
RECOMEÇO ( Amores turcos)
Capítulo 3
Volkan estava perdido em pensamentos, enquanto Demir explicava os termos do contrato dos novos clientes. Na reunião daquela manhã, o advogado lembrou do convite que Aslı fez a ele.
Tirou a carteira do bolso do paletó e pegou o cartão de visitas que a moça lhe entregou.
Leu o endereço e viu que o lugar era próximo da escola que a filha da jovem estudava.
— Seria ela solteira? Casada? Existia alguém em sua vida? Volkan pensava em Aslı que não percebeu o primo falando com ele.
— Volkan se ganharmos essa causa, eu vou conseguir quitar meu apartamento. O valor é altíssimo.
Demir era primo e melhor amigo de Volkan. Dos 3 sócios, a porcentagem menor na sociedade era dele e por várias vezes o homem abriu mão dos honorários em algumas causas para o primo poder ganhar um valor maior.
Claro que em todas às vezes o pai de Volkan reclamou porque para Aslan, o primo era apenas um caso de caridade, já que o irmão mais novo do homem, quando vivo, acabou acumulando dívidas de jogos e com agiotas.
— Irmão está tudo bem? Demir perguntou se acontecera algo, já que na reunião mais cedo ele quase não falou.
— Tudo, sim, eu estava apenas pensando em Yiğit. Até agora Zeyno não me ligou e conhecendo a minha irmã, me preocupo dela esquecer o menino no colégio. — Vou para o meu escritório, ligar para aquela mocinha e saber se Yiğit já está em casa.
— Saímos para o almoço daqui a 20 minutos? Volkan perguntou ao primo.
Demir respondeu que sim e que Cemil não iria com os dois. Com o problema da cunhada, o homem decidiu tirar o restante do dia de folga e só foi para o escritório naquela manhã porque a presença dos três sócios era necessária.
— Volkan antes de você sair, gostaria de saber como Cansu está? Quer dizer, você chegou e não tocou no nome dela, Cemil me disse que ela teve que ficar em observação. Me desculpa se meter no seu noivado, mas se não existe amor porque não termina tudo de uma vez?
Volkan não queria falar da noiva, o encontro com Aslı o fez esquecer completamente dela, e só em imaginar que ao chegar na mansão o pai iria começar o sermão de sempre, ele queria sumir nem que fosse por um dia.
— Demir, eu não quero falar sobre isso agora, vou ligar para Zeyno e te espero para irmos almoçar.
Volkan saiu em direção ao seu escritório mais com o pensamento ainda em Aslı.
***************
— Mamãe, eu conheci um novo amiguinho na escola, e ele não tem mãe assim como eu não tenho pai.
Şymal e Aslı estavam em casa preparando o almoço, Elif ficou na padaria para terminar uma encomenda e Ômer não almoçaria com elas.
— Como foi a apresentação e me conta sobre esse seu amigo?
Aslı e Şymal colocaram os pratos na mesa e a menina arrumou a jarra de suco. Aslı colocou a travessa com a massa, o prato favorito da sua menina.
— Foi tudo lindo e todos gostaram dos doces e do bolo que a tia fez. Os colegas de hoje eram engraçados e o meu coleguinha, é mais novo que eu. — Pena que não perguntei o nome dele, agora nunca mais vou encontrar ele de novo.
— Não fica assim filha, talvez um dia vocês dois possam se reencontrar e brincar novamente. Agora vem almoçar, que hoje à tarde sua tia entregará uma encomenda grande e eu terei que fechar a padaria.
— Vou te deixar no ballet e seu tio irá te buscar. Ômer me avisou que não trabalhará hoje à noite.
— Tá bem, mamãe, vou almoçar e depois trocar de roupa.
Volkan e Yiğit conversavam ao telefone. Os 20 minutos se tornaram quase 30 e o filho não parava de falar da amiguinha com jeito de anjo, que ela era engraçada e que assim como ele não tinha mãe, ela não tinha pai.
— Meu leão, agora o papai precisa mesmo desligar, estou atrasado para o almoço. Passa o telefone para sua tia.
— Tudo bem, papai, mas promete que não vai chegar tarde? — Yiğit perguntou do pai.
