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Capa do romance QUEM EU ERA - A Secretária que desafiou o CEO

QUEM EU ERA - A Secretária que desafiou o CEO

Hayla Baker tenta gerenciar o caos na empresa da família, enquanto Gregori Klaus, poderoso CEO hospitalar, busca uma secretária eficiente. Um encontro acidental gera um embate intenso, evoluindo para um jogo de tensão e desejo. Cercados por ameaças obscuras e traições corporativas, eles enfrentam uma paixão proibida. Nesse cenário de riscos, confiar em alguém pode ser um erro fatal, mas resistir à atração mútua se torna um desafio impossível de vencer.
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Capítulo 3

Ele...

O hotel parecia mais sufocante do que nunca.

Um dia inteiro mergulhado em reuniões, contratos, prazos e discussões intermináveis com executivos que, sinceramente, eu não sabia como haviam conseguido seus cargos.

E, no meio de tudo isso, ela.

Sempre ela.

Hayla Baker.

Precisa.

Eficiente.

E, ao mesmo tempo, irritantemente provocante.

Se não bastasse a forma como ela conseguiu, de algum jeito, me tirar do sério durante o expediente, agora tudo que eu queria era um momento de silêncio.

Um whisky.

E cinco malditos minutos sem ter que mandar alguém fazer o trabalho direito.

Então desci até o bar do hotel.

O ambiente estava cheio, mas não lotado.

Luzes baixas, música ambiente e aquele cheiro de madeira polida misturado com álcool caro.

Me sentei no balcão, pedi um whisky duplo, e respirei fundo.

O tipo de pausa que eu merecia.

Ou achava que merecia.

E foi então que a vi.

Ela.

Sentada sozinha em uma mesa próxima à janela.

Uma taça de vinho nos dedos, e aquele olhar de quem não se abala por nada.

Claro.

Porque Hayla Baker não sabia, ou fingia não saber, que havia uma linha muito tênue entre a competência e a provocação descarada.

Ela não me viu.

Ainda.

A observei por alguns segundos.

O jeito como segurava a taça, como levava o vinho aos lábios com uma calma calculada quase velada.

O movimento dos dedos traçando distraidamente a haste de cristal.

Como se cada gesto fosse ensaiado.

E, quando nossos olhares finalmente se cruzaram, foi como se o resto do bar tivesse deixado de existir.

Ela não desviou.

Não sorriu.

Não pareceu surpresa.

Apenas me olhou.

Longos segundos. Longos malditos... segundos.

Depois, desviou.

Como se eu fosse qualquer coisa.

Como se eu não fosse... nada.

Arqueei uma sobrancelha.

Abusada.

Pedi mais uma dose.

Poderia simplesmente ignorá-la.

Poderia.

Mas, claro, eu não sou esse tipo de homem.

Levantei, com o copo na mão, e fui até a mesa dela.

Meus passos firmes, decididos.

Cada músculo do meu corpo gritava que aquilo era uma péssima ideia, mas havia algo nela, algo que eu não conseguia, e nem queria, ignorar.

Ela me viu se aproximando.

Não disfarçou.

Não fingiu surpresa.

Apenas observou, como se já soubesse que eu faria isso.

Parei ao lado da mesa.

- Eu imaginei que, depois de um dia inteiro, você iria querer distância de mim, senhorita Baker. - Cruzei os braços, olhando-a de cima.

Ela ergueu os olhos, os lábios desenhando um meio sorriso, calmo, controlado.

- Acredite, eu também imaginei - Respondeu, levando a taça até os lábios.

- Mas, infelizmente, o hotel não é grande o suficiente para isso.

Senti meu maxilar travar.

Não sei se pelo tom.

Ou pelo fato de que ela estava absolutamente certa.

- E você costuma beber sozinha? - perguntei, minha voz mais baixa, arrastada.

Ela apoiou a taça na mesa e ajeitou-se na cadeira, cruzando as pernas de maneira que, se fosse provocação, estava funcionando.

- Costumo - respondeu, simples.

