Capa do romance Querido Imperador

Querido Imperador

8.5 / 10.0
Em Querido Imperador, Norman Fleur desafia o patriarcado para liderar o Reino de Gogh. Ao rejeitar pretendentes nesta fantasy romance, a princesa fujona foca em sua ambição, mas um encontro inesperado muda seus planos. Leia esta web novel e descubra se ela manterá sua liberdade.
Resumo de Querido Imperador
No reino de Gogh, a princesa Norman Fleur desafia as leis patriarcais que a moldariam como uma esposa submissa. Determinada a liderar, ela sabota pretendentes e ganha a fama de arrogante, sendo apelidada de princesa fujona por sua língua afiada e desprezo pelo matrimônio. Contudo, ao insultar o próprio destino, ela cruza o caminho de um homem obstinado. Atraído justamente pelo seu temperamento indomável, ele fará de tudo para conquistar o coração da jovem.
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Querido Imperador Capítulo 1

O amanhecer caloroso, que surgiu depois de tantos dias frios, se misturou aos gritos eufóricos para despertar as montanhas brancas da ilha. No horizonte havia surgido o navio de bandeiras vermelhas, o qual já estava sendo esperado havia dias. O Selo De Gogh era uma das maiores ilhas de exportação alimentícia do mundo e aquela embarcação trazia o acordo de paz que nosso rei precisava.

Um novo imperador das ilhas orientais tomara o posto de líder e como de costume do continente, saíra em uma expedição para conhecer seus aliados. Gogh era o fim de sua jornada.

Depois da morte do terceiro imperador de Chogo, o jovem Tadaki teve que se tornar lorde de seu domínio mais cedo do que o esperado. Aos 18 anos, o rapaz mal havia conhecido o mundo e já precisava se ver presente em reuniões com a assembleia dos grandes lordes continentais.

Eu imaginava como aquilo deveria ser cansativo e tedioso para o garoto, por perder o pai e assumir um império muito rapidamente. Além de antecipado, já que ele só se tornaria imperador dali três anos caso nada ocorresse. Também imaginava se ele era como o pai.

O antigo imperador Tzuki Kiu Amino tinha sessenta e nove anos. Um homem exageradamente alto, de cabelos e olhos escuros, esguio demais e um amante do álcool. As poucas vezes que o tinha visto, percebi como era ridículo ao falar com os seus semelhantes e inconveniente ao observar as pobres serventes do castelo. Sempre abusando de seu enorme poder sobre nosso governo inferior. Se o filho fosse igual, logo seria envenenado como o pai havia sido.

Ouvindo os comerciantes ao longe gritarem entre si que o navio atracaria, me preparei para o que aconteceria dali em diante. Notei também o movimento agitado das arrumadeiras ao lado de fora enquanto implorava internamente que todos se esquecessem da minha existência naquele momento, porém sabia que não me deixariam sem participar de tudo aquilo, não a terceira filha do trono. Logo a porta foi aberta e eu me limitei a fingir ainda dormir.

Todos da casa deveriam estar reunidos à mesa do café, com os burburinhos se espalhando pelo grande salão enquanto comiam. Eu deveria me juntar a eles, mas todos os dias, nos últimos três anos, eu fugia de minhas obrigações. Principalmente porque teria que me apresentar a diversos rapazes ao decorrer do dia, até que decidisse qual seria meu futuro marido. Além dos deveres da realeza, aquele era o pior pesadelo de uma garota como eu.

A dama de companhia agitou meus pés quando não reagi com sua presença. O que me fez resmungar, ainda torcendo para que fosse deixada ali. Contudo, outras mãos auxiliaram a primeira, sacudindo meu corpo enquanto as ouvi rir da situação. Soltei mais um som tedioso ao me sentar na cama, lutando para abrir completamente meus olhos. Anika, minha dama, já se encontrava ao meu lado. Com seus olhos verdes claros empolgados apontando para o enorme e — provavelmente — apertado, vestido azul-claro com pedrarias pelo corpete. Eu sorri completamente feliz com sua escolha, ela sabia de minhas travessuras e se divertia com cada uma. Claro que minha mãe lhe puxava as orelhas por dar cordas às minhas loucuras, mas Anika era tão querida que a rainha sempre deixava passar.

