
Resentment
Capítulo 3
Lorenzo Ballard | Point Of View
*Christopher Michael Ballard. 1988 - 2020 "Bom pai, filho, marido e patriota."*
Meu peito queimava consumido pela dor que eu tentei ignorar, eu olhava para a lápide do meu irmão. Um desespero me consumia, havia muito acumulado no meu peito.
Eu estava ali sozinha, então soltei. Chorei de forma desesperada, jogando para fora toda a dor.
- Droga Christopher! – Gritei em meio às lágrimas. - Mas que droga! – Perdi as forças das pernas e me ajoelhei.
Chorei ali sentindo pela primeira vez, tudo que eu havia guardado por tanto tempo. Misturado com o pesar de ter perdido meu irmão, e o medo de não conseguir...
- Eu te amava, e você estragou tudo! – Olhei para a lápide, meus olhos estavam embaçados.
- Mas você estragou tudo, e eu nem pude me despedir de você. – Murmurei.
Me levantei mesmo em meio ao protesto das minhas pernas, deixei um buquê de flores. Olhei ao redor, só havia eu e meus seguranças que estavam espalhados.
- Eu vou cuidar de tudo, mesmo que isso signifique a minha ruína. – Prometi sabendo que essa promessa acabaria comigo.
Corri até o meu carro, comecei a dirigir de forma imprudente. Minha mente inundava com memórias que eu lutei muito para reprimir, eu chorava como um bebê enquanto acelerava ainda mais o carro.
Por um minuto passou pela minha cabeça a possibilidade de acabar com tudo...
Entregar os pontos e deixar o caos para quem ficasse.
Eu queria ser egoísta, queria deixar tudo para trás. Mas eu sabia que não podia fazer isso, eu precisava ser forte.
Mas de onde eu tiraria essa força?
Olhei pelo retrovisor e vi o carro dos meus seguranças tentando me acompanhar, continuei dirigindo como se isso fosse aliviar tudo que estou sentindo.
Depois de um tempo encostei o carro em frente à uma praia, estava deserta. Hoje era um dia atípico em Miami, estava chovendo e os ventos bem fortes.
Minha mente não era capaz de pensar qualquer coisa coerente, eu só queria que meu peito parasse de queimar. Queria parar de sentir, queria não chorar pela morte de Christopher...
Andei pela areia e caminhei em direção ao mar, a agitação dele me passava um pouco de paz. Por isso não me importei em entrar nele, de roupa e tudo.
Me sentei na areia em um ponto que as ondas quebravam e molhava meu corpo, fiquei observando o mar tentando me reorganizar.
Eu queria muito ser levada pela fúria do mar, para acabar de uma vez por todas com todos esses sentimentos ruins dentro de mim, toda essa bagunça que eu não sei como resolver.
Eu não me importaria se fosse levada pelo mar... não me importava em morrer assim!
Observei uma grande onda se formando no horizonte, ela vinha em minha direção de forma inevitável. Eu permaneci ali parado à mercê de sua fúria, me sentindo pequena diante daquela imensidão.
Mas eu estou conformado, toda minha vida foi marcada pelas ações dos outros. Essas mesmas que nunca me deram a chance de me proteger, de fazer algo para que não me ferissem.
Fechei os olhos ouvindo o som do mar, sentindo a água bater no meu corpo.
Senti a presença de alguém do meu lado e vi Keana se sentar ao meu lado, ela deitou a cabeça no meu ombro e suspirou. Ter ela aqui comigo me ajudou a me reorganizar, me lembrando que apesar de tudo a gente sempre vai ter um a outro e o nosso bem maior que é o nosso filho.
- Eu sei que é tudo muito confuso, eu também me sinto da mesma forma que você! – Keana chorava e me abraçando pelos ombros. - Eu sei que você está sofrendo, sei que toda essa merda é pesada demais para você. – Comecei a chorar também, porque diante dela não havia motivos para me esconder.
- A gente vai passar por isso juntos. – Ela me abraçou forte.
