
Rosto Estilhaçado, Vingança Interminável
Capítulo 3
Ponto de Vista: Helena Vasconcelos
As palavras pairaram no ar, tão vis, tão completamente insanas, que por um momento, eu não consegui processá-las. Minha mente simplesmente se recusou.
"O que você disse?", sussurrei.
A paciência de Janaína se esgotou. Ela agarrou meu braço e o torceu atrás das minhas costas, forçando um grito de dor dos meus lábios. "Não tenho tempo para me repetir", ela sibilou. "Olhe para ele."
Ela puxou minha cabeça em direção a João. Seus lábios estavam azuis. Seu peito estava imóvel. Uma quietude aterrorizante que gritava finalidade.
Eu estava encurralada. Total e completamente indefesa. Fred e dois de seus amigos brutamontes se espalharam, criando uma jaula humana ao meu redor. Seus olhos percorriam meu corpo, despindo-me com seus olhares lascivos. Um deles lambeu os lábios. Instintivamente, tentei fechar minha blusa rasgada, um gesto patético de modéstia diante de tal violação.
Lágrimas de puro e absoluto desespero queimaram meus olhos. "Por favor", chorei, a palavra perdendo todo o significado.
Janaína apenas zombou. "Lágrimas não vão salvá-lo." Ela olhou para o relógio. "O cérebro dele está sem oxigênio suficiente há quase oito minutos. Ele já pode ter danos permanentes. Mais alguns minutos, e não importará o que eu faça."
A frieza clínica de suas palavras era mais aterrorizante do que qualquer ameaça física. Ela segurava a vida do meu irmão em suas mãos, e estava gostando de vê-la escapar.
Pensei em Guilherme, em como ele descreveu Janaína como apenas "um pouco grudenta" e "melodramática". Ele não tinha ideia. Ele não poderia ter imaginado esse nível de monstruosidade. Isso não era melodrama; era maldade pura e psicopata.
"Anda logo com isso", Fred grunhiu, me cutucando com a ponta da bota. "Não tenho o dia todo."
Janaína pegou o celular e apertou para gravar, a luz vermelha um olho malévolo encarando minha alma. "O tempo está correndo", ela cantarolou.
Não havia escolha. Por João. Pela pequena e vacilante chance de que essa monstra cumprisse sua palavra.
Caí de joelhos no chão duro e implacável. O cascalho cravou na minha pele. Os amigos de Fred riram.
"A vista daqui de baixo é boa", um deles arrastou as palavras.
Vergonha, quente e ácida, subiu pela minha garganta. Meu corpo tremia com uma mistura de dor, medo e humilhação total. "Você... você vai ajudá-lo se eu fizer isso?", perguntei, minha voz mal um sussurro.
"Talvez", disse Janaína, seu sorriso se alargando. "Depende do quão convincente você for." Ela aproximou o celular, enquadrando meu rosto. "Olhe para a câmera. E quero que você comece tirando a blusa."
Minha respiração engatou.
"Faça", ela ordenou, sua voz como aço. "Ou devo dizer ao Marcos para ligar para o IML agora?"
"Não!", gritei, o som arrancado de mim. "Ok. Ok."
Meus dedos, dormentes e desajeitados, foram para os botões da minha blusa. Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui realizar a tarefa simples. O tecido parecia um escudo, e eu estava prestes a jogá-lo fora.
Os olhos de Janaína me devoraram, um brilho faminto e predatório em suas profundezas.
Com a blusa fora, deixando-me apenas com uma regata fina, olhei para ela, meus olhos suplicantes. "Agora você vai ajudá-lo?"
"Ainda não", ela ronronou. "Agora, repita depois de mim. 'Meu nome é Helena Vasconcelos, e eu sou uma vadia inútil.'"
As palavras eram veneno. Pareciam engolir cacos de vidro. Mas o rosto de João, pálido e imóvel, nadava diante dos meus olhos.
Respirei fundo, trêmula, olhei para a lente impassível do celular e forcei a mentira a sair dos meus lábios. "Meu nome é Helena Vasconcelos... e eu sou uma vadia inútil."
"Eu seduzi um homem que já era comprometido", Janaína ditou, sua voz pingando veneno.
"...Eu seduzi um homem que já era comprometido."
"Eu sou uma destruidora de lares patética que merece ser punida."
"...Eu sou uma destruidora de lares patética... que merece ser punida." Cada palavra era mais um pedaço da minha alma sendo arrancado.
"Agora, por favor", solucei, minha voz quebrando completamente. "Por favor, Janaína. Salve meu menino. Salve meu João."
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