
QUANDO O CORAÇÃO ESCOLHE
Capítulo 3
Quando o velho Moretti faleceu em um acidente de carro, Marco já estava com seus quinze anos.
Nesse período o velho já estava treinando o filho para ser seu sucessor.
Marco era mantido debaixo dos olhos de seu pai, que tinha como objetivo criar uma versão de si mesmo, por isso deu ao filho uma criação rígida, que o distanciava de grandes emoções humanas por assim dizer, seu pai queria que o filho fosse cem por cento racional, queria que assim como ele, o jovem tivesse respeito e a credibilidade que o nome Moretti trazia sobre si, no mais da verdade o velho era uma pessoa arrogante e vazia, um homem que nunca soube o que realmente era misericórdia, um homem um tanto quanto impiedoso as vezes, Marco Moretti considerava uma peça no tabuleiro, dominado por seu pai, onde ia ou fazia somente o que ele dizia ou determinava que ele o fizesse, mas ele obedecia, pois sabia que debater com o pai não era uma atitude inteligente.
Após a morte do velho Moretti, o que trouxe ao jovem mais alivio do que dor, o jovem ficou sob os cuidados do mordomo da casa, esse tinha a função de a mansão em ordem, e preservar a integridade física do então adolescente Moretti, o que mais tarde veio a se tornar o fiel escudeiro de Marco, e o mais próximo que ele chegou de um amigo.
Marco não gostava de está em muitas companhias, não conseguia se distrair de suas obrigações, acabou-se por tornar um homem solitário, sempre voltando para aquela enorme mansão vazia e fria.
Quando chegou a maior idade a primeira coisa que fez foi se mudar para uma cobertura moderna e que se parecia mais com o estilo de vida que ele vivia, aquela mansão parecia um mausoléu.
Viver ali, era como viver dentro de um cemitério havia fotos de seus antepassado, havia coisas de mais para sua cabeça jovem, aquele lugar era o reinado de seu pai, não o seu, ele não iria se enterrar naquele lugar como seu pai fez.
Mas no mundo dos negócios seu nome era conhecido assim como o do pai, os tablóides o chamavam de o CEO implacável, seus adversários sabiam e temiam seu nome, mesmo sendo jovem, aprendeu bem que esse mundo onde vivia não permitia fraquezas então era tão ele era implacável, e por isso criou uma lenda envolta do sobrenome Moretti, mantendo a tradição que seu pai havia começado.
Um legado que não lhe trazia muito orgulho, mas a única coisa que aprendeu a ser.
Antônio o mordomo, ficou ali durante todo o tempo, o único funcionário confiável na opinião do velho Moretti, recebeu a incumbência de cuidar do jovem CEO, mesmo não tendo noção da grandeza dos negócios da família Moretti, Antônio , abraçou sua função de cuidar de seu pupilo, como se fosse seu, sempre reservado a seu lugar, conseguiu estabelecer um bom convívio com o jovem Moretti, e quando ele saiu da mansão Antônio continuou a seu serviços.
Esse conhecia o jovem melhor do que qualquer pessoa, sabia da natureza solitária de seu pupilo, sabia que ele não era como o pai, que seu caráter era de uma natureza bem melhor e superior a do velho Moretti.
Mesmo agora dezessete anos a frente lá estava ele , o fiel escudeiro, agora um conselheiro e confidente, do homem que Marco Moretti se tornou, apesar da fama de implacável, ele sabia que debaixo daquela armadura, existia um homem justo.
Marco havia se tornado um homem, e o homem mais cobiçado da alta sociedade, mesmo com todo seus esforços para se manter distante das mídias e das garras das mães casamenteiras, ainda sim as vezes se via em fuga, em eventos em lugares públicos, não importava onde ele ia, sempre havia uma mãe caçadora a sua espreita.
Seu nome estampava as capas de revistas de negócios, sua fortuna era sempre assunto das mídias que questionava se o CEO misterioso iria algum dia se casar e ter um herdeiro, já que esse nunca tinha manifestado o desejo de ter uma esposa e família, existia as mídias mais baixas que as vezes questionavam sua sexualidade, e sua forma de vida solitária, mas ele já não mais se importava com esses rumores.
Continuava seus casos amorosos bem escondidos, e sempre sem nem um tipo de envolvimento emocional ou qualquer tipo de ilusão amorosa com quem estivesse transando era tudo muito bem explicado. Nada de emoções, nada de aliança e vestidos brancos.
Como bom solteiro, e claro que havia sempre uma bela mulher ao seu lado, principalmente ao lado da cama...mas não havia emoção, era só para alívio do corpo...como qualquer homem saudável ele gostava de um bom sexo, então era fundamental que as partes envolvidas soubesse cada um o seu lugar.
Assim como seu velho pai, aprendeu que pessoas são como peças, e como uma peça precisam continuar a ser manipuladas, um jogo que requer paciência e muita atenção, muito cuidado para não mover a peça errada, se isso acontecer você acaba perdendo o jogo todo.
No fundo ele havia percebido, que as pessoas gostavam de serem manipuladas, elas não se importavam de serem manipuladas.
Desde que isso lhes dessem alguma vantagem ou benefícios em troca, elas aceitavam.
Então em cada cidade ou pais que estava sempre havia uma mulher para seu divertimento e prazer, e ele já tinha se convencido que era isso que teria na vida, prazeres momentâneo, pessoas que queriam seu dinheiro ou que ele tivesse para oferecer, e com isso aprendeu que não precisava ter um coração, um belo cartão de crédito Black já resolvia tudo.
Olhando para tudo a sua frente, ele havia chegado mais longe do que o seu pai, com sua visão financeira, mas aberta a novas possibilidades, expandiu seus negócios.
Mas naquele exato momento estava muito atendido, era como se não houvesse mais desafios a serem vencidos, precisava de novas emoções, ele pensou, mesmo não sabendo bem o que queira, estava disposto a descobrir.
Um homem como ele precisava de desafios, precisava de um combustível que o movesse.
E ele estava pensando sobre isso quando saiu para caminhar em uma noite fria.
Ao admirar as pessoas menos afortunadas sorrindo e sendo felizes, era estranho como as pessoas podiam se sentir felizes tendo tão pouco na vida, e quanto algumas assim como ele eram vazias tendo tanto.
Era essa a ironia da vida, dar uma parte para cada um, felicidade para uns dinheiro para outras.
Seria possível ter as duas coisas na vida?
Ele acreditava que não, pois todos os homens de negócios que conheciam era um pouco ou muito parecidos com ele.
Havia casamento comprados, havia ganância, havia troca de interesses, mas ele não sabia se existia felicidade e amor.
Olhando a sua volta naquele parque, ele observava as pessoas que caminhavam sorridentes e descontraídas, com seus parceiros, com seus filhos com uma vida rica.
Em contra partida havia um milionário, extremamente pobre entre eles, Marco sorriu, um sorriso triste pela sua constatação de miséria, o destino realmente tinha um senso de humor caótico e nefasto.
Realmente era irônico, que sua vida estivesse assim de forma tão vazia.
Então aquela sensação de que precisava de algo mais em sua vida foi ganhando forma, iria descobrir mais tarde o que aquilo significava.
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