Capa do romance Quando o Amor Deixa de Ser Nosso

Quando o Amor Deixa de Ser Nosso

8.1 / 10.0
Clara abdicou de seus sonhos por Arthur, mas cinco anos de dedicação ruíram ao flagrar sua traição. Diante da proposta dele por um casamento aberto, ela aceita como parte de um plano de libertação. Ao retomar sua carreira, reencontra Henrique, um antigo apaixonado agora poderoso, que lhe oferece um novo caminho. Enquanto Clara floresce, Arthur se afunda em ciúmes e culpa após uma tragédia com sua amante, forçando-a a escolher entre o peso do passado e sua nova vida.

Quando o Amor Deixa de Ser Nosso Capítulo 1

O cheiro do molho tomava conta da cozinha. Clara mexia a panela distraída, tentando disfarçar o nervosismo que crescia cada vez que olhava o relógio. As velas já estavam acesas, o vinho respirando, a mesa posta com o capricho que só ela tinha. Tudo estava do jeito que Arthur gostava.

Cinco anos de casamento. Cinco anos de um amor que ela acreditava ser o tipo que dura pra sempre.

Ele mandou mensagem dizendo que ainda estava resolvendo algo no escritório. "Chego em vinte minutos."

Fazia mais de uma hora.

Clara olhou o celular, suspirou. Tentou se convencer de que ele estava preso no trânsito, que talvez tivesse parado pra comprar flores, quem sabe uma sobremesa. Arthur sempre fazia essas pequenas surpresas. Ele era assim - atencioso, gentil, um marido que parecia saído de um sonho.

Mas aquela noite tinha algo estranho. Um silêncio incômodo dentro da casa, uma solidão que ela não sabia explicar.

Pra se distrair, abriu o WhatsApp. No grupo das amigas, risadas, mensagens, fotos de jantares, drinks, um pouco de tudo. Até que uma imagem fez o coração dela parar por um instante.

Era a Marina, uma das meninas da faculdade, jantando em um restaurante elegante. Até aí, tudo normal. Mas o problema era o restaurante.

Clara reconheceu o cenário de imediato - o La Terraza, o lugar que guardava cada lembrança boa do casal: o primeiro encontro, o pedido de casamento, as comemorações de aniversário.

Aquela era "a mesa deles".

E na foto, bem ao lado do prato de entrada, ela viu algo que fez o estômago revirar.

A mão dele.

O relógio prateado que ela mesma dera no último Natal.

Por alguns segundos, o mundo ficou em silêncio. O som do relógio da parede parecia distante, como se o tempo tivesse parado.

Clara não pensou. Apenas pegou a bolsa e as chaves.

O vento lá fora estava frio, cortante. As luzes da cidade passavam rápidas pela janela do carro enquanto ela dirigia. O coração batia descompassado, as mãos tremiam no volante.

Quando estacionou em frente ao restaurante, ficou parada por um tempo, observando através do vidro.

E então viu.

Arthur.

Sorrindo.

Com outra mulher.

Ela estava de vermelho. Jovem, linda, com aquele tipo de leveza que só quem ainda não viveu o peso do amor tem.

Clara desceu do carro. Caminhou até a porta. Cada passo parecia ecoar dentro dela. O garçom tentou detê-la, mas ela apenas sorriu - um sorriso tenso, sem alma - e entrou.

Arthur demorou alguns segundos pra perceber. Quando o fez, o riso morreu no rosto dele.

- Clara... - a voz saiu fraca, quase um sussurro.

Ela parou diante da mesa.

- Espero que a comida esteja boa. O La Terraza nunca decepciona, não é?

A outra mulher abaixou os olhos. Arthur ficou pálido, tentando se levantar.

Clara ergueu a mão, firme.

- Não precisa se explicar. Eu só vim confirmar o que o meu coração já sabia.

Silêncio. O tipo de silêncio que grita.

Ela respirou fundo, sentiu as lágrimas queimarem por trás dos olhos, mas não deixou que caíssem.

- Feliz aniversário de casamento, Arthur.

Virou-se e foi embora, deixando pra trás o homem que jurou amá-la "até o fim"

