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Capa do romance Segunda Chance - Trisal

Segunda Chance - Trisal

Úrsula aprendeu desde cedo a se virar sozinha. Aos 13 ficou órfão. Aos 15 engravidou de seu vizinho. Aos dezesseis foi mãe. Aos dezessete foi ao inferno. E aos dezoito teve, mais uma vez que recomeçar. Neste recomeço conhece Pedro e Amanda, e passa a ter esperança, coisa que a muito tempo não tinha. Será que ela embarcará nesta aventura? Será que a vida voltou a sorri? Embarquem nas aventuras de uma menina, que apesar de ter sofrido bastante, ainda tem motivos para sorrir, todos os dias. Amanda sempre sonhou em ser juíza. Se dedicou a vida toda para conseguir o tão sonhado cargo. E quando conseguiu resolveu dar uma guinada na vida. Casou e realizou o sonho de ser mãe. Autodidata, segura de si e controladora. Amanda sempre soube aonde era seu lugar. Super resolvida com sua sexualidade, viu com o namoro com Pedro, que os dois juntos iriam longe. Pedro, um jovem aventureiro, que gosta de esportes radicais e gosta de surpresas. Viciado em sexo, coleciona uma grande variedade de fetiches, que realiza com sua esposa e com a namorada Márcia. Ele nunca se vou amante d suma única mulher, pq ele possui muito fogo para uma só dar conta. De família rica, sempre quis ser delegado. Realizou seu sonho! Agora ele está exatamente no lugar que sempre quis. Casado com uma mulher linda e inteligente, pai de uma menina linda e cheia de saúde, com uma ótima reputação como delegado. O que lhe falta para ser feliz? O terceiro elemento. Aquele que vai trazer sentido para tudo. Será que Pedro está preparado para quando este encontro acontecer?
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Capítulo 1

Prólogo

Úrsula Juliana dos Santos

Como vim parar aqui? Ninando um bebê num Moisés, no alto da tão maravilhosa favela do Adeus.

Senta que lá vem história. E ela começou exatamente há três anos, quando minha mãe morreu de um infarto me deixando órfã aos 13.

Sem pai, ela me criou fazendo faxina na casa dos granfinos na zona sul do Rio de Janeiro.Bom, quando ela morreu as coisas não mudaram muito para mim.

Ela ia trabalhar e eu ia estudar no colégio daqui da quebrada mesmo, e depois vinha para a casa da minha tia para esperar ela chegar.

Quando ela chegava, íamos para nosso barraco que era aqui pertinho. Era legal, porque só era eu e ela. Eu tinha meu canto, agora quando fui morar com minha tia, era apertado. Tinha que dividir um barraco com quatro crianças, ela e o marido, então era complicado. Não havia privacidade.

Eu passava mais tempo na rua, do que em casa.

Conheci Brian, um menino da minha idade que até os quatorze, era um bom garoto. Ajudava a mãe em casa e jogava bola na quadra debaixo de nossa casa. De havaiana no pé emendada, junto com os outros moleques.

Neste tempo, ele era alguém que você gostaria de ter por perto.Era amigo, um menino engraçado que gostava de jogar futebol e dançar funk fazendo passinhos.

Ele foi meu grande esteio quando minha mãe morreu e eu me vi sozinha, tendo que trabalhar como babá aos treze para ajudar a minha tia nas contas da casa.

Ele me fazia rir, quando eu só queria chorar. E assim começamos a ser amigos, e aos quatorze nos apaixonamos.

Aos quinze, Brian começou a mudar. Já não passava tempo com os moleques jogando bola, nem conversando comigo no portão de casa. Ele passava mais tempo no alto do morro com o irmão do que conosco. Nós ainda namorávamos, mas ele já não se dedicava a mim como antes.

Se eu disser que não reparei na sua mudança vou estar mentindo. Reparei sim, mas fingi que não estava acontecendo nada, afinal quando precisei ele estava comigo. Porque eu não podia fazer o mesmo por ele? Achei que fosse só uma fase, mas depois descobri que não era.

Nós trepamos igual Coelho no começo. Sabe como é...Adolescentes, cheios de saúde com os hormônios nas alturas. Na maioria das vezes usávamos camisinha, mas aconteceu de eu engravidar aos quinze numa das vezes que não deu tempo e ele disse que ia tirar quando chegasse a hora. Se você está lendo este relato, não acredite nisso, falha na maioria das vezes.

