
Prometida Ao Don Klaus
Capítulo 3
KLAUS NARRANDO
Hoje tive uma missão fora de Istambul, mas combinei com a Cristina que assim que eu voltar para a cidade vamos passar a noite juntos. Eu não esperava que fosse rápido; quando cheguei, os soldados já haviam executado a maior parte do plano. Para mim, restou apenas capturar o líder dos soldados que estavam atacando nosso território. Nosso clã é unido e não aceita perder território para nenhuma outra organização.
Pelo menos dessa vez não foram os Lobos Cinzentos. Desde que meu pai fechou esse bendito acordo de me casar com a filha do líder deles, eles pararam de atacar nosso território.
Cheguei à periferia da vila inimiga com cautela, observando cada movimento. Ele estava em um acampamento no fim da vila, nos movemos silenciosamente pelas ruas estreitas, fechando o cerco. Quando percebeu nossa presença, já era tarde demais tentou resistir, mas acabou rendendo-se diante da superioridade numérica e da estratégia bem planejada. Segurei firmemente, olhando nos olhos dele enquanto sussurrava:
— Seu tempo acabou, agora você é nosso prisioneiro — Amarramos ele, e levamos para nossa acampamento.
Entrei em contato com meu pai. Ele mandou que o levasse para nossa sede em Istambul. Eu queria extrair as informações dele naquele momento, mas devo obediência e fiz o que me foi ordenado.
Sobrevoamos novamente para Istambul. O helicóptero pousou no terraço da nossa sede. Desci arrastando o homem com os pés e as mãos amarradas, entreguei-o a um carrasco e mandei prendê-lo na masmorra.
Fui direto para a sala do meu pai, que já me aguardava. Nico, filho da minha madrinha e meu melhor amigo, que é meu conselheiro e secretário, estava à minha espera e me acompanhou até lá.
— Missão cumprida, meu pai. O prisioneiro já está devidamente preso na masmorra. Aguardo suas próximas instruções e as cumprirei ao pé da letra — falei, beijando sua mão e recebendo sua bênção.
— Vamos deixá-lo refletir um pouco naquele ambiente agradável — meu pai disse, e nós sorrimos.
A escuridão da masmorra é sufocante , o frio penetra nos ossos. As paredes de pedra áspera e úmida são cobertas de musgo, Cada passo dado naquele lugar ecoa pelos corredores estreitos, onde a luz é fraca das tochas.
O ar lá embaixo é denso, impregnado de um odor de umidade e desespero. As celas são sombrias, alinham-se ao longo dos corredores, grades de ferro enferrujadas.
Impossível fugir da fortaleza e um ótimo lugar para refletir e lembrar-se de como está ferrado.
— Klaus, amanhã será o jantar de noivado, onde você vai conhecer sua futura esposa. Prepare uma joia e sua mãe passará o anel da família para Ayla. — Ouvir essas palavras acaba com o meu humor.
— Até quando vocês vão insistir nesse casamento? Pai, isso é uma coisa retrógrada, ninguém mais se casa assim. O senhor não acha que isso já foi longe demais? — falei sério, tentando convencê-lo a desistir dessa ideia ridícula de me casar com uma desconhecida.
— Meu filho, é tudo em nome do seu bem e do nosso clã. — Meu pai falou, e eu neguei com a cabeça.
Falei para ele pela milésima vez que gosto de outra pessoa e quero assumir o meu romance com a Cristina.
— Você está proibido de fazer uma coisa dessas. O seu compromisso é com Ayla Martin, e se você não terminar esse romance com essa modelo, eu vou tratar de despachá-la para outro planeta — meu pai falou sério e bateu na mesa.
Respirei fundo, sentindo a minha respiração pesar. Meu corpo tremeu no mesmo momento em que ouvi a ameaça que meu pai fez à mulher que amo. Eu ia responder, mas senti a mão do Nico segurando meu braço.
Olhei para o Nico, que negou com a cabeça. Ele sabia que, se eu começasse uma discussão, poderia causar uma tragédia, já que os ânimos estavam tão exaltados.
— Acabe com essa brincadeira de casinha ainda hoje, Klaus. Não tente me desafiar, meu filho, não pense que eu não sou capaz de despachar essa mulher se for para o seu bem. — Meu pai falou, e eu não respondi. Apenas respirei fundo e saí da sala.
Nico veio atrás de mim, me pedindo para manter a calma. Senti um nó na garganta. Vou ter que acabar com o meu relacionamento com a Cristina, ou meu pai vai matá-la, e eu não poderia fazer nada para impedir.
— Fica calmo, Klaus. Você sabe que não tem como voltar atrás. Vocês foram prometidos um para o outro. Dá uma chance de conhecer a moça, quem sabe ela é bonita e legal, vocês podem ter química — Nico falou, tentando me acalmar.
— Isso não é justo, Nico. Meu pai não foi obrigado a casar. Ele escolheu minha mãe, escolheu amá-la. Por que eu não posso escolher a mulher com quem quero passar o resto da minha vida? — falei e dei um soco na parede à minha frente.
Nico colocou a mão em meu ombro em sinal de apoio. Me despedi dele e mandei ele ir para casa descansar, não vou mais precisar do seu serviço.
Dirigi direto para o apartamento da Cristina, com os meus soldados me acompanhando. Não mandei mensagem para ela, quero chegar de surpresa. Passei em uma floricultura e comprei um buquê de rosas vermelhas, seu favorito.
Dirigi até o apartamento da Cristina, meu coração acelerado. Com o buquê de rosas vermelhas na mão, subi as escadas, ansioso para vê-la. Quando cheguei à porta, ouvi risadas abafadas e parei para escutar. Meu coração começou a bater mais rápido, mas agora por um motivo diferente.
Abri a porta devagar e entrei sem fazer barulho. Meus olhos procuraram por Cristina, e o som das risadas me guiou até a sala. Foi então que vi. Cristina estava nos braços de outro homem, seus lábios colados aos dele. O buquê caiu das minhas mãos, e o som das flores batendo no chão ecoou pelo apartamento.
Cristina se afastou do homem, surpresa, seus olhos encontrando os meus. A expressão de culpa e surpresa em seu rosto doeu mais do que qualquer palavra poderia. O homem ao seu lado me olhou, confuso e desconfortável, mas eu só conseguia olhar para Cristina.
— Klaus... — ela começou, mas eu levantei a mão, pedindo silêncio.
Sem dizer uma palavra, virei as costas e saí do apartamento. O nó na minha garganta estava mais apertado do que nunca. Minha mente fervilhava com a traição que acabei de presenciar. A dor era insuportável, e o futuro que eu imaginei com Cristina se despedaçou ali mesmo.
— Matem ele, mas não toquem nela — dei a ordem aos meus soldados, Cristina vai sentir o peso dessa traição, vou acabar com a vida dela, assim como ela está fazendo com a minha.
Você pode gostar





