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Capa do romance Renascer das Cinzas da Traição

Renascer das Cinzas da Traição

Eleonora via em Adriano seu porto seguro após o massacre de sua família, mas a chegada da barista Dafne destruiu sua vida. O marido, antes protetor, tornou-se um agressor cruel que a culpou pela perda do filho e tentou matá-la em um helicóptero em chamas. Dada como morta, ela assistiu ao luto falso dele enquanto ele a substituía. Agora, Eleonora ressurge das cinzas para retomar seu legado e destruir o homem que jurou amá-la, mas se tornou seu pior carrasco.
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Capítulo 3

Uma nova e quente onda de lágrimas escorreu pelo meu rosto. "Seu covarde!", eu gritei, minha voz abafada por minhas amarras. "Você usa meu trauma contra mim? Você é um monstro, Adriano! Um monstro patético e cruel!"

Ele riu, um som áspero e sem humor que arranhou meus nervos em carne viva. "Monstro? É assim que você me chama, Eleonora? Quem é o monstro aqui? A mulher que manipula, que pressiona, que destrói tudo em seu caminho? Ou o homem que finalmente explode depois de anos sendo arrastado pelo inferno pelo seu 'amor'?"

Ele se inclinou mais perto, seu hálito quente e rançoso de raiva. "E quanto a você, minha querida? O que você fez com aquela pobre garota? Você gostou de vê-la sofrer? Você se deleitou com o medo dela, assim como se deleita com o meu?" Suas palavras foram um ataque físico, cada uma um golpe de martelo em minha alma já estilhaçada.

Virei a cabeça, incapaz de encontrar seu olhar, incapaz de formar um pensamento coerente. Meu corpo tremia com soluços silenciosos, as lágrimas escaldando minhas bochechas. Cada fibra do meu ser gritava em agonia, uma mistura de dor física e devastação emocional.

Ele me observou por um momento, seus olhos demorando-se em minha forma trêmula. Por um segundo fugaz, pensei ter visto um lampejo de algo, um fantasma do homem que ele já foi, um indício de preocupação. Mas desapareceu, engolido pela escuridão que agora o consumia.

Com um rosnado, ele agarrou minha mandíbula, forçando minha cabeça para trás, seus dedos cravando-se em minha carne. Sua boca se chocou contra a minha, um beijo brutal e punitivo que tinha gosto de raiva e sangue. Foi uma violação, violenta e humilhante, um contraste gritante com os beijos ternos que ele uma vez me deu.

Ele se afastou, seus olhos queimando nos meus. "Você se acha tão pura, tão injustiçada?", ele rosnou, sua voz um rosnado baixo. "Foi você quem me quebrou, Eleonora. Foi você quem envenenou nossa vida. E agora, você vai pagar o preço."

"Eu não vou te deixar", ele declarou, sua voz plana, assustadoramente desprovida de emoção. "Ainda não. Mas você vai aprender o seu lugar, Eleonora. Você vai aprender a se arrepender de cada escolha egoísta que fez."

Ele fez uma pausa, um brilho cruel em seus olhos. "Dafne perdeu nosso filho hoje. Por sua causa." Suas palavras foram uma nova facada, torcendo a faca já em minhas entranhas. Meu estômago se contraiu, uma onda de náusea me invadindo.

Ele não esperou por minha resposta. Ele se moveu com uma eficiência brutal, suas ações desprovidas de calor, de paixão, de qualquer coisa que se assemelhasse ao amor. Foi um ato de domínio, de punição, forçando-me a arcar com as consequências de sua percepção distorcida. Quando terminou, ele se afastou com um estremecimento de nojo, o rosto uma máscara de repulsa. Ele saiu do quarto sem uma palavra, a porta pesada batendo atrás dele, deixando-me amarrada, quebrada e totalmente sozinha.

Os dias seguintes se transformaram em um ciclo agonizante de medo e degradação. Ele vinha, geralmente tarde da noite, sua presença um presságio de novo tormento. Ele nunca falava, o rosto uma máscara de pedra, suas ações frias e deliberadas. Ele infligia dor, tanto física quanto emocional, um ataque implacável ao meu corpo e ao meu espírito. Cada vez que ele saía, sua partida era marcada por um silêncio arrepiante, a porta pesada se fechando, deixando-me no vazio ecoante do quarto.

Ele nunca usou proteção. Um ato deliberado de crueldade, uma afirmação silenciosa de seu controle, um lembrete constante da minha impotência. Era um jogo vicioso, um jogo de poder distorcido, e eu era apenas um peão em seu xadrez sádico. Cada vez, ele saía imediatamente depois, um estremecimento de nojo acompanhando sua retirada, como se minha presença por si só fosse uma contaminação.

Então veio a manhã em que acordei com uma estranha agitação no estômago. Um tremor minúsculo e esperançoso em meio ao desespero. Consegui convencer uma empregada subornada a me conseguir um teste de gravidez. As duas linhas rosas me encararam, um respingo chocante de cor em meu mundo monocromático. Grávida.