Em Gogh a tradição se seguia pelas cores. Os homens tinham o costume de olhar primeiro as damas de rosa, pois acreditavam que as mulheres mais delicadas gostavam de usar aquela tonalidade, demonstrando que seriam dedicadas com seus futuros maridos da mesma forma que a cor se esforçava para ser fiel à elegância. Mesmo sendo ridículo acreditar que cores poderiam definir o caráter de cada ser humano. Havia explicações diferentes para todos os tons, mas o vermelho e o azul sempre foram os últimos da lista, os mal vistos. Diziam que mulheres com a capacidade de usar cores tão fora dos padrões, não seriam obedientes o suficiente com seus maridos ou qualquer homem e eu queria mostrar ser exatamente assim.

“Escolha sempre o rosa, menina. Todos querem uma garota muito delicada”. Dizia minha mãe me motivando a fazer o contrário de suas ordens. Meu pobre e velho pai se deliciava com essas atitudes, enquanto mamãe me xingava em pensamentos e me dizia sem parar que eu a estava matando aos poucos. Ainda assim, eu adorava observar as estúpidas garotas se atirando aos seus visitantes, como se estivessem desesperadas para ter um homem entre suas pernas depois do altar e realmente estavam. Mas a última coisa que eu faria seria lançar-me a alguém daquela forma.

Otto, meu pai, era o rei do Selo De Gogh. A quinta geração Fleur para ser exata e um ótimo professor de história. Depois de perceber minha curiosidade em aprender sobre tantos assuntos cativantes referentes ao governo, ele passou a não se importar se eu me casaria ou permaneceria o auxiliando. Por essa questão eu havia criado desejos internos de liderança e uma rebeldia que se desenvolveu ainda mais, por conta de uma infância dentro do escritório do rei aprendendo sobre as guerras, desavenças políticas e brincando com o príncipe como se fossemos soldados protegendo nossas irmãs, as pobres donzelas. Aquilo havia sido o pontapé inicial para criação de Norman Fleur. Conhecida pelos pretendentes do mundo como a princesa fujona por nunca aceitar uma proposta de casamento.

Eu não queria um marido. Para falar a verdade, meu maior sonho era ter um domínio regido por mim e não um homem. Por isso, preguei peças em todos os pretendentes que surgiam com alguma intenção em me desposar durante os anos. Afastá-los e mantê-los longe eternamente, era o meu objetivo principal, pois eu sabia que não precisava de ninguém além de minhas ideias e desejos para o futuro, mesmo que fosse apenas um sonho bobo. Um sonho que me faria uma grande solteirona pelo resto da vida. Pobre rainha Gaya, se soubesse de meu desejo teria um infarto.

Deixei que as damas me vestissem e Anika cuidasse de meus longos cachos, enquanto tentava treinar em frente ao espelho os sorrisos que precisaria fazer no salão de baile. Por mais que fosse fugir de qualquer assunto que se resumisse a flores e grinaldas, ainda teria que mostrar uma boa impressão aos convidados para não estressar tanto a rainha. Afinal, era exatamente o que aconteceria se eu não seguisse a etiqueta. Ainda assim, isso não me impediria de dar minha opinião sobre tudo o que não gostasse, mesmo que tivesse as orelhas arrancadas no fim das contas.

Quando já estava apresentável, deixei meu conforto do quarto, indo de encontro a tortura que seria aquele evento. Implorei aos deuses um pouco de paciência, só até que pudesse retornar e me enfiar embaixo das cobertas novamente.

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