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Capa do romance Samantha

Samantha

Samantha Ferrari, uma professora de dança de 20 anos, usa a arte para superar o preconceito por seu corpo e sonha com um amor verdadeiro. Sua vida muda ao colidir com o carro de Damion Filip, um juiz focado no trabalho e na criação da filha, Cristal. O viúvo, que havia desistido do romance, vê em Samantha a chance de recomeçar. Agora, esse homem de raízes gregas está decidido a provar que ela é a mulher ideal para sua vida e seu coração.
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Capítulo 2

Damion Filip

Acordei logo que meu despertador tocou, quero dizer, depois de olhar em volta, eu vejo um par de olhos azuis pequenos pulando em cima da minha cama, agora entenderam meu despertador? É minha filha de apenas 4 anos me chamando como sempre.

— Papai, papai! — fala Cristal, pulando ainda na minha cama, volto a fechar os olhos novamente e viro a cabeça, fingindo dormir.

— Acorde, papai, você me prometeu me levar pra escola hoje, vamos — diz Cristal, desisto de ficar deitado e espero uma distração, pego e jogo-a na minha cama, como sempre faço, abraço-a e sinto um perfume mamãe/bebê que ela adora, continuo abraçando-a e resolvo olhar no despertador para ver que horas eram, 6h da manhã, percebi que Cristal saiu da cama. O costume era que eu ou a nossa governanta Sabrina a acordasse.

— Bom dia, Πριγκίπισσα μου. — Significa minha princesa, desde que ela nasceu. O médico colocou nos meus braços aquele pequeno pacote e, ao segurá-la pela primeira vez e vê-la, a primeira palavra que veio na minha cabeça foi minha princesa.

Quando ela abriu os olhos, vi a cor deles, era um azul que me lembrava o céu num dia sem nuvem. Balanço a cabeça, afastando os pensamentos; e vendo que a hora vai passando, falo pra ela que estava na hora de tomar um banho e se trocar. Vejo ela descer da minha cama numa velocidade impressionante para uma criança de 4 anos, sigo direto pro banheiro e tomo meu banho.

As lembranças continuam ainda vivas, vou me trocando e lembro como Alanis, minha ex-mulher falava que eu não dava mais atenção pra ela e que eu só sabia dar atenção para Cristal.

Alanis sempre teve ciúme de Cristal; quando ela me contou que estava grávida, eu fiquei no céu, porque era uma parte de mim que estava se formando na barriga dela, mas ela não pensava desse jeito, ela queria ficar desfilando numa passarela; ao ser mãe do meu anjo, ela não queria a criança, então, eu tive que obrigar ela cumprir a gravidez até o final, minha relação com ela já tinha acabado há muito tempo, eu não sei como eu aguentava ficar perto dela. Meu amor acabou no mesmo dia em que ela ameaçou tirar um filho meu.

Ela chegou a falar que odiava meu bebê, que, naquele momento, ganhou meu coração, logo que os meses passaram, Alanis ficou linda realmente grávida, só por fora, porque por dentro era feia, eu não aguentava mais ela, só estava assim por causa da minha filha

Nesses meses, eu sofri muito, ela reclamava, falava que ia ficar gorda por causa da barriga; durante a gestação ficou impossibilitada de ir trabalhar e com isso ficava em casa. Sempre reclamando de tudo, até quando chegou no momento de dar à luz, ela reclamava e gritava para tirar aquela coisa dela, assim, decidi que não iria permitir que minha filha sofresse na mão dela sem amor, sem carinho.

Quando o médico falou que era uma menina, naquela hora, eu mesmo decidi que seu nome seria Cristal. O médico a entregou para mãe e Alanis simplesmente ignorou e falou que não queria a criança, então, o médico colocou em meus braços aquele pacotinho e o meu mundo se transformou, decidi, naquele dia em diante, que eu viveria por ela e só pra ela. Afastei novamente os pensamentos do passado e fui me encontrar com Cristal, a chamei e a ouvi lá embaixo, já me esperando para tomar café, dei bom-dia para Sabrina, me servi e fiquei observando como minha filha era linda, pensei com todo orgulho.

— Vamos, Cristal, pra escola, senão você vai se atrasar — chamo-a e a vejo pegando a mochila que todas as meninas gostam, com o tema das princesas.

