
QUANDO O AMOR BATE À PORTA
Capítulo 2
Após o almoço vou para área na parte de atrás da casa, as vezes quando fico ansiosa, ou com os sentimentos a flor da pele me expresso pintando ou desenhando, chegando lá noto pequenas pernas escondidas junto com as minhas latas de tinta.
— Felícia, o que está fazendo aí escondida ? — Pergunto me abaixando e ficando agachada junto com a minha irmazinha mais nova. Felícia é a caçulinha da casa tem apenas 5 anos, é a mais mimada por todos nós, uma menina doce, e de uma alegria contagiante, por isso estranho seu semblante triste e cabisbaixo.
— Sabe irmãzona eu estou um pouquinho "tisti".— Ela diz com seu jeitinho infantil, meio fungando.
— Por que Fefe ? O que aconteceu que te deixou triste assim? — Digo ficando preocupada, quando olho para seus olhos e vejo que ela está chorando, Felícia nunca foi de fazer dramas, então algo realmente há entristeceu.
—É que você passou naquela escola de "artes práticas" e agora vai embora e eu vou ficar com sudade de você. Eu vou sentir muita falta da irmãzona. — Agora entendo o por que dá tristeza dela , Felícia é muito inteligente e sabe que minha faculdade fica em outra cidade. Eu também vou morrer de saudades deles , minha família é tudo que tenho.
— O nome é "artes plásticas", e Fefe, você sabe que este é o sonho da irmãzona, não sabe ? — Digo tentando acalma-lá olhando em seus lindos olhos castanhos claros , limpando as lágrimas que escorrem por eles. Então ela concorda com a cabeça atenta no que eu irei dizer.
—Então...Um dia você também vai ter um grande sonho, assim como eu, e quando você estiver prestes a realizar ele eu vou estar com você, torcendo por você, seja qual sonho for. Por que por mais longe que a irmã possa ir o meu coração vai continuar aqui com vocês sempre.
— Mas o que eu vou fazer quando estiver com muita sudade de você Flora. — Ela me questiona de um jeito indignada e até meio brava cruzando os braços.
— Você pode me ligar Fefe, pode me mandar mensagens, quando a irmã conseguir um serviço quem sabe você pode ir passar as férias comigo lá na capital. — Digo para ela dando um sorriso sincero. Ela abre um sorrisinho pela primeira vez desde que me agachei perto dela.
— Isso seria muito legal neh Flora, a gente ia poder passear um montão, e a mamãe, o papai, a Nanda e a Flavinha iriam junto.— Ela diz já toda empolgada, olhando pra mim e seus olhos brilham de alegria.
— Claro que sim Felícia, todo mundo junto, lá em São Paulo tem muito lugares legais pra conhecer, museus, shopping, zoológico.— Digo levantando e oferecendo as mãos para ela levantar também, já que ela já não está mais chorando e já parece mais alegre.
— Uau isso ia ser muito "malaviloso" irmãzona.— Ela diz olhando pra mim.
— Então agora chega de chorar ok! — Digo dando um beijo nela e ela logo concorda e sai procurando Flávia para brincar.
Passo a tarde adiantando algumas encomendas de quadros que tinha para terminar. E quando vejo já é final da tarde quase anoitecendo, sigo e entro dentro de casa para tomar um banho e tirar toda tinta. Saio do meu quarto já pronta de pijama quando vejo meu pai sentado no sofá com uma cara cansada.
— Oi pai! Que carinha é está?— Digo observando-o atentamente.
— Nada demais filha, o serviço que é cansativo as vezes só isso. — Ele diz de um jeito bem exausto. Meu pai, sempre trabalhou como padeiro, sempre quis subir de cargo e ser chefe da padaria, porém como não tem estudo e terminou apenas o ensino fundamental, nunca deram oportunidade.
— Pai, já não está na hora de tirar suas férias, elas já venceram neh? — Digo para ele.
— Sim filha ! Mas seu Mota falou que agora não tem como, pois estão com desfalques no nosso setor.— Entendo a situação, com desfalque de funcionários sobram mais serviços pra ele e os outros, que tem que dar conta de tudo com a equipe desfalcada.
— Ai pai! Não sei como o senhor aguenta, quando eu for trabalhar, quero trabalhar em algo que eu ame, para não me estressar tanto assim ! — Fernanda diz do seu jeito meio maluquinha de ser, ela está deitado no sofá com a cabeça no colo do meu pai enquanto ele passa as mãos pelos longos cabelos castanhos dela.
—Sabe filha, por mais que você encontre o serviço dos seus sonhos, vai ter dias que você não vai amar ele tanto assim. Você vai estar cansada, ou até mesmo entediada. Mas isso não é relevante, o que importa é que nesses dias, você faço o melhor que puder e de o melhor de si. Volte para casa respire fundo, e outros dias melhores surgirão.—Ele diz dando um sorriso singelo e ela concorda pensando no ele falou.
— E você minha filha já sabe quando vai fazer a matrícula, e começar a arrumar suas coisas. — Ele olha para mim de um jeito entusiasmado. Dou um grande sorriso e lhe digo.
— Tenho trinta dias para fazer a matrícula, e mandar os documentos, vou começar a ajeitar minhas coisas na semana que vem e espero ir daqui 2 semanas.— Digo de forma empolgada.
— Vou sentir tanto sua falta Flora, mais estou muito feliz por você sei que vai tirar de letra a faculdade. — Fernanda diz olhando mim e dando um sorriso doce.
— Também vou sentir saudades Nanda, de todos vocês na verdade, mas nós vamos conversar por telefone todo dia tah bom. — Digo para ela e meu pai.
— Venha aqui filha! Venha sentar aqui com a gente um pouco, quero minhas meninas pertinho de mim enquanto ainda posso — Meu pai diz e me chama para perto onde ele está com Fernanda. Sento-me com eles e não demora até mamãe vir com um pote de pipoca com Flávia e Felícia junto. Sentamos todos amontoados no sofá e assistindo a algum filme que passa na Tv, mas nem noto qual é, a única coisa que reparo é em como irei sentir falta de cada um deles e desses momentos, desses programas em família todos juntos, então decidi guardar tudo na mente e no coração, por que sei que alguns pequenos momentos não voltam mais, e mas tarde só nos resta recordar .
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