
Reclamada Por Dois
Capítulo 2
__ Ângela!!!Ângela!!!!-Raquel grita apavorada ao ver sua amiga completamente inerte. __Meu Deus...-Se ajoelhando ao lado de Ângela, sua voz começa a tremer. __Diz qualquer ..por favor…
__ Eu…estou bem…-Ouço uma voz aflita, em pânico, e pisco os olhos várias vezes tentando focar a imagem que estava perante mim. O rosto de Raquel rapidamente surge , o que aproveito para estender a mão para que me ajudasse a levantar, mas na mesma hora solto um gemido profundo com a dor que me ataca de novo.
__ Não !!!Não te levantes!!! – Ana quase grita também ao correr para perto de Ângela e Raquel.__ Podes ter algo partido.
__Não se preocupem ...só estou um pouco dolorida. – Eu volto a gemer ao me endireitar. __ E vocês? – Eu olho ao redor para verificar se estavam todas bem. __ A Fátima?
__ Estou aqui. – Rapidamente Fátima responde correndo para perto de suas amigas.__Estou bem!
__ Chamaram ajuda? - As encaro com surpresa ao notar que Fátima vinha acompanhada com dois homens altos e entroncados, o que me fez franzir o sobrolho .
__ Não! Quem chamou foi o dono do bar. - Ana explica de imediato . __ Ele reparou que nos seguiram quando saímos.
__ Alexandre e o Vasco apareceram na hora certa. – Fátima aponta para os dois homens estranhamente atraentes.
__ Bom...na altura certa para nós. -Raquel morde o lábio. __ Não sabíamos onde estavas se não ouvíssemos o grito. Balançando a cabeça, suspira frustrada. __ Aquele maldito te levou para longe de nós.
__ Sim…- Fiquei em silêncio um momento pensando que provavelmente afastou-se porque queria mostrar o que ele realmente era. Respiro fundo, nunca poderia dizer isso a ninguém, não iriam acreditar em mim. Vampiros não existiam...isso era o que sempre tinha pensado. O homem mais alto se aproximou rapidamente, me analisando com uma expressão estranha, séria , me fitando intensamente. Ele tinha lindos olhos azuis e começava a me incomodar com aquele olhar enigmático e hipnotizante. __ Então...- Me afastando um pouco dele, finjo uma certa preocupação pelo estado sujo do vestido, questionando com voz firme .__ Conseguiram apanha-los?
__Ainda não!- Rapidamente Vasco se aproxima, olhando a moça intensamente ,simplesmente inspira na sua direção, acrescentando firme. __ Mas iremos.
__Dizes que estás bem…- Alexandre evita respirar o doce aroma que surge daquela fêmea, a olhando intensamente ele só declara com indiferença.__ Mas estás a sangrar !
__ O quê?- De imediato verifico meu corpo, realmente um grande corte era visível no meu braço cobrindo totalmente a minha pele com um manto avermelhado.__ Não tem importância… - Sorrio timidamente quando o outro homem se coloca do meu lado, me olhando com uma expressão curiosa. __É só um arranhão. – As meninas correram para mim e logo me verificaram o braço ,as pernas e o resto do meu corpo. Eu apertei os lábios em fúria quando elas começaram a levantar o vestido ali mesmo. __ MENINAS! - Gritei alto e em mau tom ,o que as faz pular na mesma hora . __ O que pensam que estão a fazer? – Subtilmente acenei para os dois homens que estavam ainda ali presentes resmungando entre dentes. __ Não estamos propriamente em casa!!!!
__ Oh, desculpa !!!!- Ana de imediato cessa sua apreciação suspirando preocupada. __Mas temos que nos certificar que estás mesmo bem!
__Eu estou bem!– Comecei a andar e mordi o lábio para engolir um gemido de dor que insistia em latejar na minha anca. __ Quantas mais vezes tenho que falar para acreditarem em mim .- Devia ter um hematoma ali e dos grandes. __Só quero ir para casa. – De repente a minha passagem é bloqueada.
__ Sou Alexandre! – O homem aponta para seu acompanhante. __ Este é Vasco. – Ambos a encaram enigmaticamente ao acrescentar. __Será melhor que a acompanhemos a casa!