- Como sempre fizemos...
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Keana dirigia em silêncio, meu carro estava sendo guiado por um dos seguranças logo atrás de nós. Nós estamos completamente encharcados e com frio, só não estamos congelando graças ao aquecedor do carro.
- Não queria que o nosso menino me visse assim. – Falei assim que entramos na rua do nosso prédio.
- Ele saiu com Demi e Victor, eles levaram ele até a Siesta Key. – Fiquei mais aliviada.
- Eles voltam hoje? – Sondei pensando na reunião que quero fazer amanhã.
- Sim, elas foram até uma pizzaria que juram ser a melhor pizza de Miami. – Keana falou risonha e nós duas negamos com a cabeça.
- Se elas foram de carro, vamos ter que requentar a pizza. – Dei de ombros.
- Elas foram com o helicóptero. – Trocamos um olhar cúmplice.
Chegamos em casa e fomos direto para o banho, enquanto a água quente caia sobre meu corpo eu pude repensar nas minhas atitudes.
Depois de tudo que aconteceu e agora com a morte dele, causar mais uma tragédia não vai ajudar em nada.
O que está acontecendo não é sobre mim...
Encostei minha cabeça no vidro do box, respirei fundo. Preciso ser forte, preciso pensar na minha família, eu preciso ter calma.
Nossa mente nasce sabendo como lidar com a perda, mesmo que essa perda seja grave ao ponto de nos baquear. Eu tenho que me apegar de que com o tempo, a minha mente lide e se acostume com essa perda.
Christopher era meu irmão gêmeo, mas as atitudes do passado acabou tornando ele um desconhecido. Tantas mágoas, tantas mentiras, tantas coisas encobertas e não ditas... tudo isso nos levou a caminhos diferentes.
Só que isso não diminui a dor que eu tentei a todo custo camuflar. O vazio que nunca mais será preenchido. O pesar por saber que a minha esperança de um dia olhar para o meu irmão e encerrar toda aquela merda e seguirmos em frente, morreu junto com ele naquela explosão.
A impotência por saber que eu, que projeto tantas coisas, que crio tantos equipamentos que deixam milhares de pessoas seguras, não fui capaz de fazer algo para proteger o meu próprio irmão.
E por último o medo porque eu sabia, que no instante que os meus pés pisaram em Miami novamente. Uma caixa onde todos os acontecimentos de quinze anos atrás, foi exposta. E uma hora ou outra eu vou ter que abri-la, expô-la assim como uma ferida mal curada, e lidar novamente com tudo.
- Papa! – Ouvi meu filho bater na porta.
- Oi amor. – Falei alto, desligando o chuveiro.
- Tia Demi pediu para avisar que chegamos com as pizzas. – Ele falou animado.
- Tudo bem, eu já estou descendo. - Puxei a toalha e comecei a me secar.
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- Eu vou entender se vocês quiserem voltar para São Francisco, mas eu preciso de mais tempo aqui. – Me inclinei no encosto da cadeira e dividi meu olhar entre todos ali.
- Lorenzo, nossos trabalhos estão interligados. Sem contar que somos uma família, eu não sei vocês... mas eu e Alex vamos a ficar. – Keana foi taxativa.
- Keana está totalmente certa, somos uma família e vamos permanecer juntos. – Kelly afirmou.
- Nem precisamos nos lembrar de Londres de 2016... – Lucy comentou sorrindo.
Nessa época nós nos mudamos para Londres, quando Victor e Lucy tiveram problemas familiares. Nós somos uma família, moramos no mesmo condomínio e sempre estamos todos juntos. Quando elas tiveram problemas, não fazia sentido ficarmos aqui. Sem contar que nossas funções estão interligadas.
- O condomínio onde fica a casa de Taylor é meu, lá tem casas o suficiente para todos nós nos acomodarmos. – Falei já pensando na logística.
- Amanhã eu vou entrar em contato com a administradora do condomínio e acertar tudo, por enquanto estamos bem no apartamento. – Alex falou enquanto anotava algo em sua agenda.
