mal começou a viagem, já não é nada do que imaginei! Até perdi o meu namorado... e se não acontecer um milagre... vou me afogar!

Uma voz firme e grave aproximou-se.

- Senhora! Vou ajudar.

“Que voz grossa é essa? Parece até um locutor!” – Alice pensou. - “Que bom! Tem alguém me agarrando por trás. Sentir essa mão forte me apertar na cintura! Queria tanto que fosse o Marcos.”

- Moça, precisa de mais alguma ajuda? – Ele pergunta.

- Sim, os meus óculos. Eles caíram em algum lugar, moço. Pode me ajudar a encontrar?

- Espere um minuto...

- Cla- claro. – Ela responde, ainda trêmula.

Não demorou quase nada, o homem se afastou e voltou.

- Moça, encontrei. Só que, infelizmente, quebraram.

- Como vou conseguir subir tudo isso? Se nem ao menos enxergo direito!

- Me acompanhe. Posso continuar com as mãos na sua cintura. Pelo menos uma delas, e a outra, ajudar a guiar esse carrinho.

- Obrigada! Me ... me desculpe, senhor.

- Ou melhor... posso levar o carrinho. Me espere um pouco. Fique paradinha aí, não precisa se molhar antes de chegar à praia. - “Não entendo porque ela não pediu um carregador.”

- Obrigada, senhor...

- Diego!

- Muito obrigada, mesmo! Senhor Diego. - “Nossa que voz bonita, deve ser lindo. Alice, que loucura pensar assim. Ele apenas te ajudou.”

Ele subiu, e, minutos depois, voltou para a levar, segurou novamente sua cintura e um dos braços com as mãos firmes.

“Juro que pensei que ele não voltaria mais. Que atencioso!” – Alice corou. - “Bom, um cruzeiro não é de todo mau. Aqui até um estranho interessante ajuda uma pessoa imprestável como eu.” – Alice ponderou.

- Senhorita, eu vou deixá-la com auxílio de um marinheiro, preciso mesmo ir. Tenho uma reunião de negócios e talvez um encontro com minha namorada. – Ele sorri.

- Obrigada, senhor. Pena que não consigo ver o seu rosto direito. O senhor me ajudou bastante. Achei que ia cair e não sei nem nadar direito. – Ela diz, ficando vermelha.

“Que vergonha! Morei a vida inteira em uma ilha, e nem isso aprendi a fazer direito. Precisando de ajuda de um estranho para subir uma rampa.” – Alice pensou.

- Bem, já estou indo, senhorita. Já trouxe uma ajuda, que está bem na sua frente, peça o que precisar. – Diego disse, com um leve toque no ombro dela.

- Certo, me ajudou muito. – Ela sorri.

Assim que organizou a vida de Alice, ele se virou e saiu de perto.

“Que voz gostosa de escutar, meu coração chegou a acelerar ao ouvir. O que foi isso? Foco, Alice, o seu namorado está aqui com você, não pode pensar em outros caras, ainda mais um que tem namorada!”

--- Diego mais adiante no navio. ---

- Que falta de sorte! Vim aqui tanto para trabalhar quanto para ficar com a minha futura noiva e ela desapareceu. Se Tadeu souber de uma coisa dessas, vai dizer que minha avó tem razão. Aquele lá não me respeita.

Diego está à procura de Clara, sua namorada, andando pelo convés do navio há mais 20 minutos, e a encontra falando com alguém ao telefone.

- Sinto tanta falta dela. Onde será que a Clara se meteu para encontra-la apenas agora? Não deve ser nada demais...

Assim que ele se aproximou, Clara desligou o telefone.

- Clarinha, meu amor. – Ele diz, abraçando-a.

- Diego!

- Com quem estava falando?

- Bem, não é nada de importante. Uma amiga, conversávamos sobre o balé. Depois dessa ligação, hoje seremos apenas nós dois.

- Minha bailarina linda! Já fazem pelo menos seis meses que não nos aproximamos. – Ele a beija, e ela vira o rosto para o lado.

- Não, aqui na frente de tanta gente, Diego. Sabe que não gosto.

“Tinha esquecido que Clara é um pouco tímida, que fofa.” - Ele suspira, meio frustrado.

- Desculpa, minha linda!

- Poxa! Diego, estou um pouco cansada. Tanto pelos ensaios, quanto pela longa viagem. Me entende, né?

- Calma, amor, vá descansar um pouco. Ainda terei uma reunião de negócios e, depois disso, é que teremos o nosso encontro. – Ele esboça um sorriso.

- Sem problemas, Diego.

- Clara, queria ver seu rosto, por isso não liguei. Foram longos seis meses, senti sua falta?

- Também senti sua falta.

- Clarinha, continua linda!

- Diego! – Ela beija o rosto dele de leve. - Você pegou uma cabine separada para mim?

- Claro, a de número 996. Estarei na 999. Bela, me prometa que depois da minha reunião, seremos apenas nós dois sem ligações e compromissos. Preciso muito matar a saudade de ficar pelo menos abraçado com você, minha bailarina.

