Capa do romance Rendida ao Magnata Italiano

Rendida ao Magnata Italiano

7.8 / 10.0
Em Rendida ao Magnata Italiano, Alina vira moeda de troca para quitar uma dívida com Dante Morelli. Neste romance de máfia, a estudante se torna refém de um homem letal, enfrentando uma perigosa atração e uma gravidez inesperada. Leia este billionaire romance no nosso site de web novel.
Resumo de Rendida ao Magnata Italiano
Alina, estudante de psicologia, torna-se refém de Dante Morelli para quitar uma dívida de seu irmão. No isolamento de uma mansão, o frio mafioso transforma sua resistência em uma atração perigosa. O que nasce do ódio evolui para um desejo ardente, culminando em uma gravidez inesperada. Alina espera que o filho seja seu passaporte para a liberdade, mas Dante é possessivo. Agora mãe de seu herdeiro, ela descobre que o magnata jamais abrirá mão do que lhe pertence.
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Rendida ao Magnata Italiano Capítulo 1

Dante Morelli

Chove.

Chove como se o céu estivesse tentando lavar essa cidade podre.

Mas nada limpa o que já nasceu manchado.

O galpão onde estou fede a ferrugem, óleo velho e medo. O tipo de medo que escorre em silêncio, que se impregna nas paredes. Já me acostumei com esse cheiro. Cresci dentro dele. Me tornei homem com as mãos sujas disso.

O cara amarrado na cadeira - rosto inchado, boca sangrando, olhos arregalados - não parece ser o mesmo garoto promissor que estudou fora, cheio de diplomas e oportunidades. Um Ribeiro, me disseram. Rafael ou Adam, tanto faz. Só é mais um merda que achou que podia subir rápido apostando com dinheiro dos outros. Dinheiro meu.

- Diga de novo. - minha voz sai baixa, firme. Não preciso gritar. Nunca precisei.

O idiota à minha frente hesita. Eu vejo o terror no fundo dos olhos dele. Não é só medo da dor. É medo do fim. Da morte. Ele sabe que está com um pé na cova.

- Eu tenho uma irmã - ele murmura, cuspindo sangue com as palavras. - Está quase se formando em psicologia. Inteligente. Discreta. Vocês precisam de alguém assim no time de vocês.

Arqueio uma sobrancelha. Será que entendi direito?

- Você está me oferecendo sua irmã... como pagamento?

- Façam o que quiserem com ela. Só... só não me matem.

O riso de Enzo, um dos meus homens, quebra o silêncio. Um som baixo, cínico. Eu não rio. Nem me movo.

Esse tipo de desespero tem valor. Não o da proposta - ainda - mas o de saber até onde um homem vai pra continuar respirando. Há meses estou limpando os porcos do sistema. Herdar os negócios da Famiglia significou assumir a parte mais suja e mais verdadeira da vida. E parte do meu trabalho é separar o lixo reciclável do que vai direto pro fogo.

- Você sabe quanto deve?

Ele hesita, tenta parecer lúcido.

- Eu... perdi a conta.

- O suficiente pra justificar sua morte. - dou um passo à frente. - Você usou o nome Morelli pra se endividar. E não pagou. Isso não é só burrice. É crime.

Ele balbucia algo, e depois repete:

- Eu posso pagar... com ela.

Me aproximo devagar. O cheiro do medo dele é quase doce.

- O que você acha que é isso aqui? Um leilão? Um puteiro? - murmuro, firme, sentindo a tensão se espalhar pelo cômodo. - Acha que pode me convencer com carne?

- Ela é útil! - ele explode, a voz embargada. - É quase formada, vai trabalhar com mentes. Pode ajudar vocês. Analisar, interrogar, sei lá... só me dá uma chance! E acima de tudo sei que ela é virgem!

Fico em silêncio por alguns segundos. Meus olhos vasculham os dele. É real. Ele tá mesmo oferecendo a irmã como escudo humano. É nojento. É desesperado. E, por um breve segundo... é intrigante.

- Nome.

- Alina. Alina Ribeiro.

Alina.

O nome paira no ar como uma promessa não dita.

- Ela sabe o que anda fazendo?

- Não...

Claro que não. As melhores moedas de troca nunca sabem que estão sendo leiloadas.

- E como pretende entregá-la? - pergunto, voltando pra minha cadeira. Me sento devagar, observando o corpo à minha frente tremer. - Vai amarrá-la como eu fiz com você? Ou vai trazer com laço de fita?

- Ela confia em mim. Eu posso levá-la pra onde quiser. Eu invento uma desculpa. Proposta de emprego, viagem... qualquer coisa. Só me dá tempo.

Ele parece sincero. Mas homens desesperados são bons mentirosos.

- Você sabe o que acontece com quem trai, não sabe?

Ele assente.

- E com quem nos deve?

Outro aceno.

- E com quem vende a própria irmã?

Dessa vez, demora. Quando responde, é quase um sussurro:

- Eu prefiro o ódio dela... do que morrer aqui.

Cínico. Covarde. Mas honesto.

Observo-o em silêncio. Me levanto e começo a andar em círculos ao redor da cadeira. Sinto o peso da escolha que ele me atira como se fosse solução. Eu devia mandar matá-lo agora. Só pra manter a ordem. Mas esse nome... Alina... tem um som que não sai da cabeça.

- Vou considerar sua oferta. - digo por fim, parando atrás dele. - Mas se ela der trabalho... você vai implorar pela morte. E eu vou negar.

Ele balança a cabeça freneticamente. As lágrimas misturam com o sangue.

- Ela não vai. Eu prometo.

- Você sabe que ela nunca mais vai ser livre, certo?

- Sim.

- E que se for tão valiosa quanto você promete... talvez eu não solte ela nunca?

Ele hesita. Treme. Depois, diz:

- Melhor do que morrer.

Melhor do que morrer... Quantas escolhas na minha vida foram feitas com base nesse princípio?

- Vá pra casa - ordeno. - Traga Alina até mim em sete dias. Saudável. Sem feridas. Sem desconfiança. Se ela souber de algo... se fugir... se você mentir pra mim...

Não preciso terminar.

Ele entendeu.

Horas depois, quando o carro dele desaparece na curva da estrada, me sento novamente. As luzes do galpão piscam. O silêncio volta a reinar, pesado.

Alina Ribeiro.

Bonita? Talvez. Que diferença faria?

O que me intriga é a coragem do irmão. Ou a covardia. Ele entregaria um pedaço do próprio sangue pra não morrer. Isso diz muito sobre ele. Mas diz ainda mais sobre ela.

Que tipo de mulher foi criada ao lado de um homem assim?

Será que ela é o oposto?

Será que vai se dobrar, ou resistir?

Respiro fundo. Um nome nunca teve tanto peso. E, ainda assim, tudo em mim me diz que essa mulher vai trazer mais do que ele prometeu.

Mas uma coisa é certa:

Quando Alina Ribeiro cruzar a minha porta... não sai mais sai.

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