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Capa do romance PRESENTE DO DESTINO - ESPECIAL DIA DOS PAIS

PRESENTE DO DESTINO - ESPECIAL DIA DOS PAIS

Dizem que devemos aguardar pelo inesperado, mas encarar uma transformação que abala as estruturas da alma é um desafio imenso. Como alguém se prepara para um acontecimento capaz de alterar o destino permanentemente? Entre cada suspiro e o passar das horas, a vida exige paciência. É preciso enfrentar um dia após o outro para conseguir aceitar e habitar essa nova e surpreendente realidade, aprendendo a lidar com o que o futuro reservou.
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Capítulo 2

Ridge

─Mais uma rodada?─ A garçonete pergunta.

─Mantenha-as vindo, querida.─ Kent pisca

Eu vejo como o rosto dela fica vermelho, e ela caminha para longe. Os caras e eu estamos tendo uma merecida bebida após a longa semana de trabalho. Nós frequentamos o Bottonm‟s up1 já faz alguns anos. É um lugar pequeno, com uma jukebox2, cheia de clássicos. O ambiente é descontraído e as garçonetes são sempre uma boa distração. Não que eu me aproveite disso; tenho passado por um pequeno período de seca nos últimos meses.

Meus olhos estão colados à pista de dança improvisada quando Seth fala. ─Já escolheu sua diversão pós-festa?─ Ele sorri para mim.

─Ainda não decidi. Você?─

─Como se você precisasse perguntar,─ Mark diz.

─O que quero saber é por que você ainda não decidiu─ acrescenta Tyler. Dou de ombros. ─Só não estou com vontade─ Eu falo honestamente.

─Quem é você e o que fez com Ridge?─ Observa Kent.

1 Nome do bar.

2

─Preocupe-se com seu pau que eu me preocupo com o meu.─ Dou-lhe um olhar que diz para se afastar.

─Pequeno Ridge deve estar se sentindo negligenciado. Faz o que, quatro, cinco meses?─ Seth pergunta.

Porra! Essa é a consequência de ter amigos que te conhecem por toda a vida; eles não escodem nada e podem te ler como um livro.

─Algo assim,─ eu falo, pegando a cerveja que a bela garçonete colocou na minha frente. Eu a pego e bebo metade dela.

─Não desde, qual é o nome dela. ─ Tyler coloca o dedo em seu queixo.

─Merda. É isso mesmo, o trabalho que fizemos fora da cidade. Aquela coisinha linda. Qual era o nome dela? ─ Mark diz.

─Melissa─, eu resmungo.

─Sim!─, os quatro dizem em uníssono.

─Foi bom?─ Kent pergunta.

Sim. Havia algo nela, como se estivesse desesperada por uma conexão. Ela não era definitivamente como meus encontros usuais, mas sair sorrateiramente no meio da noite? Bem, isso faz alguma coisa para um homem. Estou acostumado a um esquema de cinco fases: aquele em que ela implora para ficarmos juntos de novo e choraminga no meu telefone. Aquele em que ela frequenta o Bottom‟s Up só para ter uma chance de ir pra casa comigo. E aquela em que ela gruda em mim e finge dormir só para poder passar a noite. É com isso que estou acostumado. Acordar sozinho num quarto de hotel? Isso não acontece. Pelo menos não comigo.

Nenhuma nota, nem sequer um vestígio de roupas para provar que ela esteve lá. É como se ela fosse uma invenção da minha imaginação.

─Tudo bem, amigo─. Seth coloca sua mão no meu ombro. ─Todos passamos por um período de seca.─ Ele está tentando muito não rir.

─Estamos contigo,─ Mark diz.

─Nós vamos garantir que você tenha uma companheira para a noite. E vamos embebedá-la para que ela queira estar com você,─ diz Tyler.

─Com certeza, nós podemos convencê-la,─ acrescenta Kent.

─Foda-se─.

─Acho que atingimos um nervo,─ Seth provoca.

─Não preciso de ajuda para encontrar uma mulher,─ eu resmungo.

─Sério?─ Pergunta Kent.

─Senhores, acho que temos um desafio em nossas mãos.─ Tyler esfrega suas mãos juntas animado.

─Sim. Escolhemos a garota─. Mark sorri.

Eu pego minha cerveja e levo aos meus lábios, apenas os deixando falar. Nunca tive problemas com mulheres. É o cabelo escuro e as tatuagens. Todas elas têm uma fantasia de estar com o bad boy, o bad boy que irá fazê-las se sentirem perigosas e vivas. O cara que suas mães lhes avisam para evitar. Então, há mulheres que simplesmente veem o que elas gostam e querem experimentar. Elas acham que sou eu, mas as aparências enganam. Sim, eu tenho o olhar misterioso - cabelo preto, olhos castanhos escuros e tatuagens. Não significa que sou um cara mau. Claro, eu estive com a minha cota de mulheres, mas sou um cara jovem, solteiro. Ninguém saiu prejudicado nisso.

