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Capa do romance Rompendo o preconceito

Rompendo o preconceito

Luara Arantes encara uma realidade árdua, marcada pela rejeição da própria família. Sua maior motivação é o pequeno Lucas, seu filho e fonte de coragem para superar as adversidades diárias. Contudo, o destino decide agir, cruzando seu caminho com o de Josué Monteiro, um homem implacável que não mede esforços para obter o que deseja. Entre segredos e superação, eles descobrirão que possuem conexões muito mais profundas do que jamais poderiam imaginar.
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Capítulo 3

Estar em casa sem o conforto de um lar feliz era desconcertante. O caminhão de mudança quando chegou, precisou colocar todas as minhas coisas no aperto da garagem. No dia anterior minha conversa com Andressa no seu local de trabalho, fez com que pudéssemos recomeçar outra vez. Merecíamos, certo? Uma nova chance, a chance de reatar nossa amizade de infância, não tínhamos nada a perder.

Eram quase onze da manhã quando decidi abandonar o quarto. Foi estranho adentrar a sala de estar e ver meu filho conversando com o bisavô. Não esperava que vovô Alfredo fosse dar atenção ao bisneto. Fiquei ali parada observando os dois, sem que eles percebessem minha presença.

— Perna dói, vovô? — Lucas, perguntou, inocentemente, encarando a bengala que ele usava como suporte para caminhar. O mais velho sorriu, com seu sorriso falho dos dentes da frente.

— Garoto, estou velho, o que não dói? — brincou, bagunçando os cabelos do pequeno. — Sua mãe parece estar com medo de se aproximar de nós.

Minha presença foi notada. Vovô Alfredo bateu uma das mãos no sofá de quatro lugares, chamando-me para sentar do seu lado.

— Não queria atrapalhar vocês. — disse caminhando em sua direção. — Sabe, vovô, senti muito sua falta, meu velhinho favorito!

Sentei do seu lado e beijei sua bochecha esquerda. Minha família nunca foi perfeita, mas amava cada um deles.

— Luara, por que nunca veio nos visitar? Deveria ter contando pra sua família, sobre o menino. — falou tocando minha mão e continuou. — Filha, apesar de não ser o que queríamos pra você, cedo ou tarde saberíamos. Você poderia ter evitado todo esse escândalo.

— Nem mesmo o senhor entende, vovô, Alfredo. Vocês não gostam dele e sei bem o motivo. — comecei a falar e parei, Lucas estava por perto, poderia entender alguma coisa.

— A família do pai do garoto rejeitou ele? Não minta pra mim, filha. Você sabia qual seria nossa reação ao trazer o menino para nossa casa. Eu sei que é seu filho, mas talvez fosse melhor entregá-lo ao pai. Ele não parece em nada com você. Luara, você tem apenas vinte e três anos, pode ter outros filhos, e do jeito certo.

E o encanto que houve quando vi vovô, conversando com Lucas, tinha quebrado-se em pedaços. Suas palavras machucaram meu coração. Levantei do sofá na mesma hora e engoli o choro.

— O senhor abriria mão de um filho? Aparentemente sim, se ele fosse diferente. — comentei, segurando na mãozinha de Lucas. — Eu amo meu filho e não abro mão dele. Ele não precisa de um pai. Sou o suficiente para ele.

Puxei meu filho pela mão e juntos saímos da sala em direção à cozinha. Esperava encontrar um pouco de paz e tranquilidade em outro ambiente da casa, contudo, encontrei Yago em vez de Marieta.

— O que faz aqui? — esbravejei, chamando sua atenção. Seu sorriso cínico que no passado, pensei ser a coisa mais linda do mundo, fez meu sangue ferver.

— Dona Regina, pediu para que eu viesse. — respondeu, revirando os olhos. — Eu sabia que, no fundo, existia uma rebelde em você. Aposto que deu pra um universitário metido. Loirinho, sua mamãe, não escolheu direito com quem se envolver. Luara, não me olhe assim, estou pasmo! Esperava mais de você, lindinha!

Eu queria não ceder às provocações de Yago, no entanto, ele merecia ouvir uma boa resposta.

— Filho, vá para o nosso quarto, quero conversar com esse daí!

Lucas era um garoto esperto e logo saiu correndo da cozinha.

— Quer conversar? — perguntou, dando um passo à frente. — Não pense que vai me pegar desprevenido dessa vez, Luara. Sou forte. Posso te quebrar, bonitinha.

Empurrei sua mão atrevida do meu rosto. Senti nojo de um dia ter me apaixonado por ele.

— Você não vale nada! O pai do meu filho fez o que você nunca fez, um sexo gostoso! O resultado você mesmo viu, um menino lindo. Foi apenas uma noite de prazer e não me arrependo.

Admito, queria sim, pisar em seu ego de homem. Infelizmente Yago foi o único homem com quem estive intimamente. Meu primeiro beijo. Minha primeira vez. O cafajeste usou minha ingenuidade pra se aproveitar de tudo que pode de mim.

— A pegada do negão elas nunca esquecem. Lembro bem todas as vezes em que gemeu em cima de mim. Para de marra, quem sabe, eu possa te dar uma dose extra da potência de um homem de verdade.

No momento em que fui puxada para seus braços musculosos gritei. Gritei para quem quisesse ouvir.

— O incêndio da escola Santa Cruz...

Yago não deixou que eu completasse a frase, simplesmente, tampou minha boca com sua mão grosseira.

— Você não vai dizer nada, entendeu? Deixe o passado no passado. Não foi só você que mudou. Luara, você não sabe do que posso ser capaz para guardar esse segredo.

Após ser empurrada contra a bancada, meu coração disparou. Eu sabia pelo tom de sua voz que era uma ameaça. Minha voz travou e tudo que consegui fazer em seguida foi sair correndo. Senti que precisava fugir de toda aquela situação. Ignorei qualquer pessoa que estivesse no meu caminho e saí porta fora.

Cinco minutos depois, estava sentada no banco da praça, e só então me dei conta de que estava apenas de camisola. Minha camisola era de mangas curtas e da cor cinza. A malha era macia, o que me deixava bastante confortável. A estampa de gatinho era bastante chamativa.

— Ótimo, vão achar que sou uma doida. — murmurei, rindo de nervoso.

Mesmo com a rua movimentada, ninguém parecia se importar em me ver daquele jeito. O incêndio da escola Santa Cruz foi um escândalo na época em que tudo aconteceu. Yago era um canalha que me usou da pior forma possível. Não sabia o porquê dele ter feito o que fez. Por que incendiar a escola onde estudávamos? Nunca soube a resposta. Eu pensei que retornar para minha cidade natal fosse trazer em peso os julgamentos pelo passado, mas ninguém sequer tinha olhado torto pra mim. Talvez lá no fundo todos soubessem que eu não seria capaz de fazer tal ato.

Senti um calafrio e até um pouco de pânico quando um carro importado passou lentamente perto de onde estava. Foi uma péssima sensação. Turistas não eram frequentes na cidade. O carrão preto, que com certeza, era blindado, logo pegou velocidade e pude soltar o ar que prendia nos pulmões.

— Muita coisa mudou na minha ausência. — cochichei, pronta para ir embora.

Esperava não ter problemas quando fosse matricular Lucas na escola. Por que estou dizendo isso? Simples, a escola onde ele ficaria estudando, era a qual supostamente, incendiei. Precisava ser positiva, afinal de contas, não sabia quanto tempo ficaríamos na minha cidade natal. Eu queria sair o quanto antes da casa dos meus pais. Aceitaria qualquer emprego que fosse para ter minha independência.

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