- Homens têm a péssima mania de achar que, só porque uma mulher está sozinha, é um convite.

Soltei um riso curto, quase sem humor.

- Talvez... - Levei meu copo aos lábios - Talvez, às vezes, seja.

- Comigo, não é - respondeu, firme, mantendo o olhar no meu.

Ela era boa nesse jogo.

Diabos, era muito boa.

Inclinei-me levemente, apoiando uma mão no encosto da cadeira dela, me abaixando apenas o suficiente para que minha voz roçasse seu ouvido.

- Você está provocando, Baker. E acredite, eu não sou do tipo que recua fácil.

Ela virou o rosto, ficando a centímetros do meu.

- Engano seu, doutor Klaus - Seu tom ficou mais baixo, quase um sussurro.

- Eu não provoco. Eu apenas não recuo.

Nossos olhares ficaram presos ali.

E não havia mais espaço para mais nada além da tensão que nos cercava.

Ela sabia exatamente o que estava fazendo.

E, inferno, eu também.

Me afastei apenas o suficiente para puxar uma cadeira e me sentar à mesa dela.

Cruzei as pernas, relaxando como se estivesse perfeitamente no controle, quando, na verdade, sentia o autocontrole escorrer pelas frestas do bom senso.

- Está me oferecendo companhia ou discórdia? - perguntei, brincando com o gelo dentro do copo.

Ela deslizou o dedo pela borda da taça antes de responder.

- Depende... - Seus olhos me atravessaram.

- O que te atrai mais?

Sorri.

Um sorriso torto, carregado de tudo o que não deveria estar naquela conversa.

- O problema, Baker, é que, no momento, acho que me atraem os dois.

Ela não respondeu.

Apenas segurou meu olhar.

E foi então que percebi: não havia mais volta.

O clima entre nós havia ultrapassado qualquer limite profissional que poderia ter existido.

Permanecemos alguns minutos assim.

Poucas palavras.

Olhares longos.

O silêncio gritando tudo aquilo que nossas bocas ainda não tinham coragem, ou controle, para dizer.

Até que ela se levantou.

Pegou sua bolsa.

E sem olhar para trás, caminhou em direção ao elevador.

Me levantei imediatamente.

Nem tentei fingir que não estava indo atrás.

Quando cheguei, ela já estava dentro.

A porta quase fechando.

Segurei.

Nossos olhares se encontraram no mesmo instante.

Nenhuma palavra foi dita.

Nenhum sorriso.

Nenhuma pergunta.

Apenas, decisão.

Entrei.

A porta se fechou.

O elevador começou a subir.

O silêncio era sufocante.

Cada centímetro do espaço parecia apertado demais, quente demais, intenso demais.

Ela apertou o botão do andar dela.

Cruzou os braços.

E me olhou de lado, como se questionasse quem cederia primeiro.

Eu.

Sempre eu.

Em um segundo, minha mão agarrou sua cintura.

No segundo seguinte, minha boca já estava na dela.

Foi rápido.

Foi bruto.

Foi inevitável.

Ela não recuou.

Ao contrário, correspondeu na mesma intensidade.

Sua mão agarrou minha camisa, seus dedos se enroscaram no meu cabelo.

O elevador parou.

A porta abriu.

Nem olhei o número.

Peguei a chave-cartão da mão dela, chequei o quarto e a puxei pelo corredor.

Ela não protestou.

Não hesitou.

Não disse uma única palavra.

Assim que cruzamos a porta do quarto, a realidade ficou do lado de fora.

Puxei-a contra a parede, minha boca deslizando pelo seu pescoço enquanto minhas mãos rasgavam a saia dela sem qualquer cuidado.

- Senhorita Baker... - minha voz saiu grave, rouca, quase selvagem.

- Hoje, você é inteiramente... minha.

O resto da noite?

Foi um borrão de pele, gemidos, beijos e prazer.

Um erro consciente.

Delicioso.

Irreversível.

E no fundo, no lugar que eu jamais admitiria nem para mim...

Eu soube.

Depois dessa noite, nada mais seria como antes.

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