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Capa do romance Preciso ser pai - parte 2

Preciso ser pai - parte 2

Sophia aceita gerar o herdeiro do influente Vítor Carvalho, que enfrenta uma doença grave. O trato profissional se transforma quando a convivência desperta uma paixão mútua na mansão. Contudo, Tomás, amigo de Sophia, decide sabotar o casal para conquistá-la. Entre a chegada do bebê e as armadilhas de um triângulo amoroso, Sophia e Vítor precisam superar inseguranças e o passado para proteger o amor e a estabilidade que encontraram juntos.
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Capítulo 3

Senti um nó na garganta e uma mistura de emoções tomou conta de mim: tristeza, raiva, frustração, medo… Todas as lembranças do que passamos juntos, bons e ruins, passavam pela minha cabeça. De como foi incrível até agora pouco… Lá no quarto dele… Tão carinhoso… Mas quando penso nisso tudo, meus olhos começam a marejar e eu começo a chorar.

Respirei fundo e decidi encarar logo esse envelope. Sentada e com o envelope nas mãos, soltei o ar pesadamente. Em seguida abri e comecei a ler com atenção cada cláusula.  São tantas informações, termos técnicos e exigências legais que confesso que fiquei um pouco perdida. Porém, sei que é importante ler com atenção e entender o que estou concordando ao assinar esse contrato.

Fiz anotações e destaquei passagens importantes, buscando entender as implicações e consequências que cada clausura pode trazer. Afinal, não quero me comprometer com algo que possa me prejudicar lá na frente. Após uma longa leitura, comecei a ver que não era como imaginava e sim, benefícios quando ficar grávida do Vítor. Comecei a me sentir um pouco melhor do que estava sendo proposto. Na verdade, é muito bom para ser verdade! Entendo agora por que o irmão ficou tão chateado pelo Vítor não ter mostrado antes. De repente, levei um susto e acabei dando um pulo da cama. Quando olhei para a porta e escutei batidas, logo veio na minha mente se seria o Vítor. Mas ouvi uma voz de mulher, me chamando.

― Sophia? Tem alguém aí? 

Deixei o contrato na cama, me levantei indo até a porta. Abri em seguida e vi uma senhora na minha frente com a mochila e as sacolas da loja que tinha ido mais cedo com o Vítor. ― Olá, a senhora é Sophia? ― Perguntou, estava segurando as sacolas. Parece que não está aguentando mais segurar por conta do peso. 

― Sim. ― Respondi. ― Deve estar pesado isso, como sou uma tapada. Entra por favor! ― Dei passagem para  ela entrar. Assim que a senhora entrou, fechei a porta e assegurei que ela não precisava mais carregar as sacolas. ― Deixe-me ajudá-la com isso. ― Ofereci minha ajuda.

― Não precisa, minha querida. Posso fazer sozinha. ― Ela sorriu gentilmente. 

Apontei para ela deixar perto da cama. Depois que deixou, ela se virou e olhou para mim.

― Prontinho, mais alguma coisa? ― Demandou. Sacudi a cabeça que não, disse para ela que ela poderia ir. Quando estava saindo ela se virou e me fitou. ― A senhora não vai descer?

―Descer? ― Olhei para ela, confusa. Não entendi a sua pergunta. 

― Sim, senhora. Não vai jantar? Acho que a senhora deve estar com fome.

― Ah isso… Não sei se devo… ― Virei o rosto para o lado e levei a mão para o meu cabelo, jogando para trás. 

― Por que não deveria jantar, senhora? Precisa se alimentar, já que está aqui dentro faz um tempo e também… ― Ela deu uma pausa. Logo virei o rosto para sua direção, não sei por que eu fiquei curiosa.

― Também o quê? ― Sondei. Acabei dando um passo para frente. 

Ela soltou um sorriso e não entendi o porquê daquilo. Finalmente ela falou:

― Bom, ia dizer que o senhor Vítor chegou na mesa de jantar e não viu a senhora. E não ia jantar até que a senhora estivesse à mesa.  ― Soltou de uma vez. Na mesma hora, fiquei em silêncio. Não estou acreditando no que aquela senhora acabou de dizer!

