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Capa do romance Rendida ao Chefe do Comando

Rendida ao Chefe do Comando

Roberta vive sob o jugo de Wesley, um marido abusivo que destruiu sua autoestima. Mãe atípica, ela sobrevive em meio ao desprezo até cruzar o caminho de Mauro, o perigoso Zeus, líder do Comando. Intrigado, o criminoso passa a monitorá-la e, ao descobrir seu sofrimento, decide intervir. Zeus rompe as regras da facção para levar Wesley ao tribunal do crime. Livre do passado, Roberta encontra proteção e um amor transformador nos braços do temido chefe.
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Capítulo 2

Roberta Narrando

Eu me chamo Roberta Tenório, tenho 25 anos, sou mãe atípica e nasci no Morro Santa Vitória, o coração do Rio de Janeiro. Mas se fosse para ser sincera, eu diria que esse lugar é um inferno. Desde pequena, eu vivi nas sombras da violência e da pobreza. O Morro, em vez de ser um refúgio, foi minha prisão. Não que eu tivesse escolha. Era só sobreviver ou sucumbir, como muita gente por aqui, em nome de uma vida que parecia destinada a não ter fim.

Minha história é marcada pela dor, pela perda e pela luta. Minha mãe morreu quando minha irmã mais nova nasceu. Aconteceu logo depois que ela deu à luz e eu nem cheguei a conhecer a minha irmãzinha. Meu pai, aquele desgraçado, disse que ela foi dada para adoção, mas com o tempo, eu percebi que aquilo era mentira. Ele não dava a mínima para ninguém. Ele vendeu a minha irmã, sem sombra de dúvida. E não foi só ela. Ele vendeu as minhas outras irmãs também, uma a uma. Eu, a mais velha de quatro filhas, fui a única que restou, porque o resto se perdeu nas mãos daquele homem nojento, bêbado e drogado.

Aos meus olhos, ele nunca foi um pai de verdade. Na verdade, ele era um lixo, um "cachaceiro" que não se importava com ninguém, a não ser com o seu próprio vício. E ele ainda era chapa do dono do Morro, o maldito do meu ex-sogro. Esse homem fazia questão de aproveitar da miséria alheia. Ele fazia com que todos aqui ficassem presos, dependentes. Até hoje, me pergunto como pude ser tão burra, de cair na lábia do Wesley, o pai do meu filho. Para mim, ele não é nada além disso: o pai do Gui.

É claro que o fruto não ia cair longe da árvore, Wesley é tão ridículo quanto o pai dele era. Tomara que tenha o mesmo fim.

Meu filho, Guilherme, é autista. Ele tem apenas Cinco anos e já me mostrou, de todas as formas, o quanto a vida dele pode ser desafiadora. Eu faço de tudo por ele. Vivo para ele. Dedico 100% da minha energia, minha força e meu amor para protegê-lo, para garantir que nada e ninguém possa fazer mal a ele. O Gui é minha razão de viver. Ele não tem culpa do que aconteceu, nem do que ainda vai acontecer. O amor que eu sinto por ele é algo que ninguém jamais vai entender.

Eu me acostumei com a dor, com a humilhação e com o sofrimento, mas o pior de tudo sempre foi o abuso do Wesley. Ele me bate, me xinga, me trata como lixo. Dentro de casa, ele tem a liberdade para fazer o que quiser comigo. Mas com o Gui, eu sempre deixei claro:

- Se um dia você colocar a mão no meu filho, a chapa vai esquentar.

Eu sou capaz de tudo para proteger meu filho. Se ele tentar, vai ter que me enfrentar, porque eu não vou deixar.

