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Capa do romance POEMAS DO INFINITO I

POEMAS DO INFINITO I

Poemas do Infinito I apresenta uma seleção de obras do segundo ciclo literário do autor. Através de versos que emanam diretamente da alma, a narrativa explora a profundidade dos sentimentos humanos, dando voz a gestos de afeto enquanto abraça temas como a solidão e o silêncio. A obra reflete sobre a jornada individual, simbolizada por uma casa no caminho que aguarda pacientemente por aqueles que viajam sozinhos em busca de acolhimento e introspecção.
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Capítulo 2

Ensaio para um pequeno inventário

Tudo o que ultimamente tenho amado

Foram apenas papéis velhos guardados

Na gaveta do criado,

ao lado da minha cama...

...

Às vezes – chuva miúda de verão

Que vem e que passa

Deixando pelos caminhos todos

Alegria para as pequenas flores

E também para as ervas daninhas

Que vicejam aqui e ali

Em todo lugar...

...

Outras vezes me encontro maravilhado

Com toda a beleza que há

No entardecer...

...

Então...

Saio por aí

...

Vou me encontrar

Para não me perder...

E depois, de tudo isso

Disse alguém

Que o amor também envelhece

Com o tempo muda de cor

Não tem o mesmo sabor

Nem os prazeres de outrora...

Escrever para quê?

[Se um dia vamos morrer...]

...

Escrever para viver

Para nunca morrer

Escrever...

Queixas

Lamentos

Sucessos

Fracassos

Alegrias

As dores

Os amores...

Escrever para quem?...

Vinhedo, Primavera de 2009.

Cantiga para passar o tempo...

Ah, esse vento que passa

Essa chuva que cai

A manhã que surge

A tarde que morre

A vida que vai...

Às vezes,

O frio

Impiedoso

Esse ar triste,

Saudoso...

Sonhos,

Esperanças,

Lembranças...

E depois esse fogo

Que crepita na alma

Que queima e arde

Numa voraz paixão...

Ah, tudo passa...

Passam as flores na praça

Passa a água do rio

Passam os carnavais

Os felizes natais

E tudo o mais...

Passam os pássaros no céu

O rosto e o véu

Passa o riso

Passa o vento

Passa a chuva

Passa a vida

Passa tudo o que se vê...

E depois...

De certo tempo

Esse lamento

Sem você!...

Vinhedo, Primavera de 2009.

Quero...

Quero a ternura leve

Qual vento macio

A flor pequenina

Que enfeita a colina

Nas tardes de abril...

Quero o afago de mãos

No encontro das almas

A essência do olhar

Em meio às águas calmas

Quero o sorriso mais terno

A voz mais doce

O amor sempre eterno, quero!

Vinhedo, Primavera de 2009.

Vento...

Vivi como vento que passa

Não aquele que arrasta

Mas aquele que beija suavemente

Os lábios da mulher amada

Que envolve e que abraça,

E que de repente se aquieta

Sucumbido aos caprichos da paixão...

Por muito tempo fui promessa em segredo

Suave murmúrio nas tardes cansadas

Qual canto de adeus em terna oração...

Agora nada mais sou

Do que vento que passou

Arrastando alma e coração...

Vinhedo, Primavera de 2009.

Andança...

Ainda ontem

Passei por aquele lugar

Outra vez, com esperança,

De pelo menos,

Mais uma vez te encontrar...

Tolice...

Vã ilusão...

Continuarei a viver

Enganando o próprio coração...

Os tempos passaram

A vida mudou

Somente a saudade

É que ficou...

Vinhedo, Primavera de 2009.

Sonho Mudo

Demais é tua ausência na minha vida

Este vazio que não preenche jamais

Esta dor que nunca tem fim

Tão dolorida que de resto nada é demais...

Brilha o sol nas manhãs sonolentas

Fadas coloridas fogem dos meus sonhos

Preciso encontrar a minha vida

Nesse caminho onde nada brilha...

Grito teu nome e não há respostas

Somente este vazio inunda minha solidão

O silêncio permanece na distância

Nas profundezas da alma ecoa meu grito...

Meu sonho tem mil bocas

E nenhuma ousa falar teu nome

Tua ternura dorme nas minhas lembranças

E o amor eterno vive no meu sonho.

Vinhedo, Primavera de 2008.

Minha herança

Na distância da minha saudade

Eu amei a ternura da sua lembrança

Como um rio que passa em silêncio

Fiz o meu caminho e o meu viver

Do clarão das estrelas fiz minha luz

Como flor rasteira e simples

Conservei minha fragrância e minha quietude

Amei o longe e as montanhas

Em busca das colinas verdejantes

Vou andando por aí, ao léu

Contento-me com a chuva miúda

Que cai nas manhãs de solidão...

Vinhedo, Primavera de 2008.

Deixa que a vida te possua sem medo e sem promessa...

É tarde...

O pensamento vagueia

por momentos sublimes e mágicos:

oferendas da vida,

que caminham com as lembranças...

Lá fora,

açoita a escuridão

um vento desumano.

Dentro de mim,

fria e triste,

chora uma saudade silenciosa...

Vinhedo, Primavera de 2008.

E a vida passa...

Às vezes penso nas insignificâncias

que aumentam

à medida que a vida

faz o caminho de volta...

De que valeram os sorrisos

sempre calados pela dor,

Abraços que não se ajuntaram

aos anseios do amor

Caminhos sem direção,

barcos naufragados

nas águas da indecisão...

O que é realmente

essa caixinha de surpresa chamada vida?

Esse sonho que dificilmente acontece sem sofrer.

Minguados momentos de ternura

em meio a tantos desenganos...

Não haverão de me importunar as declarações,

que num misto de imposições inquisitórias

recheiam os diálogos com nãos, com se e com mas...

A vida tem sido uma constante

levada pelos detalhes

que mudam a história

sufocando o sonho...

É apenas irreal

o ser que não marca presença

ofuscado pela ganância

que quer sempre mais...

E nesse cenário onde campeiam as paixões humanas

as insignificâncias tomam forma

e correm como loucas

pelos caminhos do destino.

E a vida passa...

Vinhedo, Primavera de 2008.

PÁSSARO

Leve,

como pluma

baila no ar -

- ele paira na imensidão.

Leva os desejos.

Leva a vida.

Voa nas cantigas de ninar,

nas noites de solidão.

Quero-te livre,

para cantar nos sonhos,

aveludando os pensamentos

com tua canção.

Filho nobre das matas e florestas:

Quero-te livre

no coração!

Quero sempre te encontrar

nos versos da alegria.

E nas cores da tua presença

descansar minha saudade.

Na sombra dos meus dias

ser o arauto da esperança:

O amor está no ar!...

Vinhedo, Primavera de 2008.

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