- Mesmo cansada. Prometo que vou tomar um bom banho, me deitar um pouco e, quem sabe... você vai direto para minha cabine mais tarde. – Ela acaricia de leve o ombro dele.

- Tenho certeza que irei. – Diego sorri de orelha a orelha.

- Diego, não se emocione tanto assim.

- Impossível. Mesmo que fique apenas deitado ao seu lado, ainda me sentirei muito bem.

- Você não existe! – Clara também sorri.

--- Em ema cabina do navio, mesmo horário. ---

- Obrigada, por me trazer ao meu quarto, senhor.

- Não foi nada, senhorita. – Diz o atendente.

- Vou colocar as malas dentro, e a senhorita se encarrega de organizar, certo?

- Certo.

- Se precisar de qualquer coisa, pode pedir. Estamos aqui para ajudar.

- Obrigada! - “Então, talvez eu não precisasse levar as malas.” – Alice ponderou.

Minutos depois de deixar as coisas no dormitório, Alice tentou colar pelo menos uma parte dos seus óculos rachados.

- Isso vai me ajudar a enxergar, talvez um pouco melhor. – Ela diz, enquanto termina de colar o que manchou mais os óculos.

- Que emoção! Um cruzeiro de luxo. E eu aqui vou ser servida por outras pessoas. Acho que só tinha visto coisas assim em contos de fadas.

Alice se jogou na cama sorrindo, dando alguns pulos de alegria.

- O Marcos também deve estar aproveitando. Mais tarde, vou começar a minha surpresa para ele e amanhã seremos noivos. Estou tão feliz! – Ela se jogou, dando gritinhos de alegria.

- Vou tomar um banho, passar perfume, colocar uma das roupas novas e aproveitar para conhecer esse enorme navio de luxo. Mesmo que seja sem o Marcos, por enquanto.

--- Trinta minutos depois, Diego está em uma reunião de negócios, numa mesa reservada do navio, perto do bar. ---

- Sabe que viemos aqui por curiosidade sobre a Ilha Ventos Suaves. – Diz o empresário.

- Então, senhores, aqui está a minha proposta. Quero pelo menos 85 milhões. E, estou sendo bastante generoso.

- Senhor Diego, vai vender a ilha inteira? E o que faremos com aqueles ilhéus, principalmente os trabalhadores?

- Farão o que quiserem. Afinal, a ilha será de vocês e terão todo o direito de administrar como quiserem. Contanto que fiquem com aquele pedaço de terra, é claro. – Diego esboçou, um sorriso, contando com o negócio fechado.

- Ainda não. Nos reuniremos com nossos sócios. Assim que lermos todos os termos, tomaremos nossa decisão e amanhã informaremos ao senhor. – O homem informa, olhando um contrato seriamente.

- Por mim, podem considerá-la de vocês. Ela não me interessa nenhum pouco. Não gosto de empreendimento inútil. Meu foco, é minha empresa de combustíveis. Prefiro investir em terras produtivas, plantar a cana e colher o combustível, se é que me entendem. – Diego diz, com um sorriso de vitória.

“Aquele garçom deve ser gay, para está me encarando tanto. Nem sabe disfarçar. O duro de ser bonito é chamar a atenção de quem não me interesso, até homens, principalmente, tendo minha Clara tão perto, depois de tantos meses longe.” – Diego ponderou.

- Então, senhor Diego? Vamos beber para comemorar. – O empresário convidou.

- Poderemos comemorar amanhã. Quando trouxerem o dinheiro e o contrato assinado.

- Vamos, rapaz. Apenas uma bebida. Amanhã, quando trouxermos a resposta, podemos comemorar melhor.

- Apenas uma. Tenho outro compromisso inadiável ainda hoje. - “O que não tenho que passar para conseguir fechar um negócio! Se não der certo, Tadeu me paga!” – Diego pensou.

O pequeno grupo, seguiu para uma mesa reservada, nos fundos bar do enorme navio de luxo.

- Vamos tomar apenas esse drink, e o senhor estará liberado da reunião. – O empresário sorri.

O garçom que o observava, trouxe uma bebida servindo sobre uma bandeja em um copo bem bonito.

- Essa bebida de vocês é bem diferente. Não sei dizer ao certo parece mais encorpada. – Diego fala, ingerindo um pouco.

- É coisa boa dos mares do Caribe. – O empresário bate a mão na mesa.

- Hum. Não costumo beber coisas do tipo.

Diego pensou. - “Parece que o coitado do garçom já está admirando outro cara. O pobre deve estar carente. Pelo menos mudou de alvo e não vou me encrencar, tendo que dispensar o cara.”

- Vou querer beber um pouco mais. Sinto que tem algo nessa bebida que me intriga.

- Diego, isso é forte! - “Se ele exagerar na quantidade da poção, talvez não funcione.” – O empresário pensou, com um sorriso.

- Quero mais. Posso saber o que é?

