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Capa do romance Rendida ao Alfa Aleksander

Rendida ao Alfa Aleksander

Desde a infância, Aurora é assombrada por chamados da floresta e sonhos selvagens. Tudo muda quando Aleksander Vargr surge para reivindicá-la. O toque desse Alfa poderoso desperta a natureza oculta no sangue da jovem, revelando uma conexão incontrolável. Encurralada pelo desejo e pelo destino, ela descobre que é a parceira predestinada da fera. Entre o perigo e a paixão, Aurora deve aceitar que sua alma pertence ao homem que a chama de lobinha.
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Capítulo 2

Capítulo 2

O fim de semana havia passado apressado, entre o trabalho exaustivo no bar e as noites mal dormidas. Eu estava pronta, ao menos deveria estar, para a entrevista. Meus saltos faziam barulho no mármore que cobria a recepção do luxuoso prédio da BioNex. Assim que cheguei à recepção, o recepcionista sorriu para mim.

- Bom dia, em que posso ajudá-la?

- Bom dia, sou Aurora Morneau. Estou aqui para uma entrevista de emprego.

Ele digitou algo no computador, me entregou um crachá e apontou para o elevador.

- No décimo andar, procure por Niume Ulvsson Vargr.

Sorri e agradeci, indo direto ao elevador. Assim que o elevador se abriu, caminhei pelo corredor rumo à sala indicada.

A recepção estava cheia de candidatas que, à primeira vista, pareciam muito mais preparadas e mais bem vestidas do que eu. Seus terninhos elegantes e posturas confiantes contrastavam dolorosamente com meu vestido simples e os sapatos que haviam visto dias melhores.

Sentei-me numa cadeira vazia na sala de espera, tentando ignorar os olhares avaliadores das outras candidatas. Meu estômago revirava de nervosismo, mas me forcei a permanecer focada. Era apenas uma entrevista, repeti o mantra silenciosamente, tentando acalmar os batimentos acelerados do meu coração.

Quando meu nome foi chamado, respirei fundo e caminhei em direção à sala onde Niume me aguardava. Assim que entrei, notei seu olhar crítico percorrendo cada detalhe da minha aparência. Sentei-me, tentando não demonstrar o quanto estava intimidada.

- Bom dia. - Murmurei, mas o silêncio continuou.

Vi suas narinas dilatarem ligeiramente e ela me olhou confusa. Senti-me culpada, eu usava um perfume de Serena. Ela insistiu dizendo ser um perfume caro, mas ele estava me irritando, e ali naquele momento tive a certeza de que não era a única afetada pelo cheiro enjoativo. Encolhi-me, sem graça, evitando fazer movimentos em sua direção para não a afetar com a fragrância.

- Bom dia, senhorita Aurora. Sou Niume Vargr, a responsável pelas contratações. Vejo que é formada recentemente na área de biotecnologia, mas ainda não possui experiência.

Ela foi direto ao ponto, encarando o meu currículo em suas mãos.

- Eu... sim, não tenho experiência. Mas meu trabalho na faculdade venceu como o melhor projeto do ano. - Tentei me mostrar confiante e continuei. - Sei que buscam pessoas experientes, mas eu aprendo rápido, trabalho bem em equipe e sou concentrada nas tarefas designadas a mim. - Insisti.

Senti meu coração acelerar de repente, não era pelo nervosismo da entrevista. Os pelos dos meus braços se arrepiaram e senti um calor por todo o meu corpo. A fragrância que eu sentia em alguns momentos, me deixando confusa, me atingiu. Acontecia sempre em meus sonhos ou durante minhas corridas na floresta. O cheiro era doce, mas selvagem, cheirava a floresta. Fechei os olhos com força e quando os abri, Niume estava me encarando, ela parecia confusa. Claro, eu deveria parecer uma louca. Ela sorriu com meu desconforto, mas continuou a entrevista com perguntas padrões sobre minhas experiências e habilidades. No entanto, não demorou para que suas perguntas tomassem um rumo pessoal estranhamente específico.

