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Capa do romance Sem Limete

Sem Limete

Augusto é um magnata frio e implacável, marcado por uma infância de abusos sob a guarda de seu tio amargurado. Acostumado a usar sua imensa riqueza e beleza para descartar mulheres, ele vê seu mundo mudar ao conhecer Maria Eduarda. Criada por uma avó gananciosa, ela aprendeu a valorizar apenas o próprio esforço para sobreviver. O destino une esses dois opostos, e Augusto descobre que seu poder financeiro é inútil para conquistar o coração de quem mais deseja.
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Capítulo 3

Maria Eduarda

Foram dias muito difíceis, perambulando pelas ruas de Portugal, suja sem comida, sem roupas descentes, ninguém se importava com o estado em que me encontrava, sentia que não via luz no final do túnel, que o meu destino nunca iria mudar, como uma menina de 12 anos poderia viver assim no mundo, já não me importava com as lagrimas que caiam todos os dias, com a dor no peito ou mesmo quando a minha barriga roncava de fome, sempre que isso acontecia bebia agua para tentar matar a fome.

Até agora eu não entendia o porquê da minha avó ter ido embora e me deixando para traz, sem nada para comer, sozinha nunca casa vazia e ainda devendo e o dono não teve compaixão pela minha idade e tive que pagar caro, essas lembranças me machucam tanto que não consigo conter as lágrimas que caiem sem parar, olho para o céu e pergunto a Deus o porquê ela fez isso comigo, será que ela nunca me amou. Limpo as lagrimas e me levanto do chão duro, vou, mas uma vez a procura de algo para comer.

Já se passaram quase uma hora andando por todos os lugares da cidade procurando um lugar para ficar ou algo para comer e ainda não encontrei nada, parei perto de um pequeno prédio para descansar, foi então que achei um pedaço de papel no chão, peguei tinha o endereço de um acampamento para pessoa indigente, ou melhor sem teto, perguntei para algumas pessoas que passavam na rua onde ficava, mas algumas nem respondia, outras nem me olhavam parecia que eu tinha uma doença contagiosa ou algo assim, mas um senhor vendo que ninguém me ajudava, veio até a mim e tomou o papel das minhas mãos, leio o que estava escrito, me olhou e me indicou o caminho correto, mas mandou eu tomar cuidado já que eu era uma criança e com certeza sempre existia pessoas que iria tirar proveito de mim.

Eu agradeci a ajuda e seguir o caminho que ele tinha me indicado, foram mais uma hora andando.

Cheguei ao acampamento que ficava no extremo sul da cidade, assim que cheguei, fui recebida pelo responsável, que me explicou como tudo funcionada e depois disso fui levada a uma tenda onde me deram comida e um lugar para dormir, não me questionaram o porquê de estar na rua, com certeza isso já era comum acontecer com certeza. .

Aqui todos tinham uma função, por isso cada um trabalhava no que podia, o acampamento era mantido por doações, os feirante em dia de feira, nos dava tudo que eles não tinham conseguido vender, era dessa forma que conseguíamos as frutas , legumes e verduras a semana toda, como eu era criança, ajudava na cozinha.

Um mês aqui e todos me tratavam bem, havia todo tipo de pessoa nesse lugar a maioria tinham perdido tudo e não tinha para onde ir, algumas eram formadas desempregadas e sem perspectiva de arrumar um novo emprego ou voltar para sua formação, o lugar apesar de ter muitas pessoas era bem organizado, não tinha sujeira, existiam barracas separadas e as coletivas, eu como sou menor durmo com as outras crianças, existiam voluntários que vinham prestar serviços e uma delas era a Anna, uma professora, que ensinava as crianças que ainda não frequentavam a escola, eu me tornei sua aluna, pois não tinha como entrar na escola.

Cinco anos depois

___ Parabéns Maria Eduarda ___fala Anna.

___ Obrigada Anna___ digo emocionada.

___ O que gostaria de ganhar de presente?___ me pergunta ela.

___ Uma casa e uma família, que me amasse de verdade, mas isso é impossível___ falo, com os olhos cheio de lagrimas, pois sei que isso e quase impossível.

___ não fale assim, com certeza vai aparecer uma família que irá te amar muito___ diz ela.

___ A senhora sabe o que me aconteceu, tenho medo do que possa acontecer se encontrar uma família que apena finja me amar ___digo por que não esqueci o que me aconteceu e ainda não entendo por que fui deixada sozinha por quem dizia me amar.

___Eu posso imagino___ vou me mudar no mês que vem para Lisboa, recebi uma proposta de emprego que não posso recusar, o salário e um pouco melhor então resolvi me aventurar___ diz Anna.

___Então, não vamos, mas ter aulas? ____pergunto, já triste com a notícia.

___Eu espero que eles consigam outra pessoa, sinto por ter que abandoná-los, mas infelizmente não posso só pensar em vocês, tenho que pensar em mim também, já não sou tão nova e ainda não estou aposentada___ fala ela com lagrimas nos olhos.

___Eu vou sentir sua falta___ digo indo abraçá-la.

___ Por que não vem morar comigo? Onde vou morar não e tão grande mais tem dois quartos e você pode ficar com um, enquanto não consegue um emprego pode cuidar da casa para mim, o que acha?____ me pergunta ela.

