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Capa do romance Por favor, papai

Por favor, papai

Grace vê sua vida ruir ao descobrir a verdade sobre o noivo. Em uma noite de embriaguez, ela acaba por erro na cama de Apollo Reed, um homem gélido e poderoso com o dobro de sua idade. Após uma entrega intensa e proibida, ela descobre que o estranho que a despertou para o prazer é seu novo chefe. Entre o desejo e o risco, Grace deve decidir se cederá novamente ao controle de Apollo ou se fugirá de uma paixão que exige um preço alto demais.
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Capítulo 3

Gracia

Fiquei olhando para o copo que segurava, vendo o líquido dourado capturar as luzes do bar.

"Pois é...", murmurei, as palavras um pouco arrastadas. "Essa é a história da minha vida."

Soltei uma risada amarga e levei o copo aos lábios, enquanto sentia o ardor descer pela minha garganta.

"Descobri que meu noivo é gay dias antes do casamento. E para piorar", acrescentei, balançando a cabeça em descrença. "Ele me feriu. Dá para acreditar nisso?"

Olhei para o barman, que havia parado de limpar um copo com uma expressão atenta.

"Fiquei em choque e só consegui ficar parada ali, me sentindo completamente desamparada. Eu deveria ter feito alguma coisa, dito algo, ao invés de simplesmente congelar assim."

"Uau. Quando disse que queria ouvir sua história, não imaginei que seria tão pesada." Lentamente, o barman colocou o copo sobre o balcão e e soltou um suspiro baixo. "Nem consigo imaginar como você deve estar se sentindo agora."

Coloquei meu copo sobre o balcão com um leve tilintar, piscando com força. Enquanto minha cabeça girava e o álcool queimava na minha garganta, tudo parecia esmagador.

Eu nem me lembrava de como cheguei aqui. Num instante, eu estava saindo daquela casa, e no outro, estacionando em frente a um hotel qualquer. Ao invés de reservar um quarto, fui direto para o bar e pedi a bebida mais forte que tinham.

Agora, quase toda a bebida já tinha acabado. Franzindo a testa, comecei a arrancar o rótulo da garrafa.

"Deus, isso é tão clichê", pensei, desolada. Lá estava eu, de coração partido, bebendo sozinha e contando minha história para um estranho.

Antigamente, eu achava que cenas como essa em livros e filmes eram exageradas, me perguntando por que os personagens não conseguiam lidar com a situação de outra forma. Mas agora... eu entendia.

Quando a gente se sentia tão para baixo, completamente destruída, às vezes o entorpecimento parecia ser o único alívio temporário.

Empurrando o copo em direção ao barman, eu disse com a voz embargada pela emoção: "Imagine só... descobrir que seu noivo foi infiel já é terrível, mas descobrir que ele nunca se sentiu atraído por mulheres? Que ele amava outra pessoa e só estava te usando para esconder o fato de ser gay? E então, em meio a tudo isso, ele te feriu ao defender a pessoa que escolheu ao invés de você?"

Com uma expressão séria, o barman colocou sua toalha sobre o balcão.

"É... é muita coisa para qualquer um aguentar." Ele acrescentou rapidamente: "Mas você vai superar isso. Sério, você vai."

Pegando a garrafa, ele serviu mais um pouco no meu copo. "Este é por conta da casa. Não se preocupe, você encontrará alguém que te mereça. Alguém muito melhor do que ele."

Alguém melhor? Olhei para o líquido girando no copo, me perguntando quem seria essa pessoa. Com 23 anos, eu sentia que os homens que conhecia na maioria das vezes eram imaturos ou não entendiam o que eu precisava. Talvez eu devesse ir atrás de homens mais velhos a partir de agora. Pelo menos eles saberiam como satisfazer uma mulher e tratá-la bem.

Peguei o copo e bebi lentamente. Depois de colocá-lo sobre o balcão, deixei minha cabeça cair entre as mãos, fechando os olhos com força. Eu odiava isso, odiava tanto esse sentimento...

De repente, meu celular começou a tocar, vibrando sobre o balcão. Pisquei, tentando focar a tela, mas minha visão estava ligeiramente embaçada.

Fiquei olhando para o identificador de chamadas por um bom tempo — era minha mãe. Eu não queria atender, pois já sabia como a conversa terminaria. Eu poderia explicar tudo, implorar, mas nada disso importaria, como nunca importou para minha família. Mesmo assim, uma parte frágil de mim ainda tinha esperança. Talvez dessa vez fosse diferente, e ela me ouviria.

Atendi a ligação. "Mãe..."

Eu nem terminei de falar quando a voz dela surgiu do outro lado da linha, aguda e irritada.

"O que é isso que estou ouvindo da família de Charles?! Você cancelou o noivado? Por acaso enlouqueceu? O casamento é em poucos dias!"

Mordi o lábio, um velho hábito nervoso.

"Mãe, eu... Charles, ele..."