- Claro, senhor Diego. Ela tem uma mistura de rum, um pouco de solução de aguardente, cereais e dizem que tem um pouco de cinza vulcânica, que levanta até defunto. Bom, fique sabendo que ela é bem forte. – O empresário olhou o garçom ao fundo e piscou para ele.

O garçom balança a cabeça sorrindo.

- Pode encher que aguento beber. – Diego ingeriu e pediu mais.

- Não pode beber muito. O senhor não tem costume. – O empresário diz, apreensivo.

- Homem, me dê mais e me acompanhe. Vamos comemorar a venda da ilha. – Diego parece mais animado.

- Assim, vamos beber até cair! Melhor parar. – O empresário tentou evitar beber mais.

- Hum. Tenho um encontro com a minha bailarina. Fico apenas nessa dose. – Ele sorri, já parecendo alto.

- Bailarina? Qual é o nome dela?

- Não é para o seu bico! – Diego levanta o dedo.

- Vamos conversar um pouco mais. – “Eita! A bebida já bateu. Esse homem vai atacar ou desmaiar.” – O empresário pensou.

- Deixa pra depois, amigo. Sinto que preciso ir atrás dela.

--- Outro ambiente do bar. ---

Alice chegou, tentando ver ao redor.

- Nossa! Que lugar enorme e maravilhoso. Comprei roupas novas e mesmo assim, nem pareço uma turista daqui. Estou mais para empregada desse lugar.

- Vou agir como a Janete, não devo me importar. Estou pagando, vou mais é aproveitar. Pena que meus óculos estão pela metade e sujos de cola. Estou enxergando mal.

Mesmo assim, Alice conseguiu observar parcialmente os lugares, maravilhada.

- Que navio espetacular de lindo!

- Será que consigo encontrar o Marcos? Espero que ele não tenha ido ao cassino. Não sei se consigo pagar um enorme prejuízo se surgir no meu cartão.

- O que posso fazer nessa noite? Vou é aproveitar e conhecer esse bar e umas bebidas diferentes. Melhor que ficar procurando marmanjo. Depois de voltar para nosso quarto, encontrarei ele lá mesmo.

Alice levantou o braço.

- Garçom, me recomende uma bebida bem gostosa.

- Temos aqui o menu. Escolha qualquer uma, asseguro que vai gostar. Todas são especiais aqui nos mares do Caribe.

- Já resolvi, vou provar pelo menos 3 ou 5 dessas coloridas aqui. – Alice diz, apontando para o cardápio, não consegue ler nome algum.

- Olha, moça, se não tiver costume, não exagere. Melhor ir devagar.

- Hoje pretendo aproveitar um pouco. Vou fazer algo especial com o meu namorado, preciso exagerar um pouquinho. – Ela diz sorrindo.

- Legal. E onde ele está?

- Acho que foi ao cassino, mas não tem problemas, estaremos no mesmo quarto mais tarde. – Ela esboça um sorriso.

- A moça parece gostar muito dele?

- Bastante, o Marcos é especial! – Ela sorri.

- Vá devagar com as bebidas. Pode aproveitar aos poucos, enquanto ficar neste cruzeiro.

- Posso até aproveitar.

Assim que prova a primeira dose, ela fica maravilhada e quer continuar provando.

- Nossa. Essa é bem gostosa! Vou querer mais dessa e talvez de mais outras duas. As outras do cardápio deixo para provar amanhã.

- Senhorita, não diga que não lhe avisei.

--- Em algum lugar, próximo ao bar. ---

O garçom conversa com o empresário.

- Então, colocou a poção na bebida daquele arrogante teimoso? – O empresário pergunta ao garçom.

- Claro! Ele não perde por esperar. Foi se meter em tentar vender a nossa ilha. Nunca vamos ficar parados sem fazer nada.

- Mas ele não vai se machucar? Nós não somos bandidos.

- Não homem. O cara vai apenas ficar animadinho e, disseram que a bailarina dele está por aqui. O melhor é que ela vai pegar o safado no flagra. Só vamos filmar o grande momento. – O garçom sorri.

- Me diz onde está o frasco?

- Espera um pouco, que está no meu bolso... deixe-me ver...

- Temos que jogar a prova fora. Não podemos nos encrencar. – O empresário informa, apreensivo.

- Então! Vamos jogar o frasco no vaso e dar descarga.

- Flávio, é claro. Me dá logo esse frasco!

- Eita! Chico, danou-se. Não está aqui no meu bolso! – Flávio diz, assustado.

- Ô criatura. Temos que dar fim em todas as provas! – Chico procurou ao lado dele. - Flávio, se a minha irmã souber que demos bandeira. Ela vai arrancar o nosso couro e sabe o quanto ela é brava.

- Sei, ela é a minha sogra. A coisa vai ser bem pior comigo!

- Ô traste! Pelo nosso bem. Vamos logo procurar o bendito frasco!

- E o Diego?

- Rapaz, ele vai se resolver com a dançarina em alguns minutos.

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