Continue Lendo

Quando o Amor Deixa de Ser Nosso de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance Amor e Ódio: O Despertar da Fúria
9.7
Ana Lúcia morre após perder a filha e a mãe em tragédias armadas. Como espírito, descobre que seu marido, Pedro, e a sogra planejaram tudo para roubar sua herança de 50 milhões. Consumida pelo ódio, ela desperta milagrosamente no início do mesmo dia fatídico. Com Sofia viva ao seu lado e o dinheiro na conta, Ana inicia um contra-ataque gélido. Agora, ciente da ganância de Pedro, ela usará sua segunda chance para destruir os traidores e garantir sua vingança.
Capa do romance Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
9.4
Laura fugiu do Brasil para proteger a família de um pai abusivo. Em Nova York, sem documentos e com dívidas médicas, ela se torna babá do filho de Rafael Monteiro, um CEO bilionário e frio. Rafael, marcado pelo luto, evita sentimentos, mas a conexão entre Laura e o pequeno Enzo começa a derreter seu coração. Entre o desejo proibido e o medo de amar novamente, o passado de ambos e a situação ilegal de Laura ameaçam destruir essa chance de felicidade.
Capa do romance Forçada a Casar
8.7
Traída pelo noivo com a própria meia-irmã, Sandra decide afogar suas mágoas em uma noite intensa com Levi. O que ele julgava ser apenas um encontro casual se transforma em algo sério quando ela ressurge com uma proposta de casamento por contrato. Em busca de vingança, ela aceita a fama de playboy dele, focando apenas em seus planos. Sandra acredita dominar a situação, mas Levi usará todos os seus truques para conquistar seu coração e derrubar suas barreiras.
Capa do romance Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia
9.5
Após anos de desprezo, Lia é forçada pela família Almeida a cuidar da matriarca, Dona Amélia. Sob o olhar frio da sogra e a traição de Pedro, que ridiculariza o seu trabalho como escritora, ela é reduzida a uma mera empregada. O ápice da humilhação surge quando o marido a insulta abertamente, ignorando o seu sofrimento. Determinada a recuperar a dignidade, Lia foge na calada da noite, iniciando uma batalha judicial pelo divórcio e pela sua liberdade.
Capa do romance Mesada, Mentiras e um Ex Secreto
8.0
Após cinco anos de casamento, descobri que Ricardo escondia sua verdadeira fortuna. Enquanto eu economizava cada centavo e cuidava do nosso filho com uma mesada ínfima, ele desviava trezentos mil reais para sua ex-mulher. Confrontado, ele e seus pais defenderam a traição financeira como uma obrigação. Cansada de mentiras e privações, decidi agir. Com o apoio de uma advogada, iniciei uma batalha judicial para recuperar o futuro que ele roubou de nossa família.
Capa do romance Pecadora
9.4
Eu ri, deitada ao lado da minha irmã, ambas apertadas na minha cama de solteiro, como costumávamos fazer nas manhãs de domingo. Era engraçado como Rebeca sempre me fazia sentir livre e solta como normalmente eu não era. Eu sempre tinha sido tímida e quieta; ela, extrovertida e espalhafatosa. - Você​ri?​-​Ela​me​empurrou​com​o​ombro, pressionando-me contra a parede. Empurrei-a de volta, e ela quase caiu. Gargalhamos. Então ela envolveu minha cintura com um braço e ergueu o rosto, olhando para mim e dizendo, inesperadamente: - Estou grávida. Gelei, muda. Virei minha cabeça sobre o travesseiro e busquei os olhos dela, pensando ser mais uma brincadeira. Mas ela estava séria. Deixou a cabeça cair no meu travesseiro e ficamos nos encarando. Senti medo por ela. Minha irmã é quase dois anos mais velha do que eu, mas ainda assim tinha só dezoito anos. Ameacei chorar, mas me segurei. Murmurei, angustiada: - Meu Deus... - Deus não tem nada a ver com isso, Isabel. Ou talvez tenha... - Ela deu de ombros. - Você vai ser titia. - Rebeca, você sabe que isso vai ser uma tragédia aqui em casa. - Eu me ergui e me sentei, tensa. - Papai e mamãe... - Vão querer me matar. Ou melhor, me casar - brincou ela, de novo. Ela se sentou também, passando a mão pelo cabelo curto, na altura do pescoço, em cachos desconexos. Era totalmente diferente do meu, que passava da cintura, como fora o dela um dia, antes de se revoltar e cortar tudo, episódio que quase lhe custara uma surra do nosso pai. - Casar com quem? Quem é o pai do bebê? - Como vou saber, Isa? - debochou ela. - Pode ser qualquer um dos dez ou vinte com quem transei nos últimos tempos. - Ah, Rebeca! - Segurei suas mãos, nervosa. Não concordava com muitas das loucuras dela, mas, no fundo, eu a entendia. E me preocupava, por sua causa e por nossos pais. - Você faz isso só para confrontar os dois! - Faço porque quero! Sou livre! Sou maior de idade e trabalho. Vou contar a eles sobre a gravidez, alugar um quarto e sair daqui. Vou me livrar dessa loucura toda! - Não é loucura. - Tentei justificar. - Papai é pastor e... - Loucura! - repetiu, irritada. - Opressão! É isso o que ele faz com essa igreja que ele criou. Isso não é religião, Isabel. Deus não é essa infelicidade toda que somos obrigadas a suportar. Conheço muita, muita gente cristã que está longe de viver oprimida como nós. Uma parte de mim pensava como ela. Mas, criada desde pequena de maneira rígida, eu tinha medo daqueles pensamentos. Temia também pela salvação da minha irmã, que eu amava mais do que tudo. - Escute... - Coloquei a mão em seu rosto, com carinho e preocupação. - Não precisa dessa revolta toda. Você se machuca e magoa nossos pais, Rebeca. Pode falar o que quiser sem... - Falar o que quero? Desde quando? Não me faça rir, Isa! - Ela suspirou, mas não se afastou. - Sabe que eles não aceitam! É aquela religião maldita deles. - Não diga isso - briguei com ela. - É a nossa religião!
Capítulos
Leia agora
Compartilhar