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Capa do romance Resentment

Resentment

Lorenzo volta à sua terra natal para o funeral do irmão, sendo forçado a encarar o rancor que o fez fugir anos atrás. Entre reencontros e memórias amargas, ele descobre segredos mal resolvidos e dores do passado. Cercado pelo luto alheio, o protagonista percebe que não pode mais evitar seus demônios. Para encontrar cura e seguir em frente, Lorenzo precisará buscar a verdade e praticar o perdão, enfrentando as situações que o forçaram ao isolamento.
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Capítulo 1

Lorenzo Ballard | Point Of View

*Última chamada para o voo 272 com destino a Miami*

Respirei fundo e me levantei, Demi me encarou por alguns segundos e caminhamos lado a lado até o portão de embarque. O silêncio entre nós era um ato de respeito dela, minha amiga sabia muito bem que preciso de tempo para processar as coisas.

Nos sentamos e me remexi um pouco desconfortável com alguns olhares curiosos em mim, faz tempo que não utilizo voos comerciais. Porém a urgência e delicadeza da situação, me forçou a tomar medidas drásticas e rápidas. E o fato de terem seguranças em minha volta, chamava ainda mais atenção das pessoas.

Por motivo de força maior eu sempre ando com a minha equipe de segurança. Como agora, dois estão sentados nos bancos da frente e dois atrás. A presença deles chama bastante atenção, mas é mais do que necessário tê-los comigo.

Quando o avião levantou voo, fechei os olhos por alguns minutos e tentei acalmar meu coração. Tem um turbilhão de sentimentos e questionamentos, rondando a minha mente. Em meu peito uma angústia com misto de incredulidade. Fazem quinze anos que eu não vou a Miami, mas jamais pude imaginar que eu voltaria nessas circunstâncias.

A morte do meu irmão gêmeo veio como uma bomba, servindo a marinha a equipe dele sofreu uma emboscada em uma operação. Meu irmão morreu servindo o país, minha mãe sempre me disse que essa era a vocação dele.

- Como você está? – Demi me trouxe a realidade, eu a encarei por alguns segundos tentando encontrar uma resposta para sua pergunta.

- Não sinto nada. – Fui sincero. - Eu tento sentir alguma coisa, mas quando eu penso nele, eu não sinto absolutamente nada. – Era como se meu próprio irmão fosse um completo desconhecido.

- Não se culpe, Enzo. – Demi segurou minha mão e sorriu tentando me tranquilizar. - Depois de tudo que vocês viveram, é compreensível que se sinta assim. – Talvez ela estivesse certa...

A gente compartilhou o mesmo útero por quase nove meses, normalmente irmãos gêmeos têm uma conexão diferente. Mas comigo e o Chris nunca houve essa conexão, me arrisco a dizer que desde o útero ele competia comigo.

Hoje eu volto a Miami por amor à minha mãe, sabendo que não deve estar sendo fácil para ela. Como pai eu me coloco no lugar dela, nós nunca imaginamos que um dia poderíamos ter que enterrar nossos próprios filhos. A ordem dos fatos é que os filhos enterrem seus pais, e quando isso se inverte, a dor é imensurável.

Por isso me colocando no lugar dela, imaginando como seria insuportavelmente doloroso enterrar meu filho, eu decidi que deveria estar presente do lado dela.

- Senhor, as outras equipes notificaram que estão prestes a chegar em Miami. – Warren falou assim que entramos no carro.

- Certo, o apartamento está todo pronto. Eu preciso ir para casa dos meus pais, vamos deixar Demi antes de seguirmos. – Falei com meus olhos vidrados na janela do carro.

- Acabei de soltar uma nota oficial para imprensa, confirmando que seu irmão foi um dos que vieram a óbito no incidente da marinha e que nesse momento você precisa de privacidade para se despedir dele junto a sua família. – Demi explicou, ela digitava freneticamente em seu celular.

- Ótimo, não quero especulações e paparazzis em cima de mim. – Suspirei pesadamente, Miami continuava do mesmo jeito de sempre.

- Alex comentou que Lawrence está bastante agitado. – A cautela na voz de Demi, me fez olhar para ela.

