
QUANDO HÁ AMOR
Capítulo 3
ZACCARY
Acabo de sair de mais uma reunião. Uma dessas que, venho esperando á meses, para fechar contrato. A cabeça tem um leve latejar, como se fosse tambores rufando dentro dela. Massageio as têmporas, a fim de amenizar a dor irritante. Estou estressado e sinto que a qualquer momento, a cabeça possa explodir. Preciso de um analgésico urgente! Hoje o dia foi corrido, como todos os outros. Estou cansado. Corpo, mente e alma e sinto que preciso de um banho.
Saio da minha sala, com a pasta em mãos. Passo pela recepção, arrancando suspiros excitados de algumas mulheres, ali presentes.
Reviro os olhos e dou a elas um falso sorriso.
Fúteis e grandes interesseiras. Isso que todas elas são, e eu não dou a mínima para nenhuma delas.
Não sou de ficar com qualquer mulher, mas se eu o fizer que, seja de minha escolha. Sou um homem fechado para relacionamentos. Nunca namorei ou mantive algo sério com uma mulher, além de uma noite selvagem de sexo duro.
Sinto-me sozinho, às vezes, claro. Mas não quero qualquer mulher, para ocupar um espaço na minha vida. Quero que seja especial quando a encontrar. Quero que, ela seja perfeita e feita para mim, tão genuinamente que, nunca em hipótese alguma, eu sinta vontade de deixá-la ir embora.
Suspiro, fugindo dos meus pensamentos por um segundo, assim que encaro Darla na minha frente. Ela tem um largo sorriso.
— Darla, por favor, remarque minhas reuniões para segunda-feira. — Me olha perdida, sem entender.
—Mas, senhor Mitchell...
Dou a ela um olhar reprovador.
— Apenas faça o que lhe mando, Darla, sem questionamentos.
Rapidamente ela pega a agenda e com a caneta em mãos, começa as anotações.
— Sim, senhor. Gostaria de mais alguma coisa, senhor? — Pergunta-me, profissionalmente.
— Não. Obrigada, até mais!
Saio da empresa acompanhado por Antony, meu motorista. Está comigo, desde que me tornei CEO de uma das empresas mais famosas, de toda a Seattle. O trato como se fosse da minha família. Aqui, trata-se de companheirismo e entendo sobre isso muito bem. O tenho como um pai. Quando já estamos na Interestadual, para pegar a avenida, um temporal toma conta de toda a cidade, com trovoadas fortes e relâmpagos que, rasgam o céu. Chega ser assustador.
— Para casa, senhor? — Antony pergunta. Hoje é sexta-feira. E todas as sextas. eu nunca vou para casa, sempre desvio o caminho para um barzinho que, sempre frequento. Gosto de lá. O lugar é aconchegante e me trás boas lembranças, de quando era apenas um adolescente de apenas quinze anos, querendo transar e tentando arrumar uma namorada. Eu rio, com o mero pensamento. Mas hoje não! Hoje quero ir para casa. Estou morto, preciso de um banho, um bom vinho e cama.
— Sim, Antony. — Respondo com cautela.
O barulho da chuva batendo contra o vidro do carro, faz-me perder em pensamentos. Porém, o som de buzinas, é bem mais alto. Baixo o vidro do carro, apenas uma fração, alguns pingos de chuvas pulando para dentro do carro e me molhando, enquanto observo os carros passarem, em alta velocidade, na pista contrária. Ouço algumas pessoas soltarem xingamentos, denunciando seu ódio a quem quer que seja. Os palavrões são jorrados da maneira mais descabida. É horrível a maneira, com que cada uma das ofensas, saem de suas bocas, deixam-me com um ódio insano, ao ouvir cada idiotice. Quem quer que seja, não merece essas piadinhas sem graça.
— Tomara que morra. — Grita um homem, de aparência nojenta, ao volante, um cigarro preso entre os lábios.
— O que diabos está fazendo aí garota? — Mas que pergunta mais idiota.
— Levanta-se daí, aleijadinha. — Dessa vez, uma loira peituda e suas palavras, me incomodam de uma forma absurda.
Mais palavrões e xingamentos, e eu não sou mais capaz de suportar. Quem no mundo, machucaria uma pessoa assim, chamando-a dessas coisas horrorosas?
Quando finalmente nos aproximamos, a bile sobe minha garganta, eu quero matar cada uma daquelas pessoas, por todas as palavras preconceituosas. Eu olho pela janela, apenas para ver uma mulher, de pele branca e cabelos negros, está no meio da avenida, encolhida e mostra está chorando pelos solavancos bruscos que seu corpo pequeno dá. Ao seu lado, encontra-se uma cadeira de rodas automática que, provavelmente, deve ter falhado com a chuva. Ela veste em seu corpo, um lindo vestido longo. O tecido contém pequenas borboletinhas estampadas, todas coloridas, deixando-a ainda mais linda.
Meu peito aperta, ao vê-la ali, chorando baixinho, como uma criança abandonada, chamando por sua mãe.
— Para o carro, Antony. — Ordeno e assim ele o faz, imediatamente, deixando o veiculo no acostamento.
