
Segunda Chance, Novo Destino
Capítulo 3
A única pessoa na casa que não comemorava era sua avó. Mais tarde, quando a euforia pelo "sucesso" de Isabela diminuiu, a avó Maria a encontrou no quintal. A velhinha segurou as mãos ásperas de Mariana, os olhos enevoados de preocupação.
"Minha neta... tem certeza disso? Casar com aquele homem... o povo diz que ele não bate bem da cabeça. Que ficou assim depois de um acidente."
O toque de sua avó era um bálsamo. Na vida passada, depois que Isabela morreu, sua avó foi a única que chorou por ela de verdade. Seus pais estavam ocupados demais contando os benefícios do casamento com Lucas.
"Tenho, vó. Vai ficar tudo bem," Mariana respondeu, tentando transmitir uma segurança que mal sentia. A verdade é que ela não sabia quem era o "tolo". Só sabia que ele era sua única rota de fuga e vingança.
"Não vai ficar tudo bem," a avó insistiu, a voz baixa e trêmula. "Eu vi, Mariana. Eu vi o Lucas perto daquele galpão no dia da prova. Eu sei que foi ele que te prendeu lá. Aquele rapaz não presta. Ele tem olhos de cobra."
Mariana abraçou a avó com força. "Eu sei, vó. Eu sei."
O jantar foi uma tortura. Isabela não parava de exibir o anel de noivado que Lucas já tinha lhe dado, um anel simples, mas que para ela parecia um diamante da coroa.
"Lucas vai me levar para a capital. Vou estudar na melhor universidade," ela se gabava. "Ele disse que vai me dar um carro assim que nos casarmos."
Seus pais a ouviam com adoração.
"É isso que uma filha inteligente nos dá, João," disse sua mãe, Lúcia, lançando um olhar de desprezo para Mariana. "Orgulho. Não vergonha."
Seu pai concordou com a cabeça. "Você, Mariana, deveria aprender com sua irmã. Mas é tarde demais. Agora vai passar o resto da vida cuidando de um doente mental, na pobreza. É o seu lugar."
Cada palavra era um golpe, mas Mariana não se abalou. Ela comeu em silêncio, a mente focada em seu plano. Eles a veriam cair, mas mal sabiam que ela estava apenas tomando impulso para voar.
No dia seguinte, Mariana foi até a pequena venda no centro da vila para comprar linha. Precisava remendar o vestido simples que usaria no casamento. A vila inteira já sabia da novidade, e os olhares e cochichos a seguiam por toda parte.
E lá estavam eles. Lucas e Isabela, de mãos dadas, como o casal perfeito. Isabela usava um vestido novo, de um tecido florido e caro que claramente não era da região.
"Olha só quem está aqui," disse Isabela, em voz alta para que todos ouvissem. "A noiva do tolo. Já está comprando seus trapos para o grande dia?"
Lucas sorriu, um sorriso de superioridade. "Seja gentil, Bela. Ela já está sofrendo o suficiente." Ele se virou para Mariana. "Se precisar de algum dinheiro, Mariana, não hesite em me pedir. Eu posso te ajudar. A gente não pode deixar você passar necessidade."
A oferta era uma humilhação pública. Ele queria que todos vissem como ele era generoso e como ela era patética.
Mariana o encarou, o nojo crescendo dentro dela. Ela não disse nada. Apenas pegou sua linha, pagou e se virou para sair. O silêncio dela era mais poderoso que qualquer insulto. Deixou-os no meio da venda, sentindo os olhares curiosos do povo se voltarem para eles, o casal rico e arrogante que zombava da irmã desafortunada. O primeiro passo para destruir a imagem deles estava dado.
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