Uma bolha frágil e hesitante de alegria, tão estranha neste pesadelo, inchou em meu peito. Um filho. Nosso filho. Talvez, apenas talvez, isso pudesse mudar as coisas. Um bebê, um símbolo de novos começos, uma ponte de volta ao homem que ele já foi. Ele não poderia rejeitar sua própria carne e sangue. Ele não poderia possivelmente ainda me odiar se eu carregasse seu filho.

Agarrei o teste, meu coração batendo com uma mistura de terror e esperança. Eu tinha que contar a ele. Eu tinha que fazê-lo ver.

A porta se abriu com um estrondo, estilhaçando minha frágil esperança. Adriano estava lá, não sozinho. Dois seguranças corpulentos o flanqueavam, seus rostos impassíveis, sua presença irradiando ameaça. Meu sangue gelou. A esperança, tão fugaz, evaporou, substituída por uma premonição arrepiante.

Ele não falou. Ele simplesmente gesticulou para os seguranças, seus olhos queimando com uma resolução fria e implacável. Eles avançaram, seus passos pesados ecoando no quarto silencioso. Meu coração batia contra minhas costelas, um tambor frenético contra a ameaça iminente.

"Não!", eu gritei, lutando contra minhas amarras, minha voz crua de terror. "Adriano, pare! Por favor! Estou grávida! É seu bebê!"

Ele parou, um sorriso cruel tocando seus lábios. "Grávida?", ele zombou, seus olhos desprovidos de calor. "E você acha que isso muda alguma coisa? Você acha que eu quero um filho de uma mulher quebrada e instável como você?"

"É seu!", eu implorei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Nosso bebê! Seu sangue, Adriano! Por favor, não faça isso!"

Seu sorriso se alargou, uma careta arrepiante e sem humor. "Meu sangue?", ele zombou, sua voz pingando desprezo. "Você não se lembra, Eleonora? Eu nunca quis um filho com você. Não depois do que aconteceu com sua família. Eu preciso de um novo começo. Uma linhagem pura. Algo que você nunca poderia me dar."

Ele se inclinou mais perto, seus olhos queimando nos meus. "Você está manchada, Eleonora. Danificada. E eu não terei meu legado manchado por alguém como você. Não mais." Suas palavras foram um golpe cruel e calculado, rasgando os últimos vestígios da minha dignidade. "Livre-se disso", ele ordenou, sua voz fria e absoluta. "Agora."

Os seguranças avançaram, suas mãos me alcançando. Parei de lutar. A luta me deixou, drenada por suas palavras brutais, pela pura e inflexível crueldade de seu olhar. Fechei os olhos, uma rendição silenciosa. Não havia mais nada pelo que lutar.

Meu corpo convulsionou, uma dor lancinante me rasgando, torcendo minhas entranhas. Memórias, fracas e distantes, piscaram em minha mente. Adriano, me abraçando, sussurrando promessas de um futuro, de uma família. Sua mão em meu estômago, uma carícia suave e terna. Um dia, Eleonora. Quando você estiver pronta. Quando nós estivermos prontos. A ironia era um gosto amargo em minha boca, misturando-se com o sabor metálico de sangue.

A vida dentro de mim, tão recém-formada, tão fugazmente esperada, arrancada. Um grito silencioso rasgou minha alma, mas nenhum som escapou de meus lábios. Apenas uma rendição silenciosa e agonizante.

Os seguranças, seus rostos impassíveis, afrouxaram minhas amarras. Eles me levantaram, meu corpo mole e quebrado, e me carregaram para fora do quarto. Enquanto eles se moviam pelo corredor, meus olhos, pesados e desfocados, vislumbraram Adriano. Ele estava perto da janela, de costas para mim, o braço em volta de Dafne. A cabeça dela estava aninhada em seu ombro, o rosto virado para o dele, um sorriso suave em seus lábios. Eles eram uma imagem de contentamento sereno, alheios à carnificina que haviam causado.

Minha visão embaçou, mas não antes de eu ver sua cabeça se inclinar, seus lábios roçando o cabelo dela. Um gesto de ternura, de intimidade, roubado de mim, agora concedido a ela. Um nó frio e duro de ódio se torceu em minhas entranhas. Meus olhos, antes opacos de desespero, agora queimavam com um fogo arrepiante.

Eu não era mais Eleonora. Eu era uma casca vazia, preenchida apenas por uma necessidade crua e ardente de vingança. Minha mente, afiada e clara apesar da agonia, começou a formular um plano. Eu precisava do meu irmão.

Uma única mensagem de texto, enviada de um celular descartável que eu havia escondido meses atrás, foi enviada. Daniel. Preciso da droga. Aquela de que falamos. Agora.

Ele pagaria. Adriano Barros pagaria por cada hematoma, cada lágrima, cada pedaço estilhaçado da minha alma. Ele me queria fora? Tudo bem. Eu desapareceria. Mas não antes de orquestrar uma morte tão espetacular, tão absolutamente devastadora, que ele nunca mais conheceria um momento de paz. Ele testemunharia minha morte, minha queda final e trágica. Ele carregaria o peso do meu fantasma, um tormento constante, até seu último suspiro. Ele viveria uma vida assombrada pela minha memória, pela dor fantasma do que ele destruiu. E então, só então, meu verdadeiro trabalho começaria.

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