— Não posso prometer, mas seu pai vai tentar, agora deixa eu falar com tia Zeyno.
O menino passou o celular para a irmã de Volkan e o advogado perguntou como foi tudo e se o menino realmente havia se comportado bem.
— Irmão, se acalma que meu sobrinho está muito bem. Cheguei no horário marcado e me parabeniza que encontrei o lugar sozinha, claro que o GPS me salvou, mas foi tudo tranquilo.
Volkan riu da irmã ao falar que “ela encontrou uma escola sozinha”, já que sua caçula era tratada como uma princesa pelo pai.
— Parabéns, super tia, você vai ficar na mansão agora à tarde? Yiğit me disse pela manhã que vocês dois vão montar um novo quebra cabeça. Aconteceu algo para você estar em casa?
— Não aconteceu nada, só quero passar um tempo com meu sobrinho e está tudo tranquilo na loja hoje. Ah, quase esqueço de te avisar, Cansu me ligou, me contou o que aconteceu e me perguntou se você encontrou outra pessoa.
— Volkan, por que não acaba logo com esse compromisso? Você não a ama e sofre apenas para agradar nosso pai.
— Irmã… não quero falar sobre isso e agora vou desligar que Demir está me chamando.
Volkan desligou o telefone, pegou o seu paletó e vestiu, pegou o celular e a carteira e ao colocar no bolso, algo caiu e ele viu o que era.
— Se eu aparecer hoje no trabalho dela, será que ela vai gostar?
Volkan ficou pensativo por uns segundos, olhou para o pote de biscoitos, que ela entregou para ele, e guardou o cartão novamente. Era melhor esquecer aquela jovem.
***********
— Quantas vezes tenho que te falar o mesmo, Cansu? Você precisa conquistar o coração de Volkan e não afastar ele de você.
Bahar, a irmã de Cansu, entrou no quarto da jovem como um furacão.
— Quando seu noivo me ligou, informando o que aconteceu e que vocês estavam no hospital, tem ideia de como me senti?
Cansu estava cansada da irmã, daquele noivado sem amor e de tentar conquistar um homem que não dava a mínima para ela.
A irmã e o mesmo discurso de sempre, o cunhado que insistia no noivado e o sogro que planejava o casamento.
Tudo isso era demais para a jovem que, em um momento de desespero, quando Volkan chamou a noiva para conversar e avisou que queria terminar tudo, se desesperou e tentou se matar.
Cansu queria apenas continuar sua vida em Londres, como era atrás, quando era uma jovem recém-formada, havia conseguido um bom trabalho numa grande empresa. Mas, a irmã não perdia a oportunidade de jogar na cara tudo o que havia feito por ela.
— O que você quer que eu faça? Que eu me jogue para cima dele? Volkan não me ama, Volkan não me quer. É simples assim e você não consegue entender. O meu desespero foi por essa sua reação.
— Se você deixasse eu viver a minha vida, como quero, te garanto que não estaria assim agora.
— Você queria o quê? Que eu te deixasse ficar com aquele pobretão que não tem nada para te oferecer? Acha que tolero o seu cunhado todos esses anos para nada?
— Convenci Aslan a te aceitar como nora, te coloquei nos melhores colégios para um dia você se tornar a esposa de Volkan. Então você vai agora mesmo levantar dessa cama, almoçar comigo e seu cunhado, colocar seu melhor sorriso e depois vai para a mansão.
— Aquela tonta da Zeynep está em casa cuidando do pirralho e você vai chegar lá com sua expressão mais triste.
— Irmã não me obrigue, por favor. Volkan nem mesmo ligou para saber de mim. Tive que falar com Zeynep, só para que você não brigasse comigo.
Bahar andava nervosa pelo quarto da irmã. Um descuido de Cansu e tudo que ela lutou por anos e anos seria destruído como um castelo de areia.
— Cemil me contou que ele chegou atrasado no escritório e estava pensativo durante a reunião. Agora vai se trocar, seu cunhado está lá embaixo te esperando para o almoço.
Bahar saiu do quarto e Cansu pegou o celular, precisava falar com ele, precisavam se encontrar naquela noite.
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