- Eu vou conversar com ele, quero que quando todos chegarem no apartamento você me avise. – Ela apenas confirmou e voltou sua atenção para o celular.

Quando chegamos resolvi subir no meu apartamento, troquei de roupa e desci novamente para a garagem. Entrei no meu primeiro carro que tive na vida, hoje ele está todo reformado. Mas a nostalgia em entrar nele me tomou, me lembrou de quando eu tinha dezesseis anos. Quando meu falecido avô me presenteou com esse carro, eu andava por toda Miami com ele.

Dirigi pelas ruas, vendo que tudo estava assustadoramente igual. O carro dos meus seguranças me guia logo atrás, não tive pressa em chegar na casa dos meus pais. Guiei meu carro pela orla me lembrando do tempo em que eu vivia aqui. Me serviu para relembrar que nem só de momentos ruins esse lugar estava marcado.

Se eu fechasse os olhos eu ainda conseguia ouvir as risadas de Keana enquanto corríamos pela praia, o reggaeton tocando de fundo e o calor me fazendo ficar vermelho.

- Obrigada por ter vindo... – Minha mãe sussurrou no meu ouvido, ainda abraçada em mim.

- Eu jamais te deixaria sozinha nesse momento. – Apertei ela em meu corpo.

Minha mãe soluçou e voltou a chorar, o corpo dela tremia. Eu queria poder chorar assim como ela, sentir a morte do meu irmão e compartilhar desse sentimento com ela. Mas tudo que eu pude fazer foi consolá-la, ficar em silêncio enquanto ela colocava toda a tristeza para fora.

Taylor me ajudou, fizemos minha mãe sentar e demos um calmante para ela.

Ver minha mãe tão abalada mexeu muito comigo, queria poder tirar toda essa dor que ela está sentindo.

Ficamos nós três aninhados no sofá, até ela pegar no sono. Carreguei minha mãe até o quarto, Taylor me mostrou onde era. Deixamos ela descansando um pouco, os últimos dias foram bastante difíceis para ela.

- O nosso pai está na base militar acompanhando Camila, ela foi receber os pertences do Christopher. – Taylor explicou enquanto descíamos as escadas.

- Vai ter um velório, mesmo sem corpo? – Perguntei.

- Acho que não, provavelmente uma cerimônia no enterro. De qualquer forma vou pedir a Paul que chame um médico para ficar à disposição da mama. – Taylor explicou meio aérea, mas concordei com a ideia dela, pois amanhã as emoções serão fortes, prefiro que tenha um médico para pronto atendê-la caso seja necessário.

Quando eu estava descendo o último degrau da escada, meu pai apareceu na porta da sala, assim que ele me notou o olhar dele foi de surpresa. Ele sabia que eu viria, mas pela sua cara de espanto acho que ele tinha suas dúvidas.

Assim como faziam quinze anos que eu não vinha a Miami esse era o mesmo tempo que eu não via o meu pai, sua aparência não havia mudado em nada, ele era o mesmo homem que eu me lembro.

- Oi, Lorenzo! – Sua voz contida e sua postura retraída, mostrava o seu desconforto.

- Pai... – Tentei ser o mais cordial que eu conseguia.

- Que bom que você veio, você está crescido. – Ele sorriu com os olhos cheios de lágrimas.

- Minha mãe precisa de mim aqui, ainda tem os meus sobrinhos que eu nunca tive a chance de conhecer. Estou aqui por eles, e somente por eles. – Dei de ombros e terminei de descer as escadas, tentei disfarçar o impacto que era rever ele depois de tantos anos.

- Entendo, fique a vontade. A casa é sua... – Ele se recompôs e me olhou sem graça. - Bom, se me derem licença, eu ainda preciso fazer algumas coisas.

Ele saiu rapidamente, voltou por onde havia entrado. Taylor suspirou e me olhou sem graça, dei de ombros, afinal de contas, eu sabia que vindo para cá esse momento seria inevitável.

- Taylor, você pode me levar até a casa de Christopher? – Pedi já que não queria conhecer meus sobrinhos somente no dia do enterro.

- Claro, eu vou apenas pegar a minha bolsa. – Ela falou e saiu correndo para buscá-la.

