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Capa do romance Príncipe do Vinho

Príncipe do Vinho

Alessa foi vendida pelo pai aos dez anos para Domenico, visando unir dois impérios vinícolas italianos. Chocado ao descobrir a idade da noiva, Domenico jurou jamais amá-la. Anos depois, o casamento forçado é imposto por Enrico, desencadeando uma trama de traições e vingança. Enquanto Alessa busca escapar dos maus-tratos paternos, Domenico enfrenta segredos sombrios e sentimentos conflitantes. Entre o ódio e a proteção, eles lutam por redenção em um destino cruel.
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Capítulo 2

DOMENICO MACERATTA

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Farei uma pequena mala, pretendo sair de Paris amanhã direto para a reunião, e é claro, compartilharei com Alessa tudo que lhe pertencerá um dia. 

Será que gostará da vista? Sem falar que amo aquele lugar. — me despi com a dúvida rondando meus pensamentos — Se estiver disposta a ouvir, explicarei tudo com satisfação.

Ansioso pelo nosso reencontro, pensei em aparar minha barba e antes de iniciar o processo, escolhi meu melhor terno. 

— Infelizmente o nosso primeiro encontro não será com uma linda vista do alto de Piemonte, diante de um ótimo jantar — murmurei passando a máquina para abaixar bem a minha barba —  Em breve realizarei esse desejo.

Após a barba alinhada e com minha higiene em dia, me vesti calmamente e preparei minha mala.

Às 14h Andrea chegou e fomos juntos em direção ao hangar da família para seguirmos no meu jatinho com destino a França onde será realizado o leilão. 

Nunca na vida imaginei que seria tão obcecado por uma mulher a ponto de abandonar minha vida sexual desde o dia que vi sua foto em seu aniversário de dezenove anos e de lá até aqui se passaram rigorosos dois anos e onze meses. — sorri da minha audácia de contar o tempo exato sem titubear.

Não sei se o ditado mundialmente conhecido; há males que vem para o bem, se enquadra nessa situação, sendo que mesmo amando loucamente minha futura esposa, nunca fui a favor desse casamento arranjado, já que foi firmado com dois erros muito grande.

Primeiro, ela tinha somente 10 anos na época e eu acabara de entrar na fase adulta, já que fazemos aniversário no mesmo dia, nos dando exatos 10 anos de diferença de idade, e segundo, que o miserável do seu pai a vendeu como uma obra de arte bem cara digna de estar no Louvre em Paris ao lado da Mona Lisa.

Conclusão: Sou incongruente, pois quando a conheci já havia sido feita a negociação e no dia do nosso noivado acreditei que a junção das duas dinastias mais antigas de Piemonte seria selada com uma linda mulher e não uma criança.

 Naquele dia jurei a mim mesmo que nunca teria nenhum contato sexual com Alessa. Me sentia um pedófilo por noivar com uma menina, e na tentativa de me manter o mais distante possível, pedi que só viesse morar comigo quando chegasse  a maior idade.

 Não aceitei essa relação e isso foi o pivô de uma briga séria entre mim e o meu pai. Ficamos oito anos sem nos falar até que resolveu me lembrar que o dinheiro foi pago e que o casamento teria que acontecer de um jeito ou de outro.

Com meus pensamentos voltados para o passado, entrei no jatinho junto a Andrea tendo a certeza que chegarei pontual ao meu destino, e disposto a deixar meus bilhões naquele lugar apenas para resgatar minha noiva!

****

LA VENTE AUX ENCHÈRES

Ao chegar no grande palácio onde acontecerá o leilão tive que pagar 2 milhões de euros para ocupar um assento na primeira fileira de mesas do imenso salão oval. Não questionei o valor, mas o cavalheiro ao meu lado, sim, e a desculpa dada pela recepcionista é que hoje tem uma virgem.  

— Daria toda minha fortuna se possível fosse apenas para ter minha noiva fora desse lugar. — murmurei me acomodando em meu assento.

Estava analisando tudo à minha volta quando fui abordado por um homem grande e bem vestido fedendo a charuto.

— Boa noite! Chamo-me Ivo Vassiliev, o imperador da vodka! — com uma animação desnecessária se apresentou — Adoraria saber o que o príncipe do vinho faz aqui!

Senti um certo deboche na palavra “príncipe”, porém não dei a mínima importância.

— Suponho, que o mesmo que você! — declarei o óbvio.

— Posso? — perguntou apontando para uma cadeira — Serei rápido devido a minha mesa ser essa aqui ao lado.

— Se será breve, não vejo motivo para sentar-se, diga de pé mesmo, te poupará de se levantar em um curto espaço de tempo, não concorda? — perguntei educadamente.

— Mas desejo me sentar! — alterado me explicou.