Fiquei quieto observando eles se organizarem, a maioria das nossas reuniões são assim. Todos falando ao mesmo tempo, na nossa confusão todas se entendem.
Sorri agradecido, porque são poucas pessoas que podem dizer que tem duas famílias, e eu sou um dos sortudos.
Saí dos meus devaneios vendo que Taylor me ligava, atendi minha irmã que nem esperou que eu falasse qualquer coisa.
- Pelo amor de Deus, me diga que não está ocupado com algo sério! – Taylor estava ofegante.
- Não, Tay, estou finalizando uma reunião de família. – Falei me levantando para me afastar do falatório.
- Ótimo, porque eu preciso de você. – Saí da sala e continuei escutando minha irmã. - Hoje eu fiquei de acompanhar Camila até o quartel, ela precisa assinar alguns papéis e formalizar toda a burocracia da pensão que vai receber. – Taylor explicou rapidamente.
- Certo e onde eu entro nisso?
- Estou com um imprevisto com os clientes da Ucrânia, tem como você ir no meu lugar?
- Posso sim, onde encontro Camila?
- Você tem que buscá-la em casa, ela está sem carro há alguns meses. – Fiz uma leve careta.
- Tudo bem, deixa comigo.
Desliguei a chamada e avisei para todos que sairia sem hora para voltar, escolhi um carro menos chamativo e em menos de cinco minutos eu e meus seguranças já estávamos indo em direção a casa de Camila.
Levamos quase trinta minutos para chegar ao bairro onde Camila e meus sobrinhos moram, enquanto eu dirigia eu pude prestar mais atenção. Duas quadras antes da casa deles, havia um ponto de tráfico, tanto que os homens ficaram de olhos abertos nos meus carros.
Confesso que fiquei bem apreensivo com a segurança deles vivendo aqui, pensando que antes de Christopher morrer, ele passava longos períodos longe de casa.
Só de imaginar os perigos que Camila e meus sobrinhos estão a mercê morando aqui, um arrepio passou pela minha espinha.
Nesses momentos que eu não sinto pena alguma de Christopher, toda aquela arrogância e seu pensamento machista e egoísta, achando que poderia dar conta de tudo. Ele colocou a própria família em um bairro nada seguro, onde eles passavam boa parte do tempo sozinhos.
Ele jamais aceitou as minhas propostas de dar uma casa para ele, no mesmo condomínio onde Taylor mora. Seu ego inflamado nunca deixaria que eu o ajudasse, a teimosia dele nunca deixou ele recuar.
Quando parei o carro em frente a casa de Camila, ela já estava saindo. Ela tinha a aparência mais descansada, parecia nervosa e apreensiva, mas estava bem melhor.
- Oi... – Ela me cumprimentou sem jeito. - Me desculpe por te fazer largar tudo, só para me acompanhar. – Ela corou envergonhada.
- Tudo bem, Camila. Eu estou aqui para te ajudar. – Sorri tentando mostrar que estava tudo bem. - Vamos? – Perguntei abrindo a porta do carona.
- Vamos sim... – Ela passou por mim e entrou no carro. - Obrigada. – Eu apenas sorri e fechei a porta.
Antes de entrar no carro sinalizei para os meus seguranças, informando que já partiríamos.
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- Como estão as crianças? – Perguntei na intenção de quebrar o clima tenso.
Será quase uma hora até a base da Marinha, então seria bem desconfortável ficarmos esse tempo todo como se tivesse um elefante no nosso meio.
- Estão bem! Essa semana a diretora e a psicóloga da escola, acharam melhor deixá-los em casa. – Camila falou meio enrolada, parecendo estar nervosa. - Meus pais levaram eles para ficar na casa deles, eu achei melhor. Assim eu posso organizar tudo, e depois focar somente neles. – Vi rapidamente que ela olhava para as mãos e brincava com os dedos.
