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Capa do romance Quando o Amor Morre e as Memórias Desvanecem

Quando o Amor Morre e as Memórias Desvanecem

Casei com um homem que me despreza para salvar minha avó, escondendo que fui eu quem doou medula para ele. Quando precisei de ajuda para a cirurgia dela, ele riu, ignorando meu apelo e a gravidez que eu mantinha por um acordo bilionário. Após perder minha avó e o bebê, decidi apagar as memórias dele e pedir o divórcio. Agora, ele retorna implorando por perdão, mas diante de seu choro, apenas pergunto quem ele é, pois para mim, ele agora é um completo estranho.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Alice Ferreira:

A vida da minha avó estava por um fio, um único e frágil fio que ameaçava se romper. O quarto do hospital, estéril e frio, parecia uma tumba. Os médicos explicaram a cirurgia de emergência que ela precisava, o custo astronômico e as chances terrivelmente baixas de sobrevivência sem ela. Minhas mãos tremiam enquanto eu segurava a conta amassada do hospital, os números se embaralhando através dos meus olhos cheios de lágrimas. Eu não tinha aquele tipo de dinheiro. Nem de perto. Caio havia se certificado disso, congelando todas as nossas contas conjuntas, me deixando com nada além da roupa do corpo e uma montanha de despesas legais.

Havia apenas uma pessoa que poderia ajudar. O pensamento era uma pílula amarga de engolir, mas eu não tinha escolha. A humilhação era um preço pequeno a pagar pela vida dela. Eu tinha que encontrar Caio. Eu tinha que implorar.

Eu o encontrei em seu clube particular, o ar denso com fumaça de charuto e o tilintar de copos. Ele estava cercado por sua comitiva usual de bajuladores e aproveitadores, Carla jogada em seu colo, rindo de algo que ele havia dito. Assim que eu estava prestes a me aproximar, sua voz, fria e distante, veio de trás de uma palmeira onde eu tentava me recompor. "Ela é apenas mais uma interesseira, Júlio. Achou que poderia me enganar." Ele estava falando de mim. Sempre sobre mim.

"Mas não foi a Alice que... você sabe", Júlio, seu amigo de longa data e confidente, arriscou cautelosamente, sua voz baixa. "A doação de medula óssea? A anônima, anos atrás, quando você estava tão doente?" Meu sangue gelou. As palavras me atingiram como um balde de água fria. Eu congelei, meu coração batendo forte no peito, cada nervo à flor da pele.

Caio zombou, tomando um longo gole de seu uísque. "Aquilo? A Carla me disse que foi ela, um mês depois que aconteceu. Disse que queria me surpreender, não queria nenhum alarde." Ele fez uma pausa, um olhar estranho, quase melancólico, em seu rosto. "Acontece que foi apenas mais uma das tentativas patéticas da Alice de se fazer de boazinha. De me fazer pensar que ela era uma heroína. Ela sabia que eu ficaria grato. Ela até tentou insinuar, sutilmente, tentando levar o crédito logo depois que nos casamos. Nojento."

Júlio franziu a testa. "Mas eu me lembro de você dizendo que o doador era uma combinação perfeita, e que a pessoa insistiu em permanecer anônima. A Alice tem o mesmo tipo sanguíneo raro, e ela desapareceu por um tempo naquela época. E, Caio, e todas aquelas vezes que ela te ajudou? Os escândalos com os quais você quase se arruinou? A maneira como ela ficou ao seu lado quando todo mundo fugiu? Mesmo quando você a humilhou publicamente, ela nunca revidou. Ela apenas aguentou." Sua voz continha um toque de preocupação genuína. "Você tem certeza de que está sendo justo com ela?"

Caio bateu o copo na mesa, o som ecoando bruscamente na sala opulenta. "Justo? Ela arruinou minha vida! Ela roubou a Carla de mim! E você acha que eu não estou sendo justo?" Ele riu, um som áspero e sem humor. "Eu não estou tentando ser justo, Júlio. Estou tentando quebrá-la. Fazê-la se arrepender de cada dia que passou tentando fincar suas garras em mim. E está funcionando."

Um nó frio e duro se formou em meu estômago. Então era isso. Ele sabia que eu o amava. Ele estava me machucando deliberadamente porque acreditava que eu tinha tirado a Carla dele. Ele achava que estava me punindo, mas estava punindo a si mesmo também. Ele simplesmente não conseguia ver. Ele não conseguia ver além de sua raiva cega e de suas feridas autoinfligidas.