"Não ouse gaguejar!", ela interrompeu, fazendo com que me encolhesse e afastasse o celular ligeiramente do ouvido.

"Quero que você volte para lá agora mesmo. Resolva isso! Peça desculpas se for preciso! Implore para ele te aceitar de volta!"

Por um momento, fiquei paralisada. Olhando para o copo vazio sobre o balcão.

"Mãe...", comecei, minha voz trêmula. "Como posso voltar para ele? Charles... ele estava com outra pessoa. Eu os vi."

Houve uma pausa do outro lado da linha. Por um segundo, pensei que ela poderia entender.

Mas então, ela soltou um som de desdém. "E daí? Ele é o único? Homens traem. Isso acontece. É o que importa."

Fechei os olhos com força, sentindo o mundo girar. "Eu..."

"Seu pai não era nenhum santo, mas você não me vê fazendo escândalo. Ele provê. Isso é o que importa. Então pense com lógica, Gracia."

"Você é nossa filha adotiva. Não podemos te sustentar para sempre. Charles pode. Ele te dará uma vida estável. Não seja tola. Resolva isso antes que seu pai descubra. Você sabe como ele fica."

Antes que ela desligasse, a ouvi murmurar: "Que ingrata. Ela deveria agradecer por alguém como ele querer se casar com ela."

Assim, a ligação foi encerrada. Fiquei sentada ali, com o celular na mão, me sentindo completamente vazia.

Nesse momento, o barman se inclinou ligeiramente, sua voz suave. "Você está bem?"

Eu estava bem? Por que ninguém parecia se importar de verdade comigo? Por que isso sempre doía?

Eu não estava pedindo muito, nem precisava de extravagâncias. Só queria alguém que se importasse genuinamente comigo, que me escolhesse e me amasse com honestidade. Por que isso era tão impossível? Por que parecia um pedido tão absurdo?

Meus dedos se contraíram antes de eu forçá-los a relaxar. Então, me levantei com minhas pernas trêmulas.

O barman fez um movimento como se fosse ajudar, mas balancei a cabeça levemente.

Após procurar na minha bolsa, peguei uma nota, a deixei sobre o balcão e murmurei: "Fique com o troco."

Sem dizer mais nada, me virei e fui em direção ao saguão. As luzes brilhantes eram intensas, e meus saltos ecoavam no chão enquanto eu me aproximava da recepção.

"Olá, há algum quarto disponível? Algo modesto, por favor."

A recepcionista sorriu educadamente. "Boa noite. Só um momento, vou verificar para você."

Enquanto eu esperava, alguém se aproximou de mim.

"Com licença", disse o homem à recepcionista, ajeitando o punho do seu terno. "Preciso de uma chave reserva para o senhor Reed, por favor. Estou com a equipe dele."

Eu mal olhei para ele quando seu celular começou a tocar e ele atendeu.

"Sim, estou na recepção agora, pegando a chave reserva para o senhor Reed e garantindo que tudo esteja organizado para amanhã."

Sem dar atenção à conversa, observei a recepcionista colocar duas chaves de quarto sobre o balcão. Uma tinha o número seis, e a outra, o nove.

Sem olhar, o homem pegou a chave com o número nove, ainda falando ao celular enquanto se afastava.

Então, peguei a chave com o número seis, agradeci à recepcionista e fui em direção ao elevador.

Me recostei na parede do elevador, me concentrando em ficar de pé. Quando as portas se abriram, caminhei pelo corredor até a porta certa.

Quarto 6.

Após mexer na chave, finalmente abri a porta. O quarto era espaçoso e muito mais luxuoso do que eu esperava pelo preço.

Com a testa franzida, pensei que não havia reservado um quarto premium. Será que houve algum engano? Dei de ombros, exausta demais para lidar com isso agora, pensando que poderia esperar até a manhã.

Entrei e fechei a porta atrás de mim, ouvindo instantaneamente o som de água corrente.

"O chuveiro está ligado? Talvez tenha sido deixado ligado por engano."

Cansada demais para pensar muito nisso, tirei os sapatos e o vestido e o deixei sobre uma cadeira.

Fiquei ali por um momento, na camisola de renda que usava esta noite. Uma onda de tristeza me atingiu, mas a afastei, sabendo que só precisava dormir.

Então, fui até a cama grande e me joguei nela. Ao tocar nos lençóis macios, fechei os olhos, adormecendo quase que instantaneamente, mas logo senti algo úmido no meu rosto.

Ainda meio sonolenta, franzi a testa. "O quê...?"

Forcei meus olhos a se abrirem e me deparei com um par de olhos castanhos surpresos.

Um homem estava parado ao lado da cama, com gotas de água brilhando na sua pele e uma toalha enrolada na cintura. Seu cabelo escuro estava úmido, e ele parecia confuso e irritado.

Pisquei, tentando processar a visão de um estranho no quarto.

"Estou... sonhando?", murmurei, minha mente ainda nebulosa.

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