Vejo ela se despedindo de Sabrina com um beijo e vejo que ela deve sentir falta de uma figura materna. Despedi-me também de Sabrina e fomos pra escola. Sempre que posso, a levo pra escola, eu trabalho como juiz no fórum de São Paulo, tenho que lidar com casos que abomino muito, violência contra mulher, etc. Chego à escola da minha pequena, abro a porta do carro e ela sai de lá. Ela me abraça e fala com aquele carinho:

— Daddy ayaattώ — Fico sempre emocionado com ela falando o meu idioma, o grego, e respondo.

— Σ 'αγαπώ πάρα πολύ την κόρη. — Ela me dá mais um beijo e entra na escola, sigo novamente para fora, meu celular toca e coloco ele no viva-voz.

— Fale, Dimitri. — Meu assessor, que estava estudando pra ser juiz, estava me ligando do fórum.

Demora um pouco pra ele responder.

— Damion, estou te ligando para te lembrar que temos uma audiência daqui a pouco.

— Lembrei, sim, Dimitri, tanto que eu agora estou a caminho — respondo — terminei de falar e só ouço uma batida, logo pensei: Quem é o filho da mãe que bateu no meu bebê? Ah, tá! Pode rir de mim, que, além da minha filha, que é o meu bebê, meu carro também, saio do carro pra tirar satisfação com a pessoa que bateu nele, quando me aproximo, vejo que é não um homem, e, sim, uma bela mulher, chego mais perto e meu coração dá aquele salto, então penso: morri e estou no céu, que mulher é essa? Linda, cabelos negros e aqueles olhos que estavam me perdendo. Quero dizer, me perdi neles.

Eu vi que ela estava meio estranha, fiquei preocupado com ela e fiz a pergunta:

— Moça, a senhora está bem. — Vejo que ela está demorando pra me responder, quando eu ia fazer uma nova pergunta, e ela o faz:

— Me desculpe, senhor, eu estou bem. — Quando ouço a voz dela saindo trêmula e um pouco rouca, meu amiguinho lá embaixo fica todo eufórico, eu pensei: Merda, agora não.

Achei estranho se manifestar, eu, que trabalho no meio de tanta mulher bonita, meu amiguinho não se empolgou com elas, nunca desse jeito, resolvo logo verificar isso e como ela está, tentando afastar todos os tipos de pensamento que eu tenho com ela, nesse momento, deveria sentir vergonha dos meus pensamentos, mas eu não tenho. Claro que a preocupação com ela vem em primeiro lugar, aí eu resolvo falar logo:

— Pois não parece, a senhora precisa sair do carro — falo pra ela.

— Mas eu estou bem! — ela responde.

— A senhora está sentindo alguma coisa? — pergunto novamente enquanto vou abrindo a porta do carro, vejo que ela tem um pouco de tontura e a seguro, percebo que aquela mulher era linda, de parar o trânsito, meus olhos desceram por todo corpo dela e meu amiguinho adorou tudo, ela se afasta de mim e se encosta no carro novamente.

— Mas eu estou, não se preocupe — ela me responde, e fico ouvindo tudo, ela se desculpando pelo transtorno e me pedindo o número do meu telefone, então coloco a mão dentro do paletó e pego o meu cartão pessoal com os números dos meus telefones, vejo que ela foi até a janela do carro e pegou o cartão dela, era do seguro e atrás tinha o nome dela, quando eu ia perguntar um nome.

— Prazer Samantha Ferrari — ela fala com aquela voz, meu Deus! Quero ouvi-la falar meu nome, gritando de prazer, respondo o cumprimento e falo meu nome:

— Damion Filip. — O toque da mão dela na minha me deixou mais aceso que árvore de Natal.

Ela solta da minha mão, a vejo se afastando em direção do carro, como se estivesse correndo de mim, ela liga o carro e se afasta; eu e ali parado, vendo aquela perfeição deusa Afrodite indo embora, espero ela virar a esquina e entro no carro, sorrio que nem bobo, penso: Damion, você está parecendo um adolescente, sigo para o fórum ainda pensando naquela bela morena. Será que ainda vou encontrar com ela novamente?

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