Minha irmã dirigia meu carro com um ar satisfeito, parecia uma criança que acabou de ganhar o seu presente favorito. Ela nos guiou até o subúrbio de Miami, onde tudo era mais simples.

Ela parou em frente a uma casa não muito grande, pra mim era pequena para criar duas crianças. Chris rejeitou todas as tentativas da minha mãe, quando eu quis dar uma casa no mesmo condomínio onde ela mora. Era de se esperar que ele não aceitaria nada de mim, sustentado sempre um orgulho absurdo.

Descemos do carro, eu fiquei parada olhando a fachada da casa. Meus seguranças ficaram dentro do carro observando tudo de lá, eu sinalizei que entraria na casa e eles saíram discretamente olhando tudo.

- Eu sei o que você está pensando. – Minha irmã encostou no carro. - Chris sempre foi orgulhoso, mas não ter aceitado a sua oferta na época tinha um grande significado para ele. – Taylor fez uma pausa tentando encontrar a melhor forma de falar. - Ele só queria fazer as coisas sem depender de ninguém, no fundo ele só queria provar que ele era capaz. – Ela gesticulou nervosa.

- Eu não quero entrar nesse assunto com você, Taylor. Christopher está morto, e eu gostaria muito de enterrar tudo com ele. – Falei seriamente e ela concordou.

- Desculpa.

- Está tudo bem Tay!

Quando eu pensei em falar para entrarmos, a porta da casa abriu e duas crianças passaram como vento. Gritaram o nome da minha irmã e segundos depois estavam se jogando em cima dela, Taylor gargalhou e abraçou os dois.

Tirei minha atenção da cena, para ver a mulher parada na varanda da casa. Era uma latina belíssima, tinha uma expressão cansada como se não dormisse bem há algum tempo. Com certeza é a viúva do meu irmão!

- Crianças, quero que vocês finalmente conheçam uma pessoa... – Voltei minha atenção para eles.

Me agachei e pela primeira vez desde que cheguei aqui, me permiti dar um sorriso sincero. Eles eram mais lindos do que eu via pelas fotos que Taylor compartilhava, os dois se parecem muito comigo.

- Oi! – Falei um pouco tímida.

- Tio Enzo! – Os dois foram tão genuínos, pularam em mim, tive que me equilibrar para não cair.

Confesso que fiquei emocionado com a forma que eles me trataram, apertei os dois em meu corpo. Olhei para Taylor que sorria travessa, eu sabia que ela não deixaria os dois não saberem quem eu sou. Através dela eu sempre mandei presentes e cartões, com certeza ela fez questão de falar de mim para eles.

- Viu Nico eu disse que ele era muito igual a você. – Luna falou assim que nos afastamos.

- Meu olho é igualzinho o seu, tio Enzo. – Sorri com o jeitinho de Nicolas.

- Eu vi, você é muito lindo cara! Na verdade, os dois são lindos. – Eles sorriram.

- Tia Taytay falou que você ia babar na gente. – Eu e Taylor rimos.

- Ela tem razão, eu tenho dois sobrinhos lindos!

Fui rapidamente apresentado a Camila, eu sempre ouvi falar dela. Taylor e minha mãe sempre me falaram muito bem da esposa do meu irmão, confesso que eu ficava muito intrigada em saber quem era a mulher que conseguia aguentar o meu irmão e ainda ter filhos com ele.

Devo dizer que fiquei muito surpreendida, ao encontrar uma mulher muito bela, aparentava ser bem simples uma típica mãe de família. Com certeza uma guerreira, porque aguentar o temperamento instável de Christopher não era para qualquer uma.

Entrei naquela casa onde eu nunca imaginei que um dia fosse entrar, fui apresentado ao quarto das crianças. Todos os brinquedos que eu havia dado estavam ali, enquanto as crianças me mostraram tudo. Taylor e Camila me explicaram que elas instruíram as crianças a não dizerem para Christopher, que eu havia presenteado elas.

Minha irmã decidiu levar as crianças para tomar sorvete, e eu aceitei tomar um café para conversar melhor com Camila.

- Eu sinto muito. – Quebrei o silêncio vendo ela observar a xícara com café fumegante.

- Sente mesmo? – Ela me olhou em dúvida.

