
Renascida para a Ruína: A Vingança da Rainha da Máfia
Capítulo 3
Serafina POV
A Via Dutra era uma longa fita preta se estendendo para um nada impiedoso. O calor tremeluzia no asfalto, criando miragens que distorciam o horizonte.
Eu estava no banco do passageiro do SUV blindado de Dante. Ele dirigia, uma mão casual no volante, a outra descansando no console central a centímetros de sua arma.
Estávamos trabalhando juntos há três meses. Nesse tempo, tomamos três cassinos rivais e desmantelamos uma rede de tráfico humano que ousou se instalar em seu território.
Ele ainda não confiava em mim completamente. Mas ele me queria. Eu podia sentir no jeito que seus olhos me seguiam quando eu atravessava uma sala, no jeito que ele ficava um pouco perto demais, sua presença um peso pesado e magnético.
"Você está quieta hoje", disse Dante, sua voz quebrando o silêncio.
"Estou pensando", respondi.
"Sobre o quê?"
"Sobre o atirador."
Dante franziu a testa, olhando de soslaio para mim. "Que atirador?"
Na minha vida passada, eu li o relatório da polícia até as palavras queimarem em minhas retinas. *Dante Castilho, assassinado na Rodovia Presidente Dutra, cinco quilômetros após a divisa.* Um único tiro na cabeça. Foi o evento que mergulhou as famílias da costa no caos e permitiu que Lucas expandisse seu poder.
"Encosta o carro", eu disse, minha voz tensa.
Dante não diminuiu a velocidade. "Estamos atrasados para a reunião com o Cartel, Serafina. Pare de brincadeira."
"Eu não estou brincando!", gritei. "Encosta o carro agora!"
Quando ele não reagiu rápido o suficiente, agarrei o volante. Dante praguejou violentamente e pisou no freio. O SUV pesado derrapou até parar no acostamento de cascalho, a poeira subindo ao nosso redor como uma nuvem sufocante.
"Você enlouqueceu?", ele rosnou, virando-se para mim. Seu rosto estava contorcido em fúria e incredulidade.
"Abaixa!", gritei.
Não esperei que ele reagisse. Soltei meu cinto de segurança и me joguei sobre o console central, derrubando-o. Meu corpo cobriu o dele, pressionando-o com força contra a porta do motorista.
O vidro se estilhaçou um instante depois.
Um som como um trovão rasgou o ar. Senti uma dor quente e lancinante explodir no meu ombro esquerdo. O impacto me jogou com mais força contra Dante.
Outro tiro ricocheteou na lataria blindada do carro.
Dante se moveu instantaneamente. Ele me empurrou para o chão do carro, seu corpo agora cobrindo o meu, um escudo humano. Ele sacou a arma antes que eu pudesse processar a dor.
"Fica aí", ele ordenou. Sua voz era gelo puro.
Ele chutou a porta para abri-la e rolou para o asfalto. Ouvi três tiros rápidos. Depois, silêncio.
Apertei meu ombro. O sangue escorria pela minha blusa branca, quente e pegajoso contra meus dedos.
Dante apareceu na porta aberta um momento depois. Ele olhou para o sangue em minhas mãos. Seu rosto ficou pálido, uma expressão de horror genuíno que eu nunca tinha visto nele antes.
"Você levou um tiro", disse ele. Não era uma pergunta; era uma constatação devastadora.
"Eu te avisei", disse eu, com os dentes cerrados, lutando contra a tontura. "Eu te avisei sobre o atirador."
Ele se esticou e me puxou para fora do carro, levantando-me em seus braços como se eu não pesasse nada. Ele não olhou para o assassino morto na colina. Ele só olhava para mim.
"Por quê?", ele perguntou, a voz rouca. "Por que você fez isso?"
"Porque", eu ofeguei, a dor começando a fazer o mundo girar. "Eu preciso de você vivo, Dante. Temos um império para construir."
Ele pressionou a testa contra a minha. Sua pele queimava como se estivesse com febre.
"Você é minha, Serafina", ele rosnou contra minha pele, as palavras vibrando através de mim. "Está me ouvindo? Você não morre. Você não vai embora. Você me pertence agora."
Sorri fracamente antes que a escuridão me levasse.
Eu sabia. Esse era o plano o tempo todo.
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