
Quebrando o silêncio: Deixando o marido CEO
Capítulo 3
"A condição da Srta. Jenkins está estável, mas não há previsão clara de quando ela poderá recobrar a consciência. Pode levar um mês, dois meses, ou até anos... Ou talvez..."
A voz do médico vacilou, desaparecendo sob o olhar penetrante de Owen.
"Garanta que Aria receba tudo o que precisa. Se houver qualquer mudança, quero saber imediatamente", Owen ordenou firmemente.
"Entendido", respondeu o médico, com uma nota de deferência na voz.
Sem um aceno direto de Owen, Arabella não ousou sair por conta própria. Além disso, ela ainda dependia de sua influência para garantir a liberdade condicional médica de Kristian.
Ao descer as escadas, os olhos de Owen pousaram em Arabella na cadeira, que havia sucumbido ao cansaço, com a cabeça inclinada em sono.
A palidez de sua pele era mais pronunciada na luz fraca, destacando suas feições delicadas contra o ambiente escuro. Sua pequena figura enrolada na cadeira parecia vulnerável e quase comovente.
Comovente? Owen zombou silenciosamente. Como Arabella, com suas camadas de segredos e esperteza, poderia merecer sua simpatia?
Sentindo sua presença iminente, os olhos de Arabella abriram-se, e ela rapidamente se endireitou, seus movimentos rápidos e precisos como uma estudante que se apruma após ser flagrada cochilando por um professor rigoroso.
Uma carranca surgiu no rosto de Owen. Ele era realmente tão assustador? Ela não havia hesitado na noite anterior quando ousadamente se esgueirou em sua cama.
"Tenho uma reunião com um parceiro de negócios. Você vem comigo", Owen declarou, com um tom que não deixava espaço para discussão.
Arabella mostrou surpresa. Desde o momento em que se casou com Owen, Julissa orquestrou um papel para ela como assistente pessoal de Owen na empresa—uma posição destinada a mantê-la próxima aos seus assuntos diários.
No entanto, essa proximidade só azedou ainda mais a disposição de Owen para com ela. O título de "assistente pessoal" era uma pretensão disfarçada, forçando Arabella a obedecer a todos os seus caprichos.
Owen, que habitualmente deixava Arabella para trás ao participar de reuniões de negócios, surpreendentemente a convidou para acompanhá-lo hoje, pegando-a desprevenida.
Uma vez acomodados no carro, Owen não perdeu tempo afundando-se em uma pilha de documentos e telefonemas.
Como CEO liderando uma corporação crucial para a economia de Evlinas, seus dias estavam constantemente repletos de compromissos.
Após algum tempo, seus olhos se voltaram para Arabella.
Sua escolha de uma camisa simples de manga curta combinada com calças casuais parecia irritá-lo, sua sobrancelha arqueando em reprovação silenciosa. "Está sem dinheiro? É por isso que está vestida assim?" ele comentou, com um toque de desdém em sua voz.
Arabella, pronta para responder em linguagem de sinais, parou quando Owen abruptamente desviou o olhar, sua expressão nublada de desagrado.
Ela baixou os olhos, envolta em silêncio. Seu casamento secreto era conhecido por poucos, que provavelmente imaginavam-na envolta em luxo, vestida com marcas de grife e vivendo uma vida de opulência sem limites.
A dura realidade era bem diferente. Arabella mal conseguia sobreviver com seu salário modesto da empresa, um contraste acentuado com a vida glamourosa presumida por estranhos.
Mês após mês, Arabella orçamentava meticulosamente suas próprias despesas, mas ainda arcava com o peso financeiro de apoiar sua mãe, Khloe, e seu irmão mais novo, Caylee, que estava prestes a entrar no ensino médio. Os custos de materiais de estudo e sessões de tutoria eram implacáveis. Não havia espaço em seu orçamento para luxos como roupas elegantes.
Owen, o distante marido de Arabella, permanecia majoritariamente ausente e ignorante de suas dificuldades. Arabella mantinha suas dificuldades para si mesma, pois discutir sobre elas parecia inútil—o desinteresse de Owen por sua vida se estendia até mesmo aos detalhes mais ínfimos, como sua vestimenta. Afinal, por que se vestir para impressionar alguém que mal reconhecia sua existência?
Ao chegarem ao hotel para uma reunião crucial, Danna Watson, a secretária-chefe de Owen, já estava lá esperando, com um monte de roupas nos braços.
Enquanto Arabella gerenciava tudo nos bastidores para Owen, Danna lidava com o lado corporativo das coisas.
Vestida em um terno preto impecavelmente ajustado, seu rabo de cavalo elegante e sua franja perfeitamente arrumada, Danna personificava poder e profissionalismo.
Com um olhar firme e impenetrável, Danna colocou as roupas nas mãos de Arabella e afirmou firmemente: "Sra. Butcher, o Sr. Murray confia em você. Não o decepcione."
Captando um vislumbre da carranca impaciente de Owen, Arabella rapidamente aceitou as roupas e se retirou para o banheiro para se trocar.
Quando Arabella reapareceu, transformada no vestido amarelo-canário que Danna havia escolhido, foi para o olhar indiferente de Owen. No entanto, a cor vibrante do vestido realçou o brilho radiante da tez de Arabella, lançando-a em uma luz que ele não podia ignorar completamente.
