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Capa do romance Renascer das Cinzas: A Grande Volta do Arquiteto

Renascer das Cinzas: A Grande Volta do Arquiteto

Após um acidente, acordo sem memórias e descubro que meu noivo, o mafioso Dante Moretti, me deixou queimar para salvar outra mulher. O que parecia amnésia tornou-se minha libertação ao ver sua negligência e as armações de sua protegida, Valéria. Cansada de ser descartada, fujo para o Rio de Janeiro em busca da proteção de seu rival, Enzo Falcone. Quando Dante ressurge implorando perdão, percebo que esquecê-lo foi o único momento de paz em minha vida.
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Capítulo 1

Acordei em um quarto de hospital estéril, sem nenhuma lembrança do homem com uma aparência letal que andava de um lado para o outro do lado de fora do vidro. Minha amiga me disse que ele era Dante Moretti, o Subchefe da Família em São Paulo, e o noivo que eu supostamente idolatrei por sete anos.

Mas a verdade me estilhaçou mais rápido que a batida do carro.

Quando nosso comboio foi emboscado e o carro pegou fogo, Dante não me tirou de lá. Ele escolheu salvar Valéria — a viúva de um soldado por quem ele se sentia culpado — me deixando para queimar no banco de trás. Ele chamou isso de "decisão tática". Eu chamei de sentença de morte.

Eu pensei que perder a memória era uma maldição, mas foi um presente. Despiu a ilusão do amor.

Eu vi um homem que me tratava como um móvel útil. Eu vi uma rival em Valéria, que sorria com deboche enquanto roubava meu cargo e meu lugar. Quando ela ateou fogo em um quarto para me incriminar, Dante a salvou de novo, me deixando para sufocar na fumaça. Ele até me marcou como ladra na frente de todo o Conselho para proteger as mentiras dela.

Ele achou que eu estaria sempre lá, a estátua obediente esperando por suas migalhas.

Ele estava errado.

Fugi para o Rio de Janeiro e fui direto para os braços de seu inimigo mortal, Enzo Falcone. Um homem que não apenas prometeu me proteger, mas atravessou o fogo para fazer isso.

Meses depois, quando Dante finalmente percebeu a verdade e se arrastou de volta para mim na chuva, implorando por uma segunda chance, eu o encarei bem no fundo dos olhos.

"Esquecer você foi a única paz que eu conheci."

Peguei a mão de Enzo, deixando Dante ver exatamente o que ele havia perdido.

"Lembrar de você só confirmou que você é um erro que eu nunca mais vou cometer."

Capítulo 1

Siena Vitalle POV

O médico me pediu para dizer o nome do Presidente, o ano atual e o nome do meu noivo.

Mas quando ele apontou para o homem com uma aparência letal que andava de um lado para o outro do lado de fora do vidro como um tigre enjaulado, eu não senti nada além de um silêncio oco onde um nome deveria estar.

Minha cabeça latejava em um ritmo violento, sincronizando perfeitamente com o bipe agudo do monitor ao lado da minha cama.

Olhei para o homem de novo.

Ele era terrivelmente lindo, irradiando o tipo de poder sombrio e contido que geralmente vinha com uma arma carregada e um desejo de morte.

Ele usava um terno de grife que provavelmente custava mais que o salário anual de um cirurgião, mas estava arruinado — amarrotado, manchado de poeira e sangue seco.

Eu deveria conhecê-lo.

Meu coração deveria estar acelerado de amor, ou medo, ou adrenalina. Qualquer coisa que não fosse esse distanciamento frio e clínico.

"Eu não o conheço", sussurrei, minha garganta parecendo arranhada, como se eu tivesse engolido cacos de vidro.

O médico rabiscou algo em sua prancheta, sua expressão séria.

"Amnésia retrógrada, localizada em conexões emocionais específicas", ele murmurou, mais para si mesmo.

A porta se abriu com um estrondo antes que ele pudesse explicar mais.

Uma jovem com uma profusão de cachos selvagens e bochechas manchadas de lágrimas entrou correndo.

"Siena! Meu Deus, você acordou."

Ela me abraçou, tomando cuidado para evitar as bandagens em volta das minhas costelas e o acesso intravenoso preso na minha mão.

Eu me encolhi, meu corpo enrijecendo instintivamente com o contato.

"Giulia?", perguntei, o nome flutuando da névoa cinzenta da minha memória.

Ela se afastou, seus olhos arregalados, procurando meu rosto.

"Você se lembra de mim?"

"Sim", eu disse, me ajeitando para aliviar a pressão aguda no meu lado. "Você é Giulia Moretti. Estudamos juntas no colégio interno. Você odeia azeitonas e ama carros antigos."

Ela soltou uma risada úmida e aliviada, limpando o nariz com as costas da mão.

"Graças a Deus. Pensei que você tinha esquecido de todo mundo."