Meus pés criam vida própria e sem esperar nenhum segundo, eu desço do carro, atravessando a extensa avenida com rapidez e agilidade, e então estou perto dela. Tomo-a em meus braços. O corpo frágil e pequeno, se moldando ao meu, tão perfeitamente que, no mesmo minuto, sinto um frenesi passar por minha corrente sanguínea, o cheiro suave do perfume, é tudo que sinto quando a aperto, tão cuidadosamente em meus braços.
— Peguei você. Está tudo bem agora. — Murmuro tão suavemente quanto posso, tentando ao máximo passar conforto.
Ergo a cabeça, olhando para cima. A chuva ainda cai e o céu brilha, acima de nós. Fecho os olhos e fico, por um bom tempo, pensando no que fazer com essa garota que, tenho nos meus braços agora.
Diga-me Deus? Será destino de uma vida? — Pergunto silenciosamente. A mente vagando ao pensamento de mais cedo.
Volto a abrir os olhos e quando abaixo a cabeça, ela está me encarando. Olhos azuis piedosos. Os mais bonitos que eu já vi. As íris brilham, com as lágrimas incessantes. A pele do rosto, é de porcelana, tão branca que, combina perfeitamente, com seu olhar de anjo. Ela me encara por um momento e eu me perco na imensidão dos olhos bonitos e sinto-me encantado por tamanha beleza. Cristo! Nunca vi nada igual. Ela é perfeita. Levantando uma mão, eu toco o rosto com delicadeza, mas logo em seguida seu grito de dor me faz recuar.
— Dói. Por favor, dói! — Ela chora copiosamente. As lágrimas descendo pelos cantos dos olhos, fazendo seu caminho doloroso.
Sem saber o que fazer, apenas a olho com desespero. Estou perdido.
— Senhor, ajude-me, por favor. Não me deixe morrer. — O seu choro é angustiante e acaba comigo.
— Mantenha a calma. Vai ficar tudo bem. — Tento passar tranquilidade, mas falho.
Seu corpo treme sem parar e ela chora em meus braços, e quando, sua respiração não está mais presente. Apavoro-me. De jeito nenhum vou permitir que, morra em meus braços. Não depois de encontrá-la.
— Respire. Por favor, respire. — Ela não me obedece e seu corpo fica ali imóvel.
Olhos arregalados, olhando para mim com desespero, implorando por ajuda, na dor do silencio. A vontade que tenho, é de tirar toda e qualquer dor que esteja sentindo agora, mas ao invés disso, eu a observo morrer, aos poucos, em meus braços, como o covarde que sou e não faço nada. De repente, seus lábios ficam roxos, fazendo o pavor, crescer ainda mais em mim.
— Respira, droga! — Chacoalho-a tentando despertá-la. —Você está prendendo a respiração, apenas solte-a. Você não pode morrer nos meus braços. — Acaricio a pele pálida do seu rosto. — Respire, por mim. Vamos lá, respire, borboletinha. — Imploro, deixando-a confusa com o apelido e então ela solta o ar que, estava prendendo. Seu grito é ensurdecedor e faz doerem meus ouvidos, mas isso não chega nem perto, do alívio que sinto agora. O choro rasga sua garganta. É um pedido de ajuda e socorro e me faz querer chorar.
— Por favor, eu preciso de ajuda. — Chora mais. — Me leve para um hospital, não me deixe aqui para morrer. — Meneio a cabeça, dizendo a ela que, vou fazer o que está pedindo. Sua voz vem suave e baixa e se eu não estivesse tão perto, não seria capaz de ouvi-la.
A chuva cai sem parar e a cada trovão, ela se encolhe mais em meu colo. Apertando-a contra o peito, beijo o topo de sua cabeça, enquanto a ouço fungar baixinho.
Vê-la assim, tão indefesa, me mata por dentro. Nunca acreditei nessa coisa de destinos, mas e se essa garota, aqui nos meus braços, for o meu. Vou fazer de tudo para tê-la.
— Aguenta firme. Vai ficar tudo bem, borboletinha, eu prometo! Você nunca mais estará sozinha. — Sussurro em seu ouvido, enquanto a ergo para cima, levantando-me de onde estou e caminhando até onde ficou meu carro. — Diga-me onde dói e eu vou fazer parar. Eu prometo que vou. — Ela acena com a cabeça, enchendo o meu coração do sentimento desconhecido.
A mulher que eu havia encontrado, minutos atrás, caída sobre uma pista molhada, havia mexido com meu coração, de uma forma inexplicável. Ou estava eu ficando maluco, ou certamente, apaixonado. Eu rio.
— Antony, você pode pegar a cadeira de rodas que, está próxima ao sinal, por favor? Em seguida nos leve para um hospital, com urgência. — Ditei a ordem e sem esperar por uma resposta sua, abri a porta do carro, coloquei-a no banco de trás, logo em seguida, entrei e coloquei sua cabeça para repousar no meu colo.
— Oh Deus, eu não aguento mais. — Seus olhos vieram parar em mim. Eles pediam compaixão. Estávamos a uma quadra do hospital. Faltava só mais um pouquinho, ela tinha que aguentar firme.