Arabella ainda ostentava os traços tênues e persistentes do beijo apaixonado de Owen da noite anterior, um leve rubor pintando suas bochechas.
Sem maquiagem própria, Arabella pegou emprestado um toque de corretivo de Danna, tentando disfarçar as marcas. No entanto, apesar de seus esforços, elas permaneciam sutilmente perceptíveis sob a leve camada de maquiagem.
O olhar de Owen brevemente flutuou para suas marcas, seus olhos escuros nublando-se com uma emoção difícil de interpretar antes de se virar abruptamente. "Vamos", ele murmurou, sua voz baixa.
Ao entrarem na sala privada mal iluminada, os sussurros de conversas os saudaram.
Várias pessoas já estavam lá, acomodadas confortavelmente. Arabella, sentindo-se deslocada, ficou silenciosamente ao lado de Owen, examinando os rostos desconhecidos.
"Sr. Murray, ótimo vê-lo! Estávamos aguardando sua chegada a noite toda." Blaine White, CEO do Grupo White, levantou-se para cumprimentar Owen, seu entusiasmo palpável. Ele estendeu a mão para Owen, que, ainda usando suas luvas habituais, respondeu com um aceno curto. O sorriso de Blaine vacilou ligeiramente, sentindo um desdém por sua hospitalidade.
A famosa necessidade de perfeição e limpeza de Owen era algo que Blaine não podia ignorar.
Então, a atenção de Blaine se voltou para Arabella. Seus olhos brilharam com intriga. "Ora, ora, Sr. Murray, quando conseguiu uma assistente tão encantadora?" ele exclamou.
O olhar de Blaine pairou sobre Arabella, claramente impressionado por sua presença. Ao contrário dos tipos ousados e assertivos aos quais estava acostumado, o comportamento amável e discreto de Arabella tocou uma corda diferente, cativando-o instantaneamente.
Arabella se contorceu sob o peso indesejado do olhar lascivo de Blaine. Instintivamente, ela se aproximou de Owen em busca de conforto. Owen, percebendo seu desconforto, riu, seu comportamento relaxado e despreocupado. Ele a apresentou casualmente. "Esta é minha secretária, Sra. Arabella Butcher."
Voltando-se para Arabella com um sorriso tranquilizador, Owen disse: "Sra. Butcher, conheça o Sr. Blaine White."
Arabella ofereceu um aceno tímido em resposta, seu cumprimento mínimo.
A expressão de Blaine escureceu visivelmente diante do silêncio de Arabella. "Sra. Butcher, está me desprezando? Não vai nem falar comigo?" ele perguntou, seu tom carregado de um desafio.
Os lábios de Arabella se comprimiram, uma batalha interna refletida em seu rosto. Ela queria comunicar-se com gestos, mas hesitou, incerta se Blaine conhecia a linguagem de sinais.
Antes que pudesse decidir, Owen interveio suavemente. "Peço desculpas, Blaine. A Sra. Butcher é muda e não pode falar."
Uma onda de gratidão lavou sobre Arabella enquanto Owen falava em seu nome. Sua incapacidade de falar tornava as interações sociais intimidantes, e sua relutância muitas vezes era confundida com altivez. A compreensão de Owen e sua rápida explicação suavizaram as bordas da situação constrangedora.
Ciente da importância desta reunião—pois Owen havia insistido em encontrar Blaine pessoalmente—Arabella sentia a pressão para se apresentar bem. Apesar de suas limitações, ela não queria parecer difícil ou distante. Afinal, estava ali com Owen, e suas ações, por menores que fossem, refletiam sobre ele.
Determinada a não ser um fardo, Arabella resolveu mostrar-se o mais agradável possível, apoiando Owen silenciosamente sem causar interrupções.
Incapaz de falar, Arabella não teve escolha senão deixar seu sorriso falar por ela.
Seus olhos brilhavam, e suas bochechas eram adornadas com encantadoras covinhas que atraíam todos ao redor. Seus dentes brancos e uniformes davam ao seu sorriso uma qualidade sincera e pura que parecia derreter a dureza daqueles ao redor.
Blaine, fascinado por sua incapacidade de falar, parecia achá-la ainda mais intrigante. Seu entusiasmo era palpável ao exclamar: "Uma muda, hein? Acho que os mudos têm um tipo especial de graça—são simplesmente os melhores!"
Owen, no entanto, não pôde deixar de sentir uma pontada de irritação com o sorriso de Arabella, uma inesperada onda de raiva borbulhando dentro dele.
Momentos depois, Arabella foi arranjada para sentar ao lado de Blaine, seus olhos subindo quando Owen se acomodou à sua frente.
O desconforto de Arabella cresceu com Owen tão distante, mas o que a perturbava mais era a proximidade inquietante de Blaine.
Inicialmente, Blaine havia mantido uma fachada cavalheiresca, mas ao perceber que a atenção de Owen estava em outro lugar, seu comportamento mudou sutilmente.
A atenção de Arabella estava fixada em Owen, tentando ignorar Blaine, mas ela recuou em choque quando a mão de Blaine furtivamente roçou sua perna, fazendo-a saltar de seu assento!
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