
Seja Minha - Por onde estiver
Capítulo 3
Léo:
Eu puxo as estacas e espalho o forro da tenda no chão.
— Oh, é para isso que esse lençol de plástico era? Eu pensei que talvez fosse como um tapete.
— Não. O chão fica molhado durante a noite e de manhã, assim o forro ajuda a mantê-la aquecida.
— As instruções não são muito úteis, — observa ela, mordiscando o lado de sua boca. Sua bela, suculenta e linda boca, que eu gostaria de ter pressionada contra mim em uma centena de maneiras diferentes. Em seu fim de tarde, pós luta com equipamentos de camping, Caroline devia parecer desgastada. Mas em vez disso, a felicidade brilhava no rosto dela e até mesmo o leve suor por ela ter trabalhado na montagem da barraca a fazia boa o suficiente para comer. Tudo bem que ela montou a barraca errada e não tinha uma pista sobre como construir uma fogueira, mas era o esforço que contava.
— Nós temos um monte de pessoas com dificuldades assim lá na loja, — Eu a tranquilizo.
— Você está dizendo isso só para me fazer sentir melhor?
Eu balancei minha cabeça. — Na verdade, temos aulas na parte de trás para os campistas mais novos, de modo que na primeira vez que eles vão acampar, não fiquem lá fora isolados, sem ninguém ao seu redor. — Quando o rosto ensolarado dela começa a ficar embaçado, eu digo a ela, — Eu teria oferecido a você, mas eu percebi que você estava com pressa para pegar a estrada.
Ela brinca com a pilha de toras e varas que eu estou supondo que é o acendedor de sua fogueira. — Você está certo. Bill não teria esperado.
— O que a traz a Pine Falls? — Eu pergunto, porque, obviamente, não é a experiência de acampar. Pela aparência da barraca, não parece que ela já viu uma antes. Eu dou-lhe crédito por descobrir como fazer um nó nas varas, no entanto, mesmo ela tendo feito errado. Eu puxo para baixo a barraca enquanto ela fala.
— Minha amiga Susan me disse sobre aqui. Suas fotos tiradas por todo o lugar são surpreendentes e, bem, ela disse que salvou seu casamento. E eu pensei... eu pensei que iria ajudar a reparar o meu relacionamento com Bill. Nós nunca tivemos um bom, e eu acho que deveria tê-lo deixado ir, mas eu estou ficando mais velha e eu queria uma família. — Ela olha para baixo novamente. — Isso não é uma coisa muito moderna para eu dizer, não é?
— Nada de errado em querer uma família. Eu gostaria de uma. — Leva apenas alguns movimentos rápidos para colocar a barraca de volta junta. Eu a armei sobre a lona e começo a fixar os cantos.
— Isso está certo? Bill disse que...
— Que tal nós simplesmente esquecermos Bill agora? — Eu interrompo. Quero passar por cima de Bill. Se ela ainda estiver presa a ele, isso seria um saco.
— Boa ideia. Então você trabalha na loja de aluguel? Aquela em que eu comprei todas as coisas? — Sem perguntar, ela vai para o canto oposto e puxa um canto da tenda enquanto eu bato na estaca.
— Não, eu apenas cuidei para um amigo meu. Ele está fora com uma amiga, provavelmente, fazendo bebês. Então, que tipo de família que você quer? Uma grande, pequena?
— Oh, eu quero uma grande. Quero quatro ou cinco crianças. Eu quero uma casa grande cheia de barulho e bagunça e abraços e beijos.
E ela queria tudo isso com Bill? Ele foi tão egoísta que eu ficaria surpreso se ele fosse capaz de manter um peixe vivo. Eu bato a última estaca e puxo meu isqueiro. Hora de iniciar o fogo.
— E você? Que tipo de família que você quer? — Ela pergunta, seguindome da barraca para o pequeno buraco no chão.
Eu me agacho e começo a tirar as toras maiores. — Uma grande, como você.
— Sim? — Ela sorri para mim.
— Sim. — Eu sorrio de volta. — Eu gosto de tudo sobre as crianças, particularmente a parte de fazê-las.
