
Prisão do Porão Cruel
Capítulo 3
No dia seguinte, a porta se abriu de novo.
Desta vez, não era Larissa nem Mateus.
Era meu filho, Leo.
Ele tinha cinco anos, a imagem cuspida de Mateus, mas com os meus olhos. Ele segurava um carrinho de brinquedo na mão.
Meu coração deu um salto.
"Leo..." eu sussurrei, tentando me arrastar para mais perto.
Ele deu um passo para trás, com medo.
"A mamãe Larissa disse que você é uma mulher má. Ela disse que você a machucou."
Sua voz infantil era cheia de acusação.
"Não, meu amor... Eu sou sua mãe. Sofia."
"Você não é minha mãe! Minha mãe é a Larissa!" ele gritou, e jogou o carrinho de brinquedo em minha direção. O plástico duro bateu na minha cabeça.
Não doeu fisicamente, mas a dor em meu peito foi insuportável. Meu próprio filho me odiava e me atacava.
Ele foi ensinado a me odiar.
Naquele momento, Mateus apareceu na porta.
"Leo! O que você está fazendo?"
Ele desceu rapidamente e pegou Leo no colo. Ele viu o carrinho no chão perto de mim. Seu rosto ficou ainda mais duro.
Ele não me defendeu. Ele apenas repreendeu o filho por ter descido até ali.
"Eu te disse para não vir a este lugar sujo. Vamos, sua mãe está te esperando para o almoço."
Ele se virou para sair, levando meu filho.
"Espere," eu disse, com a pouca força que me restava.
Ele parou, mas não se virou.
"Mateus, olhe nos meus olhos e me diga," minha voz tremia. "Você realmente acreditou que eu a empurrei da escada?"
Houve um longo silêncio. Um silêncio que confirmou tudo.
"Sim," ele disse finalmente, sem se virar. "Eu acredito nela."
Ele subiu as escadas e fechou a porta.
Naquele momento, algo dentro de mim morreu. A última centelha de esperança, o último resquício de amor que eu sentia por ele, se apagou completamente.
Eu olhei para o teto escuro e comecei a rir. Uma risada vazia, louca. Eu ri até as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sujo.
Eu me lembrava do dia em que ele me pediu em casamento. Estávamos em um campo de lavanda, o sol se pondo no horizonte. Ele se ajoelhou, com o anel na mão, o mesmo anel que Larissa agora usava.
"Sofia," ele disse, com os olhos brilhando. "Você me tornou o homem mais feliz do mundo. Case-se comigo. Prometo te amar e te proteger para sempre."
Para sempre.
Que piada cruel.
Naquela noite, enquanto eu tremia de frio e fome no chão duro, uma voz mecânica soou na minha cabeça.
[Sistema ativado. Anfitriã, sua pontuação de amor por Mateus chegou a zero. A missão de conquista falhou.]
Sistema? Missão? Eu estava delirando?
[Você está em um romance. Sua missão original era fazer Mateus se apaixonar por você completamente. Você falhou.]
[Devido à falha da missão, você será extraída do mundo do romance em 24 horas. Contagem regressiva iniciada.]
Então, nada disso era real. Minha dor, meu sofrimento, meu filho... era tudo parte de uma história estúpida.
E eu ia morrer.
Bem, talvez a morte fosse uma libertação.
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