
Quando o amor desafia a razão
Capítulo 2
"Tire esse vestido extravagante e essas bugigangas de mau gosto. Não precisamos de uma cerimônia para você ser minha esposa."
Quando a voz autoritária de Alden ecoou pelo quarto, Helena ergueu a cabeça, a perplexidade estampada no seu rosto.
Então, o rapaz continuou descrevendo suas exigências com uma precisão fria. "Ninguém fora da família saberá desse matrimônio. Não haverá divórcio enquanto o projeto de desenvolvimento não for concluído. E não poderá haver nenhum escândalo. Cumpra essas condições e o dinheiro será seu. Entendido?"
Antes que a paciência de Alden se esgotasse completamente, a percepção surgiu em Helena.
Ele realmente estava concordando que ela ocupasse o lugar de Emily?
Temendo que o homem pudesse repensar, Helena tirou o colar e os brincos apressadamente, depois despiu o vestido de noiva, ficando apenas de calcinha e sutiã.
"Pretende sair daqui seminua?", perguntou o rapaz, sua voz carregando um tom irônico.
Helena congelou, a realidade se abatendo sobre ela novamente.
Com uma indiferença de quem fazia por fazer, Alden pegou duas alianças do bolso e deslizou uma no dedo esguio da garota à sua frente.
A surpresa se estampou no rosto dela, porque a aliança envolvia seu dedo com perfeição, como se tivesse sido feito especialmente para ela.
"Este anel deve ser bastante valioso. Vou guardá-lo bem e te devolver quando nos divorciarmos", ela disse cautelosamente.
Alden permanecia em silêncio enquanto Helena colocava a outra aliança no dedo dele.
Sem cerimônia ou bênçãos da família, eles se casaram em um cartório da cidade.
Após entregar a Helena as chaves da nova residência deles, Alden solicitou ao seu assistente, Xavier Ashton, a acompanhá-la até lá.
Foi só depois que ela entrou no carro e partiu que ele atendeu a ligação do seu amigo, Dorian Morrison.
"Finalmente conseguiu fisgá-la com seu esquema de mestre?", Dorian perguntou, dando uma risadinha maliciosa.
Alden girou a aliança no seu dedo, depois abriu a mão e observou a mancha vermelha deixada pelos lábios carnudos de Helena, arqueando uma sobrancelha.
"Estamos casados legalmente agora. Sem esquemas envolvidos", ele afirmou secamente.
-
"Está dizendo que o toque de um homem aliviou sua crise de ansiedade?"
No consultório, a amiga e psicoterapeuta de Helena, Valeria Clark, mantinha uma expressão de profissionalismo enquanto registrava sua situação.
Helena estava recostada no sofá, a mente perdida em outro lugar.
Foi exatamente assim que tudo aconteceu. Alden a havia ajudado, e de alguma forma eles acabaram casados.
Dois meses se passaram, mas seu casamento ainda parecia uma ilusão, ou mera fantasia.
Soltando um suspiro profundo, Helena perguntou: "Valeria, você acha que minha condição pode ser resolvida algum dia?"
Ela havia procurado tratamento terapêutico, sonhando com o dia de se casar e ter filhos. No entanto, agora esse objetivo parecia ter se tornado impossível. Afinal, casara-se com Alden, um homem que nunca teria relações íntimas com alguém como ela.
Valeria olhou para a aliança que adornava o dedo de Helena, visivelmente aborrecida com a presença da peça.
"Seu transtorno psicológico vem de memórias que você perdeu há vinte anos. Quando essas lembranças ressurgirem, a melhora deve ser rápida. Mas, falando como sua médica e amiga, recomendo uma avaliação geral da sua saúde quanto antes."
Helena se endireitou na cadeira, a ansiedade se intensificando. "Por quê?"
Permanecendo com seu semblante neutro deliberadamente, a profissional respondeu: "Você se casou com um completo estranho sem me consultar. É sensato suspeitar que seu cérebro possa ter passado por algum trauma desconhecido."
Helena ficou em silêncio, o sarcasmo da amiga a atingindo mais do que o pretendido.
Foi Valeria quem providenciou o médico responsável pelo tratamento do seu pai e até cobriu vários meses de despesas médicas.
Como amiga, Valeria já fez muito por Helena, então não era justo que ela a sobrecarregasse ainda mais.
Felizmente, a família Simpson havia cumprido o acordo e levado o pai dela de volta à casa de repouso. Agora, ela só precisava aguentar até o projeto de desenvolvimento ser concluído e Alden se divorciar dela sem mais questionamentos.
Depois da sessão, Helena se despediu da profissinal e foi para o prédio ao lado da Nexus TV.
Sendo uma âncora do tempo, nesse dia, ela estava preparada para qualquer transmissão climática não programada.
Nos bastidores, Eleanor Murphy, a âncora do noticiário noturno, conversava animadamente com suas colegas.
"Ficaram sabendo? Alden, herdeiro do Grupo Wilson que voltou do exterior recentemente, virá à emissora hoje para uma entrevista."
Com essas palavras pairando no ar, a mão de Helena tremeu visivelmente enquanto passava maquiagem, e, assim, o batom escorregou, deixando um traço borrado em seus lábios.
Alden estava vindo para a emissora?
Durante esses dois meses, ele mal havia pisado na casa que moravam juntos. Eles estavam seguindo as exigências impostas à risca, mantendo o relacionamento em segredo.
Devido à sua profissão, Helena saía cedo todas as manhãs, e assim suas vidas permaneciam completamente separadas. Contudo, ela nunca havia imaginado encontrar seu marido no lugar de trabalho.
Estalando a língua em desdém, uma das colegas de Eleanor respondeu: "Herdeiro? Não ficou sabendo? Alden sofreu um acidente que afetou sua audição completamente. Como a família dele teria a coragem de confiar um império tão imenso a alguém... deficiente como ele?"
Outra voz entrou na conversa com uma rispidez casual: "Se ele tem uma deficiência, por que não ficou no exterior vivendo da riqueza da família?"
A risada de Eleanor irrompeu na atmosfera. "Ele provavelmente voltou para não deixar a propriedade da família cair nas mãos do irmão. É uma pena... pois ele é um bonitão. Se não fosse pela sua... deficiência... com certeza valeria a pena investir."
Ao ouvir isso, alguém alertou com uma preocupação fingida: "Cuidado com a língua, Eleanor. Depois da tragédia, quem sabe se os ouvidos dele foram a única vítima?"
Outra onda de gargalhadas percorreu o local, aguda e perversa.
Logo atrás da porta ligeiramente aberta, Alden estava parado, sua expressão como uma pedra esculpida, enquanto as farpas de zombaria eram absorvidas. Essas ridicularizações já haviam se tornado sua companhia diária.
Se agitando em indignação, Xavier começou: "Senhor Wilson, vou..."
Antes que ele pudesse terminar de falar, Helena, que estava se maquiando em silêncio, se levantou da cadeira abruptamente e bateu seu estojo de maquiagem sobre a mesa com uma força deliberada, o baque forte ecoando como um trovão.
Instantaneamente, a fofoca se dissipou, e as cabeças se desviaram para ela, os olhos arregalados de espanto com a interrupção inesperada.
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