─Alguma exigência?─ Seth pergunta.

Eu olho em volta da mesa para os quatro. ─Não─ estalo, levando minha cerveja aos meus lábios.

─Hora de definir as regras, ─ diz Mark.

─Não é necessário. Escolha a garota e eu vou fechar o negócio,─ digo-lhes com confiança.

─Ora, ora, não está sendo muito arrogante?─ Acusa Tyler.

─Amigos, eu estou falando que devemos adoçar o pote. Sr. Pau acha que ele pode fechar o negócio, então temos que aumentar as apostas.─ Kent se senta na sua cadeira, apoiando os cotovelos na mesa.

Eu não falo nada, apenas fico aqui sentado e os observo. Praticamente consigo ver as engrenagens nas suas cabeças trabalhando, decidindo meu destino. Sempre fomos assim, nunca demos as costas pra um desafio.

— Já sei!─ Mark exclama. ─Três meses. Escolhemos a garota e você a mantém por perto por três meses.─ Ele senta em sua cadeira, rindo descontroladamente.

Foda! Três meses. Isso é quase um relacionamento, o que é igual a sentimentos e uma confusão de drama quando acabar. Às vezes, até mesmo os encontros de uma noite são difíceis de se livrar, mesmo que elas saibam disso. Três malditos meses. O que? Só para poder me gabar?

─Estou gostando disso─, concorda Seth.

Um coro de ─Eu também─ e ─Porra─ atinge meus ouvidos.

─O que está em jogo?─ Pergunto. ─Três meses é quase um relacionamento.

Vou precisar de mais do que só me gabar─.

— Vale cem dólares de cada,─ Kent sugere. ─E só você pode ficar com ela, ninguém mais.─

Sério?

─Eu não preciso do dinheiro─, digo, sinalizando para a garçonete nos trazer mais uma rodada.

─Não, mas se você ganhar, nós teríamos que pagar. A menos que naturalmente você já estiver recuando?─ Seth alfineta.

Quatrocentos dólares e o direito de me gabar. Vale a pena? Quatro pares de olhos cheios de malicia me observam. Esperando que eu desista.

Que homem iria concordar em manter uma mulher qualquer, escolhida por seus amigos em um bar enfumaçado por três meses? Seria loucura, certo?

─Medinho?─ Mark caçoa.

─Faça sua escolha, rapazes.─ Eu rio. Foda-se! São três meses, e eles não disseram quanto tempo eu tinha que passar com ela, só que ela tinha que estar comigo por três meses. Passei três meses sem sexo, então isso não será um problema.

Mark e Kent imediatamente começam a pesquisar na multidão pela sua sugestão. Seth parece confuso, como se ele pensasse que eu não havia concordado. Tyler está sorrindo.

Vingança é uma merda, rapazes.

─Bem, então temos que procurar. Ridge, meu amigo, nós estaremos de volta─, Tyler diz.

Eu vejo quando os quatro levantam e vão até o bar. Em que diabos eu consegui me meter?

A bela garçonete traz outra rodada, mesmo com os caras de pé no bar. Eu rapidamente pego a minha e bebo, batendo com a garrafa vazia em cima da mesa.

Que comecem os jogos.

─Ridge, esta é Stephanie─, Mark diz enquanto o resto dos caras tomam os seus lugares. Virando para encarar a música, vejo uma loira com pernas longas e belas tetas me encarando. Eu prefiro loiras.

Talvez isto não vai ser tão ruim quanto eu pensava.

Levantando da minha cadeira, pego a sua mão e a levo até os meus lábios.

─Prazer em conhecê-la, Stephanie. Posso te pegar uma bebida?─

─Oi─. Ela Cora. ─Na verdade minhas amigas estão no bar.─ Ela aponta por cima do ombro.

Não desvio meus olhos dela, dando-lhe toda a minha atenção. ─Sente-se ao meu lado.─ Eu pisco, puxando a cadeira para ela.

─Obrigada.─ Ela sorri.

Pelo resto da noite, concentro-me nela. Ela parece... normal, não uma daquelas maluca. Suas amigas são legais, ao contrário dos meus. Todo mundo está se divertindo, e sinto um pouco do meu medo ir embora. Talvez, apenas talvez, seja porque passei por três malditos meses sem foder.

Enquanto a noite segue, meus amigos continuam bebendo, mas eu já passei para água. É hora de ir, então preciso ter a minha cabeça no lugar, para manter a senhorita Stephanie interessada. Como se ela pudesse ler meus pensamentos, ela boceja.