Ela cora, e eu empurro de volta o meu desejo de levá-la para o chão duro agora. Estou aqui para ajudá-la, não transar com ela. Eu mostro-lhe que tipo de lenha que precisamos, e ela procura enquanto eu atiro os sacos de dormir no chão. Eu não encontro qualquer colchão de ar ou almofada. Vai ser uma noite difícil se eu tiver que dormir em forma humana. Meu corpo de urso é mais adequado para dormir na floresta, mas o meu humano goza de coisas macias como camas de penas e lençóis limpos.
O pensamento da minha cama grande na minha cabana me tem evocando outras imagens. Como Caroline espalhada sobre os lençóis brancos, cabelos castanhos todo despenteado em minhas mãos, e sua pele úmida de suor. Não tenho dúvidas de que ela tenha gosto salgado e doce ao mesmo tempo, minha combinação favorita de sabores.
O fogo já está furioso na hora que ela retorna com um par de bons troncos. Eu reajusto meu pau secretamente, tanto quanto possível antes de eu assustá-la. A última coisa que ela precisa agora é de algum urso estranho perseguindo cada passo dela. Estou aqui para me certificar de que ela tenha um bom tempo e não seja agredida pela floresta. Muitas senhoras gostam de paquerar e não levar isso em qualquer lugar, eu me lembro. E não há mal nisso de todo. Uma senhora bonita, alguma troca mútua de admiração, um fogo quente, e uma cerveja de mel? Essa é uma boa noite em qualquer livro de urso.
— Eu trouxe alguns salsichões e cervejas se você estiver interessada, — eu digo a ela quando ela toma um assento ao meu lado.
— Certo. Isso soa melhor do que a refeição que eu tinha planejado. — Ela remexe numa mochila e puxa dois sanduíches que cheiram como manteiga de amendoim e geleia. Yum.
— Vou aceitar isso como um aperitivo. Eles cheiram bem.
— Sério? Eu pensei que eu era a única com mais de trinta anos que gostava de sanduíche de manteiga de amendoim e geleia. Bill odeia. Eu não sei porque eu os fiz para esta viagem. — Ela olha para o sanduíche envolto em plástico com confusão. Porque você já estava pensando em romper com o idiota, eu acho.
Eu retiro duas varas e espeto os salsichões no final de cada uma, e, em seguida, os coloco nos pequenos galhos que fiz para que não queimemos nossos rostos tentando cozinhar a carne. — Não. Esse sanduiche é uma boa. Eu gosto deles ainda mais com mel em vez de geleia. Embora a sua geleia de framboesa cheire bem.
— Como você sabe que é de framboesa? — Ela me entrega um.
— Bom focinho. — Eu toco ao lado do meu nariz.
— Muito bom. — Ela levanta o pacote para seu próprio nariz e funga delicadamente.
E uma boa audição. Cerca de uma milha de distância, eu ouço um barulho na floresta. Algum urso estúpido está ficando muito perto do meu acampamento. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se ergue em indignação. Felizmente, ele vai cheirar meus rastros e desviar para outra direção sem eu falar uma palavra.
Eu viro minha atenção de volta para Caroline. — O que você faz para viver na cidade?
— Eu sou uma transcritora médica. Eu não estou em uma grande agência ou qualquer coisa. Eu trabalho para mim mesma, e a maioria dos meus trabalhos são entregues online. A Internet faz com que seja tão fácil para nós nos dias de hoje. Tenho clientes em todo o país. É realmente legal.
— Parece que você pode trabalhar em qualquer lugar, se você quisesse.
— Definitivamente. Algum dia eu gostaria de viver em uma cabana na floresta em um lugar como este. É tão lindo. — Ela estende os braços, e eu não posso evitar, além de observá-la. Ela é tão bonita quanto as aves que deslizam sobre as águas límpidas e azuis, e minha respiração engata na minha garganta.
Eu começo a me inclinar para frente em direção a ela para lhe dizer como ela é linda, e que dormir na mesma tenda esta noite e não ser capaz de tocá-la vai me matar. Eu faria isso, mas vai ser uma tortura dolorosa. Mas as palavras morrem na minha língua quando o urso que fez barulho na floresta decide se juntar a nós.
Eu nem sequer me preocupo em virar. Eu conheço este urso pelo cheiro. É Malcolm Standard, um solitário que vende esculturas de madeira para galerias de fantasia do Oeste. Ele foi destaque em uma revista de arte nacional após um dos editores encontrarem um pedaço de seu trabalho na Trading, uma loja antiga. Aparentemente, suas peças são vendidas por uma fortuna, mas ele vive como um eremita.
