
Quando o Meu Mundo Desabou
Capítulo 3
Pedro olhou para mim, com uma expressão de súplica.
"Catarina, por favor. A minha mãe só está preocupada."
"Preocupada com a mulher que matou o meu filho?", gritei, a minha voz finalmente a quebrar. "Ela nem sequer perguntou por mim! Ela chama 'coitadinha' à assassina do seu neto!"
Dona Elvira finalmente virou-se para mim, com os olhos a fuzilarem-me de raiva.
"Como te atreves a falar assim da Sofia? Ela é uma boa rapariga! Foi um acidente! Tu provavelmente provocaste-a, com o teu temperamento horrível. Sempre foste difícil."
As suas palavras atingiram-me com a força de um soco.
Eu sempre tentei ser a nora perfeita. Cozinhava os seus pratos favoritos, lembrava-me do seu aniversário, suportava as suas críticas constantes em silêncio.
Tudo por Pedro. Tudo para manter a paz.
E agora, isto.
"Um acidente?", sussurrei, incrédula. "Ela empurrou-me de um lanço de escadas, Elvira. Isso não é um acidente. É uma agressão."
"Não fales assim com a minha mãe!", Pedro interveio, a sua voz a elevar-se. "Ela está a sofrer, tal como nós!"
"Ela não está a sofrer por mim ou pelo bebé. Ela está a sofrer pela tua amante!", atirei de volta, sentindo o meu corpo a tremer de fúria e mágoa.
Ele ficou sem palavras, a sua cara contorcida num misto de culpa e raiva.
"Eu quero que saiam," repeti, a minha voz agora fria e controlada. "Se não saírem, eu chamo a segurança."
Dona Elvira bufou, indignada.
"Vamos, Pedro. Deixa-a ter o seu ataque de histeria. Ela sempre foi dramática. Quando se acalmar, vai perceber o erro que está a cometer."
Ela agarrou no braço de Pedro e puxou-o para a porta.
Antes de sair, Pedro olhou para trás, os seus olhos cheios de uma dor que eu já não conseguia partilhar.
"Catarina, vamos falar sobre isto mais tarde. Quando estiveres mais calma."
Depois, eles foram-se.
Deixaram-me sozinha no quarto silencioso do hospital, com o eco das suas palavras cruéis e a dor insuportável da minha perda.
O meu telemóvel vibrou na mesa de cabeceira.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
Abri-a. Era uma fotografia.
Sofia, deitada numa cama de hospital, a chorar nos braços de Pedro. A minha sogra estava ao lado deles, a acariciar o cabelo de Sofia com ternura.
A legenda dizia: "A família apoia-se nos momentos difíceis."
O meu estômago revirou-se.
Eles nem sequer esperaram para sair do hospital para irem confortá-la.
O meu marido. A minha sogra. A minha "família".
Senti o meu coração a partir-se em mil pedaços. Mas por baixo da dor, uma nova sensação começou a crescer.
Uma determinação fria e dura.
Eles tinham escolhido o lado deles.
Agora, era a minha vez de escolher o meu.
Peguei no telemóvel e liguei ao meu advogado.
"Miguel? Sou eu, a Catarina. Quero avançar com o divórcio. E quero apresentar queixa contra a Sofia Mendes por agressão."
Você pode gostar





