
Redenção: Coração Ardente
Capítulo 2
Alef estava impassível, já se passara dois anos em confinamento. Dois anos em que seu povo foi escravizado. Dois anos em que seus pais foram brutalmente assassinados. Dois anos, no qual ele planejou sua revolta.
Era a única chance dele e de todo o seu povo injustiçado e brutalizado acabarem com a tirania de Impetu. Seu plano tinha como base: distração, cautela e pura sorte. Mas, o que eles iriam perder? Já tinham ceifado a vida de seus entes queridos e tomado posse de sua liberdade; O povo de Canário não perderia nada, o "pior" que poderia acontecer é terem suas vidas levadas pela sombria morte, na qual encontrariam com seus Deuses.
Ao anoitecer, Alef retirou a *gazua de suas vestes e cuidadosamente forçou a fechadura de sua cela. Um prisioneiro que estava na cela ao lado começou a gritar alertando os guardas sobre a fuga. Não demorou muito para os guardas chegarem e impedirem que Alef arrombasse a cela. Um dos guardas golpeou-o bem forte, fazendo ele perder o equilíbrio, de prontidão o segundo guarda conteve Alef e o arrastou para fora da cela. “Me solta seu verme insolente!”- gritou Alef, tentando se desvencilhar.
O primeiro guarda golpeou-o novamente, porém com mais força.
“Cala-boca! Canário miserável!” – gritou o guarda.
Ao ser golpeado, Alef perdeu a consciência e a recobrou quando se encontrava em uma sala úmida, fria e pouco iluminada. – “Calabouço.” – pensou o mesmo.
Alef sentiu algo forte pressionando seu pulso, ao olhar viu que estava suspenso por uma corrente. Sua cabeça latejava de dor, mas ele não sabia definir se era por causa dos golpes ou por estar pensando loucamente em seus planos.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho estrondoso. – “Alguém está entrando!” – pensou esperançoso, ao mesmo tempo que temia por sua vida.
*Gazua: Item utilizado para forçar fechaduras, geralmente feita de ferro.
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