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Capa do romance Quando o Amor Vira Fogo

Quando o Amor Vira Fogo

Após morrer em um porão, Joana desperta no passado, grávida e decidida a mudar seu destino cruel. Pedro, seu marido infértil e manipulado pela amante Patrícia, planeja sua ruína sob mentiras de vingança. No baile de gala, a traição explode em violência, resultando na morte do pai de Joana e em um parto solitário. Entre chamas e segredos, Pedro descobre a verdade tarde demais. Joana, dada como morta, escapa com seu filho para recomeçar, deixando o passado arder em cinzas.
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Capítulo 3

Uma pontada aguda atravessou meu baixo-ventre, fazendo-me vacilar.

"Você está bem?" Pedro perguntou, sua mão firmemente no meu braço.

"Foi só uma contração de treinamento," menti, endireitando as costas. "O médico disse que é normal."

O médico não tinha dito nada, porque eu não tinha contado a ele sobre as dores que começaram naquela manhã. Eu não podia arriscar que ele me mandasse para um hospital. Não hoje.

Eu precisava estar aqui.

Pedro subiu ao palco, o microfone na mão, o sorriso de um bilhão de reais no rosto. O salão ficou em silêncio.

Meu coração começou a bater descontroladamente. Estava acontecendo. De novo.

"Meus amigos, minha família," ele começou. "Hoje é uma noite muito especial. Uma noite que marca o início de um novo legado para a família Ferreira."

Eu observei os rostos na multidão. Vi minha sogra, Dona Eleonora, sorrindo com orgulho. Vi os parceiros de negócios, os rivais, os jornalistas. Todos pendurados em cada palavra dele.

"Como muitos de vocês sabem, construir um legado, garantir o futuro, sempre foi minha maior obsessão. E hoje, tenho o prazer de anunciar... que meu futuro chegou."

Uma mulher entrou no salão pela porta lateral.

Patrícia.

Ela usava um vestido branco, angelical. Em seus braços, um pequeno pacote enrolado em um cobertor azul. Ela caminhava em direção ao palco, o rosto uma máscara de humildade e felicidade.

Os murmúrios começaram, se espalhando pela multidão como fogo.

"Eu quero apresentar a vocês," a voz de Pedro trovejou pelo salão, "meu filho. Meu primeiro filho e herdeiro."

O mundo pareceu girar. Mesmo esperando por isso, a dor da traição pública foi como um soco no estômago. Outra contração me atingiu, mais forte desta vez. Eu me segurei em uma cadeira para não cair.

Minha visão focou em Patrícia. Ela olhou diretamente para mim, um brilho de triunfo em seus olhos. E então eu vi. A pulseira de ouro em seu pulso. Era idêntica a uma que Pedro me deu.

Na minha vida passada, eu não tinha notado. Eu estava cega pela dor e pelo choque. Mas agora, eu via tudo com uma clareza terrível. Patrícia não era apenas uma amante. Ela era uma das outras. Uma das mulheres que ele contratou. E ela tinha ganhado a corrida.

O caos explodiu. As pessoas estavam de pé, chocadas, sussurrando, apontando.

Foi então que minha bolsa estourou.

Um líquido quente escorreu pelas minhas pernas, encharcando o vestido vermelho. A dor se tornou insuportável, uma onda avassaladora que me derrubou de joelhos.

"Pedro!" Eu gritei, a voz rasgada de agonia. "O bebê... os bebês estão vindo!"

Por um segundo, vi pânico genuíno no rosto de Pedro no palco. Mas Patrícia sussurrou algo em seu ouvido, o rosto contorcido de preocupação fingida. O pânico dele se transformou em fúria.

"Seguranças!" ele rugiu. "Tirem essa mulher daqui!"

Dois homens de terno preto me agarraram pelos braços.

"Não! Por favor! Eu estou em trabalho de parto!" Eu implorei, tentando me soltar.

Eles me arrastaram pelo salão como um saco de lixo. As pessoas se afastaram, seus rostos uma mistura de pena e horror. Ninguém me ajudou.

Eles me jogaram para fora, na calçada fria sob a garoa fina. A porta do salão se fechou, abafando os sons da festa.

Eu estava sozinha, em trabalho de parto, na rua.

Pedro apareceu na porta, o rosto uma máscara de desprezo. Patrícia estava ao seu lado, segurando o bebê, parecendo uma santa ultrajada.

"Como você ousa?" Pedro rosnou, caminhando até mim. "Como você ousa tentar arruinar este momento? Tentar roubar o que é do meu filho?"

"Do que você está falando?" Eu solucei, a dor me cegando. "Eu estou grávida de seus filhos! Nossos filhos!"

"Mentira!" ele gritou, seu rosto a centímetros do meu. "Você é uma mentirosa invejosa! Patrícia me contou tudo. Você descobriu sobre o bebê dela e fingiu essa gravidez para tentar garantir um pedaço da minha fortuna!"

A acusação era tão absurda, tão cruel, que me deixou sem ar.

"Isso não é verdade! Pedro, por favor, olhe para mim! Eu preciso de um médico!"

"Você não precisa de um médico, você precisa de uma lição," ele disse, a voz baixa e perigosa.

Ele levantou a mão.

Eu fechei os olhos, esperando o golpe.

E ele me bateu. Com as costas da mão, com toda a sua força, no meu rosto.

Minha cabeça estalou para o lado. O gosto de sangue encheu minha boca. A dor da humilhação foi pior do que a dor física. Pior do que as contrações.

O homem que eu amava, o pai dos meus filhos, tinha acabado de me agredir na frente de todos, convencido de que eu era uma fraude.

E tudo por causa das mentiras de Patrícia. A mulher que, de alguma forma, o tinha convencido de que ela era a vítima.

Enquanto eu estava caída na calçada molhada, uma nova compreensão me atingiu, tão chocante quanto o tapa. A forma como Patrícia o manipulava, a forma como ela se inseriu na família... era familiar.

Ela não era apenas uma das mães de aluguel. Havia algo mais. Uma conexão mais profunda e sombria entre ela e Pedro que eu ainda não entendia.

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