Então se você não quer terminar a sua vida como eu terminei, grávida aos quinze de um projeto de homem, não faça.

E o meu projeto de homem ainda tinha algo muito grave: ele era um traficante!

Como descobri isso? Quando ele começou a aparecer com presentes caros, daqueles que levaríamos uma vida inteira para conseguir dinheiro para comprar.

O que eu podia fazer?

Estava grávida, sozinha, trabalhando de babá e ganhando uma merreca, porque eu era uma menor. E ainda aguentei a minha tia falando no meu ouvido, reclamando que eu ia por mais uma boca no mundo para ela sustentar.

O que vocês fariam no meu lugar?

Aguentariam isso? Ou se mudariam para a casa do seu namorado, que era responsável pelas as enfiadas sem camisinha e deixaria ele se virar para me ajudar a criar uma criança?

Eu só sei que na época me pareceu uma boa opção. Nessa época ele já não morava com a família e sim sozinho no alto do morro.

Ele me amava... Eu sei que me amava... E não achei ruim quando ele se enveredou mais ainda pelo caminho do tráfico para me dar um conforto, que ele dizia, que a mãe de seu filho merecia.

Eu parei de trabalhar como babá, porque minha barriga começou a aparecer. E passei a ser a mulher exclusiva de um traficante. Durante a gravidez não tenho nada que falar do Brian, que agora era conhecido no morro como Fubá, devido ao cabelo sempre tingido de amarelo.

Ele era lindo! Alto, magro mas estava malhando por causa do boxe que passou a praticar constantemente, então não demoraria para pegar corpo. Era moreno de olhos azuis. Eu adorava seus olhos!

As coisas começaram a ficar estranhas depois que dei a luz ao nosso filho, Adriano Miguel.

Ele vivia com raiva porque eu estava de resguardo e recusei seus carinhos.

A partir daí as coisas ficaram estranhas. Eu sempre estava cansada, porque cuidar de um recém nascido não é mole. Eu tinha ajuda de uma amiga da mãe dele, mas não era sempre. Ele só parecia em casa para me cobrar as coisas. Porque o jantar não estava pronto, porque eu não tinha lavado a roupa. Com essas cobranças vieram as violências psicológicas, como me xingar de relaxada e porca por estar sempre fedendo a leite. Eu já não deixava ele me tocar.

A primeira surra foi bem branda. Ele só me empurrou com força na porta do banheiro e eu machuquei meu ombro.Depois disso as coisas começaram a ficar mais violentas.

Então eu chego nos dia de hoje, aos dezessete anos com um moleque de um ano para criar, e um marido violento. Que acabou de sair daqui me deixando um olho roxo de lembrança, porque eu não tive tempo de passar a camisa que ele ia usar para ir ao baile funk.

Sabe aqueles olhos azuis que eu amava? Se tornaram o meu pior pesadelo. Agora sentia medo quando eles me olhavam.

Mas eu sou guerreira. Minha mãe me criou para ser ... Para não depender de ninguém... E eu já tinha um plano todo orquestrado na minha cabeça. Hoje seria o tão sonhado dia. Eu já havia ido ao banco e aberto uma poupança. Nela estava o meu futuro. Aquele futuro que roubei do fundo falso do armário que descobri inocentemente certo dia. Ele nem fazia ideia que eu sabia daquele esconderijo.

A primeira vez que descobri, fiquei espantada com a quantidade de dinheiro que encontrei ali.

Ele nem ia sentir falta. Eu só peguei o suficiente para iniciar uma nova vida com meu filho.

Depois que eu conseguisse fugir dele, compraria uma nova identidade, procuraria um emprego, botaria Adriano numa creche e viveria a minha vida.

Minha mãe me ensinou a não ter medo de trabalhar. Então eu não tinha!

Eu só levaria o necessário, que estava separado dentro de uma mochila debaixo da cama.

Na madrugada, enquanto ele estaria no baile funk, eu desceria o morro, entraria num táxi até a rodoviária e iria embora para sempre.

Enxugo meus olhos, ponho gelo exatamente onde ele me bateu. Meu filho começa a chorar, pego ele no colo e digo.

-Não se preocupe com nada meu amor, nós vamos ser muito felizes, eu tenho certeza.

Boto ele no meu peito e limpo mais uma vez meus olhos. Vendo aquela carinha linda sugando o meu leite. Como o amo! Eu seria capaz de fazer de tudo para ele ser feliz!

Eu tenho que sair daqui antes que ele vire um saco de pancadas. Eu não vou permitir.

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