- Quando eles voltarem, eu gostaria de passar um tempo com os dois... claro, se não for um incômodo. – Falei me sentindo ridiculamente nervoso.
- Tudo bem, eles amam estar com você. – Respirei aliviado diante da sua afirmação.
O restante do caminho foi silencioso, não estava tão desconfortável como no início, mas ainda sem era um silêncio não havia nada para dizer.
Camila e eu ainda somos completos desconhecidos, que apenas tem vínculos em comum. Eu gostaria que ela me desse a chance de me conhecer de verdade, que soubesse quem eu sou apesar das especulações que eu sei que ela faz em sua cabeça.
Mas eu compreendo que esse não é o melhor momento para que isso aconteça...
Ao chegarmos, fomos direcionados por um soldado até uma grande sala de conferência, dois dos meus seguranças vieram junto, mas ficaram na porta. Eu fiquei bastante surpresa por ver vinte pessoas divididas em pares ali, todas abatidas.
- O que é isso? – Murmurei para mim mesmo, me sentando ao lado de Camila.
Não demorou para que três homens adentrassem na sala, eles subiram em um palco. E começaram a falar sobre a perda do esquadrão que Christopher era integrante, eu observei toda essa palhaçada em silêncio.
- Nós entendemos e lamentamos muito a perda de cada um de vocês... – O General Thompson falava com frieza.
Foram trinta minutos de uma balela que nem mesmo ele acreditava, dava a pra notar seu olhar soberbo e superior.
O fim para mim foi quando um dos seus subordinados passou entregando documentos e canetas para cada representante, quando eu vi que se tratava...
- Espere um pouco... – Falei me levantando e interrompendo a explicação do homem. - Vocês estão fazendo disso uma terapia em grupo, ao invés de ter uma conversa decente com cada um que perdeu seu ente querido. - Ouvi um burburinho atrás de mim, concordando comigo.
- E o senhor quem é? – Um dos homens que entrou com o general perguntou.
- Lorenzo Ballard. – Quando falei meu nome eles ficaram assustados.
- Senhor Ballard, nós sentimos pela sua perda. Se a senhora e a viúva de seu irmão preferirem, podemos conversar em particular quando acabarmos aqui. – O general falou sorrindo amarelo para mim.
- Eu não quero tratamento especial, eu quero que todos aqui tenham um tratamento decente. – Rebati ficando ainda mais irritada. - Cada um presente aqui perdeu alguém que amava, não teve a chance de velar um corpo. E é assim que vocês vão tratá-los?
- Senhor Ballard se acalme, não precisa de escândalos. - Um deles tentou apaziguar a situação
- Até porque você não está na sua multinacional, para me dizer o que eu devo ou não fazer... – O General debochou.
- Eu posso até não estar na minha empresa, mas posso me dar ao trabalho de ir pessoalmente a Washington e ter uma longa conversa com o Almirante Johnson. – Falei olhando bem no fundo dos olhos dele.
- Você não pode falar assim comigo, eu tenho que te lembrar quem eu sou? – Ele praticamente rosnou tentando demarcar seu território. - Isso é desacato e eu posso te prender por isso, e não me importo com quem você é. – Ele sorriu torto achando que conseguiria me amedrontar.
- Você quem está enganado general... – Me inclinei e o encarei. - Quem eu sou me dá plenos poderes de pregar você numa cruz, sujar tanto o seu nome que nem trabalhar como guarda de trânsito, o senhor irá conseguir. – Vi aos poucos o semblante de arrogância dele diminuir. - O senhor quer me prender? Então prenda. Mas imagine só, quando tiver milhares de microfones na sua cara, te questionando o motivo da minha prisão...
- Você não... – Ele gaguejou.
- Eu posso e eu farei, caso você não comece a dar às famílias do esquadrão do meu irmão, o auxílio e respeito que eles merecem.
Nós nos encaramos de forma intensa, esperei que ele desse ordem de prisão para mim, mas não o fez. Eu sorri e me virei para as pessoas que estavam ali.