- Independente dos meus problemas com Chris, eu sei que ele se tornou um bom homem. E ele tem uma família que ama ele, e que agora tem que lidar com essa perda inesperada. Então sim, eu sinto! – Tentei ser imparcial, não sei até onde e como as coisas do passado foram contadas para ela.

- Está tudo muito confuso ainda, eu não faço ideia de como vai ser agora. – Vi cansaço e preocupação nos olhos dela.

- Eu vou estar aqui, Camila. Você e meus sobrinhos jamais ficarão desamparados, isso eu nunca irei permitir. – Segurei a mão dela, ignorei a sensação estranha que isso me causou.

- Obrigada Lorenzo, mas não sei se deveria... – Ela desfez o contato com delicadeza e pegou sua xícara.

- Ainda está tudo muito recente, mas espere um pouco antes de termos uma conversa em definitivo. – Pedi e ela concordou.

- Você pretende morar aqui, agora que ele se foi?

- Não, vou permanecer até quando eu sentir que minha presença é necessária. – Expliquei bebericando meu café.

- Sua mãe iria gostar, ela sempre me disse que o sonho dela era ter você aqui novamente. – Camila tinha os olhos fixos em mim.

- E infelizmente as circunstâncias que me trazem aqui, não são felizes para ela. – Suspirei.

Tomamos nosso café em silêncio, havia uma troca de olhares entre nós, porém não fui capaz de decifrar o que os olhos dela diziam.

Sentamos na sala e ela resolveu me mostrar um álbum de fotos das crianças, enquanto esperávamos Taylor voltar com elas.

- Você tem ótimas crianças aqui, eles são tão amorosos e receptivos. – Falei vendo uma fotos deles brincando na praia.

- Luna é muito inteligente, ela fala muito bem e sabe se comunicar. Já Nicolas, ele é muito carinhoso e sensível. – Camila tinha um sorriso que uma mãe tem.

- Quero muito que eles conheçam o Lawrence, apesar da diferença de idade, eles vão se amar. – Lembrei que meu filho sempre quis conhecer os primos.

- Oh sim, você tem um filho! – Ela falou batendo na testa. - Que cabeça a minha, sua mãe sempre fala do Lawrence. Qual é a idade dele mesmo?

- Ele tem quatorze anos.

- E ele veio com você?

- Sim, ele estava no Brasil com a mãe e o padrasto. Eles devem ter chegado a poucas horas, eu preferi vim ver minha mãe e vocês logo.

>>>>

O sol já estava se pondo, quando eu e Taylor saímos da casa de Camila. Eu dirigia com um pouco mais depressa, ainda queria levar meu filho em um lugar para conversar.

- Então, o que você achou?

- As crianças são maravilhosas, muito obrigada por falar de mim para elas. – Sorri para minha irmã e voltei a atenção no trânsito.

- E de Camila, o que achou?

- Ela é bem simples, achei ela muito cansada... – Comentei e minha irmã suspirou.

- Posso dizer que Chris sempre foi Chris, nem mesmo Camila e as crianças escaparam disso. – Fiz uma careta.

- Então ela deve ter comido o pão que o diabo amassou.

No restante do caminho fomos em silêncio, não havia muito o que dizer. Eu sabia que a minha irmã também estava sofrendo com a perda do nosso irmão. Deixei ela na casa dos nossos pais, mesmo com vários pedidos para que eu entrasse preferi não entrar. Me despedi avisando que amanhã cedo estaria aqui, e segui o meu caminho.

Quando finalmente cheguei no meu apartamento todos estavam ali, Keana foi a primeira que veio em minha direção e me abraçou. Nós dois sabíamos muito bem o quanto significava estar aqui novamente, abracei ela tentando confortá-la.

Em seguida vi meu menino com os olhos cheios de lágrimas, eu sabia o quanto tudo isso poderia ser confuso para ele. Me sentei do lado do meu filho e o abracei o mais forte que podia, sussurrei em seu ouvido dizendo que tudo bem se sentir daquela forma.

- Sobe e pega um casaco, vamos sair. – Falei para ele.

- Como foram as conversas na casa de seus pais? – Alex perguntou-me olhando sério.

