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Capa do romance Quando o Amor Se Tornou um Inferno Vivo

Quando o Amor Se Tornou um Inferno Vivo

Exausta por sustentar o marido paralítico, Gabriel, e o filho Léo, a vida de uma mulher vira um caos. Após a morte trágica de Léo, ela é agredida pela cunhada, Celeste, perdendo a chance de ser mãe. Gabriel, cúmplice, a humilha e profana as cinzas do próprio filho. Contudo, um gravador oculto revela que a paralisia era farsa e ambos planejaram sua ruína. Diante da traição cruel e do roubo de sua vida, ela desaba enquanto seu mundo se apaga em dor e sangue.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Aléxia:

O baile de caridade era um borrão de tecidos caros, joias brilhantes e sorrisos forçados. Eu me sentia uma alienígena, vestida com o simples vestido azul-escuro que encontrei guardado no fundo do meu armário. Era a única coisa apresentável que eu possuía. Todas as outras peças de roupa, cada bugiganga, cada joia que eu já tive, foram vendidas para pagar os "tratamentos" de Gabriel ou para colocar comida na nossa mesa.

Meu uniforme diário era um colete de construção, um avental de garçonete ou um uniforme de limpeza. Este vestido parecia uma fantasia, mal ajustado e fora de lugar. Eu podia sentir os olhares sobre mim, passando dos meus sapatos gastos para o meu vestido simples, e depois se desviando rapidamente. Eu era um espetáculo, uma esquisitice. Um fantasma do passado de Gabriel, pairando em um mundo ao qual eu não pertencia mais.

Então Celeste fez sua entrada.

Ela flutuou para dentro do salão, uma visão em seda verde-esmeralda, diamantes brilhando em seu pescoço e pulsos. Todas as cabeças se viraram. Todas as conversas pararam. Ela estava radiante, elegante, a própria imagem da riqueza e da graça. Seus olhos, no entanto, encontraram os meus do outro lado da sala lotada, e um sorriso frio e conhecedor brincou em seus lábios.

Gabriel, de seu lugar de destaque perto do palco, a observava com uma adoração que fez meu estômago revirar. Seus olhos, tantas vezes vazios quando olhavam para mim, brilhavam com um desejo indisfarçado. Ele nem tentava esconder.

Celeste, aproveitando a atenção, fez uma varredura teatral em minha direção. Ela parou bem na minha frente, seu sorriso se alargando. Seu colar de diamantes, uma cascata deslumbrante de pedras, brilhava sob os lustres. Era o mesmo colar que Gabriel me deu em nosso quinto aniversário, aquele que ele disse ser "a peça mais linda que já vi", antes de "perdê-lo" durante a falência.

"Oh, Aléxia", ela arrulhou, sua voz doce como açúcar. "Você realmente veio. E ainda usando essa... pulseirinha pitoresca." Ela gesticulou para a fina corrente de prata no meu pulso, uma coisinha frágil que veio como brinde de uma joalheria. "Lembro que Gabriel te deu isso. Disse que era o melhor que podia fazer por você. Coitadinha."

Senti uma risada amarga borbulhar na minha garganta, mas a engoli. "O melhor que ele podia fazer", repeti em minha mente. Eu sempre pensei que fosse um símbolo de seu amor, um símbolo de nossas lutas juntos. Agora eu sabia que era apenas um pensamento tardio, um pedaço de sucata comparado aos tesouros que ele esbanjava com ela.

Meu rosto permaneceu inexpressivo. Senti uma necessidade súbita e desesperada de escapar.

"Com licença", murmurei, minha voz monótona. "Preciso de um pouco de ar."

Virei-me e me afastei, indo em direção à porta discreta que levava a um pequeno lounge.

Ouvi o clique suave de seus saltos atrás de mim. Ela me seguiu. Eu sabia que ela faria isso.

Entrei no lounge, uma sala pequena e luxuosa com iluminação suave. Antes que eu pudesse me virar, sua voz cortou o silêncio.

"Então, ouvi sobre seu pequeno 'acidente' no canteiro de obras, Aléxia. Deve ter sido difícil." Seu tom estava carregado de falsa simpatia. "E seu filho... uma verdadeira pena, não é? Um lugar tão perigoso para uma criança."

Meu sangue congelou em minhas veias. Meu corpo inteiro ficou rígido. Como ela sabia? Como ela sabia sobre Léo? Ninguém fora do nosso círculo imediato sabia dos detalhes. Gabriel e eu mantivemos isso em segredo, querendo proteger a pouca dignidade que nos restava. A menos que...