___ Aqui eu trabalho para sobreviver, posso cuidar da sua casa até conseguir um emprego e ajudá-la com a despesa da casa___ se realmente me quiser morando junto.

___Com certeza quero sim, não iria te falar se não fosse verdade, onde vou morar tem muitas lojas que contratam sem experiencia para trabalhar, agora que tem 18 anos pode começar, e vai continuar estudando e quem sabe consiga algo bem melhor no futuro.

___Se for assim, eu aceito ir morar com a senhora ____falo bem emocionada e feliz, porque agora terei uma casa, e vou viver com alguém que gosta de mim de verdade.

___Primeiro não precisa me chamar de senhora, segundo pode ir arrumando as suas coisas, quero que vá comigo ainda hoje, onde estou agora e um pouco pequeno mais cabe outra pessoa, assim vamos nos acostumando a viver juntas até a mudança___ ela diz isso já se levantando da cadeira.

___Jura, vou arrumar as minhas coisas agora mesmo___ falo correndo para a barraca.

___Vá eu vou falar com o responsável pelo acampamento, e te encontra daqui a pouco.

Mudei no mesmo dia, como ela disse a casa era um pouco pequena, mas como eu não tinha muito coisa não ficou apertado.

Enquanto não chegava o dia da nossa mudança eu ajudava a Anna em tudo, quando nos mudamos, o lugar era mais simples, mas bonito, um bairro com muitas casas, uma do lado da outra, o colégio onde era iria dar aula não ficava longe, e era onde eu iria estudar.

A cada dia estava mais feliz por ter alguém que gostava de mim de verdade, e com isso me tornava uma pessoa melhor, conseguia até mesmo em alguns momentos esquecer tudo que havia passado

Quando completei 18 anos, ganhei um bolo simples e um refrigerante para nós duas comemorar esse grande dia.

Nos dias seguintes ao meu aniversário comecei a entregar o meu currículo nas lojas do bairro e até mesmo em algumas que não ficavam tão perto, mas os dias e os meses foram se passando e nada de eu conseguir um emprego.

As coisas ficaram muito pior quando a Anna sofreu um acidente enquanto voltava para casa ela foi atropelada por um motoqueiro que não prestou socorro a deixou jogada na rua.

Quando foi levada para o hospital, os médicos disseram que ela teria que ficar pelo menos 3 meses em casa, já que ela faturou 3 costelas e os joelhos, não foi nada facial para ela, já que sempre trabalhou ter que ficar em casa e o pior ainda estava por vim.

Quando ela retornou ao colégio foi demitida, já tinha colocado outra professora em seu lugar, o colégio não poderia ficar muito tempo sem a aula que ela dava, a nossa situação começou a ficar muito complicada, tínhamos que economizar cada centavo, já que o dinheiro que ela tinha guardado não iria nos manter por muito tempo, e isso estava me masterizando a cada dia.

Eu saia para procurar emprego, mas não achava, até que conversando com uma mulher, que me contou que tinha uma casa onde estavam precisando de garçonete, mas que o lugar não era frequentado por boas pessoas.

Nesse momento eu precisa de um emprego, não estava me importando onde era, desde que eu pudesse ajudar a Anna com as despesas até ela conseguir um novo emprego, não ligaria onde era a vaga se eles me aceitassem eu iria sim.

Quando parei na porta da casa, foi que entendi o motivo de não ser um lugar bom, era uma Boate, a princípio fiquei com medo de bater na porta, mas a minha situação nesse momento me impede de ir embora, bato na porta e espero que alguem apareça, e não demorou muito, e uma mulher aparece.

___O que quer menina___ pergunta ela.

___Senhora, soube que está precisando de pessoas para trabalhar___ falo.

___Quantos anos tem? ___ me pergunta ela, me olhando de cima a baixo.

___Tenho 18 anos.

___Sabe que lugar e esse? Não tem medo?

___Senhora eu preciso muito trabalhar ___a minha condição me impede de questionar o lugar.

___Venha, entre___ fala ela, saindo da frente para que eu passe.

Assim que passei da porta, me assustei, o lugar era muito grande, bonito, existiam muitas mesas, um palco, e um imenso bar.

___Ja tinha entrado num lugar assim ___ pergunta ela.

___Não ____ respondi ainda admirada com a visão.

___Tenho uma vaga de garçonete, o horário e das 21:00 horas até as 06:00 da manhã____ tudo bem para você.

___Eu aceito e emprego___ sem questionar respondo.

___Será que seus pais vão permitir que trabalhe num lugar desse? ___ ela perguntou.

___Não tenho pais, e a senhora com quem moro não vai ligar___ digo sem ter a certeza de que Anna vai gostar.

___Assim espero, não quero confusão dentro do estabelecimento___ ela fala.

___Não terá senhora, pode ficar sossegada___ afirmo.

___Então ele é seu, precisa preencher uma ficha, acerta o salário e o horário que deverá estar aqui todas as noites.

___Tudo bem senhora____ digo muito feliz.

___Meu nome e Rita, eu sou a gerente, mas o dono mesmo só vem a noite.

___Me chamo Maria Eduarda___ falo.

___Espero sinceramente que goste de trabalhar, aqui o trabalho não é fácil, mas se ganha muito bem.

___Vou gostar, tenho certeza ___digo pois estou feliz de ter encontrado um trabalho.

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