― O que a senhora disse? Acho que não ouvi direito. 

― Eu disse que o senhor Vítor estava te esperando e não ia jantar até que a senhora estivesse à mesa, até brigou com o irmão por conta disso. ― Evidenciou calmamente. 

Fiquei sem palavras ouvindo aquilo. Deve ser por isso que ele veio aqui. Não era por causa do contrato e sim, queria que eu jantasse com ele. Não esperava que ele fizesse esse tal gesto. Antes que pudesse responder, aquela senhora que estava diante de mim, me apressou para eu descer para o jantar. 

― Não fica pensativa aí. Olha, como eu trouxe suas roupas, porque não vai no quarto do senhor Vítor? Lá tem banheiro. Lá você pode tomar um banho e escolher uma roupa, ficar bem bonita e descer. Ele vai adorar a surpresa! 

― Eu não sou bonita? Olha para mim… Sou gorda e feia… ― Me afastei e caminhei até a cama e me sentei em seguida. Logo senti uma mão no meu ombro.  Neste instante, virei o rosto. 

― Você é linda do jeito que é. Sua beleza não está no seu corpo, mas sim na sua essência e no seu caráter. Não se deixe enganar pelo que os outros falam. Você é única e especial! ― Disse a senhora me confortando. Agradeci pelas belas palavras, me fazendo sentir melhor.  ― E então, vai lá tomar banho. Deixa que vou escolher a roupa e levar lá para a senhora. 

― Eu não sei… ir tomar banho no banheiro dele? Não devia falar com… 

― Que nada. Vai lá tomar um banho e já disse que levo a roupa lá no quarto do senhor Vítor. ― Ela me cortou e depois levou suas mãos no meu braço, me fazendo levantar. Tentei argumentar, mas ela me convenceu. Acabei saindo dali e fui para o quarto do Vítor. Espero que não dê problema por está fazendo isso… Ao chegar no quarto, bati na porta com delicadeza, sabendo que ele estava lá embaixo, mas poderia estar no quarto. Depois levei a mão na maçaneta e virei, ela abriu em seguida. Depois entrei, fechei logo em seguida. Estava me sentindo como se estivesse invadindo um lugar de alguém. Que loucura. Levei a mão no meu peito e comecei a me acalmar.  Respirei fundo e depois soltei o ar devagar. Acho que estou melhor. Olhei para frente e vi a cama dele, estava do jeito que deixamos. E comecei a me lembrar… Quando estava em cima dele, sentindo o seu pau dentro de mim…  E logo sacudi a cabeça para afastar esse pensamento. Meu Deus! Só de pensar, sinto o meu corpo queimar todo. Fui logo para o banheiro.  Assim que entrei, em seguida fechei a porta atrás de mim. Liguei o chuveiro na água gelada mesmo, tirei a camisa e depois entrei para tentar me acalmar. Precisava parar de pensar nele, de querer estar com ele de novo. Não posso me deixar levar por esses sentimentos, afinal, isso aqui é um trabalho. Bom, podemos dizer que sim, já que vou receber por isso. Tenho que manter o foco no meu trabalho. E isso não pode mais se repetir!

Saí do banho e fui para o quarto, tentando esquecer essa loucura que fiz. Voltei para o quarto enrolada numa toalha branca, é tão macia. Olhei para a cama de novo e suspirei. Droga! Tenho que evitar essa lembrança… Gostosa? Que droga! Não posso pensar nisso! Olhei para a beira da cama e vi um vestido vermelho. Me aproximei para ver melhor. É um vestido longo, entreaberto nas laterais, indo até as coxas. Frente única e que tem um decote nas costas. Pude sentir que o tecido é fino, de seda. É muito gostoso de sentir. Meu Deus! Será que devo? Senti que esbarrei em alguma coisa, coloquei o vestido na cama e olhei pra debaixo da cama, e vi um sapato de salto agulha na mesma cor do vestido. Que é lindo por sinal! E agora será que devo?

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