Seu olhar se voltou para a parede de vidro, onde o homem ainda andava de um lado para o outro.

"Você... você sabe quem é aquele?"

Segui seu olhar.

"Não. Quem é ele?"

O rosto de Giulia se abateu, uma mistura de pena e incredulidade tomando conta de suas feições.

"Aquele é o Dante. Meu irmão."

O nome não significava nada para mim.

"Ele é o Subchefe da Família Moretti de São Paulo", ela sussurrou, inclinando-se para mais perto como se as paredes tivessem ouvidos. "E ele é seu noivo."

Eu encarei o estranho.

"Noivo?"

"Você é obcecada por ele há sete anos, Siena. Você se moldou na estátua perfeita para ele. Você aprendeu sobre seus inimigos, suas preferências de uísque, sua lista de alvos. Você administra a fundação de arte da Família só para se tornar útil para ele."

Eu ouvia suas palavras, mas pareciam uma história sobre outra pessoa.

Uma estranha patética.

"Por que estou aqui?", perguntei, gesticulando para o quarto de hospital estéril.

"Sofremos uma emboscada", disse Giulia, sua voz baixando para um sussurro. "Um ataque ao comboio. Na Rodovia dos Bandeirantes."

"E ele...", apontei para o vidro. "Ele me trouxe para cá?"

Giulia hesitou, mordendo o lábio até ficar branco.

"Não exatamente."

"Me diga."

"Ele teve que fazer uma escolha", ela disse baixinho, as palavras pesando no ar. "O carro estava capotando. Você estava no banco de trás. Valéria estava na frente."

"Valéria?"

"A... amiga dele. A viúva de um soldado a quem ele devia um favor."

Senti um arrepio de alerta na base do meu pescoço.

"Ele tirou a Valéria primeiro", confessou Giulia, incapaz de me encarar. "O carro pegou fogo antes que ele pudesse voltar para você. A explosão te jogou para longe, mas... você bateu a cabeça. Forte."

Olhei para minhas mãos.

Estavam esfoladas, as unhas quebradas e irregulares.

Então, meu noivo me deixou em um carro em chamas para salvar outra mulher.

Giulia pegou minha mão.

"Ele achou que você estava segura, Siena. Ele tem um complexo de salvador com ela. É complicado."

Não parecia complicado.

Parecia que eu era descartável.

Peguei o smartphone com a tela trincada que estava na mesa de cabeceira.

"Você sabe a senha?", perguntei.

Giulia assentiu.

"É o aniversário dele. 14 de outubro."

Digitei 1014.

A tela desbloqueou.

Meu estômago revirou.

O papel de parede era uma foto espontânea dele olhando pela janela, pensativo.

Abri a galeria, e a bile subiu pela minha garganta.

Era um santuário.

Centenas de fotos dele. Ele tomando café. Ele entrando em reuniões. Ele me ignorando.

Havia notas no aplicativo, um manifesto do meu próprio desespero.

Dante odeia amarelo. Usar azul.

Dante é alérgico a frutos do mar. Checar o cardápio duas vezes.

Aniversário da mãe do Dante — comprar lírios brancos.

Li a lista da minha própria servidão.

Sete anos.

Eu passei sete anos me curvando para um homem que me deixou para queimar.

O nojo subiu pela minha garganta, amargo e ácido.

Eu não sentia amor por esse homem.

Eu sentia como se estivesse olhando para as evidências de uma cena de crime onde eu era a vítima.

"Siena?", Giulia perguntou suavemente. "Você está bem?"

Olhei para ela, minha visão clara pela primeira vez no que pareceu uma vida inteira.

"Estou bem", eu disse, minha voz assustadoramente firme.

Selecionei a primeira foto.

Apagar.

A segunda.

Apagar.

Fui para as configurações e selecionei 'Apagar Tudo'.

A tela ficou preta por um instante, depois atualizou, lindamente vazia.

Olhei para o homem através do vidro uma última vez.

Ele parou de andar e cruzou o olhar comigo.

Seu olhar era frio, como a superfície de um lago congelado.

Ele não parecia aliviado.

Ele parecia irritado por eu estar demorando tanto para me recuperar.

Virei-me para longe dele.

"Me passa o telefone, Giulia", eu disse. "Preciso ligar para minha mãe."

"O que você vai dizer?"

"Vou dizer a ela que o casamento ainda está de pé", eu disse, encarando a parede branca e vazia.

Giulia ofegou.

"Você acabou de dizer que não se lembra dele!"

"Não lembro", eu disse, sentindo o fantasma de uma dor de cabeça pulsando atrás dos meus olhos.

"Mas uma Vitalle nunca quebra um contrato. Vou me casar com ele pela aliança."

Fiz uma pausa, meus dedos roçando a bandagem na minha cabeça.

"Mas cansei de amá-lo."

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