Virei-me lentamente, minha voz um sussurro rouco.

"O que você disse?"

Celeste riu, um som leve e tilintante que irritou meus ouvidos.

"Oh, querida, não me diga que você não ouviu. O pobre menino. Aqueles cães... eles realmente fizeram um estrago nele, não é? Que pena."

Ela observou meu rosto, seus olhos brilhando com prazer sádico.

Uma dor lancinante explodiu em meu abdômen. Não emocional, mas física. Foi como se um punho tivesse me atingido no estômago. Minha respiração saiu de uma vez. Olhei para baixo, minha visão embaçando. O pé de Celeste, envolto em um salto alto pontudo e brilhante, estava se afastando do meu estômago. Ela tinha me chutado. Com força.

Eu arquejei, um som estrangulado de pura agonia. Meus joelhos cederam. Caí no chão, agarrando minha barriga. A dor era cegante, intensa. Senti o gosto de sangue na boca. Minha cabeça bateu no tapete macio com um baque surdo.

Mas mesmo enquanto a dor me dominava, uma centelha de cálculo frio e duro se acendeu em minha mente. Ela queria me machucar. Ela queria acabar comigo. Eu não lhe daria essa satisfação. Minha mão trêmula procurou a pequena e afiada lâmina de sobrancelha que eu guardava na bolsa. Eu a peguei, sentindo o metal frio.

Com uma mão desesperada e trêmula, arrastei a lâmina pela palma da minha mão, um corte superficial, mas suficiente. Então eu gritei. Um som cru e penetrante que rasgou o lounge silencioso, ecoando pelas paredes.

"Socorro! Ela está me atacando! Ela está tentando me matar!"

A porta se abriu com um estrondo. Gabriel. Seus olhos, geralmente tão opacos, estavam arregalados de alarme. Ele me viu no chão, o sangue na minha mão, a lâmina ao meu lado. Seu olhar imediatamente voou para Celeste, que agora estava encolhida contra a parede, seu rosto uma máscara de terror.

"Celeste! Meu Deus, você está bem?", ele gritou, correndo para o lado dela. Ele a puxou para seus braços, protegendo-a. "O que você fez, Aléxia? Você enlouqueceu completamente?"

Celeste, com a voz trêmula, soluçou em seu peito.

"Ela... ela simplesmente enlouqueceu, Gabriel! Ela tinha uma faca! Ela tentou me machucar! Ela sempre foi tão ciumenta, tão instável..."

Suas palavras eram uma torrente de mentiras, me pintando como a agressora, a louca.

Tentei falar, explicar a dor lancinante em meu abdômen, o chute brutal que ela havia desferido. Mas as palavras não saíam. Minhas entranhas estavam em chamas, uma dor torturante e insuportável. Minha cabeça girava.

Gabriel olhou para mim, seu rosto contorcido de nojo.

"Você fica aí, em silêncio? Você sempre faz isso, Aléxia. Sempre se fazendo de vítima, e depois se recusa a se explicar."

Ele viu a pequena lâmina no chão. Ele a pegou, seu rosto endurecendo ainda mais.

Sem uma palavra, sem um olhar em minha direção, ele atirou a lâmina. Ela girou no ar, brilhando sob a luz difusa. Atingiu minha testa com um baque doentio. Uma dor aguda floresceu acima do meu olho. Um líquido quente escorreu pelo meu rosto, borrando minha visão com vermelho.

"Você é uma mulher grosseira e sem cultura, Aléxia", ele cuspiu, sua voz carregada de desprezo. "Você não merece estar aqui. Você não merece nada. Celeste, minha pobre Celeste, ela nem pode ter filhos, e você a trata assim. Você é um monstro."

Ele então, com cuidado e ternura, levantou Celeste em seus braços. Ele não viu a poça de sangue se espalhando lentamente debaixo de mim. Ele não viu meu vestido rasgado. Ele apenas a carregou para fora, me deixando sangrando no chão.

A porta se abriu novamente, e ouvi sussurros abafados, suspiros horrorizados.

"Você viu aquilo? Ela realmente a atacou!"

"Pobre Celeste, sempre tão gentil, e aquela mulher... uma bruta."

"Ela nunca se importou com o Gabriel, sempre quis apenas o dinheiro dele, provavelmente. Agora está atacando a família dele."

As vozes nadavam ao meu redor, um coro de condenação. Minha cabeça latejava. Meu abdômen queimava. O mundo começou a desaparecer, lentamente no início, depois rapidamente, em um vasto e silencioso vazio.

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