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Capa do romance Renasci para Vingança: Coração Gelado

Renasci para Vingança: Coração Gelado

Traída por Cauã e Heloísa, Silvana perdeu tudo, inclusive seu filho, antes de morrer. Ao renascer no passado, ela volta com um coração gélido e sede de justiça. Embora o ex-noivo também tenha retornado, sua arrogância o impede de notar a mudança. Enquanto os traidores a subestimam, Silvana planeja recuperar o império do Avô Afonso. Ela não é mais a mulher vulnerável de antes; agora, sua prioridade é a própria felicidade através da ruína total de seus inimigos.
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Capítulo 3

Silvana Neves POV:

O caos aumentou, mas eu não ouvia mais os insultos. Minha mente já estava trabalhando, formando a próxima peça do meu tabuleiro. Minha boca abriu-se, pronta para soltar as palavras que chocariam a todos, que selariam o meu destino e, ironicamente, o deles. Eu iria anunciar. Iria dizer a todos que minha escolha não era Cauã. Que minha escolha... era Hugo.

Mas então, as palavras do Avô Afonso ecoaram na minha mente, claras como cristal. Ele havia me procurado secretamente, antes mesmo de eu renascer, antes de Heloísa e Cauã ousarem me humilhar novamente. "Silvana, há algo que você precisa saber sobre o meu testamento. É um segredo que deve ser guardado até o momento certo. Ninguém deve saber da sua decisão antes da hora. Especialmente não Cauã. Ele é astuto, mas previsível. Se ele souber, ele tentará sabotar. Espere o momento certo, e eu te darei o sinal."

Afonso Carrara havia me alertado sobre a voracidade da família, sobre a forma como eles se voltariam uns contra os outros por migalhas de poder. "Minha querida, a família é um ninho de cobras. E Cauã é a mais venenosa de todas. Não jogue suas cartas abertamente. Deixe-os subestimar você. Deixe-os rir. A risada deles se transformará em choro. Guarde a sua escolha, Silvana. É a sua maior arma."

Meu olhar passou de Hugo, ainda cambaleando no centro do salão, para Cauã e Heloísa, que agora o encaravam com um desprezo aberto. As palavras ficaram presas na minha garganta. Minha mão, que eu havia levantado instintivamente, baixou lentamente. A frustração me atingiu, mas eu sabia que o Avô Afonso estava certo. Eu tinha que ser paciente. Eu tinha que jogar o jogo deles, mas com as minhas próprias regras, e a minha própria linha do tempo. Eu não poderia estragar tudo agora.

Hugo, que havia fixado os olhos em mim com uma intensidade que eu nunca tinha notado antes, pareceu perceber minha hesitação. Um pequeno sinal de decepção cruzou seu rosto pálido antes que seus olhos voltassem para o chão. Ele esperava que eu o defendesse, ou talvez, que eu fizesse algo. Mas eu não podia. Não ainda.

Eu entendi a cautela do Avô Afonso. Ele não queria uma guerra aberta agora. Queria que Cauã e Heloísa caíssem por suas próprias mãos, por suas próprias falhas. Queria que o mundo visse a verdade sobre eles, não que eu simplesmente os derrubasse de uma vez. Era uma vingança mais sutil, mais devastadora. Uma que faria com que eles perdessem tudo, não apenas a fortuna, mas também a reputação, a dignidade. E eu era a peça central desse plano.

Eles não se importavam com a Silvana que amava e era humilhada. Eles só se importavam com a Silvana que era a chave para a fortuna Carrara. A herança era o único deus deles, e eu era apenas o portal. A cada risada, a cada insulto, eles reforçavam minha convicção de que não havia lugar para o amor incondicional nessa família. Apenas para o poder.

Eu respirei fundo, sentindo o ar frio preencher meus pulmões. Não adiantava discutir. Não adiantava tentar defender Hugo, ou a mim mesma. Eles já tinham suas narrativas prontas, suas conclusões tiradas. Minhas palavras seriam apenas mais munição para o desdém deles. Era hora de recuar, de deixar que eles continuassem a cavar suas próprias covas.

Com um aceno imperceptível da cabeça, eu me permiti ser o alvo de seus olhares zombeteiros, de seus sussurros cruéis. Eu permiti que rissem, que apontassem, que me chamassem de louca. Eu os deixei acreditar que haviam me quebrado, que haviam vencido. Porque a verdadeira vitória não seria gritada, mas sentida, quando o chão sob seus pés desmoronasse.

Minhas costas estavam retas, minha cabeça erguida. Eu dei um passo, depois outro, ignorando os olhares. Meus pés me levaram para fora do salão, para longe daquele circo cruel. Deixei para trás as risadas, os insultos, o cheiro de falsidade. Eu não me virei. Não olhei para trás. Eu estava saindo daquela cena, mas não daquele jogo. Eu estava apenas mudando o palco.

Para minha surpresa, quando o motorista abriu a porta do carro que me levaria de volta para casa, Heloísa já estava sentada no banco traseiro, sorrindo docemente. "Silvana, querida! Que bom que você veio. Fiquei preocupada em te deixar sozinha. Você sabe, as estradas à noite... e você estava tão chateada." Sua voz era um mel pegajoso, que me dava arrepios. Ela queria um acerto de contas, mais humilhação. Eu me sentei ao lado dela, mantendo uma distância segura, e o carro partiu.

