
Quando o Amor Se Tornou Uma Arma
Capítulo 3
Ponto de Vista de Hana Évora:
A voz de Bianca era um sussurro trêmulo.
— Seu... seu noivo?
Os olhos dela, arregalados de descrença, piscaram para Érico.
Érico engoliu em seco, a garganta trabalhando.
— Bianca, é complicado — ele rouquejou, a voz seca e oca. Ele não negou, mas definitivamente não afirmou. Ele estava tentando minimizar, se distanciar de mim, mesmo agora.
Uma risada amarga e quebrada escapou dos meus lábios.
— Complicado? — ecoei, o som áspero e feio. — Essa é boa.
Bianca, vendo a falta de uma negação completa de Érico, pareceu recuperar uma lasca de sua compostura. Ela zombou, um som desdenhoso.
— Srta. Évora, acho que seu trauma, combinado com uma óbvia dependência emocional, está nublando seu julgamento. O Dr. Nogueira tem trabalhado incansavelmente para ajudá-la a processar seu passado. Talvez você esteja projetando. — A voz dela endureceu. — Por favor, não o arraste para o seu... teatro.
Minha mão, ainda segurando o microfone, apertou. Minha voz, geralmente suave, de repente ressoou pela sala atordoada.
— Teatro? Você acha que isso é teatro? — Cada palavra era uma marretada. — É teatro quando um psiquiatra, um homem que jurou ajudar, usa os medos mais profundos de sua paciente, suas confissões mais confidenciais, para criar uma história sensacionalista? É teatro quando ele entrega as fitas de terapia privadas e os diários dela para a ex-namorada, sabendo que serão distorcidos, editados e transformados em arma contra ela?
Inclinei-me no microfone, minha voz tremendo com uma mistura de raiva e dor crua.
— Ele não apenas abriu velhas feridas, Bianca. Ele pegou um bisturi, as rasgou ainda mais, e então deixou você jogar sal nelas para consumo público! Ele vazou meu sigilo médico! Ele manipulou minha história! Ele traiu minha confiança! Cada sessão confidencial, cada entrada no diário, cada lágrima que derramei acreditando que ele estava me ajudando a curar... ele usou tudo!
Meus olhos queimaram nos de Érico. Ele estava visivelmente encolhendo, o rosto agora cinza doentio.
— Você está com medo, Érico? Você está finalmente com medo? — Minha voz era um sussurro irregular, mas cortou o silêncio como uma lâmina. Era um grito das profundezas da minha alma, misturado com sangue e lágrimas.
O teatro estava totalmente imóvel, o ar denso com acusações não ditas. Érico não conseguia encontrar meu olhar. Ele olhou para os sapatos, os ombros caídos. A plateia, antes cativada, agora parecia perplexa, muitos olhando com horror crescente para Érico.
Ele murmurou, a voz quase inaudível:
— Eu... eu pensei que ajudaria você. Terapia de exposição. Ajudar a Bianca... a colocar a verdade para fora.
Repeti as palavras dele, um eco zombeteiro.
— Me ajudar? Terapia de exposição? — Outra risada amarga escapou de mim, soando mais como um soluço. — Me pintando como uma mentirosa? Fazendo meus sequestradores parecerem jovens inocentes que eu seduzi por dinheiro e atenção? Essa é a sua ideia de "ajudar"?
Dei outro passo mais perto, minha mão ainda segurando o microfone, forçando-o a olhar para mim.
— Olhe para mim, Érico! Olhe nos meus olhos e me diga, de verdade, isso foi para o meu bem? Ou foi tudo pela Bianca? Pelo podcast dela? Pela carreira dela? Pelo seu ego?
Minha acusação, embora não dita explicitamente, pairou pesada no ar. Foi tudo por ela, não foi? Sua namorada da faculdade. Aquela que você nunca superou de verdade. Você me sacrificou, sua noiva, pelo sucesso dela. O pensamento era uma cobra venenosa, se contorcendo no meu estômago.
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