
Renascida sem Ti: Uma Nova Vida para Ana
Capítulo 3
A cirurgia foi um sucesso.
Acordei a sentir-me fraca, mas viva.
A primeira coisa que vi foi a minha melhor amiga, Clara, sentada ao lado da minha cama.
"Como te sentes?" ela perguntou, a sua voz suave.
"Melhor," murmurei. "Obrigada por teres vindo."
"Claro que vim. Onde está o Pedro?"
Eu encolhi os ombros, não querendo falar sobre ele.
O meu telefone estava na mesa de cabeceira, com dezenas de chamadas perdidas e mensagens do Pedro.
"Ana, onde estás? Porque não atendes?"
"A cirurgia foi remarcada? Porque é que ninguém me avisou?"
"Ana, responde-me, por favor! Estou a ficar preocupado!"
Clara pegou no telefone e leu as mensagens.
Ela olhou para mim, os seus olhos a arder de raiva.
"Este idiota. Ele realmente achou que ias esperar por ele para sempre?"
Eu não respondi. Apenas fechei os olhos.
Mais tarde naquele dia, o Pedro apareceu no hospital.
Ele parecia desesperado.
"Ana! Graças a Deus! Porque é que não me disseste nada? Eu teria vindo!"
"Tu estavas ocupado," eu disse, a minha voz sem emoção.
"A Sofia precisava de mim! Ela é minha irmã!"
"E eu sou a tua mulher. Eu estava a precisar de um rim."
Ele ficou sem palavras, a culpa estampada no seu rosto.
"Eu sei, eu sei. Desculpa. Mas agora estás bem, certo? O importante é que a cirurgia correu bem."
Ele tentou pegar na minha mão, mas eu afastei-a.
"Pedro, eu quero o divórcio."
As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse detê-las.
Mas no momento em que as disse, soube que eram verdadeiras.
O rosto do Pedro ficou pálido.
"O quê? Divórcio? Porquê? Por causa disto? Ana, foi uma emergência!"
"Uma emergência que te fez esquecer que a tua mulher estava prestes a passar por uma cirurgia de vida ou morte," eu disse calmamente.
"Isso não é justo! Eu não me esqueci! Eu só... tive de estabelecer prioridades."
"Exato," eu concordei. "E tu fizeste a tua escolha."
A porta do quarto abriu-se e a minha sogra, Lúcia, entrou, seguida por Sofia, que parecia perfeitamente saudável.
"O que se passa aqui?" Lúcia perguntou, a sua voz aguda. "Porque é que estás a perturbar o meu filho?"
Sofia olhou para mim com os seus grandes olhos inocentes.
"Cunhada, estás zangada comigo? Eu não queria causar problemas."
Eu olhei para os três. A família perfeita.
De repente, senti-me como uma estranha.
"Saiam," eu disse, a minha voz baixa mas firme. "Quero ficar sozinha."
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