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Capa do romance Presa sem saída

Presa sem saída

Traída pelo noivo e pela prima, Anya encontra Alexei em uma noite de desespero. O que era um encontro fugaz vira um destino selado quando seus avós impõem um casamento por negócios. Alexei, sentindo-se manipulado, inicia uma vingança emocional contra a esposa. Entre mentiras e a chegada de Viktor, um amor relutante floresce. Contudo, a revelação de uma gravidez e a fuga de Anya com o amigo de Alexei colocam à prova a redenção desse laço nascido da dor.
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Capítulo 3

Anya não teve muito tempo para processar o ocorrido, porque nesse momento seu celular tocou. Era seu avô.

"Anya, querida, tenho excelentes notícias," a voz de Vladimir soava cheia de júbilo, "Alexei Petrova aceitou se casar com você! O casamento será em um mês."

Anya se deixou cair no sofá, aturdida. Em que momento havia aceitado essa absurda proposta? E com um homem que nem sequer conhecia.

"Vovô, tem certeza disso? Eu..." sua voz tremeu, "ainda não decidi."

"Sei que é repentino, mas é o melhor para todos," Vladimir suavizou o tom, "Alexei é um bom homem, Anya. Sei que cuidará bem de você. E juntos, levarão nossas famílias a novas alturas de poder e prosperidade."

Anya fechou os olhos, derrotada. Sabia que não tinha opção, seu avô não a deixaria em paz, já havia decidido.

"Está bem, vovô. Que se faça a sua vontade," sussurrou.

O dia do casamento chegou com uma frieza incomum para a primavera moscovita. Anya se olhou no espelho, mal reconhecendo a noiva de branco que lhe devolvia o olhar.

"Você está linda, querida," sussurrou sua tia, com lágrimas nos olhos, "como uma verdadeira princesa."

Anya forçou um sorriso, mas por dentro se sentia vazia. Esse deveria ser o dia mais feliz de sua vida, mas em vez disso, sentia-se como se estivesse caminhando para seu próprio cadafalso.

"Está na hora," anunciou seu avô, entrando no quarto, "o noivo espera no altar."

Com um nó na garganta, Anya pegou o braço do avô e se deixou guiar até a luxuosa limusine que a levaria à catedral.

Ao chegar, a pompa e o esplendor a esmagaram. Centenas de convidados, arranjos florais opulentos, uma orquestra ao vivo... tudo gritava poder e riqueza. Mas para Anya, eram apenas correntes douradas que a prendiam a um destino indesejado.

Quando as portas se abriram e a marcha nupcial ressoou no recinto, Anya ergueu o queixo e começou a caminhar em direção ao altar, seu buquê tremendo quase imperceptivelmente em suas mãos.

E então ela o viu. Alto, bonito e elegante em seu smoking preto, Alexei Petrova a esperava com uma expressão indecifrável. Seus olhos verdes se cravaram nos dela, e por um momento, o tempo pareceu parar.

Foi então que Anya o reconheceu. Aqueles olhos, aquela boca, aquela aura de perigo e sensualidade... era ele. O homem daquela noite de paixão desenfreada. Seu amante misterioso.

Alexei também a reconhecera. Seu olhar endureceu com uma mistura de surpresa, raiva e algo mais sombrio e primitivo.

Quando Anya chegou ao seu lado, Alexei pegou sua mão com força, quase machucando-a.

"Você..." sibilou entre dentes, "eu deveria ter imaginado, você planejou tudo perfeitamente."

Anya empalideceu diante de seu veneno.

"Eu... não sabia quem você era," sussurrou.

"Claro," Alexei soltou uma risada amarga, "mas eu sei quem você é. A menininha mimada que brinca com os homens para depois descartá-los. Pois bem, agora você está presa comigo. E eu juro que pagará pelo que me fez."

Anya estremeceu diante de sua ameaça velada. Em que enrascada tinha se metido? Mas não teve tempo de responder, porque o sacerdote começou a cerimônia.

Enquanto recitavam seus votos, Anya sentia o olhar de Alexei queimando sua pele. Quando chegou o momento de beijá-la, ele a segurou pela nuca e pressionou seus lábios contra os dela em um beijo duro e castigador, marcando-a como sua propriedade diante de todos.

Os convidados aplaudiram, alheios à guerra silenciosa que acabava de ser desencadeada. Mas Anya e Alexei sabiam a verdade.

Este não era um casamento, era uma sentença, uma maldição. Alexei estava decidido a fazer da vida de Anya um inferno.

Enquanto saíam da igreja, Anya viu Misha entre a multidão, olhando para ela com uma mistura de raiva e desejo. Ao seu lado, Katya sorria triunfante.

Anya engoliu em seco, um arrepio percorreu sua espinha. Tinha a sensação de ter entrado em um ninho de víboras, e agora estava amarrada à mais perigosa de todas.

O salão da mansão Petrova resplandecia com opulência. Convidados elegantemente vestidos bebiam champanhe e trocavam rumores sobre o casal recém-casado.

