Capa do romance Prometida a Um, Entregue a Outro

Prometida a Um, Entregue a Outro

7.9 / 10.0
Elara Montclair sempre amou o impetuoso Noah Vireaux, até descobrir que era apenas um passatempo para ele. Arrasada, ela recebe uma proposta única do patriarca da poderosa família de Valenor: casar-se com qualquer um dos seis herdeiros ao fazer dezoito anos. Para o choque de todos, Elara rejeita Noah e escolhe Lucien, o primogênito frio e calculista. Sob a fachada de gelo do CEO, ela encontrará uma proteção e paixão que mudarão sua visão sobre o amor verdadeiro.

Prometida a Um, Entregue a Outro Capítulo 1

Elara Montclair aprendeu cedo que existiam silêncios que falavam mais do que qualquer palavra. O da família Vireaux era assim. Denso. Elegante. Carregado de segredos que nunca eram ditos em voz alta.

A mansão Vireaux se erguia no alto das colinas de Valenor como uma promessa inalcançável. Pedra clara, janelas altas, jardins perfeitamente desenhados. Tudo ali parecia eterno, imutável. Assim como a família que a habitava.

Elara cresceu naquele lugar sem jamais realmente pertencer a ele.

Filha de uma amiga distante da falecida senhora Vireaux, ela fora acolhida ainda criança, quando perdera os pais em um acidente que ninguém mais comentava. Recebera educação, conforto, proteção. Mas não um sobrenome. Não um lugar definitivo.

Ainda assim, seu coração nunca soube disso.

Desde que se lembrava, seus olhos procuravam por Noah Vireaux.

O sexto filho. O mais novo. O mais imprudente. O único que sorria sem cálculo.

Noah nunca foi como os irmãos. Enquanto os outros carregavam nos ombros o peso do nome Vireaux, ele parecia existir à margem de tudo. Ria alto, desaparecia por dias, quebrava regras que ninguém mais ousava tocar. E quando voltava, trazia nos olhos aquele brilho que sempre fazia o peito de Elara apertar.

Ela o amava em silêncio.

Um amor que nunca foi declarado, mas que cresceu nos detalhes. No jeito como ela reconhecia seus passos no corredor. No modo como seu corpo reagia quando ele se aproximava demais. Na esperança infantil de que, um dia, ele a enxergaria não como a garota que cresceu na casa... mas como mulher.

Naquela noite, a mansão estava cheia.

Um jantar formal reunia investidores, aliados políticos e membros da alta sociedade de Valenor. Elara usava um vestido azul-claro que havia escolhido com cuidado, na esperança tola de que Noah notasse. Seus cabelos estavam presos de forma simples. Nada chamativo demais. Ela nunca quis parecer alguém que não era.

O salão principal estava iluminado por lustres antigos, e as conversas se misturavam ao som suave de um quarteto de cordas. Elara caminhava com uma bandeja nas mãos quando ouviu risadas vindas da biblioteca.

A voz de Noah.

Seu coração reagiu antes mesmo que sua mente pudesse impedir.

Ela se aproximou devagar, sem intenção de ouvir. Pelo menos foi isso que disse a si mesma. A porta estava entreaberta. Lá dentro, Noah conversava com dois homens mais velhos, amigos da família.

- Você sabe que seu pai já pensa em casamento - disse um deles, em tom provocador. - Uma aliança estratégica cairia bem.

Noah riu. Um riso leve. Despreocupado.

- Casamento não é para mim - respondeu. - Muito menos agora.

- E aquela garota? A Elara. Vive grudada em você desde criança - comentou o outro, com um sorriso malicioso. - Bonita. Discreta. Poderia ser uma boa escolha.

O nome dela no meio daquela frase fez o mundo parecer inclinar.

Elara parou.

Do outro lado da porta, Noah suspirou, impaciente.

- Elara? - repetiu, como se a ideia fosse absurda. - Não levem isso a sério. Ela é só... confortável. Uma distração. Sempre esteve ali. Nada além disso.

As palavras caíram como vidro quebrado.

- Então nunca pensou nela como algo mais? - insistiu o homem.

- Nunca - respondeu Noah, sem hesitar. - Ela nunca passaria de uma diversão passageira.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Elara sentiu o corpo inteiro travar. O ar parecia ter sido arrancado de seus pulmões. Por um instante, pensou que fosse desmaiar ali mesmo, com a bandeja escorregando de suas mãos, denunciando sua presença.

Mas não caiu.

Não chorou.

Não fez barulho algum.

Ela simplesmente se afastou.

Caminhou pelo corredor como se cada passo não estivesse rasgando algo dentro dela. Entrou no jardim lateral e deixou que o ar frio da noite tocasse seu rosto. Só então as lágrimas vieram. Silenciosas. Quentes. Incontroláveis.

Tudo o que ela acreditou, tudo o que alimentou em silêncio durante anos, foi reduzido a uma frase cruel dita com naturalidade.

Distração.

Diversão passageira.

Ela apertou os braços contra o próprio corpo, tentando se manter de pé. Naquele instante, algo dentro dela mudou. Um ponto sem retorno foi atravessado.

- Elara.

A voz masculina soou atrás dela.

Ela se virou assustada, limpando o rosto rapidamente. Não era Noah.

Era Lucien Vireaux.

O filho mais velho.

O homem que poucos ousavam encarar diretamente.

Lucien estava impecável em seu terno escuro. Alto, imponente, expressão neutra. Os olhos cinzentos a observavam com atenção silenciosa, como se ele enxergasse mais do que ela queria mostrar.

- Você está bem? - perguntou, em tom baixo.

Elara assentiu rápido demais.

- Estou. Só precisava de ar.

Lucien a estudou por mais um segundo. Não disse nada. Não fez perguntas. Apenas tirou o paletó e colocou sobre os ombros dela com um gesto firme, inesperadamente cuidadoso.

- Está frio - disse. - Volte para dentro quando se sentir pronta.

E então se afastou.

Elara ficou ali, imóvel, sentindo o peso do tecido masculino sobre si. O perfume discreto. A presença que permanecia mesmo depois que ele se fora.

Naquela noite, ela entendeu duas coisas.

A primeira: o homem que ela sempre amou nunca a escolheria.

A segunda: às vezes, o silêncio mais seguro vinha de quem menos falava.

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