- Peço perdão pela cena que presenciaram agora, mas eu não posso deixar que todos sejam tratados com tanto descaso. Não quando pessoas da nossa família morreram a serviço do país. – Falei vendo todos emocionados.
- O senhor tem razão, nós nem pudemos enterrar os corpos de nossos maridos. – Uma mulher falou aos prantos.
- Eu prometo que vou resolver tudo isso. – Fui até a porta e chamei um dos meus seguranças. - Esse daqui se chama Kelce, ele vai anotar o nome de vocês e pegar a conta bancária de vocês. Ainda hoje eu vou depositar um valor, para que vocês possam se manter enquanto eu vou pessoalmente a Washington resolver isso.
- Isso é um absurdo! – O general esbravejou, mas eu o ignorei.
- Peguem meu número se necessário, todos vocês sabem onde a Jaguar Corp fica. Então tudo que precisarem podem me ligar ou ir até lá e procurar por Kelce. – Falei.
- Nós nem sabemos como agradecer.
O babaca se deu por vencido, e deixou a sala de conferências e eu pude falar com todos ali, que me agradeceram por falar o que eles não tiveram coragem. Enquanto falava com alguns, de canto eu vi Camila sentada e calada. Ela apenas falava quando alguém dirigia a palavra a ela, dava a pra notar que algo estava errado.
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Estacionei na casa de Camila, o silêncio entre nós dois durante o percurso de volta, era quase sufocante. Eu sabia que algo estava a incomodando, mas eu não sabia o que era.
Outro carro parou na frente do meu, duas mulheres desceram, e reconheci a intrometida do dia do velório.
- Está tudo bem, Camila? – Perguntei soltando meu cinto e me virando para ela.
- Não está nada bem. – Ela faz o mesmo e me olhou com raiva.
- O que eu fiz? – Perguntei porque era óbvio, o problema dela era comigo.
- Eu quero que você pare, pare de agir como se você se importasse com Chris. – Não foram as palavras dela que me assustaram, mas sim a agressividade no seu tom de voz.
- Camila eu não quis... – Tentei buscar as palavras certas, mas eu estava constrangido demais.
- Só para! Não precisa vir aqui depois de sei lá quantos anos e fingir que se importava com o meu marido, fazer esse seu papel de defensor, como se você se importasse de verdade com o Christopher. – Camila gritou e cuspiu aquelas palavras como flechas em mim.
- Você não sabe de nada, não tem o direito de agir assim comigo... – Mesmo querendo gritar, eu controlei meu tom de voz.
- O Chris me contou tudo, como o irmão que ele tanto amava foi capaz de o trair com a namorada dele. Quando descobriu que seu caso com ela resultou em uma gravidez, vocês fugiram e nunca mais tiveram a coragem de voltar. – Meu coração errou a batida, minha respiração faltou. - Então você não tem o direito de vir aqui depois da morte dele, fingir que se importa com ele. Não tem o direito de fingir que nada aconteceu, sendo que você nunca teve a coragem de voltar para pedir perdão.
Meu corpo perdeu força, eu escutava a voz de Camila distante, eu estava preso dentro de mim. Eu olhava para ela com a visão embaçada, meu peito parecia ser esmagado.
- Você é uma farsa, um traíra que não devia estar aqui. E eu só aceito a sua presença por causa dos meus filhos e de Clara, mas não aja como se eu não soubesse o quão mal caráter você é.
Camila saiu do carro e bateu a porta tão forte que me fez recobrar os sentidos, me virei, coloquei o cinto e saí com o carro cantando pneu. Consumida por um ódio tão grande, dirigi até a casa de Taylor torcendo para ela estar lá.
Quando eu parei o carro ela estava chegando, minha irmã estacionou o carro e veio sorrindo até a mim. Mas seu sorriso morreu quando viu as minhas feições, ela se aproximou preocupada.
- O que o Christopher saiu falando por aí? – Taylor me olhou preocupada. - E Taylor, eu quero a porra da verdade!
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