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Capa do romance Esse príncipe é uma garota: A companheira escrava do rei maligno

Esse príncipe é uma garota: A companheira escrava do rei maligno

Disfarçada de príncipe, uma jovem acaba capturada pelos Urekais, seres brutais que escravizam humanos. Ao tentar salvar sua irmã, ela é levada para uma fortaleza impenetrável onde seu segredo corre risco. Enquanto luta pela sobrevivência em um reino impiedoso que odeia sua espécie, ela atrai a atenção perigosa do rei tirano. Entre violência e desejos sombrios, como manter sua verdadeira identidade oculta sendo uma escrava pessoal do ser mais poderoso?
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Capítulo 3

Príncipe Emeriel

Na manhã seguinte, assim que Emeriel deixou seus aposentos, dois guerreiros se postaram diante dele, barrando sua passagem. Um deles anunciou: "O rei o convoca, meu príncipe. Sua presença é necessária no tribunal."

Merda! Aquele maldito ministro não perdia tempo em denunciá-lo.

Emeriel inspirou fundo, reprimindo a irritação, e foi ao tribunal. No fim, seria só uma chicotada, e ele sobreviveria.

Mas, conforme ele avançava pelo corredor, percebeu que tudo estava estranhamente silencioso.

Algo estava errado.

O tribunal estava sempre barulhento do lado de fora. Resmungos, murmúrios e discussões eram sempre esperados.

Seu coração bateu mais forte quando a porta se abriu, e nem todos olharam para ele com condescendência. Ninguém parecia minimamente interessado nele, pois todos os olhos estavam fixos no centro da corte.

Franzindo o cenho, Emeriel seguiu a direção dos olhares.

Dois homens vestidos com túnicas totalmente brancas, com cabelos pretos longos, lisos e na altura da cintura, estavam parados, parecendo inofensivos.

Mas um olhar mais atento fez Emeriel notar músculos mal escondidos sob suas vestes, suas orelhas ligeiramente pontiagudas e seus rostos incrivelmente bonitos, completamente ilegíveis.

No mesmo instante, ele congelou.

Urekais.

E, pelo porte deles, eram da alta aristocracia.

A garganta de Emeriel ficou seca. Ninguém jamais rezava para encontrar um Urekai cara a cara.

"O que você nos diz, rei Orestus?", a voz cortante do Urekai de cicatriz funda na bochecha rompeu o silêncio pesado. Ele parecia ser o mais intimidador.

"Não, isso não pode acontecer", o rei Orestus protestou, parecendo aterrorizado e fazendo um péssimo trabalho em esconder isso.

A expressão do Urekai com cicatriz no rosto se fechou em algo ainda mais ameaçador. A paciência não era uma de suas virtudes.

"Acho que você não compreendeu, rei humano, não estamos te dando uma escolha", ele disse, dando um passo ameaçador à frente.

Os ministros trocaram olhares aterrorizados, se encolhendo em seus assentos.

"Se acalme, Lorde Vladya", o outro Urekai falou, sua voz mais gentil. Ele não ordenava, apenas pedindo.

O Lorde Vladya lançou ao rei um olhar que bastaria para fazer um homem comum cair de joelhos. "É o mínimo que você pode fazer, rei humano. Nos entregue a princesa, e partiremos em silêncio."

"Estamos dispostos a pagar por ela", acrescentou o outro Urekai, enfiando a mão no manto e retirando um grande saco de moedas.

O medo ainda apertava o peito de Orestus, mas, por um instante, algo brilhou em seu olhar. "Dinheiro?"

"Não apenas dinheiro, há também moedas de ouro", o Urekai sem cicatrizes disse.

Todos engasgaram, inclusive Emeriel. Moedas de ouro eram raras, preciosas demais para serem oferecidas dessa forma.

O Urekai continuou, sua voz calma, mas carregada de intenção: "Tudo o que você precisa fazer é entregar a princesa, e esta bolsa será sua."

Emeriel piscou, atordoado.

Princesa?

A enorme entrada se abriu novamente, e dois guardas surgiram, conduzindo Aekeira para o centro do pátio.

Não, não, não podia ser sua irmã.

Num ímpeto, ele tentou avançar, mas os soldados ao seu lado o seguraram com firmeza. Ele mordeu o lábio com força, tentando não chamar atenção para si, mas era incrivelmente difícil.

Não podia ser real. Só podia ser um pesadelo.

Os Urekais estavam ali para comprar sua irmã como escrava?

Aekeira parou a poucos metros dos Urekais.

Seu olhar estava tomado pelo terror, refletindo exatamente o que Emeriel sentia.