- Complicadas, minha mãe está inconsolável. Taylor parece bem, já meu pai... eu o vi muito rapidamente. – Expliquei.

- Eu não vou mentir, estou aliviada. Menos um crápula no mundo, mas tenho pena da tia Clara. – Keana falou e foi abraçada pela esposa.

- Até eu que não tive o desprazer de conhecê-lo pessoalmente penso da mesma forma. – Victor resmungou.

- É complicado... – Suspirei pesadamente.

- Gente calma lá, apesar de tudo ele é irmão do Lorenzo. Vamos ter cuidado com as palavras, principalmente perto do Lawrence. – Kelly advertiu.

- Vou levar ele no Jack's, mando trazerem lanches para vocês. – Falei me levantando.

Meu filho logo desceu, achei que seria legal se fôssemos de moto e assim que ele viu a minha escolha, logo se animou.

Pilotei pelas ruas de Miami, meu garoto abraçou minha cintura e ria às vezes. Nós temos esse hobbie de andar de moto juntos, obviamente Keana fica louca com isso.

- Eu estou confuso. – Lawrence finalmente falou. – O senhor e a mamãe sempre me contaram tudo, eu jamais duvidaria da palavra de vocês, mas eu queria...

- Conhecê-lo pessoalmente, tirar suas próprias conclusões. – Falei por ele.

- O senhor não fica chateado, papa? – Meu filho me olhou preocupado.

- Jamais. Eu e sua mãe nunca ficaríamos tristes ou magoados, se um dia você nos pedisse para vim conhecer essa parte da minha família. – Falei olhando nos olhos dele. - Nós dois sempre te protegemos de tudo, não queremos que você se machuque. Mas se fosse algo que você sentisse no coração, te entenderíamos.

- Eles nunca vão poder saber da verdade?

- Um dia vamos contar, mas esse não é o melhor momento. Eu e sua mãe não estamos sofrendo pelo passado que tínhamos com ele. Mas tem gente que ama muito o seu tio e está sofrendo com isso.

- Tudo bem, de qualquer forma eu estou feliz em estar aqui. Eu quero conhecer o vovô Michael.

- Você vai conhecê-lo, vamos passar um tempo aqui.

Eu estaria mentindo se afirmasse que me sinto bem em ver meu filho se aproximando do meu pai, todos esses anos e todas as circunstâncias que nos cercaram, me fazem ser egoísta. Mas eu jamais colocaria no meu filho minhas frustrações, se é algo que ele deseja eu vou apoiá-lo.

Toda essa situação é uma bagunça, eu jamais imaginei que meu irmão fosse morrer tão cedo. Bem lá no fundo eu sinto uma sensação estranha, não é o suficiente para eu conseguir definir o que é. Mas posso afirmar, eu sinto muito, sinto por tudo.

- Lorenzo Ballard, o bom filho sempre volta! – Jack gritou chamando a atenção de todo mundo.

O homem de quase dois metros de altura, com sua barrigona, veio sorrindo me abraçar. Me sentindo nostálgica e feliz, abracei o homem e suspirei me sentindo em casa.

- Quanto tempo, Jack! – Afirmei sorrindo.

- Você não mudou nada, continua o mesmo menino de sempre. – Ele disse sorrindo. - E esse garotão aí? Não vai me dizer que...

- Sim, é meu filho. – Abracei Law pelos ombros. - Jack, esse é meu filho Lawrence. – Meu sorriso de orgulho quase se rasgava.

- Olha só, não é que você caprichou no menino. – Jack falou sorridente.

- É um prazer conhecer o senhor. – Lawrence falou todo educado.

- Agora não resta dúvidas, até a educação você puxou do seu pai.

Jack puxou meu filho para um típico abraço de urso, que só ele sabe dar. Ele fez questão de nos atender e ir para cozinha preparar nossos hambúrgueres, aproveitei para contar ao Law que eu e meus irmãos sempre tivemos costume de vir aqui.

De certa forma, voltar para Miami tinha seu lado bom. Com o tempo vou poder mostrar para o Lawrence lugares que marcaram a minha vida, provavelmente Keana faça o mesmo. Miami está lotada de histórias, que valem muito a pena recordar.

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