"Ela ainda te ama, sabe", Júlio continuou, sem se abalar. "Mesmo depois de tudo isso, eu vejo nos olhos dela. E você... às vezes, Caio, eu vejo um brilho quando você olha para ela. Um brilho de algo mais do que ódio."

A mandíbula de Caio se contraiu. "Ela é obcecada. É isso que é. E eu sou obcecado pela Carla. Sempre fui. A Alice é apenas um lembrete constante e doloroso do que eu perdi, do que ela tirou de mim. Toda vez que eu olho para ela, tudo o que vejo é seu rosto conivente, seus olhos calculistas, a maneira como ela roubou minha felicidade." Ele tomou outro longo gole de uísque. "E a avó dela? Quem se importa se ela está doente? Provavelmente é apenas mais um dos estratagemas da Alice para chamar a atenção, para me culpar por algo."

Suas palavras foram um soco no estômago. Minha avó. Minha doce e gentil avó, à beira da morte, e ele podia descartar seu sofrimento tão casualmente. A raiva que surgiu em mim era diferente de tudo que eu já havia sentido. Queimava, quente e feroz, ameaçando me consumir. A vida da minha avó não era um estratagema. Era real. E ele tinha que pagar por isso.

Eu saí de trás da palmeira, meu coração batendo forte, meu rosto determinado. O riso na sala morreu quando todos os olhos se voltaram para mim. Os olhos de Carla, arregalados de surpresa e um toque de pânico, saltaram de mim para Caio. Ela rapidamente se recompôs, um sorriso de escárnio se instalando em seu rosto.

"Ora, ora, vejam só o que o gato trouxe", a namorada de Júlio, uma mulher com maquiagem demais e empatia de menos, ronronou, sua voz pingando veneno. "Ainda correndo atrás do que não é seu, Alice? Você não sabe quando desistir?" Ela riu, e alguns dos amigos de Caio riram junto com ela.

"Você não aprendeu sua lição no tribunal, queridinha?" outro interveio, lembrando a humilhação pública das falsas acusações de agressão. "Algumas pessoas simplesmente não sabem quando não são queridas." Suas palavras eram farpas, projetadas para me derrubar, para me lembrar do meu lugar. Mas eu não podia me importar menos. Não agora.

Os olhos de Caio se estreitaram, um músculo se contraindo em sua mandíbula. Ele se levantou, empurrando Carla gentilmente de seu colo, seu olhar fixo em mim, frio e duro. "O que você quer, Alice? Já não causou problemas suficientes por um dia?" Sua voz era baixa e perigosa, um aviso.

"Minha avó precisa de uma cirurgia de emergência, Caio", eu afirmei, minha voz surpreendentemente firme apesar do tremor em minhas mãos. Eu estendi a conta amassada do hospital, minha vergonha momentaneamente esquecida. "Os médicos dizem que ela não vai sobreviver sem ela. Eu preciso do dinheiro. É uma questão de vida ou morte."

Júlio, ainda parecendo desconfortável, pegou a conta da minha mão, seus olhos percorrendo os números. "Milhões de reais? Caio, isso é sério." Ele olhou para Caio, um apelo silencioso em seus olhos.

Caio arrancou a conta da mão de Júlio, seus olhos mal olhando para os números. "E por que eu deveria me importar, Alice? O que te faz pensar que eu te devo alguma coisa?" Ele amassou o papel em seu punho, sua raiva explodindo. "O que é isso, outro dos seus esquemas?" Ele parecia esquecer a enorme quantia de dinheiro que eu havia pago a ele e sua família pelo tratamento de medula óssea anos atrás.

Eu mordi o lábio, lembrando do aviso da Sra. Medeiros. *Não revele, sob nenhuma circunstância, o acordo de barriga de aluguel a ninguém. Nem mesmo a Caio. Se você o fizer, o acordo está desfeito, e você não recebe nada.* Eu não podia arriscar o bilhão de reais que me foi prometido por um acordo de barriga de aluguel após o nascimento do bebê. Aquele dinheiro era a última chance da minha avó. "É... é parte do nosso acordo, Caio", eu disse, escolhendo minhas palavras com cuidado. "Aquele que fizemos depois do casamento. Para o cuidado dela."

Caio zombou. "Ah, aquele acordo? Aquele em que você prometeu ser uma esposa dedicada e ficar fora do meu caminho? Engraçado, não me lembro de nada sobre eu financiar as emergências médicas da sua família." Ele se inclinou mais perto, sua voz um rosnado baixo. "A menos que... a menos que você esteja finalmente pronta para me dar algo em troca. Algo que eu realmente queira." Seus olhos me percorreram, um brilho predatório em suas profundezas. "A Carla está aqui, e ela precisa voltar para a mansão. Você me deve pelo menos isso. Você vai levá-la. E talvez então, possamos discutir a situação da sua avó."