─Sinto muito.─ Ela esconde a boca com as mãos. ─Estou acordada desde as 5 da manhã, e estou cansada.─

─O que você faz?─

─Trabalho com design de interiores. Hoje fizemos os últimos retoques em uma casa que terminamos.─

Linda e com um emprego. ─Deixe-me te levar para casa─, eu sussurro em seu ouvido.

─Eu-eu... hum, adoraria, mas tenho que acordar cedo amanhã─ ela diz olhando para baixo em suas mãos entrelaçadas.

─Tanto quanto eu adoraria compartilhar a cama com você esta noite, não é o que quis dizer. Você está cansada e estava bebendo. Deixe-me te levar em casa, certificar-me de que você vai chegar com segurança.─

Ela hesita. Tenho certeza que ela está tentando avaliar se pode confiar em mim. Ela olha em volta para nossos amigos, que estão obviamente se aproximando.

─Steph, Mark está vindo para casa comigo. Está pronta para ir?─ Pergunta sua amiga. Eu não me incomodei em tentar aprender os nomes delas.

Isso não poderia ter dado mais certo. Eu trouxe Mark, sua amiga a trouxe.

Ela precisa de uma carona.

─É só uma carona─, sussurro contra sua orelha.

Ela assente. ─Ridge disse que ele pode me levar─, ela diz a sua amiga, que está agarrada ao Mark.

Mark sorri.

Eu luto contra o desejo de chutar sua bunda. Ao invés disso, me levanto e ofereço minha mão a Stephanie. Ela a pega, qualquer hesitação que tinha desapareceu agora. Eu aceno para mesa e a levo para minha caminhonete.

Ajudando-a a subir, espero até que o cinto de segurança esteja no lugar para fechar a porta, em seguida, paro na parte traseira da caminhonete e respiro fundo.

Ela parece legal, mas quem sabe o que pode acontecer nos próximos três meses. Esta pode ser a primeira aposta que eu perco. Balançando a cabeça para afastar esse pensamento, eu puxo minha boxer e caminho para o lado do motorista. ─Então, aonde vamos?─

─Na verdade, não é muito longe daqui.─

Eu escuto enquanto ela me dá orientações gerais antes de sair para fora do estacionamento. ─Você mora aqui há muito tempo?─ Pergunto.

─Não. As meninas e eu acabamos de nos mudar para cá há três meses. Os pais de Carla são donos da empresa que trabalhamos. Eles estavam planejando expandir os negócios, então quando nos formamos, eles o fizeram. Nós três conseguimos empregos assim que saímos da faculdade.─

— Isso foi um excelente negócio.─

— Na verdade, tivemos muita sorte.─

A cabine da caminhonete ficou em silêncio. Eu estava preocupado com o que concordei e Stephanie... bem, não tenho certeza do que se passa na mente dela agora.

─Segunda casa à direita─, ela instrui, quebrando o silêncio.

Parando na frente da casa, eu estaciono a caminhonete, mas não desligo o motor.

— Obrigada.─ Ela alcança a porta.

Porra! Eu preciso continuar com a porra da programação aqui.

— Stephanie.─ Eu a alcanço e pego seu braço. ─ Posso te ver de novo?─ Minha voz está suave; não quero que ela pense que sou um tarado pervertido.

─Sim, claro.─

─Me dê seu telefone, querida.─

Ela hesita antes de tirá-lo da bolsa e me dar. Eu rapidamente digito meu número nele e envio uma mensagem de texto pra mim mesmo. Este simples ato vai contra todos meus princípios. Eu não quero envolver, muito drama, muito... do mesmo.

Eu devolvo seu telefone e sorrio quando o meu apita, alertando-me para a mensagem que eu me mandei. Stephanie acena e, em seguida, abre a porta da caminhonete pulando para fora. Eu rapidamente faço o mesmo e a sigo até a porta. Eu deveria estar tentando fechar o negócio aqui, mas foda-me, não posso esta noite. Eu preciso enfiar na porra da minha cabeça que fizemos um acordo. Esse é o acordo mais estúpido que já fiz na minha vida.

Quando ela chega ao último degrau da varanda da frente, eu sei que o meu tempo está acabando. Eu tenho que dizer algo, mas ela é direta comigo.

─Você quer entrar?─

Se quero? É claro que sim. Ela é bonita. Na minha mente, eu rapidamente descarto os três meses seguintes. Talvez se eu a manter como uma transa casual, eu posso conseguir. Sem compromisso. Foda-se, na pior das hipóteses, eu vou ganhar quatrocentos dólares. No entanto, não é essa parte que me importa. É o direito de me gabar e não ter que ouvir piadas dos meus amigos pelos próximos vinte anos – ou pelo menos até aparecer outra aposta, melhor do que esta.

─Primeiros as damas, querida.─

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