Wesley sempre se achou o dono do pedaço, mas ele não passa de um covarde. O cara se esconde atrás do irmão, o Darlan, que também é podre. Mas o Darlan rodou, foi preso, alguma das ex dele, provavelmente foi quem denunciou. Dizem que foi A Marcela, ela pode até ter dado o toque, mas quem realmente botou fogo foi a Amanda, uma outra ex do Darlan. Essa sim, era piranha de verdade. E não estou falando de moralismo, mas de como ela usava o corpo dela para manipular a favela. Eu sei o que estou dizendo, porque já vi de perto como o Darlan tratava as mulheres. E ele fazia questão de espalhar suas mina por toda a favela. Agora, o Wesley, apesar de ser um imbecil, não chegou a fazer o mesmo. Ele nunca me ofereceu para ninguém. Nem para seus amigos. Ao menos nisso, ele não é tão deplorável.

Mas a vida não me dá descanso. Não me deu até hoje e eu sei que não vai ser diferente daqui para frente. Cada vez que olho para o meu filho, sinto o peso de ser a única responsável por ele, de carregar tudo sozinha.

Eu sou uma mulher forte. Tenho que ser, por causa do meu filho. Não me importo com o que os outros pensam de mim. Eles podem me chamar de qualquer coisa, podem tentar me derrubar. Mas nunca vão conseguir. Porque o Gui é o meu farol. É ele que me faz levantar todos os dias e me fazer lutar por algo melhor. Ele é a razão pela qual eu vou até o fim, sem importar com as consequências. Eu tenho uma missão e nada nesse mundo vai tirar isso de mim.

Eu estava arrumando o quarto do Guilherme, tentando organizar um pouco as coisas enquanto ele assistia TV, quando o Wesley chegou. Ele estava visivelmente agitado, devia tá chapado, já gritando desde o momento em que entrou. Faz dois dias que ele não aparecia em casa, e provavelmente estava com alguma das piranhas com quem ele sai por aí. Eu já sabia como ele estava, mas não esperava que ele fosse fazer aquele escândalologo de Cara.

- Tá gritando por quê? - perguntei, tentando me manter calma.

Mas a resposta que eu recebi não foi verbal, foi um soco no meu estômago. Ele me olhou com raiva e disse:

- Tu foi falar para Suzana que eu te bati da última vez? Ela já veio me encher o saco, já veio tirar uma com a minha cara no meio da rua. Tu sabe que eu não posso tocar na Suzana porque o Darlan não deixa, então quem vai apanhar é tu sua Vagabunda.

Eu senti a dor do soco, mas o que mais me machucava era a humilhação, Ele não tinha limite. Antes que eu pudesse reagir, ele me deu uma rasteira e começou a me chutar. Tentei me proteger, mas sabia que não ia conseguir segurar por muito tempo. Estava prestes a perder o controle, mas foi então que o Mistoca apareceu.

Ele entrou de repente já foi para cima do Wesley, empurrando ele com força.

- Que é isso, mano? Tá maluco? Batendo na mãe do teu filho, ela é tua mulher, cara, não faz isso!

O Wesley, todo irritado, gritou de volta para o Mistoca:

- Não se mete, Caralho!

Mas o Mistoca não recuou, e em vez disso, olhou para o Wesley com a expressão séria e falou:

- Eu vim aqui te avisar que o chefe mandou te chamar. Teu irmão fugiu do presídio.

Na hora, a minha cabeça deu um nó. O Wesley começou a rir, achando graça da situação, mas eu sabia que aquilo ali não tinha nada de engraçado. O Darlan de volta? O bicho era o capeta em pessoa. O bagulho ia piorar, e muito.

O Mistoca não parecia brincando. Ele encarou o Wesley, e o clima ficou tenso.

- E aí, mano, tu vai ficar rindo? O Darlan fugiu e tu tá aí achando graça? Cê sabe que ele desobedeceu o Zeus.

O Wesley se calou por um segundo, mas logo soltou um:

- Não tô nem aí pro Darlan. Ele que se foda.

Eu podia sentir o peso da situação no ar. O Mistoca, sério como sempre, deu uma última olhada no Wesley e, antes de sair, falou baixo:

- É Bom tu descer, Zeus tá te esperando na sede.

Wesley saiu atrás do Mistoca, Darlan desobedeceu o Tal Zeus, tomara que se ferre e leve o Wesley junto pro mesmo buraco.

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