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Capa do romance Seja Meu

Seja Meu

Aos 18 anos, Layra está decidida a seduzir Arthur, o CEO frio e calculista por quem sempre foi apaixonada. Apesar de ser filha do seu melhor amigo, ela ignora os riscos de uma guerra familiar para conquistar o homem que fechou o coração após traumas do passado. Morando no Rio de Janeiro, Arthur se vê como alvo de um desejo proibido e incontrolável. Entre a razão e o prazer, essa batalha de sentimentos testará todas as convicções e o bom senso do empresário.
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Capítulo 3

Arthur

Ao sair dos meus pensamentos que apesar do tempo, ainda me machucam, pego o telefone, levanto-me e vou até a varanda, sem prestar atenção no visor, atendendo à chamada.

— Alô.

—Bom dia, Arthur! — cumprimenta Antony com a voz seca — Que merda foi aquela ontem na minha casa?

Franzo a testa e suspiro. Para falar a verdade, nem eu mesmo sei por que me meti justamente com a noiva e pior, filha de um antigo amigo da minha família. Contudo, já havíamos ficado algumas vezes em segredo e ela que havia me instigado. Aquela gracinha de olhos verdes tentadores, de 27 anos, experiente, que pagava de virgem só porque tinha o rostinho de inocente... Ah se ele soubesse o que sua filhinha já havia feito comigo, certamente me mataria, mesmo eu sendo a vitima daquela safada.

— Peço desculpas pela indiscrição, Antony. Acabei bebendo um pouco, e não sei o que me deu, sinto muito. — minto.

— Não tente me fazer de idiota, te conheço há anos, conheço a sua fama também — diz, austero.

Gargalho, sem conseguir me conter. Realmente, conheço Antony há muitos anos, fomos apresentados pelo meu pai em uma das nossas muitas viagens. Apesar de ser um Homem rigoroso e respeitado, ele é também frequentador de grandes eventos importantes entre as pessoas mais requisitadas do país.

— Vamos esquecer o passado e focar no presente, por favor— sugiro. — Que tal um almoço mais tarde? Pegarei o voo daqui a algumas horas e não tenho muito o que fazer durante este tempo.

Paro de observar o circular de pessoas passando lá em baixo, pela varanda da suíte , e me viro na direção da cama.

— Hoje não posso, estou morto depois da noite de ontem, mas podemos marcar algo daqui a uma semana no Brasil. Pegarei alguns dias de férias e pretendo fazer um passeio em família. Aproveito para fazer uma visita ao seu pai. — diz o homem um pouco mais calmo.

— Sem problemas — respondo — Tenha um bom dia, Antony — Deixo o celular sobre o criado-mudo e sigo para o banheiro.

De banho tomado e já vestido, me aproximo da ruiva que havia acordado, mas permanecia deitada, em uma pose sedutora. Apesar de a noite ter sido suada e deliciosa, está chegando a parte menos interessante do dia, a parte em que dispenso a mulher sem deixar tão evidente que eu só queria comê-la e nada mais. Só espero que ela não dê um ataque logo pela manhã, não tenho muita paciência para aturar esse tipo de coisa, até porque somos dois adultos.

Ao me aproximar, ela se levanta e coloca suas mão em volta do meus pescoço, fico de frente para ela, afastando-lhe um pouco pela cintura e pisco descaradamente, como somente eu sei fazer. A moça praticamente se derrete, enquanto me analisa dos pés até o último fio de cabelo.

— Apronte-se, está na hora de ir embora.

Seu sorriso morre instantaneamente, dando lugar a uma expressão de incredulidade.

— Como assim? Pensei que… Não sei… Que fôssemos nos divertir um pouco mais.

Encaro a mulher com seriedade e em seguida, retiro suas mãos do meu pescoço e afasto-a mais.

— É uma pena. Mas tenho muito o que fazer, então você precisa ir.

— Mas hoje é sábado, podemos fazer tantas coisas — diz, desapontada.

Toco o seu queixo de leve e faço com que ela me encare. Sorrio com cinismo, já impaciente.

— O que foi? — questiono ao ver que a moça segura o lençol com força contra o seu corpo esguio. Ela me encara com frieza no olhar, a testa franzida de raiva.

— Eu já conheci homens imbecis, mas você certamente ganhou o título de honra — diz sarcástica, enquanto retira minha mão do seu queixo.

— Fico feliz que você tenha compreendido o recado… — tento relembrar o nome dela. Contudo, é em vão. Não me lembro nem se ela tinha me dito. — Como se chama mesmo? — pergunto na cara de pau.

A mulher arregala os olhos e abre a boca, incrédula, mas eu apenas dou de ombros, até porque aqui não tem nenhuma criança. Somos dois adultos que estavam com tesão, só isso.

— Vou embora e espero nunca mais precisar olhar para essa sua cara, ridículo! - rebate.

— Obrigado! — Sorrio e respondo calmamente. Ela está me poupando de uma enorme dor de cabeça.

Encosto-me na parede e sem que ela se dê conta, observo-a se vestir, irritada, apesar da indiferença, me delicio com a visão do seu corpo nu, no qual fiz um banquete a noite inteira. Quando ela termina, pega a bolsa e passa por mim, soltando fogo e fazendo questão de empinar o nariz.

— Adeus querida, foi um prazer comer você! — provoco ainda mais.

A mulher parece transformar-se em um felino raivoso, pois dá meia volta e marcha na minha direção.

— Querida é o car@lho, seu imbecil. — Levanta o braço e faz menção a me acertar com um tapa no rosto, mas, para seu azar, sou mais rápido. Seguro sua mão com força e a impeço.

— Não ouse levantar a mão para mim, agora, saia! — ordeno, olhando-a fixamente.

— Seu maldito… — vocifera com o olhar cheio de ódio. — Algum dia você ira encontrar alguém que vai te mostrar como é ser tratado como um lixo, que vai fazer você se sentir um idiota, que vai te causar uma humilhação maior do que essa que está me causando, e eu espero que isso não demore muito, seu babaca.

Balanço a cabeça e sorrio ainda mais, quase que gargalhando. Ah… Se ela soubesse que esse dia nunca irá chegar, com certeza não estaria me fazendo perder tempo, já gastei a minha cota de trouxa para nunca mais repetir. Para falar a verdade, tenho pena da criatura que tentar entrar no meu caminho com segundas intenções que não sejam apenas de me dar prazer. Não tenho pena de pisar nos cacos dos pobres corações feridos, afinal, não tenho culpa delas serem tão vulgares e descaradas, além disso, não sou responsável por suas ilusões infantis, nunca ofereço mais do que sexo.

Assim que a mulher sai da suíte, batendo a porta com ira, sigo até o bar e sirvo-me de uma dose de whisky. Ainda que esteja cedo e o sol mal tenha acabado de raiar, sinto a necessidade de relaxar um pouco antes de embarcar de volta para o Brasil, lá, deixarei a pose de conquistador e voltarei à velha e boa rotina como o CEO respeitado que sou, dentro do meu império na Vidal Engenharia, que após tudo o que aconteceu e o meu pai ter adoecido, decidi assumir.

Respondo a algumas mensagens da minha secretária particular e outras de Jonas, meu advogado e melhor amigo, bloqueio o telefone e sigo para o aeroporto.

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