— Não quero outra companhia além da do meu segurança, se puder me dizer o que deseja, estarei ouvindo. — comuniquei educadamente — Não me entenda mal, é que não sou sociável.

Sua face deixou claro que não gostou das minhas palavras e me contive para não rir dessa situação.

— Devo informá-lo que as inscrições para novas amizades já encerraram por hoje, então diga o que deseja, e caso o objetivo seja fazer amizade, volte amanhã.

Vi que entendeu o recado e finalmente se afastou. 

— Cada um que me aparece. — alisei minha barba tentando disfarçar meu tédio.

Muito em breve todos aqui estarão mortos, pois tiveram o azar fodido de atravessar o meu caminho e para piorar pegaram minha noiva!

De modo a matar o tempo, peguei meu telefone e troquei algumas mensagens  com meu tio Fabrízio, só que tornei a ser incomodado pelo russo inconveniente.

— Fique ciente que sua falta de cordialidade não sairá da minha cabeça. — sussurrou próximo ao meu ouvido — Nunca mais!

— Deveria compreender que quem tem a responsabilidade e o dever de ser cordial com as pessoas é o dono do evento, não eu.

— Está se achando, não é mesmo? Sou tão rico quanto vossa alteza, principezinho e homens como você não sai da minha mente enquanto estiver respirando! — desferiu a ameaça e julgo que em sua cabeça realmente acredite que me põe medo.

— Obrigado por esclarecer e vou anotar aqui a sua ameaça. — comuniquei virando-me para olhar em seus olhos — Prometo tentar não esquecer.

Declarei tranquilamente, afinal, acho justo que nessa terapia em grupo gratuita seja de conhecimento dos envolvidos o meu lado da história.

— Está se achando demais. — neguei com a cabeça — Claro que estava.

— Tenho o hábito de focar em coisas que realmente mereça meu tempo, porém, se me tornei especial para você, desejo boa sorte e eis que te asseguro, Ivo, que não sou um passatempo interessante. Como também não dou a mínima para rótulos ou por de ser chamado por príncipe, sendo que serei o sucessor do meu pai que se encontra vivo e carrega o título de rei do vinho de Piemonte, portanto o apelido que me destes é muito bem-vindo — bufando feito um touro sai às pressas em direção ao bar.

Voltei a focar nos assuntos da empresa e torno a ser aborrecido, mas dessa vez por Andrea, que finalmente se juntou a mim, indicando estar tudo preparado. E ainda me informou que Ângelo e os irmão estão ocupando algumas mesas ao fundo.

Fiquei satisfeito e voltei a digitar uma mensagem para meu tio.

— Chefe — mirei a face do Andrea —, pagará para ter uma mulher que já é sua? — estalei minha língua para sua idiotice e voltei a conversar com meu tio sobre a reunião de amanhã com o Sr. Lazzo. Recusando-me a responder algo que já tem resposta.

A conversa com meu tio me entreteu bem, mas parei de imediato quando o evento deu início.

— Boa noite! Cavalheiros, estou imensamente honrado de tê-los aqui em mais um leilão para satisfazer o desejo de cada um de vocês, e hoje em especial temos uma virgem fresquinha para os amantes das ingênuas jovens mulheres, e desde já confidencio a todos que a beldade é tipo as que têm boca e não falam é bem submissa, então guardem seus milhões sendo que a cereja do bolo virá muito em breve!

Admirei o leiloeiro doido para ver sua cabeça em uma bandeja só por falar assim da minha futura esposa. 

Com raiva, porém ansioso com o intuito da minha noiva entrar para os lances, me mantive calado, e nem que eu saia pobre deste lugar, coisa que acho muito difícil, levarei Alessa para casa comigo essa noite!

Os minutos se passaram quando finalmente veio vestida de branco para a frente do pequeno palco, roupa essa que indicava a sua pureza.  

— Calma, meu amor, ninguém tocará um miserável dedo em você. — murmurei admirando-a.

Os lances foram dados um atrás do outro e permaneci observando cada um que cogitou a ideia de tocar na minha mulher somente para garantir a morte mais dolorosa.

Os instantes se passaram rapidamente e quando faltava o último lance o famoso dou-lhe três para bater o martelo de vendida, dobrei o preço que esses filhos das putas deram para obtê-la. 

Com um sorriso no rosto, admirei a cara mal fodida de cada um deles ali presente, sabendo que minha mulher sairia daqui comigo, principalmente a do meu fã, ele foi o último a dar um lance de 40 milhões de euros.

— Vendido para o senhor vestido de preto aqui na primeira fila. — com um sorriso de escárnio, segui para reivindicar o que foi sempre meu.

Perto o suficiente e mesmo de máscara pude notar estar ainda mais linda do que já é, alisei seu rosto e sinto estremecer com meu toque.

Esses filhos da puta vão pagar por fazeê-la sentir medo de mim. ah, se vão!

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