Anya e Alexei abriram o baile com a tradicional valsa. Mas o que deveria ter sido um momento mágico, estava carregado de tensão.

Alexei apertava Anya contra seu corpo com força excessiva, seus dedos se cravavam em sua cintura.

"Sorria, moya zhena," sibilou entre dentes, "que todos vejam como estamos felizes."

Anya forçou um sorriso, embora por dentro quisesse gritar. A farsa de seu casamento a sufocava.

Enquanto giravam pela pista, fragmentos de conversas chegavam aos seus ouvidos.

"Não é a mesma garota que ia se casar com Misha Sokolov?" perguntou uma mulher mais velha.

"Sim, mas pelo visto mudou de noivo como de vestido," respondeu outra com malícia.

"E pensar que jurava amá-lo loucamente. Que rápido isso passou."

"Bem, com um partido como Alexei Petrova, até eu mandaria meu amor para o diabo."

As risadas cruéis se cravavam em Anya como agulhas. Queria se defender, gritar que ela não era assim, que as circunstâncias a haviam obrigado. Mas quem acreditaria nela?

Alexei também ouvia os comentários, sua mandíbula se tensionava a cada palavra. Com que tipo de mulher ele havia se casado? Uma volúvel que mudava de amores como de estação? Ou uma caça-fortunas que ia atrás de seu dinheiro e posição?

A ira e a desconfiança fervilhavam em seu interior, envenenando cada pensamento. Apertou o agarre em Anya, fazendo-a gemer de dor.

"Você está me machucando," sussurrou ela.

"Acostume-se," rosnou ele, "isso é só o começo."

De repente, um alvoroço estourou no salão. Os convidados suspiraram e murmuraram escandalizados.

Misha, claramente bêbado e desarrumado, havia aberto caminho aos empurrões até a pista de dança. Caiu de joelhos diante de Anya, com lágrimas escorrendo pelo rosto.

"Anya, meu amor," balbuciou, agarrando-se ao vestido dela, "perdoe-me. Fui um estúpido, mas te amo, sempre te amei. Não me deixe, não se case com ele."

Anya ficou paralisada, seu coração batia descompassado.

"Misha, por favor," suplicou, tentando se soltar, "não faça isso, já não há mais nada entre nós."

"Não!" Misha se agarrou com mais força, sua voz se elevando em um soluço devastador, "não vou desistir, lutarei por você, contra ele, contra o mundo inteiro se for necessário. Você é minha, Anya. Minha!"

Alexei, que havia observado a cena com uma calma mortal, decidiu que já era suficiente.

Inclinou-se e pegou Misha pelas lapelas, levantando-o do chão como a um boneco de pano.

"Escute bem, pedaço de lixo," sibilou, aproximando seu rosto a centímetros do de Misha, "Anya é minha esposa agora. Minha. E eu não compartilho o que é meu. Então é melhor você desaparecer de nossas vidas, ou eu juro que te enterrarei tão fundo que nem os vermes encontrarão seu cadáver. Fui claro?"

Misha, com os olhos arregalados de terror, assentiu freneticamente.

Alexei o soltou com desprezo, deixando-o cair ao chão como um monte trêmulo. Então pegou Anya pelo braço e a arrastou para fora da pista, longe dos olhares curiosos e das fofocas venenosas.

Uma vez a sós, ele a encurralou contra a parede, pressionando seu corpo contra o dela em um gesto possessivo e ameaçador ao mesmo tempo.

"Você e eu temos muito o que conversar, moya zhena," rosnou, seu hálito quente e perigoso no pescoço de Anya, "começando pela sua longa lista de amores e sua lealdade questionável."

Anya tremeu, embora não soubesse se de medo ou de antecipação. A proximidade de Alexei, apesar de suas palavras cruéis, despertava nela um fogo escuro e proibido.

"Não há nada para conversar," replicou, erguendo o queixo em um gesto desafiador, "meu passado é assunto meu. E quanto à lealdade, você é o menos indicado para exigi-la, lyubov moya."

Os olhos de Alexei escureceram com algo primitivo e faminto, por um momento, Anya pensou que ele iria beijá-la, devorá-la inteira até que não restasse nada.

Mas em vez disso, ele se afastou bruscamente, como se o toque de Anya o queimasse.

"Você tem razão," disse com um sorriso perigoso, "não tenho o direito de exigir sua lealdade. Mas pode ter certeza de que conquistarei sua obediência, de um jeito ou de outro."

E com essa ameaça velada, Alexei se virou e se afastou, deixando Anya tremendo contra a parede, com o coração acelerado e a pele ardendo onde seus corpos haviam se tocado.

A festa continuou ao redor deles, os convidados cochichavam e especulavam sobre o futuro dos noivos. Mas Anya mal os notava.

Sua mente e seu corpo estavam consumidos por Alexei, por sua escuridão, sua intensidade, sua inegável atração.

E embora uma parte dela temesse o inferno que os esperava, outra parte, a mais secreta e primitiva, não podia esperar para se queimar em suas chamas.

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