O rei Orestus quebrou o silêncio com um tom de incredulidade disfarçada: "Então, me deixe ver se entendi bem. Vocês me oferecem todo esse ouro em troca dela? Só isso? Nenhuma outra exigência? Nenhuma condição?"

O Urekai sem cicatrizes respondeu: "Sim."

O Lorde Vladya avançou com passos lentos e deliberados, encurtando a distância entre ele e Aekeira, que estava visivelmente tremendo agora.

Sem qualquer hesitação, ele segurou seu rosto com firmeza, inclinando sua cabeça para o lado para ter uma visão melhor. Completamente enojado, ele declarou: "Ela serve."

O som seco do martelo do rei Orestus ecoou pelo salão, reverberando nas paredes de pedra. "Vendida! A partir deste momento, a princesa Aekeira pertence aos Urekais."

"O quê?!", o grito escapou dos lábios de Emeriel antes que ele pudesse detê-lo.

Sem pensar, ele se lançou para o centro do tribunal, caindo de joelhos diante do trono. "Por favor, não faça isso! Não entregue minha irmã para eles! Não para os Urekais! Majestade, eu imploro!"

Orestus apenas ergueu os olhos, sua expressão carregada de tédio. "Já não cabe mais a mim, Emeriel."

Emeriel não conseguia acreditar no que estava ouvindo. "Você não pode simplesmente aceitar isso! Ela é sua sobrinha! Como você pôde fazer isso?!"

Enquanto gritava, sua voz adquiriu um tom agudo como o de uma garota, mas ele não se importou. "Você sabe que um destino pior que a morte a aguarda além da grande montanha! Como pôde concordar em vendê-la para eles?"

"Como se ele tivesse escolha", o Lorde Vladya zombou, sua voz grave e cheia de cinismo.

Emeriel se virou bruscamente, seu rosto marcado pela fúria. Mas, ao encarar esses olhos cinzentos e implacáveis, sentiu sua raiva vacilar.

Ele lera em um dos livros que um Urekai era capaz de tirar uma vida sem sequer encostar em sua vítima. Talvez fosse apenas um boato, mas com a vida de sua irmã em jogo, ele não estava disposto a descobrir se era verdade.

"Eu também vou. Para onde Aekeira for, eu irei", Emeriel disse, levantando o queixo desafiadoramente.

Aekeira se virou para ele, seus olhos arregalados de terror. "Não! O que você está fazendo?"

"Eu vou com você", Emeriel afirmou.

O Lorde Vladya arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada, o analisando com frieza. "Não. Não precisamos de você, só precisamos da sua irmã."

Emeriel se levantou. "Eu não me importo. Me levem também. Se me deixarem para trás, irei atrás dela de qualquer maneira. Atravessarei as grandes montanhas se for preciso!"

O riso do Lorde Vladya ecoou pelo salão, mas não havia qualquer vestígio de humor nele. Era um som gélido, cortante. "Sem o rito de passagem, as grandes montanhas vão te engolir inteiro. Você nunca chegará ao outro lado."

"Vou arriscar", Emeriel prometeu.

"Não! Meu irmão não vem", Aekeira interrompeu, antes de dirigir seus olhos suplicantes para Emeriel. "Não faça isso. Eu já estou condenada. Não quero que você tenha o mesmo destino!"

Encarando Emeriel, o Lorde Vladya declarou: "Se você vier conosco, será tomado como nosso escravo. Urekais não se importam se você é homem ou mulher. Você servirá da maneira que seu mestre quiser. Seja nas minas ou no porão, de costas, curvado ou de joelhos. Se você concordar em ser nosso escravo também, seu livre-arbítrio termina hoje."

Um arrepio percorreu a espinha de Emeriel.

"Você sabe o que significa ser um escravo dos Urekais, pequeno humano? Você tem um rosto bonito, então não te faltarão mestres para servir."

O medo se espalhou pelo peito de Emeriel como um veneno. Desde criança, ele ouvira histórias e lera sobre os horrores da escravidão dos Urekais.

Se os relatos fossem verdadeiros, ser propriedade de um deles era um destino muito pior do que servir a um humano.

Considerando os pesadelos que ele tinha, Emeriel deveria sair correndo dali.

Mas ele se recompôs. "Para onde minha irmã for, eu vou."

O segundo Urekai franziu o cenho, contrariado. "Não concordamos em levar dois escravos."

Ignorando a objeção como se nunca tivesse ouvido, o Lorde Vladya disse: "Então está decidido."

Com um movimento ágil, ele enfiou a mão nos bolsos do manto e retirou um segundo saco de moedas, jogando ambos em direção ao rei com desdém. "Nós levaremos os dois."

O som seco do martelo de Orestus ecoou pelo salão outra vez. "Vendidos!"

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