— Leo Prufuchs, importa-se de eu me juntar ao seu fogo?
Sim, na verdade, eu me importo pra caramba. Caro se surpreende. — Tem alguém aí?
Porra. Eu me empurro para os meus pés e enfrento Mal. — O que você está fazendo fora da sua toca?
— Cheiro algo bom, — ele resmunga. Quando ele chega perto o suficiente para ser iluminado pela luz do fogo, vejo que ele está vestindo a roupa de um dos esconderijos que nós ursos temos na floresta. Nós todos nos revezamos reabastecendo-os apenas para se precisarmos sair da forma de urso ao redor dos seres humanos. Mas quando eu olho de perto, parece que ele está usando... porra, essas são as minhas roupas que ele está usando, e essa é a minha mulher que ele está tomando um assento ao lado.
Espera. Minha mulher?
Eu cheiro o ar de novo, e o cheiro de testosterona masculina estranha está invadindo a perfeita harmonia que estávamos desfrutando. Meu coração começa a bater mais rápido, e o desejo de soltar minhas garras coça as costas das minhas mãos. Um rosnado baixo sai da minha garganta.
— Não há nada para você aqui, — eu rosno para Mal.
Do outro lado da fogueira, ele sorri para mim e estende suas longas pernas de modo que elas estão muito perto de Caro.
— Hum, está tudo bem. Eu tenho um pouco mais de comida no... — A voz de Caro desvanece quando eu ando para frente e chuto a bota do imbecil para longe do fogo.
— Eu repito. Não há nada para você aqui. — O desejo animalesco de defender meu território é esmagador sob todo o resto. Eu mal posso acreditar no que está acontecendo comigo. Eu sou o cara de boa com tudo. As senhoras em toda fronteira sabem que se precisarem de um companheiro, eu estou a um telefonema de distância, mas aqui estou, pronto para rasgar um amigo, membro a membro por ter a audácia de sentar-se dentro de um metro e meio de distância da minha companheira. Se Malcolm não mover o seu traseiro, Caroline vai presenciar de perto uma boa luta.
— Então você a encontrou? Sortudo. — Malcolm suspira e fica de pé. — Eu não senti o cheiro do vínculo por isso achei que era apenas mais um turista.
— Vínculo? O que está acontecendo? — Caro indaga, mas ambos Malcolm e eu a ignoramos. Eu não posso tirar meus olhos do outro predador, quando minha companheira está próxima, especialmente porque Malcolm está certo. Não há nenhum vínculo entre nós ainda. Seu aroma é totalmente diluído pelo meu. Uma verdadeira companheira estaria sufocada em minha semente e meu perfume.
— Acabamos de nos conhecer, — eu respondo com dificuldade.
— Como eu disse, você é um sortudo. — Ele enfia as mãos em seu jeans emprestados e, com um aceno de cabeça em direção a Caroline, começa a andar pelo mesmo caminho escuro que veio. Seu olhar desanimado me tem indo atrás dele.
— Eu não sabia que você queria uma companheira.
— Sempre quis. Só porque eu vivo sozinho não significa que é como eu quero passar o resto da minha vida. — Ele para e vira em direção ao fogo onde Caro está de pé, com as mãos nos quadris, parecendo confusa. — Você vai perder a sua solteirice?
Eu olho para ele como se ele fosse louco. — Você está de brincadeira? Eu estive procurando por ela toda a minha vida, é por isso que eu estive perdendo tempo por todo o lugar.
— E ela só caiu no seu colo? Merda, Leo, tudo vem fácil para você.
— Fácil? Eu objeto. — Passei anos em todas as camas erradas. Eu sinto muito por não esperar até ela vir. Eu ficava pensando, talvez essa menina vai ser a única, mas ela nunca foi. Porra, eu nem percebi que Caro era a única até que você apareceu. Eu quase estraguei tudo.
Ele me dá um olhar impaciente. — Você só tem uma companheira. Não estrague isso.
Com essas palavras não muito reconfortantes, ele desaparece. Volto para o fogo onde Caro passou de confusa para raivosa. Ela provavelmente quer uma explicação, e eu não sei o que dizer que não vai fazê-la correr para a floresta. Oh, a propósito, eu sou um urso e você é minha companheira. Espero que você não se importe.
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