Olhando profundamente em meus olhos, ela implorou. Prendi as lágrimas que, ameaçavam a cair. Não poderia eu ser tão fraco, quando ela estava sendo forte, mesmo sentindo tanta dor.
— Por favor... — A cada vez que ela implora, uma parte de mim vai junto.
— Antony, mais rápido com isso, caramba! — Ordenei, já em tom ríspido. Acariciei-lhe os cabelos sedosos e molhados da chuva.
— Sim, senhor!
— Você poderia ligar para minha casa? Eu preciso da minha mãe. — Frágil, forte e incrivelmente doce. Seu pedido é um apelo ao meu coração, quebrantado. E eu percebo que, o que quer que fosse seu pedido nesse momento, eu faria sem questionar.
Eu ri um pouco.
— Não se preocupe, vou ligar sim. Basta apenas me dar o número, quando estiver se sentindo melhor.
Afago seus cabelos, acariciando o couro cabeludo, ela fecha os olhos, sentindo meu toque e eu penso por um minuto que, poderia me acostumar com essa visão.
Quando finalmente chegamos ao Newcast Hospital, Antony estaciona o carro.
— Vamos lá, borboletinha.
Removo sua cabeça do meu colo, devagar, saindo do carro e abrindo a porta do outro lado, para que eu possa pegá-la logo em seguida, mas quando eu a toco, seu grito me faz parar.
— Aahhhhh! — Urra de dor. — Não, por favor, eu não aguento. Dói. Oh, meu Deus, ajude-me, dói muito. — Seu choro me quebra por dentro e é meu fim. As lágrimas que estive segurando todo esse tempo, vêm à tona, descendo por meu rosto como enxurradas. Molhando as bochechas e me fazendo sentir toda a sua dor.
De maneira grosseira, eu passo minhas mãos sobre o meu rosto, secando as lágrimas e olhando-a com admiração. Afasto os bancos da frente do carro, para que tenha mais espaço e me inclino, ficando da sua altura. Com cuidado, passo um braço por baixo de suas pernas, cobertas pelo vestido longo bonito e o outro entre seu pescoço e costas.
— Você é forte. Aguenta firme, só mais um pouquinho. — Encorajo-a, mas vejo ela menear a cabeça em negativa.
— Não tenho mais forças. — Umedece os lábios ressecados. A dor presente nos olhos bonitos e chorosos —A dor levou tudo de mim. Deixe-me morrer, eu não vou conseguir. — Respira profundo e então, para como se a dor a estivesse maltratando, ao fazer o movimento. Chorando ela me encara.
Oh, Deus! Como posso deixá-la morrer, depois de encontrá-la. Como posso deixá-la partir, quando me vejo completamente encantado, por seus lindos olhos azuis e seu vestido de borboletas?
— Eu não posso. — Eu rio, tristemente. — Eu encontrei você e não vou deixá-la ir. Nunca mais. — Sorrio triste, mas convicto de cada palavra.
Beijo seu rosto.
— Eu tenho você bem aqui. — Aponto na direção dos meus braços onde eu a seguro firmemente. — Eu vou apertá-la tanto, contra o meu peito que, por um segundo essa dor vai sumir. Confie em mim, borboletinha. Eu estou aqui para você, tudo vai ficar bem! — Ainda em lágrimas ela meneia a cabeça, e eu explodo em alegria sorrindo feito bobo.
Tomo-a em meus braços, apertando contra o meu peito. Suas mãos delicadas seguram forte o meu terno e sei que é para não gritar de dor.
— Eu tenho você. — Sussurro no seu ouvido, com carinho. — Olha só, eu tenho você. — Torno a repetir, para que cada palavra fique gravada em sua mente. — Eu tenho você, bem aqui, borboletinha, para sempre! — Beijo cada uma de suas lágrimas, secando-as.
Ela concorda, enchendo meu coração, fazendo com que o riso de felicidade me escape.
Nunca pensei que, um dia comum, pudesse me fazer virar do avesso. E que uma mulher desconhecida roubaria meu coração tão facilmente. Eu a encontrei caída sobre uma pista molhada, debaixo de chuvas e trovoadas, com sua cadeira de rodas ao lado, deitada em posição fetal e tentando se proteger enquanto chorava. Dona dos olhos mais lindos que, um dia já vi na vida. Eu a encontrei, envolta em um lindo vestido de borboletas, a promessa pairando na minha mente. O sentimento que sinto queimar e balançar meu peito agora é assustador. Abraço seu corpo mais apertado, as mãos segurando-me firme, forte. Os olhos fechados deixando que, algumas lágrimas escapem pelos cantos. Beijo a testa fria e molhada por alguns segundos. Abre os olhos novamente, eles imploram-me por ajuda. A dor que a maltratada se tornando insuportável e a levando para longe a cada instante. Dou a ela um sorriso, lágrimas rolando pelo meu rosto, quando sussurro mais uma vez para que ela aguente firme. Chamo-a pelo apelido que coloquei, encaro o vestido com pequenas borboletas e reforço minha promessa de cuidar da garota dos olhos bonitos, para toda uma vida, se assim ela quiser.
Você pode gostar