Meu estômago se revirou. Levar a Carla. Sua amante. A mulher que havia roubado minha vida e, agora, talvez, a última chance da minha avó. Minhas mãos se fecharam em punhos, minhas unhas cravando em minhas palmas. Mas o rosto da minha avó, pálido e fraco, passou diante dos meus olhos. Eu tinha que fazer isso. Eu não tinha outra escolha. Este era meu último recurso.

"E quanto à minha condição?" Eu perguntei, minha voz mal passando de um sussurro, segurando meu estômago. "Os médicos me disseram que preciso ter cuidado. Não posso ficar sob muito estresse." Eu estava grávida, um segredo que ainda carregava, física e emocionalmente.

Ele riu, um som frio e vazio. "Sua condição? Por favor, Alice. Você é sempre tão dramática. Apenas a leve. Ou não. O destino da sua avó está em suas mãos." Ele se virou, me dispensando tão facilmente quanto espantaria uma mosca. "Não vou discutir mais isso. Você sabe o meu preço."

"Vadia egoísta", Carla murmurou alto o suficiente para que todos ouvissem, envolvendo os braços na cintura de Caio, agarrando-se a ele possessivamente. "Sempre fazendo tudo sobre si mesma. Sua avó provavelmente está ótima." O riso de seus amigos, os sorrisos de escárnio, os olhares de julgamento - tudo isso me atingiu, uma onda de humilhação. As palavras venenosas dos amigos dele, da namorada de Júlio, eram agulhas me perfurando.

Mas a imagem do sorriso desvanecido da minha avó, a memória de seu abraço amoroso, alimentou uma nova determinação. Eu suportaria qualquer coisa por ela. Qualquer coisa. Respirei fundo, meu queixo tremendo, mas mantive a cabeça erguida. "Tudo bem", eu engasguei, a palavra com gosto de cinzas. "Eu farei isso."

A viagem com Carla foi um borrão de sua conversa incessante, seu riso zombeteiro, sua crueldade casual. Meu corpo inteiro doía, uma dor profunda e penetrante que se instalou em meus ossos. Minha cabeça latejava, e uma náusea surda e constante revirava meu estômago. Segurei o volante com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos, tentando me concentrar na estrada, tentando não pensar na aposta desesperada que estava fazendo. Minha visão nadava, as luzes da rua se transformando em linhas borradas. Senti uma forte onda de tontura, meu estômago embrulhando.

De repente, uma dor aguda e excruciante rasgou meu baixo-ventre, muito pior do que qualquer coisa que eu já havia sentido. Era uma sensação ardente, dilacerante, como se algo estivesse sendo rasgado dentro de mim. Minha respiração falhou, um grito silencioso preso na minha garganta. Pressionei a mão contra meu estômago, tentando afastar a dor, mas ela só se intensificou, irradiando para fora, consumindo todo o meu ser. Meu corpo convulsionou, um tremor violento me sacudindo da cabeça aos pés.

"O que há de errado com você?" Carla estalou, olhando para mim com nojo. "Você está tentando nos matar? Preste atenção!"

Minha visão embaçou, a dor avassaladora. Eu não conseguia respirar. Eu não conseguia pensar. Tudo o que eu conseguia registrar era a agonia ofuscante, a necessidade desesperada de que parasse. *Não, agora não. Por favor, agora não.* Parei o carro, minhas mãos tremendo incontrolavelmente, e mal consegui desligar o motor antes de desabar contra o volante, meu corpo sacudido por soluços silenciosos.

"Apenas termine a maldita viagem!" Carla gritou, sua voz estridente, puxando meu braço. "Qual é o seu problema?"

"Vá para o inferno", sussurrei, as palavras mal audíveis, meu corpo convulsionando com uma nova onda de dor. Meus olhos reviraram, incapazes de focar. O mundo estava girando, um caleidoscópio vertiginoso de dor e medo. Meu último pensamento coerente foi da minha avó, sua mão frágil na minha. *Me desculpe.*

"Alice! O que há de errado com você?" A voz de Caio, tingida com algo que soava suspeitamente como preocupação, cortou a névoa de dor. Ouvi passos, depois sua mão em meu ombro, me sacudindo. "Alice! Responda!" Ele parecia... em pânico? Era um som estranho e perturbador que eu nunca tinha ouvido dele antes. Meu mundo ficou preto.

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