
Renascida das Cinzas: Uma Nova Sofia
Capítulo 3
A fuga para o interior não me trouxe a paz que eu esperava. O ódio me encontrou. Na pequena cidade onde aluguei um quarto minúsculo, os olhares me seguiam na rua, os sussurros me alcançavam no mercado. As notícias online, alimentadas por Bruno e Larissa, continuavam a me pintar como um monstro.
"LADRA", "VIGARISTA", "DOENTE MENTAL".
Os comentários nas redes sociais eram como um veneno lento, pingando dia e noite na minha mente já exausta.
"Gente como ela devia estar na cadeia!"
"Espero que ela nunca mais consiga um emprego na vida."
"Ainda bem que o Bruno se livrou dessa louca."
Eu desligava o celular, mas as palavras ficavam gravadas na minha cabeça. A perseguição não era só virtual, era real, sufocante.
Durante uma consulta de pré-natal no posto de saúde local, a enfermeira que media minha pressão olhou para meu nome na ficha e depois para o meu rosto, com um reconhecimento lento e cruel.
"Sofia Reis... Ah, eu li sobre você", ela disse, com uma voz falsamente doce, cheia de uma piedade que feria mais do que qualquer insulto. "Que situação triste, não é? Você parecia ter um futuro tão brilhante. Uma pena ter se perdido assim."
Ela falava como se eu já estivesse morta, como se minha história já tivesse um fim trágico escrito e assinado. Eu não respondi, apenas senti as lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto enquanto ela amarrava a braçadeira no meu braço, seu toque profissional e distante. Eu era um caso perdido, um exemplo a não ser seguido.
O ponto mais baixo aconteceu durante uma feira de artesanato na praça da cidade. Eu estava tentando vender alguns bordados que tinha feito, um dinheiro mínimo para comprar comida. Uma mulher parou na minha frente, me encarando.
"Eu te conheço. Você é a estilista ladra da televisão."
A voz dela era alta, acusadora. As pessoas ao redor pararam para olhar. O ar ficou pesado.
"Senhora, isso é um engano...", comecei a dizer, mas minhas palavras foram cortadas.
"Engano? Meu marido perdeu o emprego na fábrica por causa de gente como você, que rouba e engana! Vigarista!"
De repente, senti um impacto molhado e gelado no meu rosto. Outra pessoa havia jogado um copo de refrigerante em mim. O líquido pegajoso escorria pelo meu cabelo, pelas minhas roupas. Alguém me empurrou por trás. Perdi o equilíbrio e caí no chão, batendo o cotovelo com força no paralelepípedo. A dor foi aguda, mas a humilhação foi pior.
Tentei me levantar, proteger minha barriga instintivamente.
"Por favor, parem... Eu estou grávida", sussurrei, a voz embargada.
Mas eles não ouviram, ou não se importaram. A multidão se fechou ao meu redor, um monstro de muitas cabeças gritando insultos. Senti um chute nas costas. Alguém jogou uma fruta podre que se espatifou perto da minha cabeça, o cheiro azedo me revirando o estômago. Eu era um animal acuado, um alvo para a fúria de todos.
No meio do caos, um carro de luxo freou bruscamente. A porta se abriu e Bruno saiu, vestindo um terno caro que parecia deslocado naquela cidade poeirenta. Ele correu na minha direção, abrindo caminho pela multidão com autoridade.
"O que vocês estão fazendo? Enlouqueceram? Deixem ela em paz!"
Ele tirou o paletó e o colocou sobre os meus ombros, me ajudando a ficar de pé. Seu toque era firme, protetor. Por um instante, uma parte estúpida de mim sentiu alívio. Ele tinha vindo me salvar.
Mas então eu olhei nos olhos dele. Não havia amor, não havia preocupação. Havia um brilho frio, calculista. O braço dele ao redor dos meus ombros não era um abraço, era uma corrente. Ele não veio me salvar. Ele veio garantir que eu não escaparia. A perseguição havia entrado em uma nova fase, mais perigosa e muito mais próxima.
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