- De onde você vem, Aurora? Fale-me sobre sua família. - Ela indagou, sua curiosidade parecendo ir além do profissional. Senti um aperto no peito.

- Sou daqui do Canadá. Infelizmente, não conheci meu pai e minha mãe faleceu alguns meses atrás. - Não quis entrar em detalhes, pois ainda era um assunto sensível para mim.

- Sinto muito. Me desculpe, mas prezamos saber sobre a família dos funcionários, pois aqui somos mais que um grupo empresarial, somos uma grande família.

- Tudo bem, eu entendo. - Sorri.

- Ótimo, vamos prosseguir. Qual seria sua disponibilidade para viagens? - Ela perguntou, continuando o seu trabalho.

Ao final da entrevista, ela simplesmente disse que eu saberia do resultado em breve e desejou-me boa sorte com um meio sorriso.

Saindo da sala, senti uma mistura de alívio e incerteza. O olhar de Niume e suas perguntas fora do contexto profissional ecoavam na minha mente enquanto eu deixava o prédio, perguntando-me se eu tinha causado alguma boa impressão. Mas as esperanças não eram as melhores.

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Naquela noite...

- Ei belezinha, você está surda? - O homem me encarava com um ar debochado.

A raiva fervilhava dentro de mim, existia uma voz em minha cabeça dizendo: "Mate-o, ele não é um ser humano bom."

Balancei a cabeça levemente e apertei os olhos enquanto servia mais uma cerveja para o imbecil. Aquelas vozes na minha cabeça se tornavam cada vez mais cruéis, precisava com urgência ver a médica que mamãe me levava. A conversa não me ajudava muito, mas as ervas que ela me fornecia me ajudavam a acalmar aqueles pensamentos em minha mente.

Coloquei a cerveja no balcão e encarei o homem à minha frente.

- Esta é a última, terei que fechar o bar em dez minutos. - Adverti.

Ele me encarou com um olhar irritado, mas manteve o silêncio. Ignorei e virei de costas, continuando meu trabalho. Odiava trabalhar naquele turno e, naquela noite, era ainda pior, pois estava sozinha já que James tinha algum compromisso, deixando o bar em minha responsabilidade. A posição do bar, bem próximo à floresta, em uma região quase deserta, não era tão animadora assim, nem o ônibus passava ali. Agradecia por Serena ter um pequeno carro que me emprestava quando tínhamos turnos separados.

Senti uma sensação estranha e me virei rapidamente. O homem virou a última gota de sua bebida, quebrando o copo no balcão com um golpe forte. Ele retirou alguns dólares de sua jaqueta surrada e jogou sobre mim enquanto sorria debochado.

- Recolha do chão o seu dinheiro, tem gorjeta aí para você, vadia. - Dizendo isto, ele saiu.

Fechei a porta atrás dele, mesmo que a vontade fosse dar um chute em meio às suas pernas. Recolhi o dinheiro e terminei de encher as geladeiras. Limpei rapidamente o chão e saí com o lixo. Finalmente, era hora de voltar para casa, e o vento frio e a neve caindo não eram um clima agradável.

Assim que joguei o lixo fora e segui para o estacionamento, passos apressados se aproximaram e eu me virei para deparar com o homem do bar vindo em minha direção com uma faca em suas mãos.

Preparei-me para atacar, para me defender. Mas um uivo interrompeu qualquer movimento, seja meu, seja do homem à minha frente. Um grande lobo cinza se colocou entre nós, rosnando em direção ao homem que xingava e tentava golpear o animal.

O meu instinto de sobrevivência me atingiu em cheio e corri para o carro, atrapalhando-me para ligá-lo. Assim que consegui, fiz a manobra e saí para a estrada, vendo pelo retrovisor o lobo pular em cima do homem.

Não me interessava o que aconteceria com aquele bastardo. O lobo não o mataria, afinal ele estava armado, mas eu não ficaria ali para assistir a nada.

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