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Capa do romance Prisioneira de uma vingança

Prisioneira de uma vingança

Alice, herdeira de um senador, viveu um romance de cinema com Khalil, um magnata do petróleo. Contudo, a união glamorosa tornou-se um cárcere de obsessão e violência. Ao fugir para Amalfi, ela reencontra Lorenzo, sua antiga paixão, despertando sentimentos conflitantes. Entre o desejo de revanche e o trauma, Alice encara um jogo de traição. Enquanto Khalil busca redenção, ela arrisca tudo para romper os laços do passado e retomar sua liberdade.
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Capítulo 2

O apetite de Khalil já havia terminado há algum tempo.

Levantou-se e foi até a adega que mantinha numa parte do porão, servindo-se de um Scotch 15 anos e quebrou o copo no chão por jogá-lo com força, o que o fez sentir que finalmente estava colocando a amargura para fora, instantaneamente acalmou-se.

O homem estava tão obcecado em melhorar a relação com Alice que no último ano havia perdido muitos compromissos, afastou-se da rotina de negócios e de suas intenções políticas, totalmente dedicado à uma melhora que não demonstrava sinais de que iria acontecer.

Decidiu que um ano perdido era suficiente e que talvez estava se esforçando da maneira errada, pois parecia repelir ainda mais a mulher e também estava cansado e esgotado.

"Por que eu simplesmente não me divorcio?" Pensou, olhando fixamente para os cacos do vidro no chão e reconsiderando em seguida, sentindo remorso por ter pensado em tamanho absurdo. "Ela está doente, o casamento é isso, não posso desistir só por ela estar em dificuldades. Quando ela estava feliz e linda, eu a queria, não vou abandoná-la. Ela só está doente e vai melhorar".

Teve uma oportuna ideia e iria comunicá-la.

Caminhou lentamente até a suíte onde Alice se encontrava, sem sequer anunciar sua entrada e a encontrou recém saída do banho, espalhando uma loção corporal apenas vestida de roupas íntimas, sem saber se era correto o que sentia ao vê-la tão despida, sob uma claríssima iluminação do cômodo, depois de tanto tempo. Estava controlando e disfarçando a vontade de abraçá-la, beijá-la e relembrá-la de toda a paixão que deixou de ser demonstrada.

Alice soltou um grito de susto ao vê-lo a encará-la, mas logo desviou o olhar e agiu como se ele não estivesse ali.

– Querida. - Khalil se aproximou, tocando-lhe os ombros.

– Em primeiro, você prometeu não beber... estou sentindo o cheiro daqui. -Disse ela, a voz começando a embargar.

– Eu sei, mas eu juro que estou sóbrio - Disse ele, abraçando-a por trás.

– E jurou outras vezes. - Alice começou a chorar compulsivamente, fazendo-o soltá-la do abraço por se sentir culpado.

– Alice, eu tomei uma decisão... e cumprirei toda e qualquer palavra que lhe disser. Eu acho que... você vai gostar... - ela olhou muito desconfiada, e gesticulou para que ele continuasse. – Preciso retornar à vida política e de negócios. Urgente. Sendo assim... Viajarei sozinho e lhe deixarei a vontade para fazer o que quiser, caso queira viajar, visitar seus pais, eu preferiria até, você sabe porque não gosto de te deixar sozinha, mas fica o meu voto de confiança. Te peço apenas que, ao meu retorno, você esteja presente. Quero sempre te encontrar em casa quando eu estiver de volta de minhas viagens! E então, o que você pensa sobre isso?

Era muita coisa para digerir, ela sabia que jamais conseguiria fugir de Khalil, mesmo se tentasse desesperadamente outra vez, pois ele a encontraria em qualquer lugar do mundo, mas o fato de ter a oportunidade para ficar um pouco longe dele e ter a possibilidade de repensar suas escolhas, sua vida e seu casamento sem a influencia dele já a aliviava indescritivelmente.

Ela sorriu, um largo sorriso, cujo Khalil não via há muito tempo.

– Quando você sairá de viagem? - Perguntou, tentando ocultar sem sucesso aquela euforia.

– Amanhã mesmo, no início da tarde.

– Isso é tão maravilhoso!

Alice não conseguiu se conter, naquele minuto estava tão eufórica que poderia se permitir um pouco de prazer, ia ser mais do que cumprir sua "obrigação" como esposa. Naquela noite, ela o recompensaria de bom grado. Se sua liberdade tivesse preço, ela pagaria qualquer coisa.

Naquela noite, imaginou que a moeda de troca desejada pelo marido era uma noite de amor. Alice fez questão de despi-lo, nunca o viu tão sem reação e surpreso. Ela se concentrou em como estava feliz dele ir para longe, que viajaria para ver os pais, sentia saudades de vê-los sem a presença do bilionário do Egito. Por poucos instantes, observou-o e admirou sua beleza, não pôde deixar de pensar que o tempo só fazia melhorar aquele desgraçado.

A bela jovem se forçava a recordar do homem gentil, amoroso e fervoroso que Khalil foi um dia. Se agarrava ao fio de lembrança, para conseguir saciá-lo e saciar a si própria.

Khalil abraçou-a e beijou-a com amor e carinho, mas não conseguiu se sentir excitado, pois era visível para ele que Alice não estava necessariamente sentindo vontade de fazer amor com ele, só não estava conseguindo demonstrar adequadamente que a ideia de se afastar dele a deixava exultante. Não era ele, era a ausência dele que estava deixando-a feliz.

– Não posso, querida. Sinto muito, hoje não.

Alice o olhou, e sem esboçar reação alguma, deitou-se ao lado do marido, virou-se para lado oposto e adormeceu. Sequer se importou que Khalil nem havia se retirado, pegou num sono profundo como se alguém a tivesse dopado de remédios para dormir.

Inicialmente o homem se sentiu deprimido. "Ela não se importou em me ver dizer não a ela. Sinal de que não se importa mais, não se importa mesmo", mas quando passou a deslizar as mãos carinhosamente nos cabelos da esposa e ver o rosto se distender ao receber aquele gesto com um leve sorriso em seus lábios, aquela sensação negativa passou.

– Você só tem que ser minha, então farei tudo e qualquer coisa por você. Meu amor.

Sussurrou ele, porém Alice já não o escutava mais.

Talvez, se naquele momento o ouvisse pelo menos dentro do inconsciente e pesado sono, ele não teria se excedido, descontrolando-se e realmente não a faria mais sofrer.

E naquela noite, depois de quase dois longos anos, eles estavam dormindo abraçados novamente, como uma simbiose de pessoas aninhadas nos braços do amor.

Desacordados, pareciam não enfrentar pesadelos na vida conjugal e nem em suas próprias mentes.

Desacordados, estavam plácidos e estranhamente, ainda pareciam apaixonados.

Desacordado, Khalil parecia a oitava ou nona maravilha do mundo.

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