__ Nem pensar!!! – Eu rapidamente declaro apreensiva, sorrindo forçadamente quando percebo o tom rude com que as palavras tinham saído da minha garganta.__Obrigado por tudo, mas ficaremos bem agora .- Me virando de imediato para as meninas acrescento. __ Elas me acompanham…
Acenando em agradecimento eu lhes dou as costas, saindo em passo apressado para chamar um táxi ,queria chegar a casa o mais rápido que fosse possível. Ana, Fátima e Raquel agradeceram também e me seguiram , entrando no carro que rapidamente forcei a parar ao me colocar mesmo no meio da estrada.
__ E já agora… - Encarando as meninas com um leve sorriso eu declaro firme. __ Esta saída valeu por todas as outras que vocês planeavam.
__ Idiota! - Raquel solta a palavra junto com uma risada. __ Só mesmo tu para dizer piadas numa situação caótica como esta.
__ Quem disse que é piada? – Eu as encaro seriamente , antes de me virar e encarar cautelosamente os dois estranhos que não deixavam de nos observar. __ Vos garanto que tão cedo não vou precisar de mais emoções fortes.
Eu falava sério, meu coração palpitava forte, acelerado , e eu não sabia até que ponto estaria assim só por ter sido atacada por um vampiro, ou também por ser resgatada por aqueles dois homens estranhos. Com um olhar subtil, os encaro, ambos ainda me fitavam intensamente , de imediato meu sangue congela e meu corpo se arrepia. Porque será que eu tinha a sensação de que os ia voltar a ver?
__ Temos um problema!- Alexandre murmura sem deixar de observar as quatro mulheres se afastando
__ Um só???- Vasco levanta a sobrancelha, apreciando o rebolar de cada traseiro das quatro moças.__ Além de todas serem apetecíveis? - Ele sorri malicioso, levantando as sobrancelhas varias vezes divertido.__Qual é o outro ?
__ O que atacou a moça... - Alexandre se mostra sombrio. __ Mostrou suas presas. - passando a mão no cabelo negro frustrado por ter deixado o atacante fugir .__ Ela sabe que era um vampiro.
__ Isso não é bom, nada bom. - Vasco resmunga com semblante sério. __ Aquela besta sabe que não pode atacar humanos... muito menos se revelar.
Alexandre e Vasco chefiavam uma organização para proteger o anonimato de vampiros e de lobisomens . Para continuarem a viver entre os humanos sem problemas, não deviam revelar sua existência, haviam regras , leis que deviam ser cumpridas. Todos os que falhavam em cumprir essa regra eram castigados severamente, por isso é que existiam há séculos vivendo entre humanos.
__ Não temos escolha. - Rosnando Alexandre encara seu irmão.
__ Precisamos controlar os danos colaterais.- Vasco concorda de imediato olhando o táxi que rapidamente segue para o centro da cidade, sem demoras o perseguem no seu Subaru preto metalizado, vidros fumados , subtilmente se misturando com o tráfego noturno.
Depois de me ter despedido das meninas e ter trancado a porta do apartamento, imediatamente segui para o meu quarto, despindo a roupa devagar me olhei no espelho do guarda roupa, realmente em breve iria parecer uma vaca malhada. Suspirando dirigi-me para a banheira, talvez um banho bem quente aliviasse as dores provocadas pelo ataque.
Quando entrei na água tive que me conter para não dar um grito,o grande hematoma na minha anca latejava, apesar de ter mais alguns arranhões, aquela parte era a que estava pior. Somente passado meia hora é que o meu corpo começa a relaxar, o alívio físico surgindo aos poucos, mas o espiritual ainda estava carregado de apreensão e preocupação pelo que tinha presenciado . Vestindo o mínimo de roupa possível tento me manter assim, sem dores, usando uns calções e uma simples blusa de alças . Respirando fundo tento esquecer aquela noite horrível, indo ate a cozinha preparar um café com leite, bem quente antes de tentar dormir. Ia ser extremamente difícil adormecer, sentia como se tivesse sido atropelada por um camião. Suspirando já com a xícara na mão me sobressalto com o som da campainha da porta.
__ Duas da manhã…- Mordi o lábio olhando o relógio durante alguns segundos ate que a campainha volta a soar , agora mais insistente. Quem seria aquela hora? Preocupada com os vizinhos ,lentamente me dirijo á porta, colocando a corrente de segurança, abri um pouco, espreitando cautelosa questiono com voz tremente. __ Quem é?
Nem foi preciso ouvir resposta para que meu coração palpitasse mais forte . De imediato a preocupação é substituída por apreensão e meu corpo congela, assim como meu sangue, pela visita tão inesperada.
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