Heloísa não perdeu tempo. Ela ergueu a mão, o colar de diamantes de Cauã brilhando em seu pescoço. "Olha só, Silvana! Não é lindo? Cauã me deu. Ele disse que me amava demais para não me dar o que eu queria. Você não acha que é a coisa mais linda que você já viu?" Sua voz era cheia de um orgulho mal disfarçado, de uma alegria infantil e cruel.

Os diamantes cintilavam sob a luz da rua que entrava pela janela do carro, quase me cegando com seu brilho excessivo. Cada faceta daquelas pedras parecia gritar a vitória de Heloísa, a minha derrota. Era um símbolo da sua usurpação, da sua conquista. Mas para mim, era apenas uma joia. Uma joia manchada de mentiras.

"Você sabe, Silvana", ela continuou, sua voz suave e doce, mas com um fio de aço por baixo. "Cauã sempre disse que eu era a única que realmente o entendia. Que meu amor era puro, diferente do seu, que era... bem, um pouco obsessivo, não acha? Ele me disse que nunca te amou daquele jeito. Que você era apenas um... acordo. Uma obrigação. Não deve ter sido fácil ouvir isso, não é?" Ela estava se deleitando com a minha suposta dor, tentando me esfaquear com palavras.

A lembrança me atingiu como um raio. O dia em que eu encontrei as mensagens de Heloísa no celular de Cauã. Mensagens cheias de palavras de amor, de planos de fuga. Eu estava grávida de dois meses, e ele havia me prometido um futuro juntos. Naquele dia, ele me disse que eu estava louca, que Heloísa era apenas uma amiga. Ele me fez sentir como se eu fosse a vilã, a louca ciumenta. E eu acreditei nele. E perdi tudo.

Heloísa havia orquestrado tudo. Ela sabia da minha gravidez. Ela sabia que eu era vulnerável. Ela havia se insinuado na vida de Cauã, sussurrando veneno no ouvido dele, pintando-me como a mulher obsessiva e controladora. Ela havia roubado meu futuro, meu bebê, minha sanidade. E agora, ela estava ali, sorrindo, exibindo seu prêmio, como se nada tivesse acontecido.

Eu lembro daquele dia, da dor lancinante no meu ventre, do sangue escorrendo entre minhas pernas. Eu liguei para Cauã, chorando, implorando para que ele viesse. Ele estava com Heloísa, claro. Ele disse que eu estava sendo dramática, que eu 'provavelmente inventei' a gravidez para prendê-lo. Naquele dia, eu perdi o meu filho. Naquele dia, eu morri por dentro.

Enquanto eu me afogava em luto e desespero, Heloísa florescia. Ela se tornou a 'amiga leal' de Cauã, a confidente, a mulher que o 'entendia'. Ela se mudou para a mansão dos Pessoa, sob o pretexto de 'cuidar' de mim, enquanto na verdade, ela consolidava sua posição ao lado de Cauã. Ela viveu uma vida de luxo e privilégios, enquanto eu definhava, presa na minha dor e na minha obsessão por um homem que nunca me amou.

Mas agora, tudo era diferente. Não havia mais dor, apenas uma fria clareza. Heloísa seria a primeira a cair. Ela havia cavado a própria cova com suas mentiras e sua crueldade. E eu, Silvana, seria a pá que a enterraria. Eu não a odiava. Eu a via como um inseto irritante, um problema a ser eliminado. Sem emoção, apenas estratégia.

Eu me virei para ela, um pequeno sorriso pousando nos meus lábios. Não era um sorriso de felicidade, mas sim um de pura ironia, de um predador que brinca com sua presa. Ela não entendeu. Seus olhos ainda brilhavam com a alegria da vitória. Sua presunção era infinita.

"Heloísa, querida", eu disse, minha voz suave, mas com uma borda afiada. "Você está certa. Cauã nunca me amou 'daquele jeito'. E você sabe por quê? Porque ele não sabe amar de verdade. Ele só ama o que pode controlar, o que pode possuir. E eu nunca fui nenhuma das duas coisas."

"Mas você, Heloísa", eu continuei, mantendo meu sorriso inabalável. "Você é perfeita para ele. Vocês dois se merecem. Eu realmente espero que vocês sejam muito felizes juntos. De verdade." Minhas palavras foram um veneno adocicado, uma bênção que era, na verdade, uma maldição disfarçada. Eu estava lhes dando a vitória que eles tanto ansiavam, sem perceber que era o primeiro passo para a sua ruína.

O sorriso de Heloísa vacilou por um segundo. Uma sombra de confusão passou por seus olhos. Ela esperava raiva, lágrimas, talvez uma tentativa de me agarrar a Cauã. Mas não essa calma, essa aceitação. Minhas palavras a desorientaram. Ela não sabia como reagir a uma Silvana que não lutava mais por Cauã.

Mas ela se recompôs rapidamente, seu sorriso voltando com força total. "Ah, Silvana, você é tão fofa quando tenta fingir que não se importa. Mas eu sei a verdade. Você está morrendo de inveja de mim, não está? De ter o Cauã, de ter tudo o que você sempre quis." Sua voz era um riso vitorioso, e ela ergueu o colar novamente, como um troféu.

Ela se inclinou para mim, seus olhos brilhando de malícia. "Cauã me disse que ele nunca se arrependeu de ter te deixado. E que ele mal pode esperar para me fazer a esposa dos seus sonhos. Você é passado, Silvana. Eu sou o futuro. E eu tenho o anel para provar isso. Literalmente."

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