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Capa do romance Resgatando Minha Vida Roubada

Resgatando Minha Vida Roubada

Após cinco anos em coma por salvar o marido, Catarina acorda e descobre que foi declarada morta por ele. Ao voltar para casa, encontra Angélica, a culpada pelo acidente, ocupando seu lugar. Sua família a rejeita e seu filho agora chama a rival de mãe. Diante da traição de todos que amava, ela percebe que seu retorno é um fardo para eles. Com uma ligação de Zurique e uma nova identidade, Catarina decide abandonar o passado e recomeçar sua vida sozinha.
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Capítulo 2

O café em Zurique era silencioso, cheirando a café torrado e livros antigos. Kadu Costa sentou-se à sua frente, a expressão séria. Ele não mudara muito em cinco anos — ainda os mesmos olhos perspicazes, a mesma calma que o tornava uma presença tão formidável na sala de reuniões.

"A identidade está limpa", disse ele, deslizando uma pasta fina pela mesa. "Kátia Santos. Sem passado, apenas um currículo brilhante que fabriquei com base no seu trabalho real. Você terá um novo passaporte, novo CPF, tudo novo. O apartamento está pronto. O laboratório está esperando por você."

"Obrigada, Kadu", disse Catarina. Kátia. Soava estranho. "Não sei como te pagar."

"Apenas seja o gênio que eu sempre soube que você era", disse ele com um pequeno sorriso. "Isso é pagamento suficiente."

Ela voltou para o hotel que Darek reservara para sua "recuperação". Parecia mais uma gaiola dourada. Ele estava esperando no saguão, o rosto gravado com uma convincente performance de preocupação.

"Cat, onde você esteve a noite toda? Fiquei tão preocupado." Ele tentou pegar seu braço, mas ela se esquivou.

"Precisei de um pouco de ar."

Enzo estava lá, escondido atrás das pernas de Darek. Ele espiou para ela, e seus lábios se curvaram em desgosto. "Você voltou."

As palavras foram um golpe físico. Ela se lembrava dele como um bebê, seus braços gordinhos em volta de seu pescoço, sua respiração sonolenta quente em sua bochecha. Agora, ele a olhava como se ela fosse um monstro.

Ela ignorou os dois e caminhou em direção ao elevador. Darek a seguiu, a voz um murmúrio baixo e suplicante.

"Eu sei que errei, Cat. Sinto muito. Não posso te perder de novo."

Ela pensou nos anos que ele passou ao lado de sua cama, na maneira terna como ele escovava seu cabelo, nas histórias que ele lia para sua forma inconsciente. Era tudo mentira. Uma performance para as enfermeiras, para seus pais, para si mesmo.

"Meu aniversário é na próxima semana", disse ele, uma nota de esperança em sua voz. "Quero fazer algo especial. Para você."

"Não faça", disse ela, a voz monótona.

Ele a ignorou. "Apenas venha para o nosso quarto. Tenho uma surpresa."

Contra seu bom senso, ela o seguiu. O quarto de hóspedes da suíte havia sido transformado. Estava cheio, do chão ao teto, com caixas de grife. Chanel, Dior, Hermès. Uma montanha de artigos de luxo.

"Para você", disse ele, radiante. "Qualquer coisa que você quiser."

Ela caminhou pelo quarto, um fantasma em um museu da vida de outra pessoa. Pegou um lenço de seda, uma estampa que sempre odiara. Viu um frasco de perfume, um cheiro que Angélica usara no dia anterior.

Misturados com os itens novos, havia coisas que estavam claramente usadas. Uma bolsa com um arranhão tênue perto do fecho. Um par de óculos de sol com uma mancha na lente.

Eram os restos de Angélica. Ele estava lhe dando as sobras de Angélica.

Uma risada amarga escapou de seus lábios. "Livre-se disso. De tudo."

"O quê?" Darek parecia genuinamente confuso. "Mas... eu pensei que você gostaria."

"Ela é tão ingrata!", a voz de Enzo soou da porta. "A mamãe Angélica ia adorar essas coisas! Você é uma mãe má!"

Catarina congelou. A dor foi tão aguda, tão repentina, que lhe roubou o fôlego. Ela suportara uma gravidez de nove meses que quase a matou. Passara inúmeras noites em claro embalando-o, cantando para ele, amando-o com cada célula de seu ser.

E ele a chamava de mãe má.

"Enzo, já chega", disse Darek fracamente, mas não havia força em suas palavras. Ele estava apaziguando o menino, não a defendendo. "Vamos, Cat. Tenho mais uma coisa. O verdadeiro presente."

Ele a levou para a sala de estar principal. Sobre uma almofada de veludo, havia um anel de diamante. Era enorme, uma pedra em forma de coração, impecável, que brilhava sob as luzes.

"É o Coração do Oceano", disse Darek, a voz reverente. "Só existe um no mundo. Assim como você."

As notícias já estavam relatando. O CEO de tecnologia Darek Almeida compra um diamante lendário para sua amada esposa, Catarina, para celebrar sua recuperação milagrosa.

Ele pegou a mão dela e tentou deslizar o anel em seu dedo.

Não coube. Era pequeno demais, parando em sua junta.

O sorriso de Darek vacilou. "Isso é... estranho. Você deve ter ganhado um pouco de peso no hospital. Podemos mandar ajustar."

A mentira era tão descarada, tão insultuosa. Suas mãos estavam mais finas do que nunca, frágeis e ossudas após cinco anos de atrofia. O anel não fora feito para ela. Fora feito para os dedos finos de Angélica.

Ele ainda estava falando, a reportagem na TV zumbindo ao fundo sobre a singularidade do anel, um símbolo de amor eterno.

Ela olhou em seus olhos. E por um momento aterrorizante, viu sinceridade ali. Ele acreditava em suas próprias mentiras. Ele era um homem capaz de amar duas mulheres ao mesmo tempo — ou talvez, amar a ideia do que cada mulher representava. Ele queria o brilho e o prestígio dela, mas também queria o conforto fácil e a complacência de Angélica. Ele queria tudo.

"Darek", disse ela, a voz baixa, mas firme, cortando seu discurso. "Se você tivesse que escolher, agora, entre mim e ela... quem seria?"

Ela precisava ouvir. Mesmo que significasse o fim, ela precisava da verdade.

O rosto dele ficou pálido. Ele abriu a boca para responder, mas seu celular vibrou na mesa. Ele olhou para a tela. O identificador de chamadas era uma única e simples letra: A.

Sua expressão mudou instantaneamente. Um lampejo de pânico, depois irritação, depois uma resignação cansada.

"Eu... eu tenho que atender", gaguejou ele, já se movendo em direção à porta. "É uma emergência no escritório."

Ele estava a meio caminho da porta quando parou. "O que você estava me perguntando agora?"

Ela balançou a cabeça, um sentimento oco se espalhando por seu peito. "Nada. Não era nada."

"Não os deixe esperando muito", acrescentou ela, a voz tingida de uma ironia que ele perdeu completamente.

Ele não percebeu. Voltou, beijou sua testa com uma ternura que a deixou enjoada. "Eu volto logo. Espere por mim."

No momento em que a porta se fechou, ela pegou o diamante em forma de coração. Caminhou até a lixeira e o jogou dentro. Ele caiu com um baque suave e insatisfatório.

Ele já havia respondido à sua pergunta.

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