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Capa do romance RECOMEÇO - O que fazer quando a vida nos mostra dois caminhos?

RECOMEÇO - O que fazer quando a vida nos mostra dois caminhos?

Após enfrentar uma tragédia familiar devastadora, Susan retorna à sua cidade natal para reconstruir sua trajetória. Com o coração fragilizado, seu foco inicial é apenas a criação dos filhos e a estabilidade profissional. Contudo, o destino reserva surpresas que desafiam seus planos. Ao confrontar traumas antigos e reencontrar o passado de forma inesperada, ela descobre que é possível superar o medo e se permitir amar novamente, vivendo um recomeço emocionante.
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Capítulo 2

Mais tarde, por volta das onze horas da manhã, recebo a visita da diretora Gertrudes em minha sala. Ela ficou parada na porta, com os olhos esbugalhados, sem dizer nada. O desespero em seu rosto está me deixando apavorada.

- Aconteceu alguma coisa, Gertrudes? – Pergunto apreensiva.

Ela só concorda com a cabeça.

- Alguma coisa com Manu? – Pergunto por minha filha, porque estou dando aula na sala de Ben, então, tenho plena certeza de que meu filho está bem.

Ela negou, balançando a cabeça, e falou:

- Por favor, Susan... Eu preciso muito falar com você querida, mas tem que ser aqui fora.

- Claro! – Apresso-me em dizer, e me dirijo à sala logo em seguida – Continuem fazendo a lição. – Fiz menção de sair, mas voltei a olhá-los novamente para reforçar o aviso. – Ah! E, por favor, não conversem.

Caminho até a porta, com o coração acelerando dentro do peito, a cada passo que dou. Alguma coisa havia acontecido e pela reação de Gertrudes, com certeza, algo de muito grave. Mesmo ela tendo negado, - e conhecendo a minha pequena como eu a conheço - alguma coisa me diz que tem a ver com Manuela... Temi por minha filha.

Quando chego do lado de fora da sala, percebo que tem mais alguém com ela. O professor Antunes, um senhor de meia idade, franzino e de cabelos grisalhos, e outro homem que eu não conheço. Olho para eles assustada e apreensiva.

- Com licença. – disse o professor Antunes, fechando a porta atrás de mim.

Eu me mantenho parada no mesmo lugar, e acompanho com o olhar o movimento que ele faz. Quando Gertrudes começa a falar, volto minha atenção para ela.

- Susan eu... Na verdade... - Imediatamente, eu sinto uma angústia na voz dela. Eu a observo inspirar, criando coragem para falar o que tanto a aflige. - Ah meu Deus, eu não sei nem por onde começar!

Eu não estava com medo ou apavorada, ainda; eu estava naquela linha tênue de apreensão.

Um silêncio se instalou no corredor, depois da tentativa frustrante do início da conversa, e isso me deixou ainda mais angustiada.

- Gertrudes, você está me assustando. Por favor, diga logo de uma vez o que está acontecendo!

Meu olhar passa rapidamente dela para o homem estranho parado ao seu lado, e em seguida, volto a encará-la.

Depois de ver o quanto eu estou aflita, ela decide continuar:

- Aconteceu um acidente. – Sua voz saiu receosa. Vi formar poças de lágrimas em seus olhos.

- Manu?! – Pergunto, com certa exaltação na voz.

- Não querida! – Meneou a cabeça. – Manuela está bem. O acidente foi com outra pessoa... – e hesitou um pouco antes de concluir: - Foi com seu marido.

- Com o Téo?!

- Sim. – Ela engoliu forçadamente, contendo o choro, e fez sinal com a cabeça para o homem, pedindo para ele dar continuidade ao assunto.

Nessa hora eu senti como se tivesse engolido uma pedra grande, e ela estava alojada em meu estômago. Eu sabia que tinha acontecido algo de errado, só não sabia ainda a dimensão do problema.

E o homem, prontamente, se dirigiu a mim.

- Senhora Milano - Começou falando, e minha atenção ficou completamente voltada para ele. - Eu me chamo Luca Soares e sou funcionário do aeroporto internacional. Ligamos várias vezes para seu celular, mas como não obtivemos sucesso...

- Ele está desligado dentro da bolsa. – Precipito-me em dizer.

- Sim. Eu imaginei que seria esse o motivo. – respondeu ele, inalterável. - Como eu estava dizendo: procuramos outro meio de entrar em contato com a senhora. Então, depois de uma busca no celular do seu marido, encontramos o número da escola a qual a senhora trabalha e decidimos ligar para cá.

Eu estou completamente atônita, sem reação. A única coisa que consigo pensar nesse momento é em Téo, e nos nossos filhos.

O homem continua:

- Infelizmente senhora, as notícias que trago não são boas.

- O que aconteceu com meu marido? Ele está bem, não está? – Eu o questiono suplicante. - Nós saímos de casa hoje cedo e Téo estava bem... Eu vi!

- Calma Susan! Por favor, deixe-o terminar. – pediu gentilmente Gertrudes, colocando sua mão sobre a minha.

E o homem prosseguiu falando calmamente, como se estivesse recitando uma poesia, mas percebo que ele faz isso para não me deixar mais nervosa do que eu já estou. O que era praticamente impossível, porque, por dentro, eu sentia todos os meus ossos tremerem.

Atento-me a olhá-lo.

- Senhora… o seu marido não chegou a embarcar no avião. Testemunhas contaram que, enquanto ele estava na fila do check-in falando ao telefone, teve um mal súbito e desmaiou. Um médico, que também iria fazer check-in, estava próximo a ele e tentou reanimá-lo algumas vezes, mas... – ele faz pausa e meus olhos ficam tão fixos nele, que até parece que eu quero ler sua mente. Ele seguiu de onde parou: - seu marido não reagiu. Sinto muito!

- Não! – Recuso-me a acreditar. – Não, não, não pode ser! Eu vi meu marido hoje de manhã e ele estava bem! - Afirmo mais uma vez, olhando para Gertrudes. - Meu Téo estava bem.

Vejo dó em seu rosto.

Aperto as mãos contra o peito, como se esse gesto fosse capaz de fazer a dor parar. Sentindo como se o ar estivesse escapando dos meus pulmões, murmurei o nome dela em angústia.

– Gertrudes! - Meus olhos estão suplicando, para que ela desminta o absurdo que esse homem acabou de dizer, mas posso ver nitidamente em seu olhar piedoso que tudo é verdade.

Téo se foi. Ele se foi! Mas como?

Fico devastada. Sinto o chão se abrir debaixo dos meus pés e uma dor imensa invadir meu peito, como se alguém acabasse de arrancar o meu coração fora. Posso ouvi-los falando palavras de conforto, tentando me manter calma, mas eu estou em choque. O desespero toma conta de mim e lágrimas correm em meu rosto como torrentes, e nesse momento, especificamente, eu não sei mais o que aconteceu. Eu só sei que gritei, eu berrei tão alto que pude ouvir minha voz ecoar pelo corredor. E eu lamento. Lamento amargamente aquela dor horrível de ausência.

E aos quarenta anos de idade, meu Téo se foi e me deixou só. Perdi meu marido... Perdi o amor da minha vida. Para sempre!

E o que se seguiu depois disso, foi só um borrão escuro e eu não vi mais nada.

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